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A bem da Nação

Português com açúcar

 

 

Jean Baptiste Debret (1834-39) Família pobre em sua casa  

O emprego da forma reduzida do gerúndio no português do Brasil e as diferenças na linguagem e forma de falar têm dado discussões sobre o que seria o mais correcto, se a forma brasileira ou a portuguesa, que emprega o infinitivo gerundivo. Do excelente artigo de André Petry “Acusando, culpando e errando” retirei alguns trechos que acho poderão dar alguma luz sobre o tema.  

“Na História de Portugal de Fernão de Oliveira, autor da primeira gramática da língua portuguesa, aparece 61 vezes o gerúndio dos brasileiros, e nenhuma vez o infinitivo gerundivo dos novos lusitanos. (...) Os portugueses passaram a usar o infinitivo gerundivo nos fins do século XIX e a aplicação se consolidou na primeira metade do século XX. (...) Segundo Núbia Mothé (Professora da Universidade Federal do RJ), o português emprega a nova forma mais na língua falada que na escrita e principalmente entre os jovens (até 35 anos). O que significa que em Portugal ou no Brasil usam-se as duas formas. A diferença é que preferimos a antiga e clássica e os portugueses a nova. (...) Mas também é indiscutível que, em terras brasileiras, o idioma de Portugal ganhou com os africanos e com os outros imigrantes, novas palavras, novas formas de falar. (...) Segundo Gilberto Freire em Casa Grande e Senzala, a negra africana, mãe preta, bábá e cozinheira da casa, fez com as palavras o mesmo que com a comida, machucou-as, tirou-lhes as espinhas, os ossos, as durezas, só deixando para a boca do menino branco as sílabas moles. Daí esse português que no norte de Brasil, principalmente, é uma das falas mais doces do mundo. (...) Mas também Miguel de Unamuno, escritor espanhol dizia que o português é como “o espanhol sem ossos”. (...)  Depois que as negras amaciaram o nosso idioma com seus dengos e cafunés, com seus quitutes e quindins, todas essas palavras de origem africana Eça de Queirós percebeu e disse que o idioma do Brasil era “português com açúcar”.

Tudo isso são variações, acréscimos e modificações que o tempo e a evolução histórica trouxeram à língua portuguesa e que a ajudam a sobreviver.

Trechos do Artigo de André Petry: “Acusando, culpando e errando”, editados na revista VEJA em 31 Outubro/2007.

Uberaba, 13/11/07

Maria Eduarda Fagundes

 

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