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A bem da Nação

OLIVARES, ESSE DEMOCRATA

Conde-Duque_de_Olivares.jpg

Chamava-se Gaspar de Guzmán y Pimentel Ribera y Velasco de Tovar mas ficou na História como Conde Duque de Olivares. Nasceu por acaso em Roma a 6 de Janeiro de 1587 e morreu aos 58 anos de idade em Toro a 22 de Julho de 1645, diz-se que abalado por uma grave melancolia (ao que actualmente chamamos depressão).

 

Nobre e político espanhol, foi o terceiro Conde de Olivares, o primeiro Duque de Sanlúcar la Mayor, primeiro Marquês de Heliche, primeiro conde de Arzarcóllar, primeiro Príncipe de Aracena e Valido do Rei Felipe IV (Valido corresponde ao que actualmente chamamos Primeiro Ministro).

 

Como Primeiro Ministro, ficou famoso por ser o autor do chamado «Gran Memorial»​ (1624) e cujo conteúdo consistia na introdução da uniformidade legal em toda a Espanha, no reforço do poder real pela abolição de prerrogativas locais e regionais e na eficácia da maquinaria bélica a fim de atender a todos os potenciais (e reais) conflitos internos e externos.

 

A esta última faceta da sua política, chamou Olivares a «União das Armas», projecto destinado a incrementar o compromisso de todos os reinos de Espanha para compartilhar com Castela o esforço bélico tanto humano como financeiro. Eis como aos portugueses se lhes «chegou a mostarda ao nariz» por se verem obrigados a marchar ao serviço dos interesses de Castela e, ainda por cima, tendo que pagar.

 

Conspirando com eficácia, os restauradores da nossa soberania não deram tempo à Duquesa de Mântua nem a Miguel de Vasconcelos para se aperceberem com clareza do sarilho em que estavam metidos. Ela, convidada a viajar para lá de Badajoz; ele, defenestrado.

 

E quando Olivares soube dos acontecimentos, já por certo D. João IV tinha sido aclamado Rei de Portugal. Não teve tempo para mandar prender ninguém por uma ou duas simples razões: não teria encontrado quem lhe obedecesse a qualquer ordem de prisão que desse sobre os revoltosos; a Catalunha era muito mais importante que as «praias atlânticas» das quais voltaria a tratar logo que Barcelona sossegasse.

 

Um estratega, sem dúvida; um democrata, por falta de força para ser bruto.

 

Seguiu-se a nossa Guerra da Restauração mas quando ela estava no auge para gáudio português e tristeza castelhana, já Olivares tinha sido, também ele, politicamente defenestrado e enviado para Toro, lá bem perto do Sol posto, no que representaria uma caminhada de quase 50 horas a partir da Corte madrilena.

 

E foi nesse exílio que lhe surgiu a tal melancolia que pôs fim aos seus 58 anos de vida terrena.

 

Passados uns tempos, eis que a Catalunha volta a dizer que está farta do «Gran Memorial» e do Valido de Filipe VI.

RAJOY.jpg

 

Mas agora, não tendo já muitas veleidades sobre as «praias atlânticas», o Valido actual envia os seus fiéis castelhanos (ele, propriamente, é galego) travar os «moços de esquadra» e espatifar as urnas de voto numa demonstração de irracionalidade democrática, manda reabrir as prisões políticas tão usadas no tempo do Caudilho Franco e apresenta-se nas televisões a dizer que é necessário recuperar a Catalunha para a democracia. Bastou, afinal, uma relativamente modesta acção policial para uns quantos se porem «a monte».

 

O descaramento de um corresponde na perfeição à cobardia dos outros.

 

Reconheçamos que não foi com gente do calibre dos que fogem que se fez Portugal. Também, não dá para perceber como há por cá quem não reconheça a legitimidade política da afirmação catalã.

 

Novembro de 2017

Barranco, Lima, Peru, 12 de Outubro de 2017.jpg

Henrique Salles da Fonseca

 

 

BIBLIOGRAFIA:

Wikipédia - https://es.wikipedia.org/wiki/Conde-duque_de_Olivares

CARTA DE UN MINISTRO AL REY FELIPE IV

          Philip_IV_of_Spain (D. Velásquez).jpg

"Dicen a Vuestra Magestad que Portugal no tiene dinero, no tiene navíos, no tiene gente: traidores son los que lo dicen. Pues con qué nos tienen destruidos? Sin gente nos tienen tantas veces desbaratados; Válgame Dios, que fuera con gente! Sin dinero lloramos nuestras ruinas, qué lloráramos si tuvieran dinero? Señor: Portugal nos desbarató en Montijo [batalla de Montijo, 1644], nos destruyó en Yelbes [batalla de Elvas, 1659], Luis Méndez de Haro [Valido de Felipe IV] huyó dejando caballos, artillería, infantes y bagajes.

 

Portugal en Évora [batalla de Estremoz o de Ameixial, 1663] destruyó la Flor de España, lo mejor de Flandres, lo lucido de Milán, lo escogido de Nápoles y lo granado de Extremadura.

 

Vergonzosamente se retiró S.A [El Príncipe D. Juan José de Austria, hijo de Felipe IV] dejando ocho millones que costó la empresa, ocho mil muertos, seis mil prisioneros, cuatro mil caballos, veinticuatro piezas de artillería, y lo más lastimoso fue que, de ciento veinte títulos y cabos, no escaparon sino cinco (...). Cada día espera Vuestra Magestad que se gane, y cada día sepa Vuestra Magestad que se pierde, y que es mucha la pérdida de cada día."

 

[Poco después de estas palabras, tuvo lugar la derrota de Castelo Rodrigo en 1664, y la aplastante derrota de Villaviciosa o Montes Claros en 1665].

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