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A bem da Nação

CULTURA INDO-PORTUGUESA

RESUMO

Tipologia de conceitos

  • Estéticos - arquitectura, mobiliário, música, pintura, …;
  • Religiosos - cristianismo e hinduísmo;
  • Linguísticos - concanim românico (Goa) e português;
  • Culinários

* * *

Como relevante potência mundial que já é e como grande potência que será num prazo não muito distante, a Índia tem na diversidade cultural um dos seus mais importantes Valores, riqueza plural que a beneficia e enriquece.

Com altos e baixos, foram quase 500 anos de intercâmbio e miscigenação entre a Índia e Portugal - eis a Cultura Indo-Portuguesa.

Nas expressões compostas, o elemento determinante é o primeiro. Portanto, neste caso, trata-se de uma Cultura indiana com influência portuguesa. Se o contrário existisse (e não o creio), seria a Cultura Luso-Indiana significando uma Cultura portuguesa com influência indiana.

Concomitantemente, tratando-se de uma Cultura indiana, a sua sede é na Índia. Uma sede excêntrica, dispersa por tantos centros quantos aqueles em que o intercâmbio cultural se fez com mais ou menos intensidade ao longo da História.

Bangalore foi a cidade onde mais inesperadamente encontrei falantes de português. Trata-se, logicamente, de uma língua de base portuguesa mas os seus praticantes eram (são?) afirmativos na convicção de que aquele português é tão autêntico como o que se fala noutras paragens por esse mundo além... E eu próprio tomei a iniciativa de lhes confirmar essa autenticidade.

Para além desta localização, para mim inesperada, mais outras que, essas, sim, já conhecia, desde Diu a Cochim passando por Baçaim, Silvassa, Corlai,… Mas, dentre todas as formas linguísticas que legitimamente integram a Cultura Indo-Portuguesa, o concanim românânico assume uma relevância especial não só por ser correntemente usado por cerca de meio milhão de pessoas mas  porque, sendo escrito em caracteres latinos, possui só por esse facto uma capacidade de internacionalização muito superior a todas as demais línguas indianas. Urge torná-lo acessível ao resto do mundo incluindo-o, por exemplo, no «Google Translator»[i]. Esta, a minha primeira sugestão para a afirmação da Cultura Indo-Portuguesa à escala global[ii].

Esta miscigenação cultural é muito vasta não apenas na perspectiva geográfica mas sobretudo em múltiplas temáticas. Assim, para além da arquitectura religiosa e profana, assumem especial relevo a música (mandó, p. ex.) e a culinária.

Em Portugal, por exemplo, em paralelo com restaurantes tipicamente indianos, abundam os restaurantes goeses[iii] numa acção de divulgação e afirmação cultural da maior relevância.

Um texto como este – por mais breve que pretenda ser - não pode omitir uma referência ao contributo da Igreja Indiana para a exegese católica ao longo dos já longos anos que o Catolicismo conquistou fiéis no sub-continente indiano. Hindus e católicos foram ensinados a conviver pela sabedoria adquirida pelo pragmatismo da vida e da proximidade diária. E é monumento da tolerância que faz jus à maior democracia do mundo, a União Indiana, nas suas próprias afirmações nos «fora» internacionais. Mas não basta dizer, há que o provar. E a preservação-protecção da Cultura Indo-Portuguesa será uma prova real.

Será por certo um trabalho ciclópico mas convido quem me lê a pensar comigo na nobreza do que será organizar um processo que eleve a Cultura Indo-Portuguesa a Património da Humanidade. E se a minha ideia tomar forma, que o seja sob a égidem conjunta dos Governos da Índia e de Portugal.

Ficam as sugestões.

Setembro de 2020

Henrique Salles da Fonseca

 

[i] - O canarim já está disponível no Tradutor da Google mas essa língua não pertence à Cultura Indo-Portuguesa

[ii] No mundo actual, só existe quem está na Internet.

[iii] - Lastimavelmente, na região de Lisboa não sei da existência de restaurantes tipicamente diuenses nem damanenses

EFEMÉRIDE – 27 DE SETEMBRO DE 1810

BATALHA DO BUÇACO

A Batalha do Buçaco foi travada na Serra do Buçaco durante a Terceira Invasão Francesa a Portugal, no decorrer da Guerra Peninsular, a 27 de Setembro de 1810. De um lado, em atitude defensiva, encontravam-se as forças anglo-lusas sob o comando do Tenente-general Arthur Wellesley, visconde Wellington. Do outro lado, em atitude ofensiva, as forças francesas lideradas pelo Marechal André Massena. No fim da batalha, a vitória mostrava-se nitidamente do lado anglo-luso.

Passam hoje 210 anos.

Para saber mais, continuar a ler em «Batalha do Buçaco – Wikipédia»

 

27 de Setembro de 2020

Henrique Salles da Fonseca

«FANIE» (conclusão)

Soe dizer-se «a pedido de várias famílias» quando já não conseguimos identificar todos os pedidos de… qualquer coisa. No caso presente, fica, pois, o registo do pedido do meu Amigo Carlos Prieto Traguelho quanto ao modo como o Sô Manel se desenrasca sozinho e ficam sem menção especial os relativos à situação actual da «Fanie». Mais aproveito para informar neste breve intróito que a fantasia ficou lá a trás no texto inicial.

* * *

Cego que se prese usa bengala como valiosa substituta dos olhos falidos. E foi isso mesmo que fez o Sô Maneç durante uns tempos depois de a «Fanie» ter regressado à escola de cães-guia mas, por alguma razão que me escapou, decidiu abandonar o «varapau». Passou então a aceitar a boleia de quem segue na direcção que ele quer. Mas – e há sempre algum «mas» - poucas são as pessoas que sabem conduzir cegos: ou andam muito depressa, ou pegam no braço do cego, ou se esquecem de avisar da presença de um degrau,… Uma molhada de bróculos. 

E, contudo, é muito fácil conduzir um cego:

1º- Deixe que seja o cego a pegar no seu braço ou ombro, não o contrário;

2º- Não puxe o cego, iguale a sua velocidade em relação à dele;

3º- Passe longe dos postes e outros obstáculos pois o cego vai ao seu lado e não a trás de si;

4º- Avise da existência de degraus.

Aos poucos, as pessoas da aldeia já vão sabendo destas normas e o Sô Manel já vai dando muito menos tropeções do que de início. Tout s’arrange…

E a «Fanie»?

Perguntei directamente ao Sô Manel quando, em Julho passado (2020)k também eu quase cego, nos encontrámos na esplanada.

- Mas que coincidência o Senhor perguntar-me por ela e eu ter telefonado ontem a saber se estava tudo bem. Que sim, tem estado como «mestra» de alunos cachorros mas há uma semana que está de licença de parto. Teve uma ninhada de seis canitos pretos, quatro meninos e duas meninas.

HAPPY END

Setembro de 2020

Henrique Salles da Fonseca

 

«FANIE»

 

Canez, a fala dos cães.

O Sô Manel é o cego da aldeia. Cegou já adulto tardio, está reformado com modesto conforto. Embarcadiço que foi, conheceu o mundo mas, agora, o seu mundo é a aldeia e, mesmo assim, nem toda – fica-se pelo parque central e respectivos limites pois mora do lado sul e o café a que vai diariamente fica no do norte. Não lhe conheço família mas pelo modo como veste, adivinho que tenha quem por ele veja e dele cuide – um cego não acerta nas cores nem engoma correctamente os vincos da roupa. Mas o que mais dá para ver na sua indumentária é o boné. Deve ter sido comprado nalgum porto inglês e estou mesmo a imaginar um Lord britânico gorducho e de grande bigodaça à caça do «famoso grouse» debaixo de um boné daqueles. Mas o Sô Manel não caça e limita-se a tomar um café simples, sem «mosca»[i] nem outros baptismos.

O seu luxo era «Fanie», a cadela guia que o levava de casa ao café e de volta[ii].

Preta, raça Labrador, de meia idade, bem tratada, lembrava-me o tal Lord da bigodaça, estava gorducha.  O seu trabalho diário limitava-se a conduzir o dono ao café e volta numa distância total de menos de trezentos metros. O resto do tempo passava-o a comer, a dormir e a fazer mimos ao dono. Pouco se mexia e o Sô Manel achava que a cadela estava a ficar farta daquela vida, vida estúpida para qualquer cão. E começou a pensar que não tinha o direito de submeter a cadela a tanta desmotivação. Pensou soltá-la no parque mas logo imaginou a canzoada labrega da aldeia à volta dela a tentar indecências na via pública e afastou a ideia. A «Fanie continuava a usar o quintal da casa para as suas precisões.  E de ideia em ideia, foi rejeitando todas as hipóteses sem descortinar uma que lhe agradasse e pudesse dar alguma alegria
a sua amiga. Sentia que a neura avançava pela vida da «Fanie» e desesperava-se com tentar retribuir a bondade da cadela. Ele não se dava ao direito de causar neura a quem só lhe fazia bem. E tomou a decisão: devolveria a «Fanie» à escola dos cães-guia se lhe garantissem que ela ficaria como «mestra» dos cães alunos e que não voltaria a ser submetida a um suplício neurótico a guiar algum cego de mau feitio. Ele próprio havia de se desenrascar sem guia. Já conhecia bem o caminho, tinha um ou outro ponto de referência pelo tacto, contava os passos, ia libertar a cadela.

Telefonou para a escola, obteve a garantia que pediu, combinaram a data e a hora em que estariam na esplanada do café para a «Fanie» regressar à sua origem dos tempos infantis.

Nessa tarde, como sempre, lá foram até à esplanada mas a certa altura, o Sô Manel ouve vozes desconhecidas e sente a cadela a mudar de rumo. Assusta-se e grita: -Fanie, Fanie, para onde vais que me desgraças? Mas logo uma das tais vozes desconhecidas lhe disse que não havia perigo, que o cão estava a desviar-se das obras que estavam a fazer no passeio para os carros não voltassem a estacionar ali e os peões pudessem deixar de andar na estrada.

-  E logo isto havia de acontecer no próprio dia em que combinei mandar a «Fanie» embora! – cogitava o Sô Manel  - Isto tem mensagem… deixa cá compensar o pobre animal pelo berro que lhe dei. – e assim foi que, chegados à esplanada, para além do seu café, encomendou um «bolo de arroz» para a sua amiga. Esta, gulosa, tragou-o num instante quase não dando tempo de abanar o rabo. Vai daí, regressou a rotina e, com ela, o seu par, o tédio. E a sempre presente paciênte bondade de «Fanie» com a mão mole do dono ao longo do dorso numa festa suave…

Até que chegou o dia combinado para a cadela mudar de vida.

Estranhamente, o dono metera quase todos os seus brinquedos (todos menos um dos mais pequenos) num saco grande de supermercado. Não percebia o que se estava a a passar mas lá cumpriu a sua missão até ao outro lado do parque. Lenta, paciente e bondosamente (sem bulhas com gentes nem cães), chegaram à esplanada, tomaram café e «bolo de arroz» sem perceber mas sem perguntas e ali ficaram com as pessoas do costume a dizerem as baboseiras do costume mas o saco dos brinquedos e o «bolo de arroz»…???

Foi então que chegou um carro com o escrito «Escola de cães-guia» que parou ali mesmo à frente. Um rapaz e uma rapariga apearam.se e, mesmo antes de cumprimentarfm o Sô Manel, a rapariga pôs um joelho no chão em frente da «Fanie», afagou-he a cabeça com as mãos por baixo das orelhas, deu-lhe uma pequena turra testa com testa, disse qualquer coisa e a cadela, como só as «mulheres»  sabem fazer, emitiu um gorjeio que toda a gente percebeu ser um choro de felicidade. Era a sua antiga dona nos tempos em que era cachorrinha. O rapaz deu-lhe uma bolacha daquelas de que os cães mais gostam e só então disseram ao Sô Manel que já ali estavam. Cumprimentos feitos, palavras de circunstância, troca dos documentos da identidade da cadela e despedidas rápidas. Ao Sô Manel tremeu-se-lhe o queixo, formou-se-lhe uma bola na garganta, engoliu um soluço e estendeu a mão para afagar o dorso da sua amiga preta mas a cadela já lá não estava. À janela traseira do carro, a «Fanie» sorria como só os cães felizes sabem sorrir.

O Sô Manel ainda sibilou «Fanie, Fanie», meteu a mão no bolso e afagou o pequeno brinquedo que cativara à sua amiga.

Na esplanada fez-se silêncio e naquele dia os donos do estabelecimento ofereceram o café e o «boço de arroz». É que, por ali, todos sabem que em canez, bondade se diz «Fanie».

~

Setembro de 2020

Henrique Salles da Fonseca

NOTA FINAL – Esta história é quase verdadeira; a fronteira com a fantasia situa-se onde o leitor quiser

 

[i] - Vinho moscatel de Setúbal

[ii] - Sugiro a quem ne lê que não se assuste com o tempo pretérito da frase

E AGORA...

RELEMBRANDO…

RELEMBRANDO…

OBJECTIVO - A ideia fundamental consiste na irrigação extensa do Saará de modo a que nele se criem condições propícias à fixação de populações actualmente desamparadas que assediam a Europa em fluxos migratórios descontrolados.

https://abemdanacao.blogs.sapo.pt/nasser-1936809

MÉTODO – Dessalinização da água do mar pelo método da evaporação-condensação utilizando energia solar (e eólica conforme as condições locais).

QUEM – Público ou privado, deve ser mantido em mãos portuguesas tanto na concepção como na negociação e na implementação.

https://abemdanacao.blogs.sapo.pt/geringonca-1937405

 

* * *

E agora que existe a ideia mas tudo falta para a concretizar, a pergunta que se coloca é: - E agora?

Diminuído por grave problema oftalmológico, não estou em condições de tratar do assunto com a dinâmica que ele merece pelo que gostaria de reunir um pequeno grupo de meus concidadãos entusiastas da ideia e do método que se propusesse a…

  • Promover a ideia junto do Ministério da Economia com vista à construção de um protótipo num Instituto público de investigação industrial e, …

…uma vez afinado o projecto e provadas as respectivas funcionalidade, produtividade e, consequente, a sua competitividade perante métodos alternativos,

  • Promover a ideia da irrigação do Saará junto do nosso Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Ofereço a ideia a quem nela queira pegar com garantias de perseverança. Não quero quaisquer direitos sobre ela nem sobre os respectivos resultados. Apenas pretendo que o Saará se transforme numa região menos agreste para a vida e que nela se possam fixar aquelas populações desamparadas que hoje assediam a Europa.

Numa fase inicial, proponho-me receber em sallesfonseca@sapo.pt as manifestações de vontade de quem queira «agarrar» na ideia. Respeitarei as condições de confidencialidade ou publicidade que me sejam solicitadas.

 

Se quiserem ter a gentileza de me irem informando do andamento da concretização da ideia, ficarei grato e ao dispor na medida das minhas actuais (e eventualmente futuras) capacidades.

Setembro de 2020

Henrique Salles da Fonseca

AREIAS DO GUADIANA

Espanha nunca aceitou de bom grado a conquista portuguesa do Algarve com base numa herança de um avoengo qualquer

. Mas a «uti possidetis» vingou por antecipação à inclusão dessa figura (posse efectiva de uma região) no Direito Internacional e o Algarve é português e ponto final na discussão.

Contudo, durante o Consulado Pombalino, correram ruimores de que os espanhóis se preparavam para tomar conta de toda a foz do Guadiana. E o Marquês mandou construir à pressa uma cidade sobre as areias da nossa margem do Guadiana. Chamou-lhe Vila Real de Santo António e mandou os habitantes de Monte Gordo transferirem-se para a nova cidade. As hesitações foram dirimidas com espingardas apontadas às costas.

Antes desta tomada de posse pela força, aquelas areias na margem direita do Guadiana eram esparsamente ocupadas por choupanas de pescadores que tanto podiam ser portugueses como não. Eram transfronteiriços e viviam onde melhor lhes aprouvesse. As areias eram conhecidas por «arenillas» (areiazinhas), nome que, uma vez aportuguesado, se transformou em «arenilhas». Mas o povo logo se encarregou de deitar a baixo o «e» e o nome do local passou a ser Arnilhas.

Nome bem mais apropriado que Vila Real de Santo António que ali foi pespegado por Decreto, não por sentimento. E o sentimento é tal que os vila-realenses ainda hoje se auto denominam arnilhas.

Bem seria que as placas toponímicas nas entradas da cidade ostentassem essa designação entre parênteses por baixo do nome oficial.

Setembro de 2020

Henrique Salles da Fonseca

FONTE – José Pedro Queioga, Tavira

GERINGONÇA

Quando, há dias, escrevi o texto anterior intitulado «Nasser», considerei que estava a ser utópico, voluntarioso em excesso, quase infantil. Publiquei-o, claro está (até porque não escrevo para arquivo) mas hesitei na respectiva divulgação. E qual não foi o meu espanto com a receptividade que foi demonstrada por comentários positivos que me fazem admitir não ter sido tão infantil quanto temera nem tão excessivamente voluntarioso ou utópico. Sinto-me, pois, encorajado e prossigo…

* * *

A ideia de irrigar o Saará é antiga e a barragem de Assuão é o exemplo mais «faraónico»; a ideia de dessalinizar a água do mar é antiga; a ideia de irrigar intensa e extensamente o Saará com água dessalinizada pode não ser moderna; as tecnologias da energia solar (e eólica), sim, é que são relativamente novas viabilizando economicamente o processo de evaporação-condensação. Esta relativa modernidade não obsta, contudo, a que esteja disponível na Internet muitíssima informação, esquemas de funcionamento, inclusive.

Fora eu bricoleur e avançava já na construção de um protótipo de geringonça que bombeasse água do mar, a fizesse evaporar à força de energia solar e, numa serpentina de refrigeração, a fizesse condensar, já sem sal, num recipiente ali ao lado. O princípio é tão «moderno» quanto o alambique; a diferença está na energia utilizada. E, já que estamos com a mão na «massa», admitamos outros materiais que não o velhinho cobre dos alambiques do medronho algarvio. Se eu conseguir que um engenheiro se interesse pela ideia, tenho a certeza de que todas as minhas dúvidas desaparecem num instante e que o «boneco» da geringonça aparece feito com todas as especificações necessárias. E quando o engenheiro começar a especificações, logo surgirão oportunidades para puxar pelas cabeças. Então, assente o «boneco», vai ser necessário orçamentar a construção desse protótipo, reunir os fundos necessários e adjudicar o fabrico a uma oficina de serralheiro que ofereça garantias de qualidade na execução da obra.

E assim por deante…

A alternativa a este projecto privado é conseguir-se o apoio público, nomeadamente do Ministério da Economia e respectivas instituições de investigação.

Privado ou público, o projecto pode perfeitamente ser nosso, português, sem necessidade de recurso a estrangeiros. O que a abundante informação técnica disponível não disser, a capacidade de raciocínio local há-de suprir.

Entretanto, o Instituto para a Cooperação (MNE) que vá preparando a agenda das reuniões bilaterais com os Governos do Norte de África.

E se os Governos do Magreb e do Makresh não estiverem interessados em sedentarizar os nómadas, ficamos com uma geringonça que em anos de seca nos livrará do sufoco espanhol às águas transfronteiriças.

Para já, talvez seja prudente ficarmo-nos por um protoprojecto.

Setembro de 2020

  • Henrique Salles da Fonseca

NASSER

 

O Saará é um absurdo

Quando o Professor Joaquim Laginha Serafim (Loulé, 1921-Lisboa, 1994) fez 60 anos, os amigos e colegas apresentaram-l  mais emblemáticos[i].

Gamal Abdel Nasser (1918-1970), Homem de Estado egípcio, teve muitas qualidades e alguns defeitos, o pior dos quais foi ter morrido cedo[ii]. Uma das qualidades que teve foi a de fazer construir a barragem de Assuão com a qual constituiu uma enorme reserva de água doce assim regularizando o caudal do Nilo permitindo o regadio onde historicamente imperava o deserto.

A enorme barragem foi um marco fundamental no combate ao deserto e serve de exemplo ao que poderia ser o norte de África se os dirigentes políticos do Magreb e do Makresh tivessem hoje a visão de Nasser.

Quem hoje navegue no Mar Vermelho ao longo das costas egípcias e percorra o Canal de Suez, verificará que ao longo de toda essa enorme extensão, existe uma linha verde para alguma contenção das investidas do deserto e para mostrar que, mesmo ali, em zonas inóspitas, a água doce faz maravilhas.

Entretanto, a ciência e a tecnologia avançaram enormemente e muitos casos haverá em que, perante a inexistência de linhas de água doce, a irrigação se possa fazer sem recurso a lençóis subterrâneos de «águas fósseis» como fez Kadhafi, mas apenas pela dessalinização da água do mar.

Sem desmerecer todas as experiências já realizadas com a dessalinização da água, convenhamos que, aplicando a energia solar (ou eólica) ao processo da evaporação-condensação, o Saará deixou de ter legitimidade para continuar a ser uma realidade geográfica limitadora da vida e poderá ser transformado numa região, se não aprazível, pelo menos com aceitáveis níveis de humanização.

E que poderá acontecer uma vez «domado» o Saará?

  • Redução da pressão sobre o «aquecimento global»;
  • Criação de condições de habitabilidade hoje inexistentes;
  • Criação de riqueza agrícola em áreas actualmente estéreis;
  • Fixação de populações que actualmente assediam a Europa;
  • Ocupação produtiva de populações actualmente ociosas se não mesmo esmoleres que assim deixam de depender do Zakat[iii] e consequente perda de influência dos pregadores radicais.

Eis algumas das razões pelas quais me parece que a Europa tem todo o interesse em promover a irrigação do Saará. S

Contudo, se Portugal lançar a ideia, certo será que os «gulosos» e nada solidários parceiros europeus nos passarão a plano terciário apenas nos deixando algumas migalhas. Ou seja, a ideia deverá ser avançada por nós nas reuniões bilaterais que ocorram com os Governos do Magreb (Marrocos, Tunísia e Argélia – e Mauritânia?) e do Makresh (Egipto, Líbia-Trípoli e Líbia-Tobruk).

À consideração do Ministério dos Negócios Estrangeiros e de algum empresário que por aqui passe e seja tão ou mais sonhador do que eu.

Setembro de 2020

Henrique Salles da Fonseca

 

 

[i] - Por incrível que pareça, a Wikipédia não refere esse projecto em https://pt.wikipedia.org/wiki/Laginha_Serafim

[ii] - Para recordar mais, ver https://pt.wikipedia.org/wiki/Gamal_Abdel_Nasser

 

[iii] - Esmola muçulmana obrigatória destinada ao amparo dos desvalidos e ao financiamento do clero

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