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A bem da Nação

WW III?

ou

O TRIGO E O JOIO

 

«A WWIII é um episódio da guerra entre o império romano do ocidente que por mar foi a todo o mundo e o império romano do oriente que por terra foi até ao Pacífico»

Ricardo Nunes

* * *

Merece glosa o mote acima que Ricardo Nunes me enviou.

Se na perspectiva militar, esta guerra por que passamos não pode (ainda) ser objectivamente considerada mundial, na perspectiva política, ela é-o tanto quanto foram as do Vietname e do nosso Ultramar. Cada uma com as suas particularidades, sim, mas todas elas tendo o ataque e a defesa do Ocidente como objectivo essencial.

As semelhanças e particularidades destas três guerras dariam para escrever o livro a que por agora não deito mãos. Mas a tese é clara: Vietname, Ultramar Português e Ucrânia, «é tudo farinha do mesmo saco», o do KGB.

Não espero por um pedido de desculpas dos americanos por não nos terem ajudado no esforço de guerra pois eles queriam o nosso petróleo de Angola e por isso «fizeram» a FNLA. Também disseram que em Moçambique cheirava a gás… Mas isto é outro livro.

* * *

Mas, deixando-me de prolegómenos, avanço para o cerne da questão inicial, a bipolarização do Império Romano, Roma e Constantinopla/Istambul.

Passando pela História como cão por vinha vindimada, atenho-me a quatro megaprocessos que refiro cronologicamente:

  • A epopeia dos Descobrimentos Portugueses (seguida pela homóloga espanhola);
  • A Revolução Francesa («Liberdade, Igualdade, Fraternidade»);
  • A revolução industrial;
  • A Revolução Soviética.

Tenho para mim que, só por si, a bipolarização do Império Romano não teve grande influência na libertação das mentes, mas que o processo dos Descobrimentos gerou a primeira globalização que foi, essa sim, libertadora do tacanhísmo medieval.

A Revolução Francesa deu substrato político às mentes libertadas do fastidioso «Poder (descendente) de inspiração Divina»  fazendo prevalecer a legitimidade ascendente do Poder e, com a evolução histórica, a prevalência das democracias parlamentares pluripartidárias na Europa Ocidental (a «reboque» da realidade britânica).

A Revolução Industrial inglesa que fundou o capitalismo e o seu crítico mais acérrimo, Karl Marx, que perdeu a razão logo que passou do diagnóstico à prescrição de terapêuticas drásticas.

E foi no tratamento dado a estas críticas que o fosso se aprofundou: no Ocidente, interpretámos as críticas e tomámos medidas humanistas correctoras dos problemas identificados e fizemo-lo por consenso pluripartidário; no Leste, não fizeram uma exegese liberal dos preceitos marxistas pelo que os boiardos foram substituídos por aparitchniks tão autocráticos como os seus próprios antecessores.

De tudo, para concluir que a abertura ao mundo das sociedades ocidentais resulta da tradição libertadora e liberal dos seus cidadãos livres; o enclausuramento das sociedades orientais – enquanto e sempre que sob o domínio autocrático de Moscovo – não tiveram autorização de sonharem e o mais que lhes foi permitido foi transumarem… até Vladivostok. Nós, ocidentais, sublimámos os nossos problemas pela libertação mental e geográfica; os lestianos só começaram a sublimar os seus problemas quando se livraram da «bota russa».

Num conflito entre uma sociedade livre e de tradição voluntarista e uma sociedade oprimida, é impensável que o joio domine o trigo.

 

Dezembro de 2022

Henrique Salles da Fonseca

 

ATÉ 2023 COM VOTOS DE

SAÚDE,

FIM DA GUERRA,

REDUÇÃO SIGNIFICATIVA DA INFLAÇÃO

FIM DA ESPECULAÇÃO NOS PREÇOS

 

EFEMÉRIDE

LXI

Passam hoje 61 anos sobre a data em que na Índia se deixou oficialmente de falar português. Mas permaneceu a Cultura Indo-Portuguesa cuja rota começa agora a ser desbravada rumo à UNECO e ao seu reconhecimento como Património da Humanidade.

A vida continua...!

19 de Dezembro de 2022

Henrique Salles da Fonseca

 

LIDERANÇAS

São dois os tipos de liderança: o autocrático e o democrático. Em ambas as hipóteses, a História classifica-as em benignas ou malignas. Os historiadores fazem passar a ideia de que não há o «assim-assim». Eu não sou historiador encartado e acho que os líderes também podem navegar nas meias-águas entre o bem e o mal: nem todos foram sempre bons, nem foram sempre maus. E isto, tanto nos democratas (p. ex. Nixon) como nos autocratas (Salazar, Tito…). Todos os líderes alcançam o poder pelo golpe ou pelo carisma mas golpista sem carisma ou sem polícia que o apoie é rapidamente «engolido» pelo seu próprio movimento revolucionário. A força dos autocratas é garantida por Polícias políticas; a perenidade dos democratas assenta sobretudo no carisma e quase marginalmente na qualidade das suas políticas. á quanto aos regimes, anotemos que a democracia é como a gravidez: está-se ou não grávida enão se está «um bocadinho grávida»; o regime é democrático ou é autocrático, não é «um bocadinho democrático». Democracia e ditadura são situações mutuamente incompatíveis: na democracia, a génese do poder está na base eleitoral (sentido ascendente) e as decisões são colegiais, geradas por negociação e aprovadas por consenso; nas autocracias é tudo às avessas. Nas democracias, «o ar que respiramos é igual para todos; nas autocracias, «só os iluminados» devem governar.

Contudo, a intensidade da autocracia varia desde a que se caracteriza pela governação unipessoal sobre um quadro jurídico de conhecimento e aplicação a todos os cidadãos sem excepções (v.g. «Estado Novo» salazarista) até ao fascismo correspondente à governação ao sabor do capricho do ditador (Mussolini, Hitler, Stalin, Mao, Fidel,…).

Pese embora o que a História nos conta, ambos os tipos de regime continuam a ter adeptos.

A liberdade de informação é característica essencial das democracias; o condicionamento da informação é comum nas autocracias. Daqui resulta que os podres são do conhecimento público nas democracias enquanto que nas autocracias só venha a público o que não incomode o ditador ou que lhe seja favorável. O jornalismo de investigação incomoda não só os investigados como também todos aqueles que preferem viver os idílios do desconhecimento da vileza humana. Estes, os que erradamente extrapolam para os vícios da democracia e para as virtudes da ditadura acusando a democracia de confundir liberdade com libertinagem.

O acesso dos malandros ao poder é claramente mais fácil nos regimes em que a informação é condicionada pois nas democracias os líderes em potência são amplamente escrutinados enquanto nas autocracias «o segredo é a alma do poder». E, mesmo assim, tropeçamos em malandros a toda a hora, nomeadamente aquele que nutrem sentimentos vorazes por montões de dinheiro, quer  público, quer privado.

CONCLUSÕES

  • A autocracia tende a «tapar as vergonhas» enquanto em democracia impera a «verdade do azeite»;
  • Em princípio, a liderança democrática oferece mais garantias de qualidade do que a autocrática;
  • O jornalismo de investigação é peça essencial da democracia, mas o sensacionalismo é criticável;
  • A decisão democrática, sendo assumida por consenso negociado, transmite a falsa ideia de que «já não hã líderes como antigamente»;
  • Também etas regras têm excepções.

Dezembro de 2022

Henrique Salles da Fonseca

SUPERFICIALIDADE E MÂNDRIA

Gosto de escrever curto porque também gosto de ler curto; prefiro a escrita enxuta, sem adjectivos e composta por frases curtas; procuro a síntese sem me preocupar que ela possa ser superlativa; evito excepções e particularidades.

Considero-me um generalista-superficialista e pasmo por haver quem diga que faço estudos profundos. Nada disso: limito-me a tocar pela rama em assuntos que podem ser considerados importantes.  Felizmente, há quem pegue nas minhas generalidades superficiais e as esmiúce produzindo, esses sim, textos de mérito. Refiro-me aos comentários aos meus textos publicados no “A bem da Nação” cuja leitura é imprescindível para um melhor entendimento das matérias tratadas.

E, a propósito de leitura, interpretação e entendimento…

* * *

… um conhecido meu que fora Prior de uma Paróquia numa quase extrema de Lisboa, dizia que tinha jovens paroquianos universitários com espírito de analfabetos pois as respectivas famílias eram compostas por avós analfabetos, pais e tios de letras muito rudes e, eventualmente, outros parentes entregues à delinquência. Nulos hábitos de leitura e limitada capacidade crítica para além das sugestões televisivas. E estas, como é sabido, são geradas em programas de entretenimento, ou seja, sem outro objectivo que não ultrapassa a ocupação dos profusos tempos livres de aposentados, ociosos e equiparados.

No cenário descrito por esse (já falecido) eclesiástico meu conhecido, os universitários eram a excepção à regra da mediocridade se não mesmo da delinquência.  Mas a excepção era prova de que, querendo, os membros daquele grupo social podiam progredir na escalada cultural, profissional e, daí, social. Os que o não faziam só se deixavam ficar a marinar em águas turvas devido à mândria.

* * *

Mândria é-o por si própria sem necessidade de grandes explicações: é não querer esforço físico ou intelectual, é sinónimo de indolência. Mas o indolente pode querer usufruir de regalias típicas dos esforçados e, daí, o recurso aos subterfúgios que podem chegar a extremos, à criminalidade.

A superficialidade pode significar apenas desconhecimento e vontade de apontar vias de aprofundamento dos conhecimentos. Muito provavelmente, trata-se de uma proposta de partilha de conhecimentos, uma postura de democracia intelectual.

CONCLUSÕES

  • A mândria corresponde a uma atitude negativa e potencialmente perigosa;
  • A superficialidade pode ser virtuosa e até democrática;
  • Pode haver mandriões que se refugiam nas superficialidades, mas dificilmente há superficialistas mandriões;
  • Há que temer miscigenações e excepções.

Dezembro de 2022

Henrique Salles da Fonseca

CULTURA É...

"A cultura é o efeito da civilização sobre a sensibilidade. É preciso não confundir a cultura com as causas que a produzem: ler muitos livros pode levar à cultura, mas ter lido muitos livros não é ser culto, é só ter lido muitos livros. É assim com certos elementos da cultura. Há viajantes que andam milhares de milhas, mas nunca saíram de casa porque nunca saíram de si. Há outros que fizeram só uma viagem aos arredores da vila de onde nunca se afastaram mais, e trazem nas mãos, ao voltar para casa, flores, novidades e duas ou três metafísicas." - Álvaro de Campos

(p.e.f. de Alexandre Bettencourt)

FALANDO...

O Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) caracteriza-se pelo «nivelamento por baixo» privilegiando a fonia e relegando a etimologia para segundo plano. Esta inversão de valores vincula a tendência de transformar o português de língua erudita em linguajar boçal.

A propósito de «nivelar por baixo», vem sendo banalizado o tratamento por tu em detrimento de fórmulas cerimoniosas, respeitadoras do próximo. O «tutoyer» francês que em português se traduz por «tratar por tu» já foi adoptado como «tutear» mas a cerimónia, o tratamento por Você (Senhor, Senhora ou Senhores), ainda está fora do dicionário.

Eis, pois, que venho propor a criação da palavra «vocear» para significar o tratamento por Você.

Contudo, na expressão oral, o superior hierárquico deve ser tratado por «o Senhor», «a Senhora» ou «os Senhores» e nunca por Vocês(s) nem sequer pelo nome próprio, apenas pelo apelido. Mas estas já são regras de protocolo e não de gramática.

Passada a «chazada» aos relações públicas e atendedores de «cal centres», é chegada a hora de reforçar a via etimológica para que a língua portuguesa não se abastarde «à la diable». Assim, aqui fica a proposta à Secção das Letras da Academia das Ciências de Lisboa: «Vocear» - tratar por Você.

Dezembro de 2022

Henrique Salles da Fonseca

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