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A bem da Nação

CRÓNICAS DO BRASIL

 

O macaco de cidade, o meio ambiente e a educação.

 

 

Chico é um macaquinho arteiro que nasceu e vive, pelo menos até poucos dias atrás, numa pequena área de reserva de mata Atlântica, hoje transformada num parque florestal, situado dentro da cidade de Uberaba. Após apresentar comportamento agressivo, como roubar objetos ou comida das mãos das pessoas e até mordê-las quando contrariado, passou a ser visto como uma ameaça à paz e segurança dos freqüentadores da Mata do Ipê. Não sabendo como resolver tão grave problema, a administração municipal fez reuniões e mais reuniões, até decidir com brilhantismo que o símio, nativo da região, deveria ser transferido para um outro local até ser esquecido ou reabilitado para o convívio humano!  Para compensar a perda da atração do parque, resolveram também limpar o local derrubando algumas árvores da mata para ampliar o lago artificial e trilhas, reformar banheiros, construir locais de lazer, tudo para o conforto e bem-estar da população, enquanto para os animais menos espaço vital e mais reclusão.

 

Com rapidez e selvageria predatória a região do Triangulo Mineiro vai perdendo matas nativas, capões e cerrados para a expansão imobiliária nas cidades, e para a agricultura e pecuária, nas áreas rurais. O IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio-Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), com poucos recursos humanos e materiais não consegue fiscalizar todas as áreas a preservar e sequer fazer resguardar os obrigatórios 20% de mata nativa das propriedades rurais.

Nas plantações, os pivôs para irrigação tiram água dos riachos e rios, diminuindo perigosamente o volume de água potável no planeta, já escasso pela destruição das florestas, assoreamento e poluição dos rios, pela construção de barragens e represas, pela contaminação dos solos e lençóis freáticos com os defensivos (venenos) agrícolas, pela perfuração indiscriminada de poços artesianos, pelo uso indevido da água e pela falta de chuvas na nossa região.,

 São jaguatiricas, onças pintadas, teiús, patos selvagens, jacutingas, lobos-guará, seriemas, tatus, preguiças, macacos, mutuns, cobras, e muitos outros animais da floresta que se aproximam perigosamente do bicho homem, aquele que lhe rouba o espaço e destrói o habitat, na tentativa em geral frustrada de sobreviver.

 

 Mas, em meio de toda essa discussão sobre o mau comportamento do macaco Chico, enfim li num jornal regional uma declaração lúcida sobre o que se passa. Segundo a ambientalista Érika Assunção de Araújo, a polêmica levantada pelos políticos e administradores locais é o mau costume que nossos governantes têm de desviarem a atenção da população para outras situações,“varrendo os reais problemas para baixo do tapete”. Tirar o animal da reserva onde nasceu e aprendeu com os visitantes os maus hábitos comportamentais, não é a solução. O que se deveria fazer e não se faz, segundo a Sra. Érika, era construir uma cerca ou muro para proteger o parque da invasão de perigosos elementos e usuários de drogas que à noite invadem o local, aumentar a vigilância municipal, preservar o que sobrou do habitat dos animais e ensinar a população a ter atitudes de respeito com o meio-ambiente e os animais, proibindo a oferta de objetos e alimentos, num trabalho de conscientização, utilizando como veículos de ensinamento, placas ilustrativas, guardas, crianças e jovens da comunidade num programa de educação ambiental.  Porém é mais fácil, rápido e menos dispendioso para os políticos tirar o suposto problema, o macaco Chico, que promover a educação da população, nosso abismal problema social.

 

Essa miopia político-administrativa também pôde ser verificada recentemente em Fernando de Noronha onde se constatou que, apesar das progressivas agressões ambientais provocadas pelo homem, a população de garças cresceu tanto, perto do aeroporto da ilha, que vai ser preciso, segundo as autoridades de lá, matar 90% das garças, para evitar acidentes aéreos. Mas para o lixão situado ao lado do aeroporto, atrativo alimentar para as aves, não cogitaram uma outra localização ou solução...

 Com dirigentes e governantes que pensam e agem dessa maneira, medíocre e politiqueira, como podemos esperar fazer deste país uma forte e evoluída nação?

 

Maria Eduarda Fagundes

Uberaba, 03/01/08

 

 

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