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A bem da Nação

A LINFA DA HISTÓRIA

  • Na actualidade, não me consta que haja uma fórmula obrigatória para as mensagens emitidas pelos diversos Departamentos oficiais mas no tempo do Estado Novo, os ofícios da Administração Pública encerravam com a fórmula «A bem da Nação»;
  • Durante a 1ª República, a fórmula equivalente era «Saúde e fraternidade».

A questão que aqui deixo aos Leitores monárquicos, aos historiadores e aos curiosos é:

  • Tendo havido, qual era a fórmula protocolarmente definida para encerramento das comunicações oficiais escritas no tempo da Monarquia constitucional?

Claro está que se trata de um tema menor, literalmente, quase de pé de página mas que dá uma ideia sobre o tom genérico da alma de um Regime. Não é o sangue das grandes proclamações, não, mas é por certo a linfa dos pequenos momentos que ajudam a roda da vida a girar.

Aguardemos pela ajuda de quem saiba…

Novembro de 2020

Henrique Salles da Fonseca

«FASTEN SEAT BELTS»

ou

AS MARAVILHAS DA FÉ

 

Sim, Caro Leitor, este é um texto polémico e por isso começo por lhe sugerir que aperte o cinto de segurança. É que, pese embora eu achar que a fé não se discute, não me sinto obrigado a nem sequer referir esse tipo de matérias. Cito-as acriticamente e cada Leitor que se dedique à adivinhação sobre o que penso.

E se a maior parte das vezes que se cita a fé se esteja a tratar de temas religiosos, aparecem também outras ocasiões em que podemos citar dogmas laicos.

Num calendário coincidente com a realização do Congresso dos comunistas leninistas stalinistas portugueses, os dogmas laicos jorram por tudo quanto é sítio do Pavilhão Paz e Amizade de Loures e basta escolher…

Então, começo logo pelo nome do próprio pavilhão em que se realiza o Congresso, o da paz e amizade, quando é sabido que o comunismo é militarista, expansionista, unicitário e, portanto, monolítico e, bem pior, taliónico. Ou seja, o comunismo é autista e só cultiva a paz e a amizade consigo próprio. À semelhança do islamismo cujo primeiro grande dogma consiste na atribuição a Maomé da autoria do Corão apesar de se saber que o Profeta não lia nem escrevia.  Mas os dogmas são assim mesmo, não se discutem e são apenas para quem neles crê.

A semelhança que existe entre o comunismo e o islamismo é o tratamento dado aos não comunistas e aos infiéis: o fuzilamento e a decapitação. A paz com os decapitados e a amizade com os fuzilados.

E se quanto a semelhanças entre estes «benignos» me fico por aqui, o marxismo tem outras facetas que me levam ao espanto por ainda haver quem, nestas primeiras décadas do séc. XXI, nele veja um caminho para o bem comum.

Que bem comum é possível num cenário em que a uma classe social é atribuído o monopólio das decisões com prejuízo total das demais classes?

Que bem comum é possível     quando o conceito de democracia consiste no nivelamento por baixo pelo despojamento de todo o conforto individual?

Que bem comum é possível quando a diabolização do lucro conduz inevitavelmente ao aniquilamento do investimento?

Que bem comum é possível quando a iniciativa individual é esmagada pelo planeamento central?

Que bem comum é possível prometer quando o determinismo histórico falhou clamorosamente em 1989 pela queda do muro de Berlim e pelo desmoronamento da URSS?

Pois é Caro Leitor, vejo-me obrigado a reconhecer que já escrevi textos mais imparciais e acríticos.

Mas com tanto dogmático por aí além a apregoar loas, também eu me sinto no direito de afirmar um dogma: este é um texto imparcial e… adogmático!

Apesar da minha «imparcialidade», o melhor é mantermos os cintos de segurança apertados não vá aparecer alguma verdade jorrada lá do pavilhão de Loures e nos magoarmos caindo de espanto.

Novembro de 2020

Henrique Salles da Fonseca

FARMACOPEIA DIVINA

DOS 14 SANTOS AUXILIARES

 

Em época de pandemia, com toda a farmacopeia moderna disponível um pouco por toda a parte e com a capacidade de investigação científica mais ampla e acelerada do que alguma vez os nossos antepassados recentes puderam imaginar, dá para imaginar o desespero humano perante problemas que hoje resolvemos de modo tão simples como tomando um remédio banal desses que se vendem sem receita médica. A mãe do meu irmão mais velho morreu em 1939 na sequência de uma infecção pós cesariana porque não existiam antibióticos.

Na falta de outro tipo de ajudas, o homem invocava os poderes divinos e a própria Igreja católica selecionou um grupo de catorze Santos a que chamou «auxiliares» - não no sentido que poderá parecer de Santos de segunda plana mas sim como aqueles cuja invocação podia auxiliar em certo tipo de aflições, uma autêntica farmacopeia divina.

Ei-los, ordenados alfabeticamente pelo nome por que entraram no Hagiológio, com as respectivas aplicações de reconhecida utilidade e dia da correspondente celebração litúrgica:

  1. Santo Acácio – contra as dores de cabeça (8 de Maio);
  2. Santa Bárbara (de Nicomédia) – contra febre, tempestades, raios e trovões (4 de Dezembro);
  3. São Brás - Contra doenças da garganta e protetor dos animais domésticos (3 de Fevereiro);
  4. Santa Catarina de Alexandria – Contra a morte súbita, contra acidentes de trabalho, protectora de estudantes, professores e filósofos (25 de Novembro);
  5. São Ciríaco (de Roma) – contra distúrbios mentais e contra a tentação no leito de morte (8 de Agosto);
  6. São Cristóvão (da Lícia) – contra a peste negra e contra acidentes de viagem (25 de Julho);
  7. São Dinis - Contra as dores e demais males de cabeça. (9 de Outubro);
  8. Santo Erasmo - Contra as enfermidades do ventre e as dores de parto (2 de Junho);
  9. Santo Eustáquio Contra a discórdia familiar (20 de Setembro);-
  10. São Jorge, 23 de Abril - Pela saúde dos animais domésticos;
  11. Santo Egídio (1 de Setembro) - Contra a praga, por uma boa confissão e pelos inválidos, mendigos e ferreiros;
  12. Santa Margarida de Antioquia, 20 de Julho - Contra os ataques diabólicos e por um bom parto;
  13. São Pantaleão, 27 de Julho - Contra o cancro, a tuberculose e pelos médicos;
  14. São Vito, 15 de Junho - Contra epilepsia, morte decorrente de tempestade e pela protecção dos animais domésticos.

Em alguns dias do ano litúrgico a invocação de um dos Santos acima é substituída pela de Santo Antão, São Leonardo de Noblac, São Nicolau, São Sebastião, Santo Osvaldo, Papa Sisto II, Santa Apolônia, Santa Doroteia, São Wolfgang ou São Roque. Em França, a Virgem Maria é adicionada ao rol dos catorze Santos auxiliares.

Neste texto, não discuto matérias de fé.

Novembro de 2020

Henrique Salles da Fonseca

 

 

BIBLIOGRAFIA:

Wikipédia

EFEMÉRIDE

25 DE NOVEMBRO DE 1975

Faz hoje 45 anos que a democracia chegou a Portugal derrubando o comunismo que desde o 25 de Abril de 1974 tentava destruir a Nação pondo o país ao serviço da União Soviética.

Foi um punhado de valentes sob a liderança do então Coronel Jaime Neves que tomou a iniciativa de pôr fim ao desmando total a que estávamos a ser submetidos e de proclamar que estava na hora de se estabelecer efectivamente uma democracia de base pluripartidária, parlamentar.

Passadas as colónias portuguesas para a esfera do Império Soviético, estava cumprido o maior desígnio da “revolução dos cravos” perpetrada por uns quantos “anjinhos” e minada por alguns traidores. Eis por que o Dr. Álvaro Cunhal foi condecorado herói soviético já depois de 25 de Novembro de 1975.

No que então restava de Portugal, resolveu-se o problema com meia dúzia de sopapos bem dados em alguns adeptos do totalitarismo mas nas antigas colónias portuguesas começavam os sovietizados as chacinas contra as populações que queriam submeter pelo terror. Assim começaram as guerras civis em Angola e em Moçambique. Mas o sangue também jorrou – e muito - na Guiné e em Timor.

Passados estes 45 anos, eis-nos em Portugal numa democracia parlamentar consolidada e cheia de problemas conhecidos de toda a gente, discutidos por todos em público e sem constrangimentos.  Esta, sim, a liberdade real, não a da propaganda com que os abrilistas nos enchem as parangonas dos jornais. Mas a tranquilidade destes 45 anos levou-nos ao doce remanso das águas planas. E tudo é vida corrente, sem mais objectivos do que ultrapassar a pandemia e regressar ao bem-estar, ao enriquecimento tão rápido quanto cada um consiga mesmo que sem olhar a meios; liberdade económica tão desregulamentada quanto os princípios do liberalismo sugerem, o crédito como um direito a dar suporte ao hedonismo, o género humano a apregoar que é híbrido, o vazio quanto a valores colectivos, nacionais, desígnios superiores.

Chegados ao deserto ideológico, à “vidinha” corriqueira, onde está quem nos sugira um sonho?

Eis o desígnio a que os políticos se deveriam dedicar durante os próximos 45 anos, sob pena de descrédito pessoal se o não fizerem e de diluição da Nação na voragem chinesa de mando no mundo.

25 de Novembro de 2020

Henrique Salles da Fonseca

ESTE, O TEMPO DA GUERRA...

… em que não se limpam armas.

O teatro das operações é global, o cenário é pandémico e o inimigo é o COVID.

A prioridade a que tudo se deve submeter é o extermínio do inimigo. Tudo o mais é supérfluo.

Eis por que tenho o Orçamento do nosso Estado para 2021 como algo que deve ser posto incondicionalmente ao serviço dessa causa maior, o extermínio do vírus, o fim do estado pandémico e a retoma da normalidade.

Crendo que a única arma eficaz será a vacina, divido o tempo em duas fases – a da pré-vacina e a da pós-vacina - a que faço seguir uma terceira fase, a da normalização.

 

  1. Na fase pré-vacina, a Economia tem que ser sustentada por subsídios públicos de sobrevivência, reembolsáveis (sem juros) em prestações a partir de um ano após o fim das restrições impostas pela pandemia.
  2. Na fase pós-vacinação global da população, livre dos condicionamentos da fase anterior, deixe-se a Economia retomar a actividade produtiva para que, um ano depois, tenha recuperado o suficiente para que possa dar início à amortização dos subsídios recebidos durante a fase anterior;
  3. O stock da dívida pública deverá então (e só então, passado um ano do levantamento das restrições pandémicas) voltar a merecer os nossos mais exigentes cuidados.

Este, um tempo de excepção em que os critérios de equilíbrio estrito das contas públicas devem ser maleabilizados mas, claro está, em que os abusos mais devem ser alvo de férrea vigilância política e, talvez mesmo, policial.

Novembro de 2020

Henrique Salles da Fonseca

«COGITO, ERGO SUM»

Deste mundo fazem parte três categorias de pessoas:

  • As que sabem e pensam por si próprias;
  • As que não sabem mas estudam e passam a pensar;
  • As que não sabem nem estudam, se viram para o outro lado e continuam a consumir oxigénio.

A inércia social que se opõe ao desenvolvimento mede-se por aqueles que não sabem nem querem saber e que espantariam Descartes se soubesse que há gente que não pensa mas que, contudo, existe.

Novembro de 2020

Henrique Salles da Fonseca

PARÚSIA

No fim da História reinará a paz entre os povos, chegaremos ao pleno equilíbrio económico global e à harmonia social, haverá  abastança cultural e moral e ocorrerá a Parúsia.

Novembro de 2020

Henrique Salles da Fonseca

MÁXIMA HERÓICA

Contada pelo meu colega e amigo Elias Quadros, a máxima que subscrevo:

«Heróis não são só os que morrem pela Pátria; antes e sobretudo, heróis são os que dão oportunidade aos inimigos de morrerem pela pátria deles.».

Dixit

 

Henrique Salles da Fonseca

CONVERSAS SOLTAS – 6

Cenário – Lisboa, esplanada ribeirinha ao Tejo.

Personagens – Beltrana, Fulano e eu

* * *

Beltrana – Bom dia! Podemos sentar-nos à sua mesa?

Eu – Claro que sim! Não vos vi chegar, estava aqui no telemóvel a ver se diziam alguma coisa mais acerca do ilustre defunto de ontem.

Fulano – E do de hoje?

Eu – Hoje, quem?                                                                                   

Fulano – O Cruzeiro Seixas. Morreu com 100 anos. Uma bonita idade.

Eu – Não lhe conheço a obra. Li algures, já não sei quando, que é (era) surrealista. Vou ter que ver no meu amigo que sabe tudo.

Beltrana – Você tem um amigo que sabe tudo?

Eu – Tenho. Chama-se José Google da Silva mas toda a gente o trata só por Google.

Beltrana – Ah Ah! Acho que também o conheço…

Fulano – E sobre o Arquitecto dizem alguma coisa?

Eu – Não tive tempo de encontrar. Mas ele, o que era, era Engenheiro Agrónomo. Aquela da Arquitectura Paisagística foi uma maneira de ele instituir um “curso superior” de jardinagem.  

Beltrana – Acha mesmo?

Eu – Acho. Não me parece que aquela temática tenha uma componente científica relevante que a eleve para além de uma ou duas «cadeiras» opcionais de «formação estética» no curso de agronomia. A componente científica é agronómica; esta arquitectura é estética. É este gasto de energias, este «faz de conta» que nos tenta enganar com gatos por lebres que não nos deixa sair da cepa torta. A quem querem enganar?

Fulano – O negócio das propinas…

Eu – Não, não creio. Trata-se de propinas públicas, não devem constituir negócio de tal modo atraente que justifique a criação de cursos fantasma. Era pura perspectiva doutoral. Mas, apesar disso, o ilustre defunto foi uma pessoa importante. Não esqueçamos que foi ele que levou o Ambiente para o Governo e foi a partir dele, primeiro Secretário de Estado do Ambiente, que nasceu a Política portuguesa do Ambiente com todas as qualidades e defeitos que lhe conhecemos.

 

Beltrana – Defeitos?

Eu – Sim, todos sabemos como andam por aí à solta os radicais ambientalistas que sobrepõem os passarinhos ao homem.

Beltrana – E não acha que o ambiente deve ser protegido?

Eu – É claro que sim mas não deve haver exageros nem mentiras como as que antecederam a Conferência do Clima em Copenhagen em que os cientistas foram apanhados a combinar a inversão dos gráficos das temperaturas para «provarem» o aquecimento global. Mas o ilustre defunto não teve nada a ver com isso, era um homem sério que se batia pelas causas em que cria. Os fundadores das políticas não podem ser responsabilizados pelos erros cometidos pelos sucessores. Gonçalo Ribeiro Teles foi um homem de bem que merece o louvor da Nação.

Fulano – Muito bem, está chegada a hora de irmos andando.

Eu – Vamos todos andando…

Novembro de 2020

Henrique Salles da Fonseca

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