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A bem da Nação

PÁTRIA PEQUENA

 

POEMAS MAIATOS

MILHEIRÓS

 

No meio dos milheirais de Milheirós

Havia cantigas de gente

Em tempo de ceifa

E de toda a passarada

Em tempo de Primavera.

Pelos Invernos

Rigorosos

Ficávamos tempo esquecido à lareira

Ouvindo o vento que gemia

E os uivos dos lobos

Ao longe…

 

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ponte-de-alvura.jpg

 

Além da Ponte de Alvura

Vai meu amor acenando,

Além da Ponte de Alvura

Até quando, até quando?

 

Além da Ponte de Alvura

Vai pequenino ficando

Águas claras em dor pura

Vão os meus olhos chorando…

 

Além da Ponte de Alvura

Moinhos de água, moendo

Junto da água, em secura

Eu vou morrendo, morrendo…

 

--------------------------------------------------

 

Junto com o milho

Debulhei lágrimas salgadas

Como as mulheres da beira-mar

As debulham

Nos cais da espera…

 

Maria Mamede.jpg  Maria Mamede

TU E O MEU BOLO DE CHOCOLATE

 

NOTA PRÉVIA: texto escrito para o Clube de Escritores (Porto) cujo 1º Encontro se realizou em 20 de Março de 2010; o mote era “Tu e o meu bolo de chocolate” e os textos teriam que caber numa página A4; não estive presente e alguém o terá lido para a audiência; não tenho informação sobre o volume da pateada, só sei que NÃO recebi qualquer prémio.

 

* * *

 

puppy-boy.jpg

 

Quando é que já se viu eu comer um bolo de chocolate e não lamber os dedos? Sim, quando? NUNCA! Era o que faltava eu deixar aqueles bocadinhos de gula desperdiçados num qualquer pano de resguardo de sebências ou afogá-los num frio lavatório e mandá-los pelo cano a baixo como se faz aos abortos. ERA O QUE FALTAVA! Os guardanapos são para limpar cerimónias; os lavatórios para excomungar porcarias. Chocolate, não… esse merece lambidela.

 

Mas diz a Tia Alzira que é feio lamber os dedos. Ah! E eu ralado. Feio é desperdiçar. Isso, sim, é que é muito feio! - Pois fique a Tia sabendo: eu lambo o chocolate dos dedos! E se for uma Bola de Berlim, também lambo o açúcar dos dedos!

 

- Olha, Caramelo! Tu sabes que o chocolate te faz mal, não sabes? E o Caramelo dá ao rabo porque eu estou a falar com ele. E porque vê o chocolate nos meus dedos e concorda comigo que tal preciosidade não deve ir pelo cano a baixo como alguém fez aos irmãos dele quando nasceram. E esses não eram abortos: eram cãezinhos completos e sãos… Então, sem os adultos verem, deixo a minha mão descair até à altura da boca do Caramelo e logo sinto a língua gulosa a lamber o chocolate…

 

Mas cão não tem rabo discreto e logo se põe a abanar o apêndice a pedir mais. E os adultos reparam que o Caramelo pede mais porque alguém o iniciou na lambarice. E esse alguém só posso ser eu. E então é a mim que zurzem… Porque isto e porque aquilo!!!, não têm mais nada que fazer do que chatear criança e cão por causa duns restos de chocolate nos dedos de um guloso amigo de um cão tão guloso como o dono dos dedos.

 

E sabem que mais? O Caramelo dá ao rabo de satisfação e eu não faço isso porque não tenho rabo mas também o faria se o tivesse e fosse cão.

 

Uma pergunta: como fazem os cães que não têm rabo? Deve ser muito triste. Acho que deve ser como a gargalhada que o mudo não dá.

 

Lamber os dedos é feio… E fazer abortos e deitar cãezinhos pelo cano a baixo é bonito?

 

Melo e eu - 3.jpg

Henrique Salles da Fonseca

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