Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A bem da Nação

DA LIDERANÇA

 

Não se lidera batendo nas pessoas. Qualquer idiota o pode fazer e isso é 'assalto' e não 'liderança'. Liderança é persuasão, conciliação, educação e paciência. É um trabalho longo, lento e difícil.

Eisenhower.jpg

Dwight D. Eisenhower

* * *

Eu não tenho medo de um exército de leões liderado por uma ovelha; Eu tenho medo de um exército de ovelhas liderado por um leão.

Frase atribuída a

Alexandre o Grande.jpg

Alexandre o Grande

CRISTIANO RONALDO

Ronaldo.jpg

 

Estranhará o meu Leitor que refira este simpático personagem do futebol mundial mas faço notar que nos meus escritos cabem todos os assuntos que respeitem à nossa Nação e Ronaldo é inultrapassável nesse tema.

 

E, isto, apesar de eu não ligar absolutamente nada à «indústria de bafordos».

 

Contudo, para se entender esta minha entrada, basta que eu refira algo tão simples como: quando nas minhas viagens por esse mundo além, me perguntam donde sou e eu respondo que de Portugal, logo referem Ronaldo com largos sorrisos e demais sinalética de evidente simpatia [1].

 

Então, o que hoje refiro é o espanto que se apoderou de mim quando, indo ao Google à procura de «escritores portugueses», me deparei com Cristiano Ronaldo.

 

Bouche bée, não desisti e cliquei nalgumas entradas que me foram apresentadas. Poderia ter ficado a saber muito sobre os golos, as namoradas, os filhos, os carros e etc. mas confesso que não o fiz. Entretanto, não encontrei a mais pequena referência a uma só linha que o nosso (sim, ele é nosso, português) simpático e importante atleta alguma vez tenha escrito.

 

Admito que a minha busca possa não ter sido exaustiva mas, compreenderá o Leitor, a expectativa comum sobre Ronaldo não é no campo da literatura e é, sim, no do futebol. Vai daí, desisti.

 

Conclusão: o Google não é infalível – até prova em contrário.

 

Janeiro de 2019

Urinol público Estocolmo.JPG

Henrique Salles da Fonseca

 

[1] - Há uns quantos anos, o personagem logo referido em circunstâncias semelhantes era Luís Figo, donde vem a simpatia que por ele continuo a nutrir

RUI KNOPFLI - AUTO-RETRATO

Rui Knopfli.jpg

 

De português, tenho a nostalgia lírica de coisas passadistas,

de uma infância amortalhada entre loucos girassóis e folguedos,

a ardência árabe dos olhos, o pendor para os extremos:

da lágrima pronta à incandescência súbita das palavras contundentes,

do riso claro à angústia mais amarga.

De português, a costela macabra, a alma enquistada de fado,

resistente a todas as ablações de ordem cultural

e o saber que o tinto, melhor que o branco, há-de atestar a taça na ortodoxia

de certas vitualhas de consistência e paladar telúrico.

De português, o olhinho malandro, concupiscente e plurirracial,

lesto na mirada ao seio entrevisto, à nesga de perna, à fímbria de nádega,

a resposta certeira e lépida a dardejar nos lábios,

o prazer saboroso e enternecido da má-língua.

De suíço tenho, herdados de meu bisavô, um relógio de bolso antigo

e um vago, estranho nome.

 

RUI KNOPFLI

(1932–1997), viveu em Moçambique até 1975, um dos nomes mais importantes da vida cultural moçambicana. Consciente do labor poético, nunca cedeu a imediatismos portadores de ideologias, mantendo a sua independência artística, autonomia e, decerto, exclusividade. Autor bipátrida, cuja obra, para além de outros temas, denuncia uma procura sempre aflita de raízes e identidade (a nível pessoal e literário). Hoje em dia recuperado pela voz de novas gerações de poetas. Dentro da sua obra destacam-se as coletâneas «O País dos Outros» (1959), «Mangas Verdes Com Sal» (1969), «Memória Consentida», «20 Anos de Poesia – 1959/1979» (1979), «O Monhé das Cobras» (1997).

 

LIDO COM INTERESSE – 87

BEBEDOURO HORIZONTES.jpg

Título – O BEBEDOR DE HORIZONTES

Mia Couto.jpg

Autor – Mia Couto

Editora – CAMINHO

Edição – 2ª, Fevereiro de 2018

 

* * *

 

Sinto-me dispensado de apresentar o Autor mas não me dispenso de dizer algo sobre ele.

 

Estabeleço três grandes diferenças entre José Saramago e Mia Couto:

  • Uma, a de que um é odioso e o outro chega a ser simpático;
  • Outra diferença é a de que o odioso já recebeu o Nobel e o outro ainda não;
  • A um, não deixo que me influencie nem por osmose; ao outro, leio.
  • Mia Couto escreve «coisas» que me interessam; o outro, não sei.

 

Moçambicano e branco, assume uma postura em que parece pedir desculpa por ser branco, tanto o mal que diz dos brancos, dos portugueses em particular. Fá-lo disfarçadamente nuns livros, mais directamente noutros mas, no mínimo, com uma pedra no sapato contra nós.

 

Cumpre-nos a nós, portugueses, reconhecer que nem tudo o que fizemos em África merece os maiores louvores mas, daí a propagandear apenas os defeitos omitindo as virtudes, é uma vergonha para quem o faz. O que seria a alternativa à nossa presença nesses países? Não respondo porque não quero agora entornar o caldo.

 

Sim, a literatura africana de língua portuguesa tarda em se afirmar sem complexos de colonialismo. Parece que lá para as bandas de Cabo Verde já vão aparecendo escritores verdadeiramente independentes.

 

* * *

 

No final, o Autor informa em anexo que «Este livro é uma obra de ficção. Grande parte das personagens e das histórias foram, no entanto, construídas com base em pessoas reais e factos históricos. (…)»

 

A trama refere-se à captura de Gungunhana, de sete das suas mais de trezentas mulheres, do filho Godido, do tio e conselheiro Mulungo, do cozinheiro Ngó e do arqui-adversário Zixaxa e suas três mulheres, tudo personagens verdadeiras. A narradora é a intérprete de que o Autor se serve para que nos cheguem as falas de quem não sabia falar português.

 

Independentemente da história (que coincide com a História), Mia Couto consegue com mestria transmitir-nos muito do misticismo dos povos do Sul de Moçambique e, nesse particular, merece os maiores louvores literários e também humanistas. Basta isto para se justificar esta leitura.

 

Frases que chamaram a minha atenção:

 

  • Sobre a questão linguística, a rainha Dabondi refila sobre o modo rude como é mandada calar - «Calo-me na mesma língua do homem que me humilha» - (pág. 22);

 

  • Sobre a magreza de muitos dos soldados brancos - «(…) magros vultos com mais farda do que corpo.» - (pág. 35);

 

  • Sobre os complexos de inferioridade dos portugueses - «A nossa verdadeira pequenez não vem da geografia mas do modo como nos pensamos.» - (pág. 44);

 

  • «(…) só há um critério para medir a grandeza de um comandante: o modo como trata os vencidos.» - (pág. 45);

 

  • «(…) como um bêbado se agarra a uma garrafa já vazia.» - (pág. 62);

 

  • Sobre quem foi a Lourenço Marques assistir à apresentação dos captivos - «(…) gente de nações tão distantes que nenhum mapa lhes faz justiça.» - (pág. 116);

 

  • «A bravura não nasce de ser pensada. A coragem não mora no cérebro, emerge das entranhas.» - (pág. 144);

 

  • «Enquanto sobreviver o medo, os deuses não serão destruídos pelas máquinas.» - (pág. 238);

 

  • «(…) se não há futuro, tornamo-nos iguais aos bichos e não há melhor para as guerras que um bicho fardado de soldado.» - (pág. 248);

 

  • «O frio é tanto que as sombras não se soltam dos corpos.» - (pág. 267);

 

  • «Cozinhar não é fazer comida, é sentar os deuses à nossa mesa». – (pág. 285);

 

  • «Rir junto é um abraço.» - (pág. 325);

 

  • «(…) os nomes são tatuagens na alma. Não há morte que os apague.» (pág. 342).

 

Janeiro de 2019

Púlpito discurso Nobel.JPG

Henrique Salles da Fonseca

(no púlpito dos laureados Nobel)

BREVE NOTA ECONÓMICA

O QUE POR AÍ SE DIZ…

DIZ O INE QUE

  • De Janeiro a Novembro de 2018, a hotelaria registou 54,8 milhões de dormidas (-0,2%, variação homóloga acumulada, VHA) e 3431,4 milhões de euros de proveitos (+6,0% VHA)  

E O EUROSTAT DIZ QUE

  • Entre Janeiro e Novembro de 2018, Portugal registou um défice da Balança de Bens de 15,5 mil milhões de euros (13,0 mil milhões de euros no período homólogo). As exportações de bens aumentaram 4,9% neste período e as importações de bens aumentaram 7,9% neste período, face ao período homólogo.

 

E DIGO EU QUE

  • Se não fossem o Turismo e as cativações “centenárias”, já estaríamos de novo a «bater válvulas»

 

Janeiro de 2019

IMG_1020.JPG

Henrique Salles da Fonseca

 

A MORTE DO LINCE

 

Lince.jpg

 

Começa a ser repetitiva a notícia de que um lince apareceu morto.

 

Creio que algumas poderão ser as causas dessas mortes, nomeadamente a de se tratar de animais que foram criados em cativeiro e posteriormente libertados pelo que admito que não tenham a «expertise» suficiente para se cuidarem na liberdade a que foram obrigados.

 

Mas também admito que o instinto de sobrevivência com que nasceram não esteja adaptado aos automóveis nem aos criadores de gado miúdo de que eles, linces, apreciam o paladar.

 

Uma vez que não estou a ver os biólogos ligados à reintrodução do lince no habitat tradicional pugnarem pelo corte de estradas nem pela expulsão dos criadores de gado miúdo dos locais onde os linces aparecem mortos, creio mais sensato deixá-los viver em ambientes protegidos sem se correr o risco sério de extinção da espécie na liberdade fatal que lhes tem sido imposta.

 

Mas quando lidamos com ambientalistas, nunca se sabe qual a linha de raciocínio por que singram.

 

Janeiro de 2019

Tamil Nadu.png

Henrique Salles da Fonseca

DO CONHECIMENTO E DA SABEDORIA

 

Descartes.jpg

 

Será o conhecimento que fundamenta o pensamento ou o contrário? Sei porque penso ou penso porque sei?

 

Eis uma questão que se resolve facilmente se entrelaçarmos os dois conceitos numa relação biunívoca; e assim passamos além de grandes filósofos, esses que tão afanosamente se dedicam à teoria do conhecimento, a epistemologia.

 

Por seu lado, a sabedoria indica quem tem bom senso – aquele que frequentemente é chamado de senso comum - e se comporta com rectidão num determinado enquadramento cultural e de tradição.

 

Se o conhecimento influencia o pensamento e este o pode sintetizar transformando-o em normas mais ou menos abstractas, então ao conjunto de abstrações podemos chamar normativo cultural, quadro legal, definição de bem e de mal… E o que é verdade para uma sociedade, pode não ser para outra porque as evoluções são habitualmente autónomas.

 

Assim chegamos ao conceito de Cultura que pode ser a de uma comunidade local ou regional, de uma Nação. Mas se aos parâmetros meramente profanos juntarmos a matriz religiosa, então passamos a falar de Civilização.

 

E deste emaranhado concluímos que dentro de uma Civilização há (pode haver) muitas Culturas. Para não ferir susceptibilidades, digamos então que dentro duma Civilização há (pode haver) muitas cambiantes culturais. Mas o contrário também é verdade e todos sabemos que – desde que esteja firmado o princípio da liberdade religiosa - dentro duma mesma comunidade podem coexistir religiões diferentes.

 

Mas não é do diálogo inter-religioso nem sequer do multiculturalismo que hoje trato. O que eu quero referir é a urgência que reconheço à afirmação dos valores culturais das comunidades que já existiam quando algures na História foram «tocadas» por outras Culturas e por outras Civilizações abdicando de modo mais ou menos evidente dos parâmetros da sua tradição. E dentro deste imbróglio, não é necessário hostilizar os novos conceitos, basta compatibilizar a tradição com o modernismo.

 

É esta compatibilização que deve dar corpo à nova literatura, à nova pintura, à nova música dessas comunidades, ao novo bom senso.

 

Então, é para servir essa convivência globalizada que os modernos meios de comunicação existem. Convivência que tem de ser pacífica, equitativa, de proveito comum, de valor acrescentado individual, colectivo e universal.

 

O conhecimento tende, assim, a conduzir-nos a um patamar comum, o do humanismo globalizado.

 

E a questão é: haverá sabedoria suficiente ou chauvinismo preponderante?

 

Dezembro de 2018

Sinagoga portuguesa-Amsterdam, JAN18.JPG

Henrique Salles da Fonseca

(eu, gentio, na Sinagoga Portuguesa de Amesterdão, JAN18)

 

LIDO COM INTERESSE – 86

Pat Conroy-Música de praia.jpg

TítuloMúsica de praia

Pat Conroy.jpg

AutorPat Conroy

Tradutor – José Luís Luna

Editor – Círculo de Leitores

Edição – Setembro de 1996

 

* * *

 

Antes do livro, refiro-me ao Autor que não conhecia de lado nenhum até ao momento em que, vasculhando numa prateleira cá de casa, encontrei esta obra que a família lera mas que me tinha passado ao lado.

 

Pelos vistos, dos 14 livros que escreveu, quatro foram postos em cinema e levaram vários actores aos Óscares.

 

Nascido em Atlanta, filho de pai que lhe fez a juventude num inferno, acabou por se fixar na Carolina do Sul onde morreu aos 70 anos de cancro no pâncreas em 2016.

 

Para saber mais, ver o que sobre ele informa em português a Wikipédia no endereço

https://pt.wikipedia.org/wiki/Pat_Conroy

Mas em inglês informa bastante mais

https://en.wikipedia.org/wiki/Pat_Conroy

 

* * *

 

Nestas 570 páginas de texto, o Autor descreve o que foi o impacto da guerra do Vietname na sociedade americana e sobretudo na geração em idade de então cumprir o Serviço Militar Obrigatório em que as «cunhas» choviam para o ingresso na Guarda Nacional em vez da opção «normal», a da guerra. Como se por cá tivesse sido – e não foi – a alternativa entre o Exército e a GNR. Mais descreve o que resta da perspectiva sulista em contraste com os outros americanos, tudo num dramatismo que ficou bem sob os holofotes de Hollywood como acima refiro.

 

Com estrutura literária curiosa, o narrador desempenha, naturalmente, o papel central mas é um outro personagem que se revela, afinal, autobiográfico do Autor. Ou seja, o tema central da obra passa por ser marginal e o que nos é apresentado como central é, afinal, marginal. Mas isto são perspectivas que só se revelam lá para os finais da obra e, entretanto, vamos passando por personagens bem interessantes que revelam muita plausibilidade e grandes tiradas de sabedoria.

 

E a propósito de sabedoria, foram várias as passagens que me despertaram interesse:

 

  • «(…) havia uma história que ela me obrigava a repetir inúmeras vezes até que adquiri uma qualidade tão maquinal como as respostas de uma catequista.» (pág. 18);

 

  • «Quando ia buscar a filha, olhava para mim de tal maneira que até parecia que eu era uma amostra de urina.» (pág.18);

 

  • Roma «(…) cidade cor de corça.» (pág. 27);

 

  • «(…) um motorista italiano não guia, faz pontaria.» (pág. 35);

 

  • «(…) letra ilegível que me fazia pensar em sapatos de atacadores desapertados.» (pág. 48);

 

  • Na página 62, escreve sobre o Carnaval de Veneza a que me refiro em

https://abemdanacao.blogs.sapo.pt/anonimando-1841100

 

  • Em Roma, «Cada passo que dei com ela transportou-nos através de várias civilizações empilhadas como camisas numa gaveta.» (pág. 83);

 

  • «A sua perspectiva da humanidade era unidimensional, mas não imprecisa: os homens eram prisioneiros dos seus genitais e as mulheres eram as guardiãs da entrada para o Paraíso.» (pág. 206);

 

  • Da página 215 à 217 refere o episódio do General Sherman que contei em

https://abemdanacao.blogs.sapo.pt/general-sherman-1841486

 

  • Em Roma, «Um artista de rua sem talento desenhava o retrato de uma japonesa que se queixava por parecer coreana.» (pág. 227);

 

  • «(…) a caminho da Basílica de São Pedro, ia uma congregação que se movia lenta e pensativamente como uma manada de herbívoros que se alimentava de orações, incenso e pão ázimo.» (pág. 232);

 

  • «O excesso exuberante da Basílica de São Pedro levou-me sempre a pensar que a simplicidade dos protestantes nasceu naturalmente da exorbitância de igrejas como esta.» (pág. 232);

 

  • «A fantasia é uma das porcelanas mais brilhantes da alma.» (pág. 289);

 

  • «(…) num século que me parecia cada vez mais ridículo, achava que a solidão, a oração e a pobreza eram, talvez, cada vez mais eloquentes e justificáveis nesta época absurda em que a alienação era tanto atitude como filosofia.» (pág. 326 e seg.);

 

  • «(…) na memória do passado utilizável, a tradução inexacta, os erros de ênfase e a inevitabilidade da interpretação defeituosa de uma experiência, podia conduzir a uma perspectiva imperfeita das coisas.» (pág. 366);

 

  • Dizia a chatíssima professora de História no Liceu que «Nota-se, pela forma do queixo, que estes dois jovens descendem de pessoas que colocavam a rectidão acima do mero esplendor, a justiça acima da mera retribuição e a elegância acima do espalhafato do meretrício.» (pág. 397);

 

  • Sobre a mesma professora, afirma que «A voz dela era tão monótona como a água de um autoclismo a correr» e continua «Ela conseguia fazer com que a Carga da Brigada Ligeira parecessem instruções para dobrar um guardanapo.» (pág. 398);

 

  • «Ao longo dos séculos, o calor e o ensino medíocre fizeram muito para baixar o quociente de inteligência do Sul.» (pág. 399);

 

  • «Pairava no ar o cheiro a festa que fazia mal às artérias e bem à alma.» (pág. 449).

 

* * *

 

Conclusão: gostei e vou procurar mais obras de Pat Conroy.

 

Janeiro de 2019

31DEZ18-Estocolmo.jpg

Henrique Salles da Fonseca

A NOVA ALVORADA DA ESQUERDA

Chuva de dinheiro.jpg

 

A esquerda sempre precisou de dinheiro - de muito dinheiro - para se sustentar; a direita, por sua vez, não.

 

Isto porque a direita é composta de adolescentes que estudam enquanto estudantes, trabalham enquanto jovens, poupam enquanto adultos e, portanto, sustentarem-se não é um grande problema.

 

A direita produz e progride enquanto a esquerda protesta nas ONGS, nos cafés e nas tertúlias mais ou menos filosóficas.

 

A esquerda sempre viveu do dinheiro dos outros, com alguma mândria e muita conversa. Karl Marx é o seu maior exemplo pois sempre viveu à custa de amigos, heranças e até do colega Friedrich Engels.

 

Todos os esquerdistas vivem ou aspiram a viver à custa do Estado, inclusive os empresários que votam nos Partidos da esquerda e vivem das adjudicações públicas com mais ou menos subornos activos a quem tenha o poder de decisão.

 

Nos tempos áureos, a esquerda chegou a tomar posse de países inteiros: China, União Soviética, Cuba, Angola, Venezuela, por exemplo, onde a esquerda se locupletou anos a fio com luxos setentrionais ao estilo de dachas e Zils bem como com outras mordomias mais ou menos tropicais nunca disponibilizadas aos trabalhadores que eles, esquerdistas, dizem defender.

 

Essa esquerda gananciosa foi lentamente sugando a totalidade do capital inicial que tinha sido criado por outros… até tudo se transformar em pó.

 

A esquerda levou à falência os países de que se apoderou. A falência foi a razão estaminal da queda do muro de Berlim.

 

Viver à custa do Estado com duas ou mais reformas totalmente imorais é o sonho dos esquerdistas. O pior é quando o dinheiro acaba.

 

Sem dinheiro, a esquerda rouba com uma volúpia jamais vista. Mas quando em democracia e graças ao jornalismo de investigação a que se segue por vezes a confirmação judicial, até essa fonte secou ou está em vias de fechar.

 

Sem empresas públicas lucrativas e sem obras para adjudicar, os cleptómanos desesperam.

 

O problema da esquerda é hoje o de saber como é que se vão sustentar daqui para a frente sem saberem produzir bens e produtos que a população queira comprar.

 

E porque acabaram com os ricos, tornaram vão o velho brado de «os ricos que paguem a crise». Então, os esquerdistas acham que agora é o Estado que tem a obrigação de prover às suas necessidades porque são parasitas, nomeadamente parasitas estatais.

 

Vai daí, apregoada a «nova alvorada esquerdista portuguesa», planeiam agora regressar aos grandes investimentos públicos. Para já, na área dos transportes: aeroporto, cacilheiros, locomotivas e o mais que o calendário eleitoral sugira…

 

Com que dinheiro?

 

Logo se verá mas duma coisa tenho eu a certeza: seremos nós, os Contribuintes, a pagar tudo, incluindo as famosas comissões que ficarão pelo caminho entre o valor real da obra e a factura final.

 

Como tudo seria lindo se pudéssemos confiar neles.

 

Janeiro de 2019

Urinol público Estocolmo.JPG

Henrique Salles da Fonseca

(Estocolmo, praça do palácio real, JAN19)

 

 

BIBLIOGRAFIA:

http://blog.kanitz.com.br

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2006
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2005
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2004
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D