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A bem da Nação

SÔR HENRIQUE

 

Fulano de Tal.jpg

 

Todos nós já passámos pela desgraça de sermos tratados pelo nome próprio quando abordados pelos profissionais dos call centers ou equivalentes.

 

Foi o caso, ontem, quando uma diligente menina da oficina do meu carro me tratou por «Sôr Henrique». Imediatamente antes de lhe desligar o telefone, mandei-a aprender a lidar com os clientes. Ainda lhe ouvi de raspão um «An?» de espanto.

 

Reconheço que não fui um exemplo da boa educação mas o serafismo não é propriamente uma característica latina e há coisas com que me «passo». E esta do «Sôr Henrique» é uma delas. O mais triste é que essas pessoas nem sequer percebem a razão do meu agastamento.

 

O conhecido de um amigo meu, posto perante tal tratamento, responde com uma fleuma que eu não consigo assumir perguntando, muito “inocentemente”, algo como «não me lembro da escola em que andámos para me tratar pelo nome próprio...». Mas na escola e na tropa o tratamento entre iguais é por «tu» e não por «Você» pelo que eu acho que a pergunta do conhecido do meu amigo é cínica de mais para poder ser considerada subtil.

 

Bimbismo à parte, continuo a achar que o tratamento pelo nome próprio é monárquico – o Senhor D. Henrique, por exemplo – e que o tratamento republicano é pelo apelido – o Senhor Fonseca. Em casos mais identificados, os republicanos portugueses gostamos de ser tratados pelo título académico – o Senhor Engenheiro, o Senhor Doutor, o Senhor Arquitecto, etc. Reminiscências monárquicas resultantes da falta de condados e marquesatos a que nós, plebeus, não podemos recorrer (não que nos importassemos...).

 

Mas a menina do call center nada sabe sobre o meu título académico porque, no acto de inscrição do meu carro lá na oficina eu nada disse sobre essa questão (nem ninguém me perguntou porque não vinha de todo a propósito). Mas «Sôr Henrique» é que não!

 

Contudo, eu conheço alguém que sabe «a potes» destas coisas do protocolo e do atendimento e daqui peço ajuda ao meu Amigo Embaixador José de Bouza Serrano para que me ensine o que lhe aprouver acerca disto tudo e, sobretudo, em relação à questão mais importante que é a de como havemos de resolver esta matéria que tanto incomoda quem leva carros às oficinas.

 

Lisboa, Setembro de 2016

 

Henrique-piscina dos monges em Kandy, Sri Lanka.JP

Henrique Salles da Fonseca

DO MALTRATO DOS TOUROS E DOS CÃES

 

As Touradas são Espelhos e Modelos de Vida individual-política-social

 

Num mundo em que a crueldade entre os humanos faz parte da ordem do dia, até parece cinismo erguer-se a voz contra a barbaridade com que se tratam animais em touradas ou contra a bestialidade com que se tratam outros animais.

 

É triste e de mau gosto a tradição de se terem cães acorrentados junto a casas de pessoas sem vergonha pelo trato indigno que lhes dão.

 

Dogo Canário.png

 

Também muitas pessoas passam ao lado sem atenderem ao pedido de um carinho ou ao grito de uma oração canina que apenas incomoda quem a ouve ou se torna desapercebida a quem já se habituou ao seu queixar: http://abemdanacao.blogs.sapo.pt/oracao-de-cao-1333096

 

Seria de registar, como indicativo do desenvolvimento de uma sociedade, o grau de sofrimento e na sua maneira como trata os animais.

 

De facto, a maneira de tratar um animal pode dizer muito sobre o carácter de uma pessoa ou sobre a realidade da sua consciência. Seria cinismo condenar-se certas atitudes de violência contra a vida em casa e na escola e ritualizá-las como divertimento e como exemplo em festas sociais.

 

As Touradas legitimam a guerra contra a inocência da vida

 

O Vaticano, embora respeite as tradições dos povos e as festas populares em torno das suas igrejas e capelas, sempre condenou as corridas de touros apesar de elas oferecerem possibilidades de lucros a nível local.

 

O primeiro espectáculo de touros registado terá sido no séc. IX na Espanha.

 

Em Portugal, o padre Manuel Bernardes (1644-1710) condenava as corridas de touros, dizendo: “O jogo de feras foi introdução do demónio, como todas as mais do gentilismo, para que o coração humano perdesse o horror à morte e ao derramamento de sangue humano e aprendesse a ferocidade de costumes e indómito das paixões”.

 

O Papa Pio V, em 1567 publicou a Bula “Salute Gregis Dominici” proibindo as corridas de touros e decretando pena de excomunhão imediata a qualquer católico que as permitisse ou participasse nelas. Ordenou igualmente que não fosse dada sepultura eclesiástica aos católicos que pudessem morrer vítimas de qualquer espetáculo taurino. Pio V, considerava estes espectáculos alheios de caridade cristã Cf. http://basta.pt/igreja-catolica-e-touradas/

 

A igreja na sua perspectiva de inculturação cedeu muitas vezes às necessidades do povo, tendo havido também párocos interessados nestas e noutras festas populares.

 

Não deveria ser legítimo, em nome da arte, permitir a agressão física e moral contra animais, pessoas ou grupos sociais, nem tão-pouco qualquer interesse político ou económico deveria legitimar ou negligenciar tais atitudes. O facto de um “socialismo” institucional estar interessado em apagar usos e costumes de culturas no sentido do estabelecimento de um igualitarismo universal, não pode constituir argumento para não se obstar à brutalidade expressa nas touradas.

 

António Justo.jpg

António da Cunha Duarte Justo

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