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A bem da Nação

BOAS FESTAS E FELIZ ANO NOVO

 

Canito.jpg

 

 

Votos de feliz Natal e que 2017 ponha um sorriso em todos.

Que em 2017 o último analfabeto adulto prove que sabe ler e escrever.

Que 2017 seja ano de benesses para os lusófilos espalhados pelo mundo.

E que tudo sejam motivos para cantarmos «ALELUIA, ALELUIA» a plenos pulmões.


https://www.youtube.com/watch?v=d_psFfD9Ib4



Abraços, abraços...

 

HSF-Café Magestic, Porto DEZ16.jpg

 Henrique Salles da Fonseca

(Café «Majestic», Porto, DEZ16)

ESTADO DA ÍNDIA PORTUGUESA (III)

 

 

1 – A 17 olhámos para o “antes”. A 18 para o “durante”. A 19 vamos olhar para o “depois”. E o depois, com a agressão militar, não poderia ter sido outro.

 

Goa foi ocupada pelas forças da União Indiana. Com estas a atravessarem o rio Mandovi e a entrarem em Pangim, capital de Goa, com jactos indianos a sobrevoarem a cidade. E no hospital de Pangim, o comandante do aviso «Afonso de Albuquerque» gravemente ferido, depois de sustentar luta feroz, mas desigual, contra um cruzador e dois contratorpedeiros da marinha indiana na baía de Mormugão.

 

2 – Nas Nações Unidas, o delegado francês Armand Berard, referiu a sua “surpresa, pesar e profundo desgosto”, considerando que o acto em si era “caso típico de agressão militar”. O delegado americano Adlai Stevenson, repudiando afirmações do delegado indiano, dizia que o problema não era discutir as vantagens ou inconvenientes do colonialismo português: o problema, sim, era um Estado membro da ONU ter violado a Carta recorrendo ao uso da força. E acrescentou o delegado americano: “É possível que Goa e as suas dependências sejam colónias ou territórios não autónomos, mas o que eles não são é parcelas da União Indiana e em Direito Internacional, pertencem a Portugal”. E o Chanceler Adenauer, da República Federal Alemã (RFA), na sua mensagem de Natal dirigida ao povo alemão, diz que a força passou a governar e acrescentou: “Goa, província portuguesa que se valorizou pelas suas minas de ferro, foi conquistada à mão armada pela União Indiana que tem uma população de 400 milhões de habitantes”.

 

3 – Perante isto, foi apresentado um texto de moção Afro-Asiática, pelo Ceilão (Sri Lanka), Libéria e R.A.U. (República Árabe Unida – Egipto e Síria), em que pedia a Portugal para terminar a sua acção hostil contra a Índia e que os enclaves portugueses constituíam uma ameaça à paz e à segurança internacional. Está-se mesmo a ver que assim era. E como não era, recebeu 4 votos a favor contra 7 no Conselho de Segurança. E, assim sendo, estava em cima da mesa uma moção apresentada pelo bloco ocidental, que recebe 7 votos a favor e 4 contra. Face a esta votação favorável a Portugal, o delegado soviético carimbou-a com o veto. A URSS utilizava, com este, 99 vezes o veto, o que não permitia mais qualquer discussão. Logo, o Conselho de Segurança da ONU não podia discutir mais o assunto. É de acrescentar que a moção ocidental foi apresentada pelos Estados Unidos, Turquia, Inglaterra e França. A Turquia com os seus altos e baixos na ordem política nacional e internacional, merece depois disto, e ainda hoje, toda a compreensão e ajuda que possamos dar.

 

4 – E no seguimento da tomada de posição que anulava a moção ocidental, a Inglaterra, pela voz do MNE, Lord Home, e na Câmara dos Lordes, afirmava que tinha comunicado a Portugal que seria impossível empenhar-se em hostilidades contra a Índia. Mas, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, o apoio inglês a Portugal foi nítido. E círculos de Nova Deli consideravam-no mesmo como «o mais critico acontecimento nas relações indo-britânicas desde 1947». Aliás, o PM Macmillan e o PM Nehru já andavam de candeia às avessas sobre o Mercado Comum Europeu, a acção das tropas indianas no Congo – Kinshasa e a projectada redução pela Inglaterra da imigração na Comunidade. E agora, Goa era mais uma acha para a fogueira nas relações bilaterais.

 

5 – E as notícias continuavam a chegar. Com um porta-voz indiano a referir que a última bolsa de resistência em Goa, o porto de Mormugão, tinha terminado e que o Governador-Geral português, general Vassalo e Silva, tinha sido aprisionado. Mas não era para admirar tudo ter acabado tão depressa. Porque entre tropas invasoras, outras preparadas para reforçar a invasão e reservistas para actuar em caso de necessidade, estaria um contingente estimado em 45 mil militares e 26 mil reservistas. E para se oporem a tão grande número de efectivos, o máximo que podíamos ter armado eram cerca de 4 mil homens. Assim, o Comandante Cunha de Aragão gravemente ferido e o Alferes Santiago de Carvalho e o Segundo-Tenente Oliveira e Carmo mortos em combate, deram mais que provas de grande resistência e heroísmo perante o adversário. E, é de referir, que o comandante-chefe das forças invasoras general Chowdhury visitou no campo de prisioneiros portugueses o general Vassalo e Silva, tendo-lhe manifestado admiração pela determinação das forças portuguesas em querer combater, visto que, até pelo armamento, não havia possibilidades de resistir por muito tempo. Testemunhou o acto o capitão Carlos Azeredo, como intérprete entre os dois, visto que Vassalo e Silva não dominava o inglês. Carlos Azeredo que, como general, foi depois Chefe da Casa Militar do Presidente Mário Soares.

 

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 Alferes Alberto Santiago de Carvalho

 

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 Segundo-Tenente Oliveira e Carmo

 

 6 – Mas não podemos esquecer que para reforçar a guarnição de Timor onde tinha havido incidentes, retiraram-se tropas do Estado da Índia Portuguesa e quando a guerra em Angola rebentou, foi nova sangria de militares e material que dali saíram da mesma maneira. E quando havia exercícios militares das nossas tropas em Goa, verificava-se que as munições não saíam das armas como devia ser. E não tínhamos um único avião militar. As forças indianas tinham artilharia pesada contra a qual não havia possibilidades de enfrentar. No final dos finais, o general Vassalo e Silva, mais uns tantos oficiais, foram gravemente punidos e só com o 25 de Abril lhe foi feita (e a outros) alguma justiça. E na altura, face à atitude das autoridades militares e políticas, vários oficiais pediram para passar à situação de reserva, o que não lhes foi concedido.

 

7 – E nada mais nos restava que não fosse informar entidades e organizações políticas para tudo o que se tinha passado. Mais uma vez, Marcello Mathias era recebido pelo general De Gaulle. A OTAN (NATO) era informada pelo embaixador português na OTAN, Dr. Vasco Pereira da Cunha, sobre os acontecimentos em terras industânicas. O Chefe do Estado cancelava todas as audiências em Belém até ao final do ano e na entrevista concedida por Salazar ao jornal LE FIGARO, o jornalista Serge Groussard questionava: “Os portugueses mantêm uma alma de cruzados. Mas são cruzados sem armas”. Resposta pronta de AOS: “É sempre mais fácil encontrar armas do que cruzados. Por isso não abdico da esperança”.

 

8 – A imprensa internacional como o New York Herald Tribune diz que “a invasão de Goa faz dobrar os sinos pela ordem mundial e também pela organização internacional”. O New York Times considera chocantes as declarações do embaixador indiano junto da ONU. O New York Post refere “uma auréola manchada em Nehru e no seu Ministro da Defesa Krishna Menon porque preferem lançar as armas contra Goa a enfrentar as forças chinesas nos Himalaias que já lhe ocuparam território infinitamente maior que o Estado da Índia Portuguesa”. A imprensa britânica, a começar pelo Daily Telegraph, comenta “que o Pandita Nehru deixou de ser o grande homem que foi até ontem”. O Daily Herald refere “que Nehru desperdiçou todo o prestígio a favor de um pedacinho de território”. Os diários madrilenos condenam a agressão. O Journal de Genève e a Gazette de Lausanne dizem “que Nehru ficou com a imagem enxovalhada”.

 

9 – Em Nova Iorque, o ministro da Defesa da Índia, Krishna Menon, questionado quando a Índia recuperaria os territórios que perdera em favor da China vermelha, referiu que o tentaria fazer sem recorrer à força. Pois… Porque seria?

 

10 – E não. Não se pense que o autor destes textos pensaria que o Ultramar Português não seria questionado algum dia e seria sempre português. Não. Os novos Brasis aconteceriam. Mas seria sempre melhor sem o sofrimento provocado a tantos. De um lado e de outro. Mas, por vezes, a aceleração dos tempos está ligada a muitos imponderáveis. E passados anos, “as mágoas” são ultrapassadas.

 

11 – E a agradecer ao Henrique Salles da Fonseca, camarada de armas há muitos e muitos anos na parcela do Índico, mais uma vez, o espaço que me dá. E a agradecer também que tenha publicado este pobre contributo, apenas como lembrança do que foi a História, a Geografia e a Política de Portugal.

 

Em 19.12.2016.

José Augusto Fonseca

José Augusto da Fonseca

 

Apoio Documental Principal: IMPRENSA Nacional e Internacional – 1961

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