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A bem da Nação

A PROVÍNCIA PLATINA-O TROPEIRISMO NO BRASIL - 3

                      

Final da parte 2: Na região de São Vicente (actual estado de São Paulo) existia a servidão indígena agravada com a crise do domínio holandês. Isto fez surgir o tráfico de índios capturados, que a acção dos jesuítas não foi suficiente para impedi-lo. Os religiosos acabaram expulsos de São Paulo, centro de  irradiação  das bandeiras de apresamento indígena.


       Do lado das colónias espanholas todos os pontos e focos de penetração e de povoamento foram bases de onde a Companhia de Jesus se lançou à conquista indígena com a finalidade de catequese.  Em torno de pequenos grupos religiosos reuniam os índios Guaranis  convertidos.  O crescimento das missões  determinou a introdução da actividade pecuária de forma extensiva com o gado solto nas pradarias para alimentar os índios.  Os jesuítas estabeleceram-se nos actuais estados do  Rio Grande do Sul e do Paraná e nos actuais países da Argentina e Paraguai. Assunção era o centro de irradiação do avanço jesuíta para a área servida pela rede fluvial platina, onde organizaram as primeiras reduções para separar os povos Guaranis dos núcleos de povoamento branco. Dessa região partiram até o actual estado do Rio Grande do Sul quase todo devassado pelos religiosos dentro da zona de demarcação de Tordesilhas de domínio espanhol sob a vigência e dependência do Governo sedeado em Assunção. Os padres jesuítas organizaram nessas reduções núcleos humanos para o trabalho e a produção eficiente. A região passou a oferecer dois atractivos: o índio, que seria escravizado e o gado. Ocorreu aos paulistas a carência de braço indígena para suprir as regiões agrícolas privadas do africano. Motivados pela necessidade, lançaram-se sobre os povos jesuíticos. Várias expedições bandeirantes paulistas atacaram a região arrebanhando os indígenas aldeados. Os ataques transitórios, que ocorreram até 1640, tinham também o objectivo de repelir o povoamento de origem hispano-jesuíta. Neste ano a autonomia portuguesa estabeleceu-se em território metropolitano e seus territórios coloniais, o que significou o restabelecimento da linha de Tordesilhas. Depois de expulsarem os jesuítas, os bandeirantes foram batidos em Mbororé. Atraídos pela mineração mudaram o tipo de suas actividades e o rumo de suas penetrações abandonando o roteiro sul. Os jesuítas transferiram as reduções para a região noroeste do Rio Grande onde fundaram os Sete Povos das Missões e São Miguel, que funcionaram independentes, não observando as decisões de Madrid e Lisboa.

O Meridiano de Tordesilhas segundo diferentes geógrafos: Ferber (1495), Cantino (1502), Oviedo (1545), os peritos de Badajoz (1524), Ribeiro (1519), Pedro Nunes (1537), João Teixeira Albernaz, o velho (1631, 1642) e Costa Miranda (1688). (in Wikipédia)

O Meridiano de Tordesilhas segundo diferentes geógrafos: Ferber (1495), Cantino (1502), Oviedo (1545), os peritos de Badajoz (1524), Ribeiro (1519), Pedro Nunes (1537), João Teixeira Albernaz, o velho (1631, 1642) e Costa Miranda (1688).


    A administração pombalina, em Portugal, contrária à tarefa jesuítica e o tratado de limite de Madrid, que entregou ao domínio português a região missioneira, condenaram a organização das reduções. Como os jesuítas ultrapassaram os limites traçados pelos negociadores de Madrid, as Cortes de Portugal e Espanha enviaram em 1756, expedição à região missioneira e nela lançaram as bases da soberania portuguesa expulsando-os em definitivo de lá. A guerra desorganizou a estrutura económica e política das reduções. As manadas de gado reunido e desenvolvido pelos religiosos nas estâncias de suas reduções espalharam pelos campos. Em lugar propício os rebanhos desenvolveram extraordinariamente e constituíram a base económica sobre a qual teve início a etapa seguinte da vida sulina: O domínio português reafirmou a sua vontade de se manter e expandir na região devido particularmente ao crescimento da actividade mineradora, que gerou um mercado interligado ao pastoreio gaúcho.


Continua.


Therezinha B. de Figueiredo
Belo Horizonte, 30 de Novembro de 2007.

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