Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A bem da Nação

A PROVÍNCIA PLATINA - O TROPEIRISMO NO BRASIL - 2

                          
 
Final parte 1: A actividade dinâmica da Bacia do Prata estimulou o governo português a intervir na região. Mesmo antes da assinatura do Tratado de Madrid em 1750, Portugal actuava com a intenção de incorporar a região a seus domínios, interessado em participar no comércio local. Isto explica a fundação da Colónia de Sacramento em 1680 e o estímulo à ocupação das terras gaúchas ao sul do território português.
 
 
Vejamos a visão do lado português sobre a região sul do território:
 
Para a compreensão do desenvolvimento da região de Campanha e de toda a província de São Pedro do Rio Grande do Sul é necessário considerar aspectos físicos e políticos, os sociais e os económicos, que por longo tempo marcaram a região. Estes aspectos se referem à distância que separava a antiga Comandância Militar, depois Capitania, do núcleo político colonial e nacional constituído no centro-sul, em torno do Rio de Janeiro, estendendo-se às regiões de Minas Gerais  e São Paulo. A distância isolou a população da costa e do interior em sua tentativa de articular uma existência social e política mais estável ante ameaças de toda ordem. A distância e o isolamento foram agravados pelo factor de zona de transição - geográfica, política e nacional que a Capitania e a província sempre desempenharam. Soma-se a esses aspectos a característica de região de fronteira sempre disputada. O isolamento proveio também da existência de uma costa difícil, obstáculo à navegação até a sua proximidade. Estes motivos explicam o isolamento da região sul do território português dos contactos com o núcleo político e administrativo situado na região centro-sul do território. Em conseqüência, o Rio Grande do Sul desenvolveu uma existência autónoma por bom tempo. A autonomia marcou seus contrastes, suas peculiaridades diferenciando a sua formação, condicionando o desenvolvimento de sua integração e de sua fisionomia. O factor transição acentuou ainda mais esses traços. O Rio Grande do Sul apresentava geograficamente uma extensa área de transição entre o território que viria a ser brasileiro e aquele onde argentinos e uruguaios acabaram por estabelecer a sua autonomia; onde antes as lutas de sucederam em disputas prolongadas.
 
A fronteira concedeu marco histórico à região sul do território português habitado, nas origens,  por índios Guaranis.
Padre Antonio Vieira
 
Com o domínio espanhol sobre Portugal e suas colónias depois da derrota de Alcácer-Quibir, as terras americanas, nesta parte do continente, ficaram sob uma única bandeira. Por essa razão deixou de existir a demarcação de Tordesilhas, que limitava a expansão dos espanhóis e portugueses no território de suas colónias da América do Sul. Portugal e Espanha, nações católicas, aliaram à tarefa de colonização em todo mundo a catequese jesuítica. Nos domínios Portugueses a catequese não aconteceu pela necessidade que surgiu desde os primeiros tempos, de se servir do braço indígena; necessidade esta ampliada mais tarde. Na zona de povoamento do nordeste existia o cultivo agrícola com o trabalho escravo negro. Na região subsidiária vicentina (actual Estado de São Paulo) operava a servidão indígena reforçada com a crise do domínio holandês. Surge o tráfico dos índios capturados. A acção dos jesuítas foi insuficiente para deter essa realidade. Os religiosos acabaram expulsos de São Paulo, centro de irradiação das bandeiras de apresamento indígena.
 
Continua.
Belo Horizonte, 22 de Novembro de 2007.
Therezinha B. de Figueiredo 

1 comentário

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2006
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2005
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2004
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D