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A bem da Nação

PELAS AREIAS DO GOLFO DE CÁDIS - 4

 

 

A propósito de uma voz imitando o falsete que ontem ouvi por acaso não sei já onde, lembrei-me de Norodom Sihanouk, o Rei do Camboja que, com falsa modéstia, se intitulava Príncipe. Neste mundo há homens altos e baixos, gordos e magros, robustos e frágeis sendo que em todas estas categorias há grandes homens e homenzinhos. E aqui recordo Sá de Miranda quando nos diz que:

«Homem de um só rosto, de um só parecer, de uma só fé

De antes quebrar que torcer,

Ele tudo pode ser

Mas de Côrte homem não é.»

Esta, sim, a apologia do carácter, dos homens de palavra contra os palavrosos, dos afirmativos contra os explicativos.

Pessoas cultas são as que buscam o significado dos conhecimentos herdados e lhes acrescentam valor em prol do bem- comum concebido na mais ampla consensualidade; os outros são consumidores de oxigénio. O perigo surge quando os oxigenosos, por tradição ou compadrio, ocupam cargos de chefia com as instituições a ruírem e o caos instalar-se. Foi o que aconteceu no Camboja com Sihanouk.

Mãe e aias extremamente carinhosas (em vez de pai e tutores masculinos) infantilizaram Norodom para sempre. Total ausência de postura de Estado, mexia-se em permanente competição com a ubiquidade. Para foto oficial como Chefe de Estado escolheu uma em que, ainda muito novo, traja vestes doiradas e usava uma coifa de vários patamares cujo os significados ignoro. Terá sido esta foto que levou a mulher do último Governador francês da Cochinchina chamá-lo depreciativamente de «le mignom» e foram os seus discursos atabalhoados a referi-lo como «l’imbécile». Governança «á la diable», liberdade de corrupção, povo kmehr ao abandono…  mas o pior estava para vir pela loucura sanguinária de Pol Pot. Sihanouk auto-exilado junto dos seus arqui-inimigos chineses. Terror vermelho e campos de morte até que alguém matou o assassino e a Nação Kmehr se entregou à dolorosa tarefa de lamber de feridas. Nação destroçada e sem ânimo para ver que o filho de Sihanouk, antigo bailarino em Londres, não se interessa por assuntos de Estado e que o novo Governo era formado por «kmehrs vermelhos recauchutados».

Infalivelmente, a História vai repetir-se…

 

CONCLUSÕES

  • É muito perigoso fazer depender a sorte de uma Nação dos apetites genéticos de alguém – a República Portuguesa deveria ter sido proclamada em Santarém em Janeiro de 1580;
  • Os cargos públicos de chefia devem der preenchidos por concursos públicos referendáveis sem critérios hereditários nem compadrio.

 

NOTA FINAL – Está na hora de trasladarmos os restos mortais de D. António (o que fôra Prior do Crato) de Paris para Santarém onde os Procuradoras do Povo nas Côrtes de Almeirim o elegeram Rei de Portugal em Janeiro de 1580.

 

Agosto de 2025

 

Henrique Salles da Fonseca

PELAS AREIAS DO GOLFO DE CÁDIS - 3

 

 

Quantos modelos de parafusos existem no nosso Exército? E nas nossas Forças Armadas e de Segurança? E como será em Espanha, no Reino Unido, no Canadá e na Suécia?

Num cenário internacional que exige o maior grau de prontidão operacional, não é admissível qualquer atrapalhação por causa de uma porca sueca que não se coaduna com o parafuso francês disponível naquele longínquo teatro de operações.

E outros exemplos poderiam ser citados até à náusea… com a agravante de nem todos os países da NATO usarem o sistema métrico.

Sim, a normalização-compatibilização dos equipamentos da NATO é trabalho fundamental e moroso – urgente, portanto.

Agosto e3 2025

Henrique Salles da Fonseca

PELAS AREIAS DO GOLFO DE CÁDIS - 2

 

 

A universalidade dos conceitos permite que deles tratemos em toda a parte e a liberdade de pensamento não no-lo condiciona. Eis, pois, a razão pela qual não me restrinjo a abordar temas relacionados com estas paragens enquanto por aqui ando.

* * *

Todo o conhecimento começa empiricamente e, depois, tem dois modos de desenvolvimento:

* Pela acumulação de empirismos relacionados com o tema inicial bem como das respectivas envolvências;

* Pela generalização-teorização. Nas humanidades, o método é o da tese-antitese-conclusão, mas nas ciências materiais, segue-se a experiência-medição de resultados e, quantificação dos erros-experiencia-correção-experiência- e assim sucessivamente até que a investigação seja dada por concluída.

 

O método empírico oriental vs o método ocidental.

O empírico tem milhares de anos de acumulação de saberes; o método ocidental tem poucos séculos de investigação experimental com resultados verificados e homologados.

Foi da pujante investigação científica ocidental que surgiu a iniciativa humilde (???) / inteligente (!!!) de enviar cientistas aventureiros para as florestas tropicais a fim de conversarem com os xamãs para perceberem quais os princípios activos das mézinhas por ali usadas. Expurgadas as charlatanices, a indústria químico-farmacêutica encarrega-se do resto.

Na sequência desta iniciativa, seria interessante que a Ciência Ocidental se dispusesse a dissecar as Medicinas Orientais a fim de detectar o que nelas haja de interessante.

Por exemplo, seria bom que conseguíssemos sintetizar a essência do corno do rinoceronte e do marfim do elefante, assim passando a nossa indústria a fornecedora dos mercados orientais e a salvar aquelas espécies da triste situação em que se encontram.

 

Assim, com uma pomposa entrada pelo sapientíssimo campo da Epistemologia, fomos parar ao corno do rinoceronte.

 

Agosto de 2025

HSF

NAS AREIAS DO GOLFO DE CÁDIS - 1

 

 

 O Golfo de Cádis começa na Ponta de Sagres, vai até Gibraltar, «salta» para Ceuta e vai até ao Cabo Bojador. E como a Nau Catrineta, também este tem muito que contar…

** *

 

Corria o ano de 1637 quando Filipe III de Portugal (IV de Espanha) nomeou D. Francisco de Almeida como Governador de Ceuta. Chegada a Revolução de 1640, este nomeado não reconheceu D. João IV como novo Rei de Portugal e manteve a lealdade a quem o nomeara.

Ou não estava à altura da História ou   era apenas mais um traidor. … e morreu, claro! Mas Ceuta continua ainda hoje em mãos Espanholas, apesar de continuar a ostentar os símbolos da heráldica Portuguesa. Peso na consciência ou nostalgia do passado?

* * *

 Não confundir com esse Português de corpo inteiro e alma maiúscula, D. Francisco de Almeida que foi o primeiro Vice-Rei da India (1504-1509).

SUGESTÃO: Conduzamos Ceuta para o estatuto de Cidade Internacional da Paz sob a égide solidária de Portugal, Marrocos e Espanha.

Agosto de 2025

HSF

NA OCIDENTAL PRAIA LUSITANA - 6

 

 

 

HISTÓRIAS CARISMÁTICAS

Reinava D. João III quando, lá para as bandas da Córsega, o então jovem adulto D. Manuel de Sousa Coutinho foi pirateado e levado para Argel na precária condição de «alimento» do negócio do resgate de cristãos cativos em terras de Mafamede. No cativeiro, teve a companhia de um tal Miguel de Cervantes y Saavedra… um, escreveu em reconhecidas maiúsculas; o outro tem quem o recorde; um, descreveu o mundo fantasioso e inútil em que vivia a elite espanhola por contraste com o rude pragmatismo popular; o outro, não.

Depois de resgatado, D. Manuel ficou-se pelas Espanhas… até que regressou à sua Lisboa natal. Casou com D. Madalena de Vilhena, tida por viúva de D. João de Portugal, desaparecido em Alcácer Quibir. O novo casal teve uma filha que não vingou.

Grassando a peste em Lisboa, refugiaram-se em Almada instalando-se confortavelmente.  Educado e activo, D. Manuel desempenhou diversos cargos de nomeação régia, mas, sobretudo, foi escolhido por três vezes pelos seus pares mesários para Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Almada.

Mas a História nem sempre parece ser como no-la contam e …

* * *

… neto de D. Manuel I de Portugal, a Filipe II de Espanha meteu-se-lhe na cabeça que havia de reinar em toda a Península pelo que o jovem Rei D. Sebastião era um empecilho que tinha de ser arredado. Começou por fazer com que a mãe do jovem Rei regressasse à sua Espanha natal deixando o Monarca infantil de Portugal entregue à educação ministrada por tutores escolhidos por si, Filipe II, a fim de imbecilizarem a imatura real cabeça lusa com sonhos de cruzada e glória cristã contra o famigerado Islão.

E também havia que evitar que o rapaz se virilizasse pondo mais algum herdeiro a caminho. A expedição contra moirama tinha de ser gloriosa. A força portuguesa de combate incluía a fina-flor da heráldica militar do Reino.  Avisadas, preparadas e quiçá apoiadas pelos espanhóis, às forças sarracenas foi fácil atrair as nossas tropas para um atoleiro onde ficaram à mercê da adaga inimiga… quem sobreviveu rumou ao cativeiro. Só poder do Rei de Espanha conseguiria fazer as delícias dos mouros pagando-lhes um real resgaste por D. Sebastião. E, se assim foi, assim terá começado o cativeiro espanhol do Rei português. Este, sim, o cativo que interessava a Filipe II; todos os demais que servissem o negócio da moirama. O Cardeal Rei, D. Henrique exauriu as finanças da Coroa de Portugal no resgate de captivos em Marrocos. Mesmo assim houve quem penasse mais de uma vintena de anos. Terá sido o caso de D. João de Portugal que, depois de desaparecer e ter sido dado como morto, surgiu em Almada sem outro propósito que não fosse o de infernizar a vida do inocente casal. Deixou também no ar a possibilidade de tão longos cativeiros não serem de martírio, mas sim de luxo.

O próprio «Infante Santo» poderá ter-se «convertido ao Islão» passando a constituir peça triunfal dos Marroquinos. Sim? Não? Talvez!

E não bastara esta «ressurreição» de D. João e logo de Lisboa lhes surgiu um oficial da justiça requisitando a mansão para uso de importantões que fugiam da peste que matava na cidade-capital. Furioso, D. Manuel deitou fogo à casa e pôs-se a milhas. Os importantões que se aquecessem ao borralho! E os tempos passaram… Foram ao Panamá e ao Peru e voltaram a Lisboa para abraçarem a vida religiosa.  D. Madalena ingressou no Convento do Sacramento, à Pampulha, assim passando ao esquecimento do mundo; ele rumou a Benfica para se fazer dominicano passando a denominar-se Frei Luiz de Sousa.

* * *

E assim fica escrito o que João Baptista. Visconde de Almeida Garrett, não escreveu.

 

Julho/Agosto de 2025

Henrique Salles da Fonseca

BIBLIOGRAFIA: Wikipédia

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