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A bem da Nação

A PROVÍNCIA PLATINA - 4

                              O TROPEIRISMO NO BRASIL 
 
 
Final da parte 3: Portugal e Espanha enviaram, em 1756, expedição à região onde os Jesuítas haviam fundado as reduções dos Sete Povos das Missões e São Miguel sem observar as decisões de Madri e Lisboa referente ao tratado de Tordesilhas - linha divisória dos territórios espanhóis e portugueses nas colônias da América do Sul. Naquela região a expedição lançou as bases da soberania portuguesa expulsando os religiosos de lá. A guerra desorganizou a estrutura econômica e política das reduções. As manadas de gado reunido e desenvolvido pelos religiosos nas estâncias de suas reduções espalharam pelos campos. Em lugar propício os rebanhos desenvolveram extraordinariamente e constituíram a base econômica sobre a qual teve início a etapa seguinte da vida sulina, ou seja, um mercado interligado entre a atividade mineradora em crescente atividade e o pastoreio gaúcho.
 
    A divisória de Tordesilha fixava a ponta de Laguna( no atual estado de Santa Catarina) como extremo do domínio português no sul. Desde as hostilidades entre Espanha e Portugal na segunda metade do século XVIII, após o tratado de El Pardo, que restringia a convenção de Madri, os governos coloniais portugueses confirmaram a intenção de estender para o sul o domínio da Corte de Lisboa. O núcleo de Laguna seria ponto de apoio àquela tarefa. A Colônia de Sacramento, fundada no estuário platino desde 1680, permanecia isolada, alvo de ameaças constantes e sucessivas quedas e retomadas. Para mantê-la e estar presente na Banda Oriental e no tráfico do Prata era indispensável constituir pontos de apoio no território intermediário, onde pudesse estabelecer as forças destinadas a operar na Campanha Cisplatina quando a Colônia fosse ameaçada; além dessas forças, o apoio marítimo era necessário ante a vastidão do estuário e a proximidade das bases adversárias. Para solucionar o isolamento da Colônia de Sacramento um dos atos do governo colonial foi a fundação do posto avançado de Laguna junto à barra do Rio Grande.
 
   As populações do centro-sul, dedicadas à mineração, recebiam uma parte de suprimentos vindos do norte pelo vale do São Francisco. A outra vinha do sul, formado das tropas de gado; seguiam o caminho de Laguna até chegar a Sorocaba(localizada no atual estado de São Paulo), centro distribuidor da região mineradora. A função do posto avançado de Laguna consistia em reunir os tropeiros e viajar até a região onde se encontrava o gado espalhado e abandonado na ruína das reduções. De lá conduziam os animais até Sorocaba.
   
   As necessidades de comércio impuseram a penetração nos grandes mercados localizados no estuário platino. A essas necessidades somavam a luta pelo gado, que vivia na Campanha Oriental e suas ricas pastagens, interesse dos que supriam a região mineradora. Esse interesse conferia importância a Laguna, mas entre esta e Colônia de Sacramento existia o vazio preenchido pouco a pouco por medida de autoridade ou iniciativa particular. O tráfico dos tropeiros enquadra-se nesta última iniciativa. Responsável pela formação de um extenso movimento de comércio não só de gado, de mula também, interligou diferentes e longínquas áreas da colônia ao suprir as necessidades da população em torno da região mineradora; possibilitou o estabelecimento do núcleo açorita que em 1742 e 1747 lançou as bases de uma colonização estável próximo ao estuário, no Viamão e Porto de Casais.
  Daqui partiram muitos açoritas, não por falta de beleza na terra que os viu nascer
   O início do povoamento estável permitiu o desenvolvimento das atividades dos tropeiros e as iniciativas militares com vista aos choques armados provocados pela disputa em torno da Colônia do Sacramento entre portugueses e espanhóis. Desse foco estável partiu a expedição portuguesa nos meados do século XVIII, juntamente com a espanhola contra as missões jesuíticas. Os choques militares seguintes, quando do distrato de El Pardo, criou uma situação nova. Portugueses e espanhóis voltaram a defrontar-se no sul. A sociedade já se encontrava, então,  presidida pela Comandância Militar dependente do Rio de Janeiro. Os reforços chegavam por via marítima apoiados no Rio Grande, no Porto de Casais e em Rio Pardo. Dois grupos se formaram. Um no litoral das lagunas e litoral marítimo de iniciativa do poder público nos postos militares e nos núcleos urbanos civis de base estável e hierárquica. Estes núcleos urbanos viviam da agricultura e do comércio. Possuíam o sentido da ordem e fundava-se no povoamento contínuo. O segundo, afeito ao movimento, eram nômades, aventureiros, dedicados ao apresamento do gado, à conquista das pastagens no interior do continente de São Pedro. Vivia na Campanha e era marcado por uma natureza instável e avanço intermitente. Ambos os grupos uniam-se nas lutas militares.
 
   O primeiro grupo era formado pelos açoritas, enquanto o segundo, o da Campanha, era constituído por paulistas e portugueses. Toda área da Campanha próxima ao estuário do Prata era litigiosa. Os espanhóis do Prata reivindicavam o domínio sobre ela. A linha de demarcação da fronteira flutuava constantemente. Até a conquista das Missões em 1801, apesar do tratado de Madri em 1750 e o posterior tratado de Santo Ildefonso em 1777, os ataques espanhóis impediam ou dificultavam qualquer tentativa de colonização regular naquele território. Essa circunstância conduziu um número significativo de pessoas a abandonarem a agricultura. Escolheram dedicar à prea de gado nas linhas de fronteira.
 
Continua.
Therezinha B. de Figueiredo
Campo Belo, 14 de dezembro de 2007 

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