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A bem da Nação

PÁTRIA PEQUENA

Maia, monumento.png


 POEMAS MAIATOS

 

PÓRTICO

 

À entrada, descalçai-vos,

O chão é sagrado!

E não será só o meu coração que pisais

Mas o de todos quantos aqui o quiseram deixar

À espera da Paz eterna, prometida.

Por isso,

Pendurai vosso corpo e vossa mente

Num qualquer raio de luz

E segui

Que só a Alma saberá o caminho!…

 

Maria Mamede.pngMaria Mamede

SENTADO, À ESPERA...

EPAL.png

 

 

Recebi oportunamente e paguei de imediato uma Factura da EPAL no montante global de € 65,47 cujas parcelas eram as seguintes:

 

EPAL – Abastecimento de água = € 28,92 = 44,17%

CMLisboa – Saneamento          =    19,72 = 30,12

CMLisboa – Resíduos Sólidos    =    10,03 = 15,32

CMLisboa – Adicional               =      3,67 =   5,60

TAXAS                                   =       1,32 =  2,02

IVA                                        =       1,81 =  2,77

TOTAL                                    =    65,47 =100,00

 

Ou seja, o produto e os serviços da empresa fornecedora correspondiam a 44,17% da Factura e tudo o resto eram impostos e taxas destinadas a financiar as despesas desse monstro que dá pelo nome de Câmara Municipal de Lisboa.

 

E se anualmente a Câmara me debita os «esgotos», por que razão estou a pagar agora esta verba de «saneamento»?

 

E por que é que pago IVA sobre taxas destinadas ao Estado?

 

Também foi fácil dizer que se resolveu o problema financeiro da Câmara. Óbvia mentira pois a grande fatia que contribuiu para a redução da dívida resultou da verba que o Ministério das Finanças pagou pelos terrenos do Aeroporto da Portela vindo o resto a ser suportado por nós, contribuintes.

 

E esta dos impostos incidirem sobre taxas públicas também é de Cabo de Esquadra. Se no meio de tanto atropelo tiverem tempo, hão-de dizer-me onde estudaram Fiscalidade.

 

Sim, com este tipo de procedimentos, é fácil hastear a bandeira da luta contra a austeridade.

 

Só que, à época, o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa era o Dr. Costa, licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa onde foi aluno do Professor Marcelo, Catedrático com responsabilidade solidária no ensino ministrado na respectiva Faculdade.

 

Daqui resulta que, no limite e por absurdo, o culpado do atropelo jurídico de haver impostos na Câmara Municipal de Lisboa a incidir sobre taxas, é o Professor Marcelo.

 

Claro está que recorro a um absurdo para sugerir ao Presidente da República que mande alguém verificar a legalidade deste tipo de situações para que nós, cidadãos, possamos reforçar a confiança que nele depositamos. Mas se, entretanto, algum Deputado Municipal de Lisboa tiver tempo e paciência para ler este escrito, veja lá se faz alguma coisa no sentido de pôr fim a tamanha ilegalidade.

 

Fico sentado à espera…

Porto Santo-MAI15-B.jpg

Henrique Salles da Fonseca

(sentado, a ver o mar na Ilha do Porto Santo)

 

0 25 DE ABRIL DE 74

 

25ABR74.jpg

 

ENTRE O MITO E A REALIDADE

 

 

O 25 de Abril comemora este ano o 42º aniversário da "Revolução dos Capitães". Recordo-a, tal como a viveu o Capitão, que eu era então...

 

Efectivamente, a Revolução foi feita pelos Capitães do Quadro Permanente das Forças Armadas, organizados num movimento que se mobilizou, única e simplesmente, por razões particulares de carácter exclusivamente profissional e não por quaisquer outros motivos ou ideais mais nobres e elevados.

 

Esta foi a realidade em que participei.

 

A outra, a… dos livros e contos de fadas... que fala de alegada revolução pela democracia e liberdade, aprendi-a depois na banha da cobra política.

 

Entretanto, a História mitificou o 25ABR74, criando até uns heróis de circunstância para uso político e gáudio do povoléu, sucessivamente queimados no percurso, (as revoluções devoram sempre os seus próprios filhos, caso do Otelo S. de Carvalho e outros…).

 

Deles restam dois ou três "zombies", folcloricamente exibidos, para povo ver nos eventos Abrilistas.

 

Em Agosto de 1973, EU, recém-chegado de Angola, fui convidado para tomar parte em reuniões de capitães oriundos da Academia Militar, com o objectivo de reivindicar a revogação de dois decretos-leis, acabados de publicar, cuja implementação prejudicava as promoções desses capitães (sendo eu um dos prejudicados), em benefício dos oficiais milicianos que, entretanto, tinham também frequentado a Academia Militar, em condições especiais.

 

Foi esta a única e verdadeira razão do movimento dos capitães.

 

Estive em todas as reuniões e recolhi assinaturas nos quartéis, para um abaixo-assinado entregue aos então Presidentes do Conselho e da República, os quais prometeram suspender os decretos, mas não revogá-los. Como tal, o movimento continuou.

 

Parte da "oposição" ao regime sofria então os "horrores" dos auto exílios dourados, na "dolce vita" de Paris e Moscovo, subsidiados pelos inimigos de Portugal, sedentos estes de apanharem as imensas riquezas das nossas províncias além-mar, através das suas independências, por eles exigidas, alegando hipócritas preocupações com os direitos dos povos ultramarinos.

 

Tal gente, os exilados, conhecedora do descontentamento dos capitães, fez o aproveitamento revolucionário do movimento, politizando alguns oficiais mas, até Fev74, nas reuniões a que assisti, nunca se falou de políticas; face à casmurrice do regime, falava-se já sim em "soluções de força", se necessário, para obrigar o governo a revogar os tais decretos e só.

 

Embora umas poucas cabeças do movimento tenham sido manipuladas e politizadas do exterior, a maioria dos capitães nunca o foi; assim, a generalidade destes (99%) foi ludibriada em todo o processo, tal como EU, embora hoje digam outra qualquer coisa, supostamente mais "nobilitante" e politicamente mais adequada.

 

Em Fevereiro de 1974 fui para Moçambique e o 25 de Abril de 1974 apanhou-me já algures no mato, Comandante duma Companhia de Pára Quedistas.

 

Foi o Administrador de Posto local que trouxe a novidade, informando ser o General Spínola o novo "Presidente" do País, militar de quem se dizia ser um "cabo-de-guerra" a sério. Formei a Companhia para informação e o meu "analfabetismo político" disse-lhes a seguinte "barbaridade": - Meus Senhores, agora com o General Spínola à frente do País é que nós vamos fazer a guerra a valer e resolver isto rapidamente...

 

Santa inocência a minha - e não só - acerca do tal "cabo-de-guerra" Spínola, afinal uma ilusão e um General de opereta que resignou da Presidência da República e das suas responsabilidades por causa duma simples manifestação dita da «maioria silenciosa» em 27 SET74 e, mais tarde, fugiu para Espanha no 11Mar75, abandonando cobardemente o País nas mãos dum Primeiro-ministro absolutamente louco e dum bando de jovens oficiais (meus conhecidos), movidos por oportunismos e ambições pessoais cegas, disfarçadas de ideais democráticos pró soviéticos, assimilados à pressa em livros de bolso.

 

Manipulados por raposas civis sedentas de poder e vindas de "exílios dourados", estes oficiais conduziram o País à tragédia criminosa da descolonização, às nacionalizações e ao sindicalismo selvagem arrasadores da economia nacional e a uma quase "guerra civil", que só não aconteceu porque tal contrariava os interesses da União Soviética pois, como H. Kissinger então afirmava, Portugal transformar-se-ia na vacina anti comunista da Europa.

 

Por isso, essa "guerra civil", já em pré marcha a norte do país, foi "abortada" pelo PCP com o 25Nov75; esta exímia manobra foi liderada pelo "cérebro" de serviço à revolução, o Major Melo Antunes e o seu "documento dos nove"; a versão conhecida do 25Nov é falsa e diz o oposto; eu tomei parte activa nele e integrei mais tarde a comissão investigadora desses acontecimentos.

 

Todo o processo revolucionário pós Abril foi pois comandado do exterior por interesses estrangeiros, levados à execução por uns tantos inocentes úteis, os bíblicos puros de espírito, crentes em ideais, ora mortos e proscritos e, principalmente, por uma maioria de meros oportunistas civis e militares que venderam o País a troco de trinta dinheiros.

 

Pelo percurso ficaram incidentes historicamente vergonhosos e criminosos, como o 11Mar75, (versão oficial falsa), os excessos do Verão quente de 75, o 25Nov75, o indigno "assassinato" de 500 anos de História Pátria, a ruína do País, etc... em contrapartida, ganhámos em "liberdade e democracia", até hoje, mais usadas contra, do que a favor dos portugueses.

 

Pouco informado politicamente à data do 25Abr74, acreditei ainda por um mês na revolução; entretanto, a tal nova "liberdade" instalava nos quartéis, em nome da "democracia", o terror dos saneamentos selvagens, as prisões arbitrárias de militares em Caxias e as ameaças de fuzilamentos (Assembleia selvagem do MFA em 11Mar75, Otelo e a ameaça do Campo Pequeno); por tudo isto, muitos militares puderam apenas ser observadores amordaçados do processo revolucionário.

 

Atingido o objectivo imediato e principal dos verdadeiros mentores civis e pró Moscovo da revolução, entregues que foram as nossas "colónias" às independências soviéticas e à ganância da exploração das suas matérias-primas pelas potências ditas "amigas" de africanos e revolucionários, interessava que o País regressasse a uma certa normalidade interna, conseguida com o tal 25Nov75, tendo esta assumido uma forma mais "benigna de democracia", permitindo a quase normal liberdade político partidária.

 

Esta normalidade democrática pós 25Nov75, por sua vez, colocou em cena e exibição contínua, as inesquecíveis e tragicómicas "democrato novelas" à portuguesa que temos vivido, com actores políticos soberbos e temas diversos, que vão das politiquices mais rasteiras à fabricação permanente de tachos, das reformas de tudo e nada, às leis para constar e não aplicar, das incontáveis e imensas corrupções prescritas e absolvidas, ao criminoso aumento da dívida pública e ao suicida défice interno e externo, etc.

 

Entretanto, salvos que temos sido da falência total do Estado pelas reservas em ouro herdadas do fascismo, pelos milhões da União Europeia, pela venda total do património e endividamento público astronómico e, estando tudo já esgotado, chegou o tempo dos portugueses acertarem as contas com a realidade e com a História.

 

Mais uma vez, é o povo que está e vai a pagar em desemprego, terrorismo fiscal, miséria, criminalidade, emigração, fome, etc... os roubos e crimes políticos das ditas élites.

De positivo ficou-nos esta notável "democracia parlamentar", sofisticada na pose e na forma, esplendorosa em benesses e regalias únicas e sumptuosas, orgulho do povo, que nela se revê como qualquer "puta" no seu chulo e que nos conduziu já a níveis de desenvolvimento, sem precedentes, recuando-nos para a cauda da Europa e para a iminência do colapso económico e financeiro.

 

Uma democracia de etéreas preocupações acerca de si própria e que de tanto exorcizar reacionarismos e "economicismos", se esqueceu de construir uma economia sólida, geradora de riqueza e postos de trabalho para o povo.

 

"Onde não há emprego, não há pão e, onde não há pão, não há liberdade nem democracia". A liberdade e a democracia começam na barriga.

 

As revoluções em Portugal foram sempre feitas de lirismos ardentes, conspirados em noites de boémias e tabernas, casernas e academias, lirismos esses vertidos e bebidos de catecismos políticos em moda no momento e seduzindo juventudes, na época, com pedófilos e poéticos maoísmos logo transmutados em ultraliberalismos, ao esfumarem-se no confronto com a realidade da vida e com os oportunistas corruptos, que sempre os cavalgaram e prostituíram.

 

O 25Abr74 não fugiria nunca a este fatalismo nacional.

 

A gravíssima crise em que o País está mergulhado é apenas o previsível pesadelo em que se transformou o outrora sonho de "Abril Sempre".

 

Este ano, mais uma vez comemorado, de novo será sonhado em cravos que, em 74, eram vermelhos de esperança e, hoje, são vermelhos sim, mas com o sangue dos muitos milhares de portugueses assassinados Àfricas fora pelo 25Abr74 e vermelhos dos mares de lágrimas de sangue choradas por todos os desempregados, emigrados, sem abrigados, esfomeados, aterrorizados fiscais, desesperançados, desfuturados... tudo isto, consequência daquilo que o dito «dia da liberdade» nos trouxe...

 

Paga Zé, pois os vendedores de promessas e sonhos, esses, têm os seus "sonhos de Abril" a bom recato nos off shores do Mundo da Democracia e da Liberdade deles.

 

José Luís da Costa Sousa.jpg

JOSÉ LUÍS DA COSTA SOUSA

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