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A bem da Nação

PORTUGAL ATAFEGADO COM O FUMO DOS FOGOS E DA CORRUPÇÃO

 

Funchal a arder.jpg

 

O Eucalipto é gasolina na floresta e fonte de emprego

 

e rendimento: UMA PROPOSTA

 

No rosto das populações vê-se o desespero e o medo perante a catástrofe da sua terra a arder. Portugal anda a arder  no corpo e na alma, levado por ventos de interesses vindos de fora, de longe da terra e da razão. Pela reacção de políticos, chega-se mesmo a ter a impressão que tudo fala e age sem ter nada a perder. A fauna e a flora sofrem e com ela o povo também sob o destino da incúria instalada.

 

Por onde anda o Ministério da Agricultura, Florestas

 

e Desenvolvimento?

 

O MAFD teria a obrigação de implementar e co-financiar a indústria de recuperação dos resíduos da limpeza das florestas e de madeiras com fundos próprios e da União Europeia. As florestas ocupam mais de um terço do território nacional. A limpeza das florestas tornar-se-ia rentável e reduziria imensamente o risco de incêndio e de dependência energética se o Estado fomentasse economicamente o engajamento cívico das cidades e municípios no aproveitamento ecológico de resíduos vegetais.

 

Os resíduos da limpeza das florestas e dos desperdícios da indústria da madeira podem ser utilizados para sistemas de aquecimento biomassa e pellets (uma forma de energia absolutamente limpa) e cujo fomento criaria imensos lugares de emprego na província e tornaria Portugal mais independente da importação de energias. Uma outra política corresponderá a implementar a indústria de fogos.

 

A Alemanha fomenta economicamente "Aldeias com bioenergia” implementando a criação de corporativas de serviços industriais com a finalidade de tornar rentável o lixo e aproveitar para abastecer as cidades e aldeias com a bioenergia verde ou para produção de pellets. Em vez de criticarem os alemães, os políticos deveriam ir à Alemanha para aprenderem como fazer para terem um povo bem alimentado e sem necessidade de se andarem a queixar dos outros. Se os políticos portugueses tivessem a coragem de apreender e de servir o povo português, Portugal transformar-se-ia numa Suíça do sul.

 

Não há orçamentos gratuitos e menos ainda num país em que “o trabalho voluntário é uma treta”; isto, dito por uma política irresponsável (Catarina Martins) que deveria fomentar e agradecer o máximo possível o honroso e enriquecedor serviço de todos os que prestam trabalhos voluntários.

 

O vermelho dos fogos de um Portugal a arder é um sinal de alerta a amarelos, laranjas e vermelhos para acordarem. O Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais não pode esgotar-se no apoio aos bombeiros por muito auxílio que estes precisem… não chega o anúncio de medidas com mera intenção para efeito de tranquilizar o público. O Estado falhou e falha sistematicamente se temos em conta o resultado da acção política portuguesa.

 

Vantagens e desvantagens dos eucaliptos

 

Assiste-se à exploração latifundiária da floresta a transformar-se em monocultura tal como se dá na agricultura em plantações de cultura extensiva de batata, cereais e também na exploração das espécies animais e na exploração das entranhas da terra.

 

Segundo a VISAO, Portugal é o país na Europa com maior área plantada de eucaliptos: 812 mil hectares o que corresponde a 8% da área de Portugal e a 26% de toda a área florestal e proporciona uma grande receita económica para o país a nível de exportação. 1 m3 de biomassa de eucalipto rende mais que qualquer outra árvore e traz grande lucro até à idade de 8-9 anos (faz lembrar a industrialização dos frangos!). A indústria de celuloses, de cosméticos e de farmacêuticas, devido ao seu f O eucalipto, a acácia e a mimosa, onde se encontram, comportam-se de maneira agressiva contra os seus semelhantes vegetais, se não forem controlados transformam-se na ruina da flora. Mais que fazer guerra emotiva e gritar contra o eucalipto ou contra isto ou contra aquilo, o importante é criar medidas racionais que possibilitem a melhor convivência e o proveito de todos.

 

Os eucaliptais esterilizam o terreno e facilitam a erosão. Fazem lembrar outros biótopos humanos: onde se implantam não deixam vingar outras culturas.

 

No país onde a raiva impera e a razão

 

política definha

 

Vivemos em tempos barbáricos em que a exploração da natureza através dos recursos fósseis, das monoculturas e do povo se tornou normalidade. O problema está mais numa política florestal que falha e falta devido a uma mentalidade política perdida no dia-a-dia que não descobriu ainda as imensas possibilidades económicas da floresta deixando-a à deriva de interesses descontrolados.

 

O Portugal da província fica demasiado longe de Lisboa! Tudo continuará a acontecer como nos anos passados, conversa em vão, se por trás das tentativas de solução não houver um conceito económico rentável para todos; enquanto em política uns se sentirem de férias e outros a olhar para São Pedro, Portugal continuará à espera e a repetir-se de período eleitoral em período eleitoral.

 

Portugal a arder sem que surja mais luz; um país de terra queimada, sem aproveitar os recursos que tem, sem faixas corta-fogo, deixa a solução do problema a empresas de aviões que ganham com o fogo.

 

Acabaram com a guarda-florestal, deixaram a FAP e o pessoal especializado de combates aos fogos nos quarteis, não criam espaços livres corta-fogos nem regularam, de maneira racional e rentável, a economia florestal. Com os fogos ganha muita gente: comerciantes, construtores e os fumadores de corrupção.

 

Há incentivos económicos para o fomento dos incêndios: madeireiros pagam um terço pela madeira queimada e que se aproveita na mesma para a produção de celulose; os fogos também fomentam a exportação da celulose, fomentam a urbanização de terrenos ardidos e muitos outros interesses escondidos.

 

Qual a razão por que os Governos em cumplicidade com o Parlamento acabaram com os cantoneiros, com os guardas florestais, com a Forca Aérea das Forças Armadas e com os seus aviões especializados para combate de incêndios? Fazem política para os seus, o pessoal engravatado das 35 horas e compram submarinos para que os nossos políticos possam sentir-se mais bonitos na Nato e iludirem a imagem, que dão ao estrangeiro, de incompetentes de fato polido e gravata empertigada, que não sabem sequer ter as contas em dia nem alimentar o próprio povo que obrigam a emigrar?

 

Os fogos nos nossos montes e vales e os fumos que nos atafegam já chegam tão alto como as labaredas da corrupção nos lugares altos do Estado e dos ministérios.

 

O corpo e a alma de Portugal andam, já há muito, a arder: no corpo as labaredas do fogo, na alma as labaredas da corrupção. O povo, tal como a natureza, mantem-se em atitude de espera, enquanto umas e outras labaredas se renovam.

 

A grande ilusão deste país é pensar que a solução dos problemas virá da direita ou da esquerda e não do trabalho produtivo da iniciativa privada e do Estado! Há interesses instalados que fazem lembrar Nero a estimular a veia poética no ver o espectáculo de Roma a arder e no ouvir as vozes dos cidadãos a discutir sobre bodes expiatórios!

 

ACDJ-Prof. Justo-3.jpg

António da Cunha Duarte Justo

 

GUERRA À GUERRA?

 

Mobilizar a Europa contra o fundamentalismo
Estará a Europa em guerra? Após cada ataque terrorista, há discursos políticos e acções policiais mas a sequência não tem fim à vista. Os Conselhos de Ministros não se reúnem no Verão

 

Os presidentes viajam para a abertura dos Jogos Olímpicos. Na Síria, prosseguem as operações militares. Na África subsahariana, os meios de intervenção ocidental são muito limitados.

 

As autoridades nacionais continuam a falar em “guerra contra o terrorismo”, o que desafia a lógica: não se faz guerra contra um método de combate.

 

A Europa não está em guerra porque os apelos à mobilização são seguidos por mensagens que só dão armas ao inimigo. Quem fala em ataques à “comunidade católica” ou à “comunidade judaica”, esquece que uma nação de cidadãos é o contrário de um mosaico de comunidades.

 

A Europa não está em guerra porque não aplica soluções para impedir o financiamento de locais de culto radical nem corta os financiamentos da propaganda Salafi-Wahhabique que favorecem as ações jihadistas.

 

A luta contra as redes islamitas exige desenvolvimento económico e social, mas também um forte compromisso das forças políticas em não tolerar pactos com os fundamentalistas islâmicos e seus agentes de países como Arábia Saudita, Qatar, e Líbia.

 

A Europa não estará em guerra enquanto não lutar contra os jihadistas usando as regras de direito comum e dando advertências aos media que se sobreponham aos pareceres técnicos das Entidades Reguladoras da Comunicação. Os velhos partidos políticos que cohabitam com os proprietários dos meios de comunicação e as vedetas dos media pouco fazem. Falta o envolvimento dos cidadãos.

 

Quase se pode dizer que alguns media são coprodutores dos eventos terroristas. Os canais de notícias informam mal, espalham boatos e rumores, difundem imagens que disseminam o medo, e ostentam a tagarelice dos auto-proclamados especialistas. Tudo isto reforça a propaganda jihadista.

 

A informação séria vem do Ministério Público e das Administrações Internas . O resto do tempo dos media é emoção e, a cada cinco minutos, o nome do canal informativo, porque a concorrência é dura. Esta histeria dos media desestabiliza as pessoas e encoraja os actos terroristas.

 

O objectivo remoto dos fundamentalistas é desencadear guerras civis na Europa a partir dos conflitos identitários e comunitários que acendem com cada atentado. Assim procede o Daesh e assim declara o sírio Abu Musab al-Suri, como explicado por Gilles Kepel .

 

Al-Suri prega a luta contra os apóstatas, islamófobos e judeus, as vítimas escolhidas. Uma vez que os políticos clássicos estão desacreditados e não servem para vítimas – o Daesh não ataca ministros, nem deputados nem banqueiros – os fundamentalistas procuram pessoas com que a sociedade se identifique. Escolhem alvos como Cabu, Wolinski, Charb, em França, ou gente anónima nas ruas, metros, ou centros comerciais, para criar a revolta e abrir as portas à guerra civil.

 

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O objectivo é sempre o mesmo: promover a guerra entre grupos, entre comunidades imaginárias sobre cujos escombros nasceria um imaginário califado da Europa.

 

Na Europa de hoje, tal como na ex-Jugoslávia não é o ódio religioso que causa os atentados: são os extremistas de ambos os lados que querem destruir a boa vizinhança.

 

Não se trata de guerra religiosa. Tanto o Papa Francisco como as autoridades religiosas das outras duas grandes religiões defendem exemplarmente a paz. Após cada ataque têm renovado as mensagens e manifestações de repúdio do terrorismo. Podemos ter a certeza de que qualquer escalada de provocações trará nova manifestação de reconciliação entre as autoridades religiosas.

 

Jean-Yves Camus, diretor do Observatório da Fundação Jean Jaurès afirma que os ataques jihadistas visam provocar a extrema-direita. Não há, de momento, risco de crescimento da extrema-direita.

 

Face a este panorama, é importante identificar as propostas que mobilizam contra o fundamentalismo.

 

O primeiro esforço é a escolha das palavras. Falar de guerra será aceitável quando ela se impuser . Se queremos a Europa mobilizada contra o terrorismo, devemos começar por dizer que esta mobilização é pela cidadania. Em particular isso deve ser explicado aos jovens, suscetíveis de incorporarem as forças armadas e as forças de segurança.

 

Depois, a batalha da informação. É preciso que as cadeias de televisão não sejam co -produtoras dos ataques terroristas. A informação em tv’s, jornais e redes sociais deve ser complementada por informações pessoais procuradas noutras fontes que divulgam o trabalho de pesquisadores em filosofia, economia, religião, direito, geopolítica …

 

Depois, vem a batalha contra o medo: é uma luta pessoal e uma exigência coletiva. É preciso evitar que o medo se espalhe e degenere em pânico. Nunca esquecer que os terroristas são empreiteiros do medo. A batalha da informação ajuda a conter medos e dirige a energia para as acções necessárias.

 

Vem seguidamente a luta no terreno contra os fundamentalistas islâmicos na Europa onde operam através do salafismo-wahhabismo com correntes de transmissão em França, Alemanha e Espanha.

 

Finalmente, vem a guerra com operações militares. Os campos de batalha de hoje podem não ser os de amanhã. Os jihaddistas infestam os territórios iraquianos e sírios e a África subsahariana mas amanhã poderão saltar para a Turquia, ou Líbia. Para um país como Portugal poderá ser interessante cooperar com as operações do exército francês no Sahel, barrando a África contra o jihadismo.

 

A Europa precisa de uma mobilização pela cidadania contra os fundamentalistas islâmicos que visam criar um ambiente de guerra civil entre “comunidades”. Os jihadistas agrupam-se em pequenos células mas não representam uma verdadeira alternativa ao estilo de vida ocidental.

 

A finalizar, sugiro que vejam o filme britânico Eyes in the Sky de 2016. É um retrato dos dilemas em que se chocam as duas grandes tradições de direitos no Ocidente usadas contra os fundamentalistas: o direito supremo da comunidade sobreviver – salus populi suprema lex esto – como diziam os romanos; e os direitos humanos levados ao ponto extremo de fazer justiça, mesmo que o mundo se perca.

 

É este dilema que está no centro da mobilização das nações europeias.

 

11 Agosto, 2016

 

Mendo Castro Henriques.jpg

Professor na Universidade Católica Portuguesa

 

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