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A bem da Nação

JOSÉ FRANCISCO E SEBASTIÃO JOSÉ

Portugal não tem uma tradição de Estado mínimo, pelo contrário: é uma Nação envolvida por um Estado criado pela Coroa

Marquês de Pombal.jpg

 

Esta realidade, somada à falta de uma cultura de serviço conduz a que, inevitavelmente, os poderosos que numa geração reconstruíram o Estado, na seguinte já estão a espezinhar os mais fracos.

 

A história de Portugal é uma sucessão destes ciclos em que já só uma revolução ou reforma de fundo resgata o país. A mais recente foi em Abril de 1974.

 

Vem isto a propósito da obra A Verdadeira Equipa do Marquês de Pombal, do investigador Mauro Burlamaqui Sampaio, lançada a 5 de Setembro na Torre do Tombo, após uma década a pesquisar em arquivos de Portugal, Itália e Brasil.

 

Escrever sobre Pombal em Portugal é aproximar-se de uma floresta com uma tocha a arder

Sebastião José foi sempre invejado quer quando o menosprezavam no seu tempo como “Fidalgote da Rua Formosa”, “o jesuíta rebelde” e, na má-língua dos Lisboetas, “o perucas” ou o “urso” nas críticas de Camilo.

 

Pombal é elevado aos píncaros desde o centenário proposto por Teófilo Braga em 1888 e depois justamente continuado pela propaganda republicana, culminando na estátua da Rotunda, iniciada por subscrição maçónica e concluída por Salazar.

 

Entre os píncaros e as baixezas de Pombal, a obra de Mauro Burlamaqui segue uma via prudente, alicerçando uma tese com nova documentação sobre os protagonistas da equipa de D. José I e do ministro Sebastião José. A tese é que, com ideias vindas de trás, os mercadores-banqueiros, nacionais e estrangeiros residentes no Reino, tinham os capitais e os conhecimentos e as ligações internacionais para dar corpo à reforma de Portugal com a autoridade da Coroa e o poder de manobra do grande ministro.

 

A partir de 1747 e até 1756, D. José rodeou-se de homens como Alexandre Gusmão e os ministros Marco António Azevedo Coutinho, Diogo de Mendonça Corte Real e mercadores banqueiros Roberto Godin, Vasco Lourenço Veloso, Cristiano Stockler, Hermano José Braamcamp, Paulo Jorge, Luís Nicolini, Carlos Burlamacchi e Pedro Pedegache.

 

Com o terramoto e as conspirações, Pombal trouxe figuras como Francisco de Almada e Mendonça, Aires de Sá e Melo, Martinho de Melo e Castro, D. Luís da Cunha Manuel, Theotónio Gomes de Carvalho, Frei Manuel do Cenáculo e mercadores como Inácio Ferreira Souto, António Caetano Ferreira, Alexandre António Bon, Ippolito Burlamacchi , Luca e Paulino André Lombardi.

 

Assim nasceu e implantou-se uma rede portuguesa de negócios da Europa e no Atlântico

 

A gestão do norte da Europa (Eixo-Norte), que controlava e geria o comércio com Inglaterra, Holanda e cidades Hanseáticas e outras, foi confiada a Hermano José Braamcamp, Paulo Jorge, Gildemester, Perochon, Stockler e Vanzeller. O Plano do Sul da Europa (Eixo-Sul), que controlava e geria o comércio com Itália, Sul de França, Cádiz e ainda a estratégia contra a Companhia de Jesus, foi confiado a Luís Nicolini, Franscisco de Almada, Nicolao Piaggio Aires de Sá e Melo os mercadores Ferreira, Burlamacchi, Bon e Cruz Sobral.

 

Lisboa pôde articular o controlo das redes Norte e Sul da Europa com o eixo imperial Brasil e África e as Companhias de Grão Pará e Maranhão e a de Pernambuco e Paraíba e a firma Pury, Mellish & Desvime. A reforma de Portugal foi possível com os capitais, conhecimento e vontade de servir deste grupo, depois atenuados com a conspiração dos Távoras e a corrupção de Pombal.

 

O primeiro resultado da obra de Mauro Burlamaqui é que o plano não teria sido possível sem José Francisco António Inácio Norberto Agostinho de Bragança, ou seja, D.José I. É um mito falar de “O rei no torno e Pombal no trono” . A “Equipa do Marquês de Pombal” começou por ser a “Equipa do rei D. José” que a seleccionou desde 1747, e a manteve no favor régio com tal pujança que D. Maria I continuou a recorrer aos seus serviços, uma vez afastado Pombal.

 

Mas o terramoto de 1755 não alterou o essencial do plano de reforma do Estado

 

Em Agosto de 1756, o povo de Lisboa em ruínas recebe os 14 navios da Companhia de Pernambuco. Vários dos mercadores e homens de negócios então falidos passaram a funcionários no Estado, incluindo a Junta do Comércio, tais como Caetano Ferreira e Alexandre António Bon, Francisco Nicolao Roncon, Avondano e Alberto Jacqueri de Salles, homens de confiança de Pombal.

 

Deixo aos leitores da obra de Mauro Burlamaqui seguirem as biografias de Mercadores-Banqueiros capazes de influenciar a política europeia. De alguns deles restam traços nessa Lisboa que, em 1750, era a quarta cidade da Europa, uma ”Hong Kong” do Atlântico.

 

O Palácio dos Quintelas junto ao Chiado que serviu de morada e quartel ao General Junot em 1808 e a Quinta das Laranjeiras de Inácio Pedro Quintela. A Quinta das Águias, onde Corte Real filho executou melhoramentos. O Palácio de Vasco Lourenço Veloso em Santa Apolónia, actualmente Quartel da GNR. Pelo meio descobrimos, Miguel Tibério Pedegache, arruinado em 1755, mas que desenhou a célebre Colecção de Gravuras com ruínas do terramoto para o Journal Étranger de Paris.

 

Após a publicação da tese de Mauro Burlamaqui Sampaio haverá ocasião para se pronunciarem os historiadores, os académicos e o público em geral. Mas desde já se detectam novidades que obrigarão a uma releitura do século XVIII português. A obra nada tem a ver com teorias de conspiração. Descreve um momento de viragem histórica para Portugal e fundamental para o futuro do Brasil.

 

A história de um povo é feita de grandes e pequenas coisas. A monumental estátua da Praça do Comércio foi financiada pelos comerciantes de Lisboa a cujas esposas o rei D. José concedeu o tratamento por “Dona”.

 

Ao tratarmos por “D. Ermelinda” ou “D. Maria” a senhora que nos atende na loja, talvez nos lembremos de quem foi o José Francisco e não fiquemos tão obcecados com o Sebastião José.

 

6 Setembro, 2016

 Mendo Castro Henriques.jpg

Mendo Castro Henriques

Universidade Católica Portuguesa

 

 

IMPEACHMENT, JULGAMENTO, FARSA, ETC.

 

Dilma em Lisboa.png

 

Há tempo que não faço comentários à política, economia, segurança e outras áreas do Brasil... para que fazer?

 

O impeachment da madama dona presidenta foi um teatro de comédia. Comédia pobre, mal-educada, grosseira, podre, falsa. Mandaram a dona para casa, mas não lhe caçaram os direitos políticos o que foi uma violação à Constituição. Isso quer dizer que ela pode se candidatar novamente e voltar para onde estava, daqui a pouco mais de um ano. Brilhante, né?

 

Isto porque a grande maioria dos políticos – deputados, senadores e até juízes – preferem ficar em cima do muro, para o caso da senhora voltar eles continuarem a mamar na teta da res publica.

 

Entretanto assume o vice – o do “golpe”, que nem foi ele que deslanchou – e é obrigado a chamar para o governo indivíduos com um, dois ou dúzias de processos em tribunal. Porque? Porque precisa do cãogresso e sem o apoio dessa banditagem todos os projectos de acerto do país lhe serão negados e entraremos em super colapso. Em colapso já estamos.

 

Foi publicado há poucos meses um livro sobre o juiz Sérgio Moro (que muito recomendo, escrito por um professor universitário de direito, Luiz Scarpino) que tem conduzido com muita coragem e isenção o aplaudido processo “Lava Jato”, que já meteu na cadeia um monte de grandões de colarinho branco.

 

Até Maio ou Junho deste ano, foram expedidas largas centenas de mandados de prisão, preventiva ou temporária, de busca e apreensão e de condução coerciva, a presidentes das maiores empresas do país, e seus directores, a directores da Petrobrás, traficantes (doleiros), amigos do lula, lulinha e diliminha, ex ministros e toda uma canalha envolvida em desvios que se calcula atinjam a “montuêra” de largos bilhões de reais, roubados aos cofres públicos.

 

Infelizmente no Brasil há toda uma gangue – senadores, deputados, ministros e governadores, que usufrui de uma manobra escandalosa chamada de “foro privilegiado”, por eles criada, como é óbvio, que obriga a justiça a só poder processá-los junto ao Supremo Tribunal Federal, hoje entupido de processos, o que protela até, por vezes, à prescrição!

 

O presidente do Senado tem um monte de processos em juízo – corrupção, abuso de poder, lavagem de dinheiro e outras mil brincadeiras – e continua sendo uma das figuras mais importantes e influentes no quadro político do país, assim como uma imensidão de outros senadores e deputados.

 

Se hoje fosse possível meter essa turma toda na cadeia, o que significa algo em torno de quatrocentos indivíduos (!!!!!) vários problemas, graves, surgiriam:

- Primeiro não há cadeias que cheguem!

- Depois, tal como já refere o Dr. Luiz Scarpino no livro citado, e aconteceu na operação “Mane Pulite” na Itália contra a máfia, de repente o Brasil ficaria acéfalo, sem líderes (mesmo que se saiba que os de hoje são “piores que o Deus me livre”) o que permitiria o aparecimento de outra casta de malandros espertos (malandro e esperto é pleonasmo), como aconteceu na Itália com Berlusconi!

 

Como resultado estes processos contra a corja que se apropriou do país, têm que ir “piano, piano”, apesar de todos esperarmos que não leve tempo demais até que possam os bandidos se livrarem do cutelo da justiça.

 

Já tem muitos na cadeia, alguns com penas de 10, 15 e mais de 20 anos, e inclusive com multas que vão a vários milhões de cada um. Mas ainda é só o começo.

 

O que está agora na moda, e essa moda veio também da Itália, são as delações premiadas que, de acordo com a lei, prevê que pode beneficiar o acusado com:

- Diminuição da pena de 1/3 a 2/3;

- Cumprimento da pena em regime semiaberto;

- Extinção da pena;

- Perdão judicial.

 

E o povo fica estarrecido ao saber que um doleiro, implicado pela segunda vez em lavagem de dinheiro, e muitíssissimo dinheiro traficado entre a gangue do governo, depois de, na primeira vez há uns dez anos, ter jurado pela saúde da mamãe e dos filhinhos que ia portar-se direitinho, volta a ser apanhado neste processo “Lava Jato”, é condenado a 124 anos de cadeia, entra com a delação premiada e... passa 3 anos na cadeia (cadeia com quarto privativo, sala de almoço, tv, e o máximo de mordomias possível) e quando sair volta a ser um “grande senhor”, dono de milhões em paraísos fiscais, e, certamente vai continuar com o seu trabalhinho de comprar políticos e mandar dinheiro para fora!

 

É evidente que todos queremos acreditar na justiça, e que o povo torce por juízes como o Sérgio Moro ou Joaquim Barbosa, os aplaude e até gostaria de vê-los a comandar os destinos do Brasil.

 

Mas também sabemos que estes processos não só não acabam nunca e que mesmo uma pequena melhoria, leva anos a acontecer.

 

Se não se educar desde os primeiros momentos da vida de um indivíduo que a ÉTICA e a educação são o alicerce básico para se construir uma nação respeitável, prendem-se agora um monte de facínoras bilionários, mas no vácuo deixado outros tantos aparecerão.

 

A educação começa em casa e nos primeiros bancos da escola.

 

Em casa, onde o povo está habituado ao jeitinho, a ver milhões receberem propinas, na Petrobrás, institutos de Seguros de aposentadorias, nos hospitais, no Detran (para obter carta de condução mesmo sem fazer exame), em TODAS as obras públicas, federais, estaduais ou municipais, na polícia que é muitas vezes obrigada (ou voluntária) a negociar com os narcotraficantes, agora na organização das Olimpíadas com obras sobre facturadas e onde até o presidente do CO da Irlanda vendia, aqui no Brasil, ingressos igualmente super facturados, será em casa que os pais poderão ensinar os filhos a comportarem-se? Será que a maioria sabe o que é ética, ou quer que país deixe de ter o “jeitinho”?

 

Será que vão aprender nas escolas primárias e infantis onde a grande maioria vive um descalabro impressionante?

 

Só o tempo dirá.

 

A argumentação mais gasta é que aqui tudo é reminiscência do tempo colonial, dos portugueses! Ontem comemoraram-se 196 anos do “grito” do D. Pedro, quando o Brasil se livrou de Portugal.

 

Continua-se a roubar e a culpa é do Cabral!

 

08/09/2016

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Francisco Gomes de Amorim

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