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A bem da Nação

O FASCISMO EM MARCHA...

 

Continência.png

 

 e a política europeia em sentido a fazer-lhe continência!

 

GOLPE DE ESTADO DE ERDOGAN CONTRA A DEMOCRACIA QUE DEMOCRATICAMENTE O APOIA


 

 

A Turquia torna-se cada vez mais num país de braços no ar e de lenços na cabeça. O presidente turco Erdogan declarou a suspensão da Convenção Europeia dos Direitos Humanos e o Estado de Emergência por três meses, ficando assim com direitos absolutos. (Será esta uma maneira indirecta de poder também introduzir a pena de morte?).

 

Chega a ter-se a impressão que nos encontramos no início da era muçulmana! O radicalismo muçulmano determina o sentir dos povos e a cedência de liberdades nas chamadas sociedades livres. Ao saneamento de milhares de juízes, de soldados, de polícias e de outros funcionários da administração segue-se o saneamento dos agentes de ensino.

 

O despedimento de 1.5oo reitores de universidade e a retirada da licença de ensino a 21.000 professores do ensino privado é mais um acto radical eficiente para o saneamento de um Estado que Erdogan e seus sequazes querem ainda mais uniforme. Em todos os regimes os fascistas de direita e de esquerda procuram ter sempre o ensino sob o seu controlo ideológico. Ciente de que a religião é o melhor garante de sustentabilidade, Erdogan aposta sistematicamente no fomento de um islão sunita retrógrado; no tempo de sua actuação política, já foram construídas mais 10.000 mesquitas.

 

Este golpista enganador trabalhou sistematicamente a longo prazo para conduzir o país ao fascismo.

 

Mais preocupante ainda é o facto de ter recebido 60% dos votos dos turcos que vivem na Alemanha e ainda o facto de muitos destes se manifestarem violentamente na Alemanha a favor do golpista Erdogan. Quando há algum acto terrorista, os mesmos não se manifestam. Na Alemanha vivem cera de três milhões de turcos e de turco-descendentes. À semelhança do que acontece na Turquia, apoiantes de Erdogan, organizaram um serviço online onde se pretende fazer o alistamento de cúmplices e simpatizantes com a intentona para poderem ser mais eficientemente perseguidos.

 

A raiva do povo contra as elites turcas, de orientação moderna, é insaciável. Erdogan, um filho do povo, vinga-se da elite secular servindo-se do povo. Em democracia o povo é quem determina a razão!

 

O presidente quer ser o novo Ataturk da Turquia mas no sentido contrário. Conseguirá atrasar eficientemente o ponteiro da história da Turquia e irá dar que fazer à política europeia que em breve terá de abrir as portas a muito mais refugiados: os da síria e de outros estados muçulmanos e ainda mais curdos e outros que o Estado turco ainda perseguirá mais.

 

A Turquia e o comportamento de muitos turcos na Alemanha poderia ser um sinal para o que a Europa acorde e reflita sobre o que está a acontecer à Europa sob a acção de políticos mais interessados em administrar a miséria e a decadência da Europa, do que em defender os valores que a tornaram grande e exemplar para todas as sociedades.

 

Erdogan, embora retrógrado e ditador, procura, à sua maneira, construir uma Turquia dominante. É um líder coerente que aposta no poder da luta cultural e religiosa, deixando atónitos os políticos ocidentais que, à custa da própria cultura e do povo, pensam dominar o mundo através da economia!

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António da Cunha Duarte Justo

 

O MAU ESPÍRITO

 

 

Sobreviver no interior brasileiro nos séculos passados não era coisa pra fracos. Enriquecer, então, era questão para destemidos aventureiros dispostos a tudo enfrentar, matas, índios, animais selvagens, grileiros, falta de alimentos e remédios. Trabalho duro e perigoso que muitas vezes levava à perda da própria vida.

 

 

Era comum fazendeiros que possuíam terras adquiridas por sesmarias, compradas ou ocupadas por grileiros, recrutassem jagunços pagos para “limpar” o terreno. Só depois assumiam e construíam naquele espaço a fazenda.

 

Em tempos de “limpeza”, as ferramentas mais utilizadas eram as armas de fogo, além dos instrumentos de trabalho para desbravar a terra. Guaiaca ajustada na cinta ou cruzada no peito, punhal estrategicamente escondido no cano interno das botas de couro, eram indispensáveis para impor respeito e se manter vivo. Andar por caminhos desérticos e inóspitos, ou em matas cerradas, exigia coragem e equipamento!.

 

Bem antes dos estrangeiros chegarem àquelas bandas interioranas já desbravador português, usando o índio amansado como guia, adentrava e “limpava” o terreno. Motiva-o a posse das terras e as riquezas que poderia tirar delas, explorando, abrindo clareiras para criar gado ou para plantar pro sustento.

 

Instalados, vinham as disputas pelos território e pelas águas que lhes garantiam a subsistência e influência. Animosidades por divisas e desvios de cursos de águas eram frequentemente resolvidas à bala, quando na conversa não se chegava a contento.

 

Naquele dia, os fazendeiros Jacinto e Fabiano se estranharam. O motivo era posição da cerca que lhes dividia as fazendas. Achando-se lesado, Jacinto reclamava que haviam entrado metros na sua propriedade, situação que Fabiano contestava. Depois de muita discussão, tudo ficou na mesma. Irritado, tempos depois, o fazendeiro Jacinto desvia o curso do riacho que nascia nas suas terras e atravessava as do vizinho, deixando sem água o pasto e o gado do outro fazendeiro. Guerra declarada, os dois não podiam se encontrar sem que essas questões viessem à baila.

 

Em terras de pouca água, os bichos logo buscam a fonte. E assim o gado rompeu a cerca e pulou para o pasto vizinho onde podia matar a sede e comer capim. Quando Jacinto percebeu a situação procurou Fabiano para reclamar e pedir para que ele consertasse a cerca arrebentada. Nova discussão para que o riacho e divisa fossem para o lugar original. Ninguém quis voltar atrás e tudo acabou numa cusparada tendo como resposta um tiro mortal. No dia seguinte acharam o corpo de Fabiano já em incipiente estado de putrefação. Foi uma comoção. Os filhos do fazendeiro morto juraram vingança. Suspeitaram do vizinho renitente que passou a carregar consigo dois revolveres carregados no coldre, prontos para a descarga conveniente.

 

Ciente da lei do sertão, Jacinto dizia para a família:

- Quando eu morrer vocês me enterrem com meus dois revólveres, vai que lá, do outro lado da vida, eu encontre um mau espírito...

 

Enterro no sertão brasileiro.png

 

Se bem foi dito, melhor foi feito. Passou-se algum tempo até que um dia um sujeito mal encarado foi visto nas redondezas. Capa escura, surrada, que ia até as canelas, chapéu preto de feltro enterrado na cabeça escondia parcialmente a fisionomia. No peito, transpassada, uma cinta de couro cru, brilhante, desgastada pelo uso, onde se via uma pequena bolsa de carregar balas e um coldre preenchido. Era um matador, jagunço contratado. Já se suspeitava, era o anúncio de morte encomendada!

 

Jacinto foi encontrado morto na estrada, com um tiro na cabeça, vítima de uma tocaia.

 

Do jeito que surgiu, o jagunço desapareceu sem deixar rastro. O fazendeiro foi enterrado com suas armas, como pedira, nas terras disputadas. Respeitaram a sua vontade, sabe-se lá se ainda teria que se ver com algum mau espírito...!

 

Uberaba, 25/07/2016

Maria Eduarda Fagundes

Maria Eduarda Fagundes

 

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