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A bem da Nação

CRÓNICAS DE MOÇAMBIQUE

QUANDO RETORNARÁ A ILHA-MUSEU AO EXERCÍCIO (EFECTIVO) DA SUA SECULAR VOCAÇÃO TURÍSTICA?

 

(Governo distancia-se da intervenção nuclear, que considera ser de estrita competência da UNESCO)

 

Esta é a interrogação que crepita no espírito da generalidade dos nampulenses. Será desta feita que a Ilha de Moçambique deixará, finalmente, de continuar a configurar “um barco encalhado”, como a apodou sugestivamente o meu ilustre amigo e reputado escritor Álvaro Belo Marques na sua magistralmente elaborada novela homónima?

 

As perspectivas emanadas do recente mega-encontro, que teve por palco a própria Cidade-Museu, sugerem esse auspicioso vaticínio aos seus afeiçoados habitantes. Eles acreditam piamente que, a concretizarem-se, de facto, as aliciantes infra-estruturas endógenas (na zona insular) e exógenas (no continente fronteiriço) delineadas para substanciarem a almejada reabilitação, a Ilha de Moçambique poderá, efectivamente, reassumir a sua vocação congénita de pólo de invulgar atracção turística. Não apenas da província de Nampula, mas de todo o país, e, quiçá, do universo inteiro.

 

“Incha Alah, que os anunciados projectos venham, efectivamente, a ser materializados!” – exclamariam, a propósito, vários ilhéus que tivemos o ensejo de contactar aleatoriamente.

Mas, na minha modesta opinião, torna-se imprescindível que esta nova vaga de projectos de relevante dimensão seja, realmente, convertida em realidade.

 

E não se confine ao bolor das gavetas, a exemplo de muitas outras anteriores. Que, também, aparentavam fiabilidade e consistência, e, entretanto, ruíram como meros castelos de areia.

 

Aliás, eu próprio fui integrado (a contra gosto, devo confessar), nos anos oitenta, em algumas das instituições envolvidas na pseudo gestão ou monitoria desses utópicos e malfadados projectos. E conservo, ainda, bem presente na memória o desenrolar pungente dos respectivos descalabros.

 

Por isso, na conferência de imprensa de final do ano transacto, concedida pelo governador da Província de Nampula, não resisti à tentação de questionar a razão porque o governo não investe decididamente no almejado restauro da Ilha de Moçambique por forma a catapultá-la aos píncaros do turismo mundial.

 

A resposta do governador Felismino Tocoli, mesclada, obviamente, de teor político, estribou-se nos projectos firmados há duas semanas, na própria cidade da Ilha de Moçambique, em reunião presidida pelo Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Aiuba Cuereneia, e que contemplam a edificação de duas unidades hoteleiras de elevado gabarito na região continental do Lumbo e o funcionamento inédito de um navio-hotel ao largo da baía adjacente. E depois de se deter numa incursão algo exaustiva às diligências que têm sido empreendidas pelo governo no sentido de equacionar a dramática situação sócio-económica em que, há cerca de quatro décadas, vegeta aquela histórica cidade, ressalvou que o ingente resgate da estrutura física da Ilha de Moçambique é de absoluta competência da UNESCO (Fundo das Nações Unidas para a Cultura e Educação), desde que foi declarada Património Cultural da Humanidade.

 

Ficavam, assim, demarcadas as responsabilidades. E, consequentemente, deslindada a razão de morosidade que flagela o ressurgimento da Ilha de Moçambique à sua condição (dos tempos áureos) de “galinha de ovos doirados”.

 

 

Mas, será que o governo não poderia, ante a prolongada letargia do empreendimento, dar uma “tchova”, ao invés de se amodorrar numa atitude contemplativa, alijando toda a responsabilidade sobre a UNESCO? Creio que sim.

 

Porque o estado de agonia que caustica a histórica cidade não se compadece com mais delongas. Exige uma aglutinação de esforços para ser debelado.

 

Recorde-se que a decadência sócio-económica e subsequente degradação física da Ilha de Moçambique começou a desencadear-se mercê dos seus sucessivos despojamentos de capital territorial (primeiro) e distrital (mais tarde). E veio a culminar com o escancaramento pleno do porto de Nacala ao tráfego marítimo.

 

Agora, a alternativa para a sua sobrevivência condigna restringe-se ao exercício da sua secular vocação turística.

 

Vasco Fenita

 

Nampula, 8 de Janeiro de 2008

In "Moçambique para todos"

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