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A bem da Nação

O “trem” do futuro

 

 

 

Viver abaixo da linha do Equador com qualidade de vida, por sina ou por qualquer outra explicação climática, antropológica, histórica, educacional ou geopolítica, é uma luta permanente. As inovações que as descobertas tecnológicas trazem para benefício (nem sempre) da humanidade, e que às vezes espantam e até amedrontam, por aqui custam a aparecer ou a se instalar.

 

Depois dos últimos e terríveis desastres aéreos que expuseram com brutal evidência as enormes dificuldades que há muito tempo ocorrem no sistema de transportes aéreos brasileiros, as nossas clarividentes lideranças chegaram à brilhante conclusão que é preciso recuperar o nosso falido e abandonado sistema ferroviário. Melhor ainda, pensam em trazer para o Brasil, como solução para o “apagão” dos transportes, o trem de grande velocidade que tanto sucesso faz “nas Europas”. Mas como sempre, a mania de grandeza da política brasileira quer dar um passo maior que a perna. Quer trazer um meio de transporte caro, que exige importação de tecnologia, manutenção especializada que não temos, que despende maior gasto energético e que provavelmente precisará de subsídio governamental para ser competitivo. Para variar os nossos dirigentes esquecem que temos uma rede ferroviária já instalada e abandonada que pode ser revitalizada, aproveitada e ampliada, com menor gasto e oferta de empregos para os brasileiros. É preciso lembrar que os antigos ferroviários estão acabando e que não houve nesses anos preocupação em formar profissionais nessa área ou de fazer cursos ou ensino direccionado para esse tipo de trabalho. Antes de um TGV, temos rodovias estropiadas e mal sinalizadas a ser recuperadas, vias fluviais e marítimas que necessitam de revitalização, já que temos uma vasta rede navegável e uma extensa costa a ser explorada.

 

O governo nos assombra com os apagões no transporte, na saúde, na energia, e continua a procurar soluções milagrosas e onerosas que os nossos pobres bolsos já não suportam.  E está de novo a ameaçar com mais impostos!

 

Mas apesar de tudo, loucos, teimosamente ainda insistimos em acreditar que um dia tudo vai mudar. Que a corrupção vai acabar, que a violência dará lugar à paz e à cidadania, que vamos ter governantes capazes  e confiáveis, que haverá trabalho, saúde e educação para todos os brasileiros, que não precisaremos ir para o Exterior para ver o que é preservação, conforto e modernidade com respeito ecológico.

Quando será que vamos aprender a cuidar e valorizar o que os antigos colonizadores viram neste país: um lugar de belezas sem par, de rios calmos e caudalosos, de florestas e matas, de praias de areia branca e fina como pó, rendadas pela espuma do mar, de serras e de cerrados, de pantanais e charcos, de milhares de espécies de flores e animais.  Quando é que seremos um país do presente e não do quimérico futuro?

 

 

Maria Eduarda Fagundes

Uberaba, 12 de Outubro de 2007

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