Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A bem da Nação

A CRUZ E O ESTADO LAICO

 

navio-escolassagres_marinha-portuguesa.jpg

 

 

A exemplo de uma decisão do parlamento italiano, Portugal suprime das escolas públicas o Crucifixo que tradicionalmente se expunha nas salas de aula.

 

 

A razão desta deliberação assenta no preceito constitucional que define a natureza laica do Estado.

 

Acontece porém que além de laico, o Estado tem que ser coerente nas suas atitudes e decisões e severamente cumpridor do texto constitucional.

 

No caso presente, a neutralidade rigorosa do carácter laico da República, deverá estender-se a todas as manifestações que exprimam ou simplesmente invoquem símbolos religiosos.

 

 

Assim, o Estado-maior da Armada deverá mandar retirar imediatamente a cruz de Cristo das altaneiras velas do nosso prestigiado N/E Sagres. Pelas mesmas razões, o Estado-maior da FAP deverá mandar aplicar grandes pinceladas de aguarrás nas asas de todos os seus aviões, para eliminar radicalmente a cruz de Cristo, que desde sempre constituiu o símbolo da nossa Força Aérea.

 

Dentro do princípio da absoluta laicidade do Estado, haverá também que proceder a uma profunda revisão da toponímia de instituições e da organização administrativa da nação. Será intolerável haver hospitais com nomes de significado religioso como S. José, S. João, S. Bernardo etc. e freguesias como Stª Catarina, Stº Antão etc. Finalmente haverá que abolir os feriados que homenageiam Santos padroeiros. Stº António de Lisboa ou S. João do Porto são festividades de cariz religioso que podem ofender a minoria não cristã de Portugal e a austera independência cívica dos conspícuos governantes socialistas. É um principio muito democrático o respeito pelas minorias pelo que, nada de manjericos nem de alhos-porros que possam, ainda que indirectamente, invocar santos padroeiros.

 

José Sardinha

(texto recusado pelo DN)

CRIAR TRABALHO É PRIORITÁRIO

 

Laboratório de Química.jpg

  

Entre nós foi muito bom trazer o investimento da Auto-Europa, há já muitos anos. Haveria que atrair, com imaginação, outros de boa dimensão. Não seria de pensar numa operação de uma grande empresa de software[1], por exemplo indiana, que como norma emprega muitos, pondo-se aqui no epicentro dos mercados ricos? Ou uma multinacional farmacêutica para fazer investigação, aproveitando a qualidade dos nossos especialistas, muitos dos quais trabalham em outros países europeus? Tem de ser um esforço inteligente, paciente e perseverante...

 

Lia há poucos dias uns números muito expressivos. Desde o começo da programa Make in India, seguido do Skill India, com continuação no Start-up India, aquele demorou um tanto a arrancar e ganhar raízes. Por fim, fê-lo e há esperanças de continuar com rapidez e eficácia.

 

Nos tempos do ‘socialismo indiano’, o empreendedor era visto quase como um escroque; os tempos mudaram, felizmente, e hoje louva-se quem empreende e cria riqueza, pois também cria trabalho. Mas a verdade é que a estrutura da legislação e regulamentação, acompanhada da burocracia do tipo soviético, precisavam de ser desmanteladas, para se arejar o ambiente, e torná-lo realmente amigo do empreendedor, para ele começar a desenvolver ideias de fazer e pô-las em prática com rapidez, sem paralisações dos burocratas.

 

Que números expressivos são aqueles? Referidos unicamente à montagem de smatphones na Índia, que eram zero, alcançaram os valores seguintes: em menos de 3 anos há fábricas em 10 estados da Índia, 25 fabricantes com 35 linhas de montagem. Criaram-se no conjunto 37.500 empregos directos (e mais 120.000 indirectos), montando-se actualmente 20 milhões de aparelhos por mês, com uma receita prevista das vendas de $14.400 milhões em 2016/17. Espera-se montar 500 milhões em 2019/20.       

 

Algo parecido está a dar-se no sector têxtil, no do automóvel, no farmacêutico, no da saúde, da construção civil, da energia solar e eólica, etc.

                                                                                                     

A batalha de produção é acompanhada pela da capacitação (skilling). No ano passado foram 10,4 milhões as pessoas treinadas, por cerca de 2 a 3 meses cada uma, para desenvolverem uma tarefa prática, na construção civil, na mecânica, nas montagens electrónicas e outros trabalhos técnicos ou de informática. E quer-se ampliar o processo de treino para aumentar o número dos que cada ano têm acesso a ele.

 

As startups estão a tomar balanço. A India é o 3º país em startups tecnológicas, a seguir aos EUA (com 47.000) e Reino Unido (4.500) está a Índia com 4.200. Considerando o conjunto das start-ups, tecnológicas e não, a Índia ocupa o 5º lugar com cerca de 10.000 (ano 2015/16). São números animadores para um país destruído pelo colonialismo e com 43 anos pós-independência de estagnação económica até 1991. Esta tendência parece acelerar-se, dado o grande ímpeto empreendedor indiano e a vontade de alcançar níveis de rendimento mais altos e comparáveis aos dos países desenvolvidos.

 

Com disse, a montagem dos smartphones criou 37.000 postos directos, que é algo importante para qualquer país; mas é-o também para as empresas que fabricavam noutros países: agora, têm custos mais baixos, pelos salários inferiores pagos e terão outros benefícios fiscais e uma atenção muito focada das entidades governamentais para não se emperrarem em armadilhas burocráticas.

 

Há novas políticas e correcção da legislação para atrair fabricantes, criando-lhes condições ajustadas. Poder-se-ia pensar se tais condições, nomeadamente de tipo fiscal, não seriam uma distorção do funcionamento do mercado. A fiscalidade está ao alcance de todos os países e não é a única condição de atracção; os salários mais baixos não são simples de se conseguir e a Índia é o maior mercado para aqueles produtos, que têm uma taxa de 10,5% sobre os importados, e isso é vantagem de peso para os fabricar localmente.

 

Eugénio Viassa Monteiro

Eugénio Viassa Monteiro

Professor da AESE-Business School e

Dirigente da AAPI-Associação de Amizade Portugal-Índia

 

Também publicado no Diário de Notícias, 04-IX-2016

 

[1] As maiores empresas de IT indianas empregam: a TCS, 360.000, a INFOSYS, 199.000 e a WIPRO, 175.000

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2006
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2005
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2004
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D