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A bem da Nação

DOMÍNIO INGLÊS NO BRASIL - Parte 2

                               OS TRATADOS DE 1810
 
 
   Final da parte 1: O comércio tornara-se para a Inglaterra a primeira necessidade da sua vida econômica e o objetivo principal da sua atividade. A agricultura, como era no século XVIII, transformara-se em atividade industrial, benefício esse alcançado graças à reconstituição das grandes propriedades de luxo e do forçado êxodo dos camponeses para os centros urbanos.
 
  Parte 2: O mercado português e o brasileiro foram os mais cobiçados pelos ingleses em sua expansão marítima e comercial. Primeiro, a metrópole consentiu na sua função de intermediação para uma segunda etapa eliminar esta onerosa intermediação, quando Napoleão invadiu a Península Ibérica.
 
 "Como a Inglaterra consumia pouco dos produtos agrícolas do Reino, houve o saldo que seria pago em ouro do Brasil. Assim aquela nação foi progressivamente apropriando-se de todo o tráfico com Portugal. Para lá exportava seu trigo, munições, navios e até capitais. O comércio interior passou em boa parte para as casas de feitoria inglesa com seus correspondentes nas várias províncias. O ouro que saía não era somente para pagamento do excedente das exportações inglesas sobre as importações portuguesas. Os navios de guerra britânicos carregavam-no também por contrabando, pois tal exportação era legalmente defesa". A nota de Napoleão em 1807, ao governo de Lisboa, colocava a Inglaterra sob a ameaça de perder as vantagens rendosas exercidas diretamente  na metrópole e indiretamente nas suas colônias. Cabia aos ingleses tomar providências em defesa de seus interesses ameaçados. Não ceder aos franceses resultava evitar a ocupação da colónia na América.
 
  "Observam as memórias de Sir Sidney Smith que, para o governo francês, um motivo havia de fazê-lo estimar a trasladação da família Bragança (...): pelo menos se obstava com tal deliberação a que as colónias portuguesas caíssem  nas mãos da Grã-Bretanha. O almirante é o primeiro a reconhecer que essas colónias estariam de fato perdidas para a metrópole se Dom João não emigrasse para o Brasil. Os ingleses ocupá-las-iam sob o pretexto de as defender(...)".
                    (Oliveira Lima:op.cit., p. 74,I). 
 
   A Inglaterra estava representada em Portugal por diplomata à altura das graves responsabilidades que o momento impunha. Strangford
The 6th Viscount Strangford.
Percy Clinton Sydney Smythe, Lord Strangford (1780-1855)
como outros diplomatas ingleses, era mais de proteger do que negociar, capaz de alcançar o reconhecimento dos interesses da sua nação, que aquele tempo visava a expansão e a conquista da supremacia mercantil perante os demais países.
  De secretário de Embaixada em Lisboa foi elevado ao cargo de ministro, quando já se aproximavam as ameaças de invasão francesa liderada por Napoleão. Suas ações em Portugal justamente nessa fase proporcionaram-lhe o seu viscondado irlandês. Tanto pela Inglaterra como pela Irlanda desenvolveria intensa atividade diplomática depois de passar pelas Cortes de Portugal e do Brasil. Era um característico representante do mercantilismo inglês em expansão na fase preparatória do imperialismo.
 
Continua
 
Belo Horizonte, 9 de abril de 2008
Therezinha B. de Figueiredo

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