O poder da Palavra
A palavra
Já não quero dicionários
consultados em vão.
Quero só a palavra
que nunca estará neles
nem se pode inventar.
Que resumiria o mundo
e o substituiria.
Mais sol do que o sol,
dentro da qual vivêssemos
todos em comunhão,
mudos,
saboreando-a.

Carlos Drummond de Andrade
Talvez a maior riqueza da língua esteja no sentido oculto e nas sutilezas que as palavras que a representam trazem. Podemos falar, falar e não dizer nada. São as palavras ao vento. Podemos calar no meio de uma frase ou não responder a uma indagação, e dizer tudo. Então lembramos o antigo ditado popular:
- “Para bom entendedor, meia palavra basta”.
Mas dialogar é ainda a forma mais civilizada de trocar idéias, mesmo que estas não sejam ouvidas ou aceitas pelo Outro. É através da palavra escrita ou falada que mais nos comunicamos. Na boca do Homem ela torna-se uma arma potente de vida ou morte, que dignifica ou arrasa, enaltece ou vilipendia. Através das palavras surgem questões, divulgam-se opiniões, propagam-se idéias, transmitem-se saberes, mantém-se ou desfazem-se uniões. Uma palavra omitida ou falada de maneira errada pode abalar amizades, romper relações. É a palavra mal dada. Mas também pode ser salvadora, fortalecedora, anímica, consoladora, quando dita na hora certa. É a palavra de amigo.
Os grandes líderes, aqueles que tiveram ou têm a força mobilizadora das “massas”, começam as suas incursões pelo poder através da palavra, para atingir a alma do povo. Afinal não foi assim que Jesus mudou o mundo? Dos tempos antigos, de reis, papas e imperadores, aos tempos modernos, de políticos e juizes, a palavra dada é fundamental, determinante de vidas e destinos.
Segundo a palavra e de como ela é falada é que se mostra muito do que somos e o que esperamos dos Outros. Ela tem força de decisão, transformação, atração ou repulsão. Dá lugar aos diálogos, às conversas ou às disputas. Mantém a história e a cultura vivas, tem música, preenche vazios, faz poesia, nos diferencia dos animais, nos faz humanos, nos categoriza, está no cotidiano da nossa vida, sem ela não há tecnologia e civilização.
Na escola, o mestre, pedagogo, professor, instrutor ou orientador- (diferentes variações da mesma qualificação profissional, inventadas pela modernidade para dar trabalho a todos, coisa que acontece na maioria das profissões, que se subdividem e se especializam à medida que novidades saturam os compêndios e alargam os conhecimentos)- deve ser aquele que já viu a história antes, que aprendeu nos livros e na vida e com dom e sabedoria mostra caminhos, vislumbra inteligências, clareia espíritos, estimula os primeiros estudos, fazendo atrativa a cultura através da palavra.
E para finalizar e reiterar a importância das palavras, recordemos o que o Senhor Deus diz na Bíblia: “Os céus e a Terra passaram, mas as minhas palavras ficarão”.
Maria Eduarda Fagundes
Uberaba, 14/03/08
