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A bem da Nação

A HISTÓRIA RECENTE SEGUNDO VAROUFAKIS

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As taxas de câmbio podem constituir um mecanismo de reciclagem de excedentes pois a acumulação dos défices tende a levar à desvalorização cambial, esta pode acabar por ser um estímulo às exportações e desestímulo das importações, além de contribuir para atrair outros capitais excedentes graças às taxas de juros mais elevadas.

 

Eis como tanto o “Plano Global” como o “Minotauro” são, na verdade, arranjos sustentados em formas distintas do Mecanismo Geral de Reciclagem de Excedentes (MGRE) com o primeiro a ter nos Estados Unidos um imenso polo superavitário e no segundo, pelo contrário, um polo deficitário.

 

* * *

Do Plano Global

 

 

A Conferência de Bretton Woods deu nascimento a um sistema de governança económica global que levou à criação do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) e à constituição de um sistema de administração cambial que fixava, dentro duma determinada variação percentual, a flutuação das taxas de câmbio das moedas em relação ao Dólar e ao ouro– com a consequente convertibilidade directa do Dólar em ouro.

 

Entretanto, os défices americanos apareceram devido à

  • Rápida recuperação com ganhos de competitividade e produtividade dos outrora “pupilos” do pós-guerra (Alemanha e Japão);
  • Com a queda de competitividade relativa dos Estados Unidos;
  • Com a abertura do seu mercado à entrada de produtos desses concorrentes, em especial o Japão;
  • Com os crescentes gastos do Governo, especialmente com guerras, como a do Vietname.

 

Mas os Estados Unidos queriam ser eles mesmos a gerir a nova ordem económica mundial através do Dólar pelo que romperam unilateralmente o acordo de Bretton Woods, puseram fim à conversibilidade ouro/Dólar e avançaram para a desvalorização da sua própria moeda.

 

A depreciação do Dólar representou um duro golpe nas exportações japonesas e europeias para os EUA mas dado que todos estavam já presos ao Dólar como moeda de reserva global, pouco restava a fazer. A posição privilegiada que os americanos haviam construído estava garantida e agora em bases renovadas. “A moeda é nossa. O problema é vosso”.

 

A expansão monetária resultante do aumento de gastos do Governo redundou também na desvalorização do Dólar.

 

Mas, diante de novas e sonoras contestações à sua posição “privilegiada”, os Estados Unidos responderam com acções enérgicas e medidas drásticas que Paul Volcker, Presidente do Reserva Federal durante os governos Jimmy Carter e Ronald Reagan, mais tarde denominou “a desintegração planeada da economia mundial”.

 

Eis o “Minotauro Global

 

Funcionando como uma espécie de “consumidor de primeira instância”, o enorme corpo gravitacional dos défices gémeos (comercial e orçamental) americanos serviu como força de atracção para o investimento dos excedentes acumulados noutras regiões do globo.

 

Resumidamente: enquanto os persistentes saldos comerciais negativos dos EUA suscitavam o avanço da produção noutros países, os défices orçamentais serviam para transformar os excedentes comerciais desses outros países em títulos da dívida norte-americana. E à medida que o mundo acumulava tais títulos, o capital mundial fluía inadvertidamente para o mercado financeiro americano. Para se ter uma ideia da dimensão desse movimento, no início dos anos 2000, pouco antes da crise, mais de 70% dos movimentos globais de capitais tinham os Estados Unidos como destino final.

 

As taxas de juros foram paulatinamente elevadas ao longo da década até alcançarem níveis recordes em 1979 – uma verdadeira catástrofe para países endividados em Dólares, como os latino-americanos e leste-europeus. A metamorfose havia sido concluída.

 

Enquanto absorvia uma imensidão de capitais vindos de todas as partes, Wall Street, livre das regulamentações, barreiras e constrangimentos políticos de outrora, encarregava-se de activar uma verdadeira farra desvairada de criação de dinheiro privado por meio de activos, nomeadamente os tóxicos (entre os quais estão as famigeradas classes de derivados bizarros que o mundo veio a conhecer). Fusões e aquisições alavancadas por bolhas financeiras, a produção e a circulação de capital fictício em quantidade inimaginável encontram- se, especialmente ao longo das últimas duas décadas, com a concessão de hipotecas e enorme expansão de crédito pessoal para aqueles mesmos trabalhadores que não recebiam aumento real de salários desde 1973.

 

Incentivado pela espantosa criação de dinheiro privado, o consumo sustentado parecia indicar que tudo estava muito bem, florescente mesmo.

 

Até às vésperas da crise, Wall Street, com todas as suas gambiarras outrora eufemisticamente conhecidas como “inovações financeiras”, atraiu não só capital mundial suficiente para reciclar a contento os excedentes obtidos pelos demais países e até mesmo sustentar certa reconversão destes em mais investimentos produtivos, mas também novas vendas para os Estados Unidos, o que provocava novos superávites daqueles países e, assim, a continuidade, em dimensão ampliada, da mesma roda-viva.

 

Entretanto, os desequilíbrios no comércio internacional continuavam a crescer.

 

Quando a música parou, o número de cadeiras era pequeno demais para aqueles que circulavam freneticamente à volta. O dinheiro privado evaporou-se e o sistema bancário quebrou.

 

O resto é a História divulgada pelos jornais…

 

Fevereiro de 2019

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Henrique Salles da Fonseca

 

FONTES:

http://www.scielo.br/pdf/ts/v29n2/1809-4554-ts-29-02-0014.pdf

https://outraspalavras.net/mundo/varoufakis-e-o-mundo-parasitado-pelos-eua/

https://abemdanacao.blogs.sapo.pt/mitologia-grega-2-1488256

 

 

A LAVAGEM DA HISTÓRIA

 

 

O relativismo assumiu a forma de um movimento chamado «pós-modernismo» o qual tem ampla influência nas ciências sociais, nomeadamente na filosofia e na história

 

Os conceitos essenciais do pós-modernismo tendem para tudo definir como «um texto»[1] e colocar «o significado» como a matéria essencial desses textos e de quase tudo o que eles, pós-modernistas, tocam. Aqui chegados, pretendem descodificar esse significado dedicando-se àquilo que denominam a «desconstrução do significado» pois partem do pressuposto de que «é suspeita a ideia de realidade objectiva», ou seja, tudo é «relativo»[2].

 

A situação assim criada pelo relativismo, especialmente na esfera moral, gerou uma enorme crise de valores no âmbito da qual os pós-modernistas afirmam que o que hoje nos parece errado pode-se ter justificado nos contextos relativos à ocorrência. Assim, porque não reconhecem a existência de conceitos éticos (nem morais) absolutos, o «bem» e o «mal» variam no espaço e no tempo.

 

Rompendo com as certezas do modernismo racionalista, resta a dúvida de como o relativismo permite (ou não) que se possa atingir a certeza objectiva das grandes questões que se deparam a uma sociedade e do valor ético (e moral) que se pode dar a um conhecimento que decorre do pensamento racionalista.

 

A título de exemplo e para que melhor se compreenda onde o relativismo nos conduz, bastará referir as tentativas pós-modernas de “lavagem” de dirigentes moralmente tão condenáveis como Hitler ou Estaline.

  

Henrique, 30DEZ16, Mostar, Bósnia-Herz..jpg

Henrique Salles da Fonseca

(JAN17, em Mostar, Bósnia-Herzegovina, junto a vestígios da guerra)

 

 

 

BIBLIOGRAFIA:

Fernando Martins – HISTORIOGRAFIA, BIOGRAFIA E ÉTICA, in “Análise Social”, nº 171, Verão de 2004, pág. 391 e seg.

 

[1]  Mais vulgarmente, o contexto

[2] Conceitos fundamentais para um pós-modernista: o «contexto», o «significado», a «desconstrução», o «relativismo».

SANGUE BOM

Pluri-racial.jpg

Nunca sofri de raça

Minha pele é muito boa

Tenho sangue mouro de Goa

E sangue louro de Mombaça,

Saiba o Senhor

 

Minha raça é meio-errante

Num dia sou quase zulu

No outro dia, xavante

Mulato, preto-fulo,

Saiba o Senhor

 

Raça danada, eu não creio em raça, não!

 

Raça é superstição de gente mal arraçada,

Saiba o Senhor.

Eu não creio em raça, não, raça danada.

Raça é superstição de gente mal arraçada

Eu não creio em raça, não.

 

Raça danada, eu não creio em raça, não.

 

Eu sou o avesso da raça

Minha alma é muito à toa

Gosto d'amêijoas com jimboa

A toda a mistura acho graça,

Saiba o Senhor.

 

Minha raça é um jardim.

Num dia sou quase azul

No outro, cor de marfim

Sou Bissau e sou Cochim,

Saiba o Senhor.

 

Raça danada, eu não creio em raça, não.

 

Raça é superstição de gente mal arraçada

Saiba o Senhor: eu não creio em raça, não, raça danada

Raça é superstição de gente mal arraçada

Eu não creio em raça, não

 

Raça danada, eu não creio em raça, não

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José Eduardo Agualusa

(Para o Caetano Veloso que quis um dia saber a minha raça)

RECORDANDO…

Caixa Geral de Depósitos.jpg

 

Porque recordar é viver, lembremo-nos de que este blog fez 15 anos no passado mês de Janeiro.

 

Nasceu porque eu estava farto de ver, ouvir e ler toda a gente a dizer mal do meu dogma, Portugal.

 

E, passados todos estes anos, pergunto: de que valeu?

 

Fevereiro de 2019

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Henrique Salles da Fonseca

ANDA O MALIGNO À SOLTA – 8

 

 Dos temas que abordei neste conjunto de crónicas relativas à liberdade do Maligno

  • ascensão da China,
  • invasão muçulmana da Europa e correspondente «revivalismo» sunita,
  • tensão totalitária na Turquia e na Venezuela,
  • bitcoin e narcodólar,

façamos um caldinho do revivalismo sunita, da tentação totalitária e do narcodólar e vejamos no que dá:

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Imagens bem recentes, que me chegaram há muito poucos dias, relativas aos ataques terroristas muçulmanos na Província de Cabo Delgado no extremo norte de Moçambique.

 

Alguém fica com dúvidas de que o maligno anda por ali à solta?

 

Com que objectivo e instigado por quem? Aceitam-se pistas.

 

Fevereiro de 2019

 

FIM

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Henrique Salles da Fonseca

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