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A bem da Nação

O PROGRESSO ?

33°37' 53" N, 111°52' 43" W

"Chrysler Airflow 1934, lindão"

Há momentos marcantes na nossa vida, e apesar de fraca memória, tenho até hoje presente o que me espantaram algumas “inovações tecnológicas” que foram surgindo.

O mais atrás que lembro foi ter visto o carro duma amiga da minha avó, rica, que me deixou deslumbrado, porque ao abrir a porta acendia uma luz no interior! Um Chrysler Airflow 1934, lindão! Como é evidente o carro tinha motorista e, amável, enquanto a senhora visitava a minha mãe, o “chauffeur”, a meu pedido, abriu e fechou as portas do carro várias vezes! A maravilha que aquilo representou para mim foi maior do que a iluminação de Paris para o Natal ou das festa do Ano Novo chinês.

Mais tarde, não me lembro que idade teria, um tio meu apareceu com um rádio que tocava sem estar ligado à electricidade! Eu não conseguia compreender por onde entrava a música, que sempre havia pensado viria pelo fio da corrente! Bem me explicou esse tio que a música entrava pela antena. A minha fraca capacidade científica custou a “engolir” essa de que no ar havia “ondas”. Estive largo tempo com os olhos fixados naquele rádio, bonito, sem conseguir vislumbrar onda alguma entrar pela tal antena!

Mais ou menos pela mesma época, nos jornais começavam a aparecer fotografias tiradas em países longínquos e publicadas no dia seguinte! Por baixo, a indicação de “foto recebida via rádio”! Que a música entrasse pela antena eu já me tinha conformado, mas fotografias...

Agora não há mais avanço na tecnologia que me espante. Considero que tudo quanto aparece de “novidades” são resíduos das investigações, porque muito, muito mais do que nos chega às mãos já existe, pelo menos com os inventores ou investigadores. Nada mais é ficção.

O que hoje me deixa admirado, sorridente e triste, é a vertiginosa velocidade dos avanços das infra-estruturas na China, onde um porto de mar para 40 milhões de contentores/ano se constrói em três anos, onde se transforma uma cidade como Shanghai vendo crescer arranha-céus como capim em mata tropical, prevendo-se o início da construção do mais alto edifício do mundo que vai atingir 1.200 metros de altura!

Não me espanta a capacidade técnica, mas sim o atrevimento em desafiar a natureza, o trabalho quase escravo dos operários que estão a fazer milhares de milionários naquele país, que produz hoje 75% de todos os electrodomésticos do mundo e 72% dos brinquedos, que é capaz de vender um par de botas marca All Star por 1,40 euros, e uma camisa de homem por 1 euro, enquanto no meu país se mantém as estradas, e as ruas, esburacadas, não se investe em infraestrutura alguma e ainda se fomenta a vagabundice com o tão alardeado “Bolsa-Família” que mais não é do que uma descarada compra de votos.

Aqui discutem-se os direitos humanos e deixam-se mulheres, algumas menores de idade, nas mesmas celas das cadeias com os energúmenos, e argumenta o delegado que a menor era “tontinha”, deixando-a ser estuprada dezenas de vezes ao dia, discutem os políticos e os juízes como proteger os seus proventos e aumentá-los sempre que lhes der na gana (e dá inúmeras vezes!), de modo lícito ou ilícito tanto faz e a sociedade... bem a sociedade, habituada à passividade do “são eles que mandam”, assiste num estado quase apático ao não evoluir do país que tem tudo para promover o bem estar dos seus cidadãos.

A China pensa a 100 anos para a frente. No Brasil... algum dirigente se atreve mesmo a pensar?

 

Rio de Janeiro, 6 de Dezembro de 2007

Francisco Gomes de Amorim

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