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A bem da Nação

A PROVíNCIA PLATINA - O TROPEIRISMO NO BRASIL - 1

                         
 A palavra tropeiro deriva de tropa. Refere-se ao conjunto de homens que transportavam gado, mulas e mercadorias durante o período do Brasil colónia a partir da região do Rio Grande do Sul até aos mercados de Minas Gerais e posteriormente São Paulo e Rio de Janeiro. O tropeirismo é associado à criação e venda de gado, actividade iniciada com o desenvolvimento da mineração entre os séculos XVII e XVIII. É associado também ao transporte de mulas devido ao difícil acesso da região mineradora. Somente as mulas conseguiam ultrapassar os obstáculos e chegar àquela região.
 
                        A MINERAÇÃO
 
A descoberta do ouro e posteriormente dos diamantes foram responsáveis por um grande afluxo populacional para a região das minas gerais. Paulistas, portugueses e escravos procuravam a região. Essa corrida em busca do eldorado causou um grave problema - a falta de alimentos e produtos básicos. A escassez de géneros agrícolas resultou em elevada porcentagem de mortes. Crises de fome atingiram a zona mineradora por longo período.
Os que migraram para a região sonhavam com a riqueza mineral e poucos se dispunham a trabalhar a terra. Esta situação fez florescer um comércio interligando o porto do Rio de Janeiro ao interior. Os produtos manufacturados que chegavam de Portugal eram transportados no lombo de animais. A Capitania não produzia para o consumo de suas necessidades. Daí a importância das tropas na movimentação da produção das minas.
 
                      A Região Sul e o Gado 
 
É difícil falar em sul do Brasil, pois no início do período da mineração a América era ainda dividida pelo tratado de Tordesilhas e teoricamente a região onde se localiza o actual Estado do Rio Grande do Sul pertencia à Espanha. Nessa região as actividades económicas assemelhavam-se às da Argentina, Paraguai e Uruguai. Toda a área constituía o VICE -REINADO DO PRATA. Sem o estudo da formação sulina fica difícil o entendimento mais amplo do quadro platino. Falar da formação sulina é também falar do quadro platino. Ele procura completar do lado brasileiro o que é visto do lado argentino. A questão platina para o Brasil não se limitava ao que interessava às forças dominantes, metropolitanas antes da autonomia e latifundiárias depois dela. Às forças dominantes interessava o problema da conquista do mercado platino em seu benefício e particularmente em benefício do mercantilismo britânico. Este é um dos lados da questão. Havia outro factor de importância fundamental - a existência de uma área brasileira platina, de caráter um pouco platino, na colónia e no império com interesses locais misturados a todos aqueles que existiam na zona dominada pelos espanhóis. Isto acarretou uma série de intervenções na região.
 
A criação do gado na região teve início para abastecer as minas de prata no interior do Peru, tanto no sentido de transportar para o interior os produtos provenientes da Espanha, como trazer das minas a prata, que era embarcada em navios nos rios da Bacia do Prata e no porto de Buenos Aires para a metrópole. Esta actividade dinâmica da bacia do Prata estimulou o governo português a intervir na região. Mesmo antes da assinatura do tratado de Madrid em 1750, Portugal actuava com a intenção de incorporar a região nos seus domínios, interessado que estava em participar no comércio local. Isto explica a fundação da Colónia de Sacramento em 1680 e o estímulo à ocupação das terras gaúchas. Esta é uma visão simplificada do lado espanhol.
 
Vejamos a visão do lado português sobre a região sul do território: (Continua).
 
Belo Horizonte, 19 de Novembro de 2007.
Therezinha B. de Figueiredo

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