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A bem da Nação

DOMÍNIO INGLÊS NO BRASIL – 7

 

              OS TRATADOS DE 1810
 
 
Final da parte 6: O Rio de Janeiro tornou-se o grande entreposto colonial. Ao seu porto afluíam mercadorias que de lá eram distribuídas pela costa da Bahia a Montevideu e para o norte. Recebia variedade de mercadorias da Europa, da Índia, da China, de Angola e Moçambique, apesar de na época o mercado consumidor ser limitado.
 
 
Parte 7: O facto de distribuir mercadorias, o porto do Rio de Janeiro transformou-se em ponto de contacto com o mundo das possessões portuguesas da Ásia e da África. Recebia também mercadorias brasileiras para serem exportadas ou distribuídas. Durante os conflitos platinos, o Rio de Janeiro concentrou e distribuiu as exportações de Buenos Aires e de Montevideu. Esta situação conferiu à cidade foros de empório do Atlântico Sul e permitiu à Corte os seus recursos.
 
  Cerimônia de aclamação popular de D. João VI pela elevação do Brasil a Reino Unido, ambientada pelo principal artista da Corte Portuguesa, J.B. Debret.
Fonte: Loyds Bank, 1987.
 
O surto comercial alterou a fisionomia da cidade e até certo ponto, da Colónia. Por volta de 1811, existiam na capital 207 estabelecimentos comerciais portugueses, 75 ingleses além dos que eram propriedade dos nacionais oriundos dos países amigos de Portugal. A Bahia aumentou a sua importação e exportação entre 1807 e 1810. A receita das alfândegas nos cinco portos em que o comércio estrangeiro era permitido elevou-se sobre o total dos anos anteriores a 1808. O valor das mercadorias importadas da Inglaterra, em seus navios, elevou-se como também o valor das exportações daquele porto para a Inglaterra.
 
Como a Inglaterra se beneficiara com o acto de abertura dos portos, o governo de D. João VI solicitou ao seu aliado a concessão de reciprocidade. Em Londres Strangford recebera instruções de Canning; de posse das credenciais que lhe foram entregue em Abril, ele retornou ao seu posto. Em Junho, a Corte do Rio de Janeiro decidira regulamentar o acto de Janeiro que abrira os portos, corrigindo a desigualdade com que eram tratados os navios lusos. Strangford deixou passar tal decisão. Quando solicitado a interferir para obter de Londres a reciprocidade da cláusula de nação mais favorecida não concordara, mas também não impugnara desde logo a pretensão lusa. Esta atitude causou a desaprovação de Canning. Não era possível aceitar a redução dos direitos concedidos aos navios portugueses. O Brasil não tinha o direito de tornar Portugal nação mais favorecida em prejuízo dos interesses da Inglaterra. A Corte de Londres exigia a revogação da decisão de Junho.
 
As instruções trazidas por Strangford eram minuciosas e claras. Tratava-se para a Inglaterra, segundo aquelas instruções, de manter os tratados anteriores, pois aquela solicitação importaria em revisão dos acordos alcançados com a transferência da Corte para o Brasil. Renovação devia ser mencionada em novo instrumento diplomático. A Inglaterra pleiteava agora a permanência ilimitada de uma esquadra britânica no litoral brasileiro. Desejava que esse prazo fosse fixado e prolongado por ajustes sucessivos. "Era a admissão, não somente dos específicos navios que compunham a esquadra, mas de todos os navios de guerra de Sua Majestade Britânica, sem limitação de número, em todos os portos dos domínios americanos de Sua Alteza Real, com liberdade de se abastecerem e de reparos". Os portos brasileiros seriam, assim, transformados em bases navais
britânicas.
 
 
Continua
 
Therezinha B. de Figueiredo
Belo Horizonte, 5 de Junho de 2008
 

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