CRÓNICA DO BRASIL
Cartas de Corso
Um corso ou corsário era um pirata que, por missão ou carta de marca de um governo, era autorizado a pilhar navios de outra nação (Wikipédia), além de fazer incursões e razias em terra firme com o mesmo objetivo.
Note-se bem que só podiam pilhar mercadorias e bens, repete-se, de outras nações. Não consta que os corsários ou piratas roubassem dentro da própria casa! Pelo menos com freqüência.
Teoricamente, com o Tratado de Paris de 1856 essa prática foi oficialmente extinta, mas todos sabem que ela continua até hoje, quando se assaltam navios, não em alto mar, mas sobretudo fundeados ou atracados em portos.
Criou-se, primeiro com os romances, e sobretudo mais tarde com os filmes hollyoodescos, uma aura de heroicidade e glamour a essa banditagem que aterrorizava os mares e populações ribeirinhas, matava e esquartejava qualquer um com um sorriso de prazer, pela ganância, pelo lucro.
Saíram os principais corsários da Inglaterra e da França, e no Mediterrâneo os magrebinos que operavam também no Atlântico, entre as Canárias, Açores e norte da Espanha.
Mataram, saquearam, roubaram, escravizaram até os que não conseguiam resistir-lhes.
Não se sabe quantas Cartas de Corso foram concedidas por reis e sheiks. Muitas.
Hoje em dia o corso está muito mais simplificado. O pirata não necessita de navio, nem de esperar a presa em alto mar, arriscando a vida, nem envergar a famosa bandeira negra com a caveira.
Basta ostentar uma outra, vermelha, com uma estrela branca de cinco pontas no centro, com as letras PT (que não se sabe bem o que significam!), e sair por aí pilhando nas contas dos organismos e empresas oficiais e nos donativos que, sobretudo bancos e milionários (é quase pleonasmo!) lhes oferecem para as campanhas eleitorais.
São muito mais, hoje em dia, os piratas que pilham este seu próprio país, a sua gente, do que foram todos os antigos corsários juntos, em todos os séculos que atuaram. São milhares, os que envergando essa nova bandeira da pirataria, ocupam os lugares de confiança para poderem enriquecer tão depressa como o famigerado Joãozinho do Orçamento, que justificou a origem da sua vertiginosa fortuna, alegando que tinha ganho largas dezenas de vezes a loteria nacional. E o tribunal... engoliu. Não engoliu mas...
O corso e a pirataria estão à solta. Sem o tal glamour de um Errol Flynn, mas com a voracidade de piranhas.
Assaltam o nosso bolso, todos os dias, todos, sem descansar domingos e feriados.
E o chefe do bando apresenta-se, também todos os dias, em todos os órgãos de informação, sorridente, qual Noé que tivesse salvado a humanidade da extinção. Os animais... aplaudem!
Só mesmo outro dilúvio!
Francisco Gomes de Amorim
