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A bem da Nação

E SE LHE DISSEREM QUE A BÉLGICA INVADIU A ALEMANHA?

 

 Clemenceau.jpg

 

Aproximava-se Clemenceau do fim da vida quando lhe perguntaram algo como:

 

- Na sua opinião, o que dirão no futuro os historiadores sobre esta questão embaraçosa e controversa que foi o início da Grande Guerra?

Ao que o velho «tigre» respondeu:

- Sobre isso nada sei mas do que estou certo é que eles não dirão que a Bélgica invadiu a Alemanha.

 

 

A questão nasce com a pergunta sobre se existirá algum facto independente da opinião e da interpretação.

 

 

Realmente, é impossível dissociar os factos históricos das respectivas interpretações uma vez que no princípio do estudo está a extracção de algo que cada intérprete considere relevante dentre um caos de meros acontecimentos sendo que os princípios da escolha não são elementos do facto interpretado.

 

 

E aqui começa a confusão com cada intérprete a dizer o que lhe parece, muito provavelmente cada um a definir perspectivas totalmente antagónicas das dos outros e ainda com a agravante de eventualmente nenhum se aproximar do que efectivamente ocorreu.

 

 

Não há dúvida de que as ocorrências nem sempre são efectivamente alvo de descrições objectivas e que «quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto» mas seria intolerável que pactuássemos com quem deturpa a matéria factual pois uma coisa é a interpretação, outra o desvirtuamento da realidade. Nada justifica o esbatimento das linhas de demarcação entre o facto, a opinião e a interpretação.

 

 

Mesmo admitindo que cada geração tenha o direito de escrever a sua própria história, não se lhe pode outorgar o direito de recompor os factos de harmonia com a sua própria perspectiva atentando contra a própria matéria factual.

 

 

E se a perspectiva histórica, longínqua, deve sempre ser respeitadora dos factos objectivos, a interpretação desvirtuante de ocorrências recentes não passa de pura mentira. E é isto que frequentemente ocorre em modernas «ágoras» televisionadas. A liberdade de opinião nada tem a ver com interpretações abusivas que claramente pretendem manipular a opinião pública. Esses, os que por certo subscrevem o título de um livrinho que há dias topei num escaparate e que nem sequer folheei intitulado «A verdade e outras mentiras».

 

 

É que a manipulação da opinião deveria consubstanciar crime.

 

Henrique Salles da Fonseca, Barril-8AGO15-2.jpg

Henrique Salles da Fonseca

 

 

 

BIBLIOGRAFIA:

  • Hannah Arendt, VERDADE E POLÍTICA, ed. Relógio d’Água, 1995, pág. 25 e seg.

 

MOÇAMBIQUE - INHAMBANE

 

PRAÇA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO

 

E FORTE DE S. JOÃO DA BOA VISTA

 

 

Possui a Câmara Municipal de Inhambane uma cópia da "Planta da Fortificação de Inhambane 1821", que se reproduz neste apontamento. É do tempo do Governador Isidro Manuel de Carrezede, no cargo 1820 a 1825. Esta fortificação, diz respeito à praça de Nossa Senhora da Conceição, que era situada onde se encontram hoje os edifícios que instalam os Serviços da Administração do Concelho, o Governo do Distrito, os Serviços de Fazenda e a Capitania do Porto com suas oficinas. A Igreja, que aparece na planta da fortificação, é a mesma actual, depois da grande alteração que sofreu com os trabalhos de ampliação e construção da torre, trabalhos esses concluídos em Novembro de 1867 e começados em Junho de 1864.


O Forte de S. João da Boa Vista era situado num morro de areia, atrás do actual cemitério e do Hospital Regional, morro esse, desapareceu, por de lá se terem retirado muitas terras para todos os aterros de pântanos que, durante muitos anos se fizeram em Inhambane, e que em muito, vieram, beneficiar o estado sanitário da localidade.


"Por volta de 1760, tinha Inhambane um recinto defendido por estacaria, que podendo proporcionar abrigo contra os cafres, tinha pouca utilidade contra outro qualquer inimigo, e era guarnecido de 20 homens, comandados por um capitão".


António Guedes Monteiro de Matos que foi Capitão-mór de Inhambane, entre 1759 e 1763, achou a estacada em grande estado de ruína e as peças de artilharia numa incapacidade quase total. Isso o levou a escolher para edificar outra fortificação "um local próximo da Vila, donde se descobria a barra e que a este importante predicado reunia o de ter água boa e abundante, chão fértil e fartura de pedra para a construção". Mas não se devia ter construído nada, pois o Governador António José de Melo, descreve com cores negras, em 1765, o estado em que se encontrava a guarnição e a paliçada.


Em 1854, houve um grande incêndio, tendo ardido grande parte da Praça, a Igreja e muitas casas. De notar, que em 1853, Inhambane tinha 20 casas de pedra e cal, 27 de madeira, 81 sombreiros e 1350 palhotas, pertencentes aos nativos e tudo constituía 1470 fogos.


Em 1863, a 16 de Janeiro, a praça de Nossa Senhora da Conceição, é assim descrita pelo Governador de Inhambane, Major Guilherme Frederico de Portugal e Vasconcelos :

"A praça de Inhambane tem na frente para o mar (poente) huma bateria de 73 metros de comprimento e de 3 de altura que está completamente dominada pelas cazas mais próxi­mas e das ruas que tem do N ao Sul quatro espingardas à queima roupa impedem que os artilheiros facão uso das peças. Pela parte Sul he hum comprido e velho muro onde existe a porta principal da entrada, da bateria citada, a porta tem por dentro huns cazebres cobertos de palha que se vê de fora e que se servem de calabouço da Companhia, quartel do condestável, arrecadação do material e de caza da guarda. Da parte para o nascente segue o mesmo muro, tem por dentro hum paiol completamente arruinado hum barracão de palha meio queimado que serve para arrecadação e trabalharem os carpinteiros do Estado, ao fim deste muro ha huma couza a que o meu ante­cessor alcunhou de baluarte e que além de também estar completamente dominado por huma rua e que lhe passa ao Norte o está por todas as cazas próximas, e artilharia ali collocada não pode ser aplicável a não ser para derribar as cazas da Villa. Pelo Nascente se­gue-se hum igual muro com huma porta falça para a Praça, serventia particular dos Gover­nadores que habitão dentro, e no fim deste muro fazendo semetria com o referido baluarte he a Igreja Parochial por onde a Praça pode ser invadida sem obstáculo. Pela parte do Norte segue-se a parede da Igreja e depois hum velho muro de differentes alturas que vai fechar com a bateria do mar. Dentro desta Praça ha um barracão coberto de palha que he a Alfândega e por consequência durante as horas que está aberta he franca a entrada na Praça e ha dois cazebres idem que servem de arrecadação da Companhia e quarto de escripturação da mesma, ha dois outros cazebres que hum serve de prizão dos Gallés e outro de Thesouraria do Almoxarifado que pelos objectos que vende, impressos e papel sellado, torna a praça franca. Ha huma cazinhola pessimamente collocada a que se chama residência do Governador do Destricto tem huma caza de entrada captiva, porque em hum quarto a direita he a Secretaria da Praça em outro à esquerda a do Governador ficando para habitação do governador do destricto huma dispença dois quartos e huma pequena salla, tendo que estar sempre em contacto com os soldados e gallés ou privado de se aproximar de alguma janella e tendo que dormir o Official do Estado Maior na caza de entrada e por consequência as ordenanças na rua, motivo porque aluguei caza fora sobrecarregando-me "com a despeza de nove pezos mensais para sustentar o decoro e independência com que deve viver a primeira auctoridade do Destricto, despeza que continuarei a fazer por minha conta se V. Exa. não achar justo que me seja abonado pela Junta da Fazenda da Província.

"Passei a vizitar hum monte de área aces­sível por toda a parte com huma palhota no meio hum quadrado de meia braça de pedra e cal com um páo de bandeira espetado e seis peças d'artilharia e que ha séculos (sic) se chama Forte de S. João da Boa Vista. Aqui tem V. Exa. a exacta descripção das duas for­talezas desta boa Villa.

-"Em vista disto e dos poucos fundos pecu­niários com que me achava e sem autorização para os desviar da sua marcada aplicação vi que só me restava hum recurso para alguma couza fazer para satisfazer o meu génio traba­lhador e melhorar este Destricto. Mandei cha­mar o Digno Comandante das terras João Loforte e satisfazendo a sua requisição de doze picaretas o encarreguei de mandar fazer hum grande corte de pedra o que elle satifez com aquelle zello e promptidão com que se tem prestado a todos os mais serviços de que o tenho encarregado e que o torna digno da honra de estar na lembrança de V. Exa. pelos seus bons serviços. Tratei de grangear a sympathia dos meus governados fazendo-lhes ver que o meu programa governativo era igualdade, lei e justiça e logo que conheci poder contar com o auxílio d'elles dirigi-me ao sitio em S. João da Boa Vista, bella pozição para defesa desta villa marquei os alicerces que immeditamente fiz abrir e dirigi aos habitantes numa Circular pedindo-lhes que me auxiliassem com as suas lanchas para me conduzirem a pedra preciza para fazer em S. João da Boa Vista huma for­taleza regular para defeza da Villa ao que se promptificarão com a melhor vontade offerecendo-me logo o mencionado Commandante das terras da Coroa João Loforte quarenta barcadas de pedra que tinha no seu quintal e pedindo-me licença para elle fornecer com as suas lanchas toda a pedra preciza para o com­pleto d'huma das muralhas do Forte. O Cidadão Augusto Carlos dos Reys além de promptificar as suas lanchas para a condução da pedra me offereceo para o mesmo fim 100 barricas de cal, com esta e huma grande porção que achei na praça do tempo do meu antecessor comecei a obra collocando a primeira pedra no alicerce no dia 3 de Setembro de 1862. Mandei logo fazer três grandes fornos de cal, hum no sitio da Burra, na Machiche e em Linga-Linga e desta maneira tenho conseguuido ter hoje as quatro muralhas do forte concluídas no cumprimento cada huma de 48 metros e de 7,1/2 de altura incluindo os alicerces que tem 2 metros e de largura 5 palmos, estou concluindo a escada que como he de aboboda de tijolo mais algum tempo leva. Concluindo esta fortaleza para onde tenciono mudar os gallés e o paiol e não tendo esta grande obra custado á Fazenda Nacional mais que o jornal do Colono mestre Pedreiro e que só a condução da pedra pela distancia a que se vai buscar custaria huns poucos de contos de reis se fosse conduzida por conta do Estado e por isso rogo a V. Exa. auctorizar-me para que em nome de V. Exa. eu agra­deça a estes dignos moradores a boa vontade com que prestarão e se prestão a auxiliar-me e concluído o Forte de S. João da Boa Vista peço a V. Exa. hum voto de confiança para reformar a Praça de Nossa Senhora da Con­ceição aproveitando aquelle terreno fazendo uma boa Alfândega com portas independentes da Praça, huma caza decente para o Governa­dor do Destricto e hum bom quartel para quando se formar o 3.° Batalhão, tudo isto sem preju­dicar a Fazenda Nacional e com os mesmos recursos com que tenho feito o Forte de S. João da Boa Vista para que esta denominada Praça deixe de ser o escarneo de todo aquelle que alguma couza saiba de fortificação".
 

FGA-Inhambane, Rua da Rosa.jpg

 
 

Mais tarde, nos princípios de 1875, o Forte de S. João da Boa Vista é descrito, na "Noticia acerca dos edifícios e obras publicadas no Distrito de Inhambane", da seguinte maneira:

"É situado em um alto a pequena distancia ao Sul da Villa, o muro que o cerca é feito em quadrado, tendo por face 47, "W"', só se acham construídas as faces do Norte e Leste, tendo a altura do muro do lado N. 4,m85 c. e do lado de L. 3, as faces dó Sul e Oeste estão apenas principiadas, a espessura dos muros é de 1 m; o seu estado de conservação é mau, porque nunca chegaram a ser rebocados e já se acham rachados em duas partes, existem ali 4 peças de ferro montadas, sendo 2 de calibre 9, uma de calibre 12 e uma de 18, ha mais duas peças igualmente de ferro de calibre 3 que se acham apeadas; as quatro peças mon­tadas bem como os reparos estão em soffrivel estado de conservação; ha no forte uma casa redonda de madeira rebocada de pedra e cal e cuberta de palha, que serve de quartel de veteranos, no lado desta existe um pau para içar a bandeira nacional mettido em um pe­queno pedestal de pedra de cal. Foram as obras dos muros deste forte feitas em 1862 a expensas dos habitantes do districto e dirigidas pelo governo; a despeza feita pela fazenda publica foi insignificante, apenas o fornecimento de ferramenta para os trabalhos."


Como se verifica, o Governador Por­tugal e VasconceIIos, ao informar o Governo Geral da construção do forte, declarou que o mesmo já tinha as quatro muralhas concluídas, o que parece não ser verdade, conforme se constata pelo documento que transcrevi, e pelo que, mais adiante se transcreve.


Mas, também é verdade que, a população de Inhambane, agradecida pela obra do mesmo Governador, fez um abaixo assinado que lhe enviou, a 20 de Julho de Ï863, "querendo dar um testemunho de gratidão pelo Governo que adminitrou este districto, e pela boa justiça que fez sem fazer differença de classe ou reli­gião nem cathegorias, fazendo sempre igual justiça;o modo como procurou fazer a prosperidade d'este districto já fazendo obras que nunca nenhum Governador tem feito como foi a do forte de S. João da Boa Vista que d'um morro d'área acessível, por todos os lados, hoje se acha com boas muralhas, ainda que não concluídas, pouco lhe resta, e que já pode servir para a defeza da Villa" .

Parece incompreensível é que, 14 anos depois, a Câmara Municipal, enviasse ao Gover­nador do Distrito o seguinte ofício :

"Ilmo. Exmo. Snr.

Existem quasi no centro desta Villa pelo lado do Sul, no alto de Sam João da Boa Vista, umas muralhas, derrocadas e abertas nos angolos, sem importância nenhuma militar que se dominarão Forte de Sam João — em épocas remotas, quando a Villa não passava da lagoa Inhampossa, servio aquelle monte de defesa avansada da Villa e n'ella havião algumas peças d'artilharia e uma guarda, sendo guarnecido em occaziões de guerra pelos moradores, hoje de nada serve por estar cercado de plantações e arvoredos e no centro da povoação, as mura­lhas informes e por acabar foram principiadas pelo Governador Portugal e á expensas dos moradores deste município que liberalmente deram pedra, a cal e os obreiros — nunca se acabarão, porque o sucessor deste conhecendo o mal construído da obra e a pouca importância estratégica que ella teria mesmo que se con­cluísse, abandonou-a assim tem estado até hoje, deteriorando-se de dia a dia. O ma­terial também nos parece pouco aproveitável para novas construções; esta Câmara com muitos bons desejos de continuar a empedrar e macadanizar as ruas do Concelho faltão-lhe como V. Exa. bem sabe os meios, não a von­tade; esta Câmara pede a V. Exa. lhe con­ceda aquellas velhas muralhas, para as demolir e aproveitar o material para as ruas, única coiza para que pode servir no que V. Exa. pres­tava um grande serviço a este Município. Deus Guarde a V. Exa. Inhambane, 26 de Septembro de 1877.- Ilmo. Exmo. Snr. Governador do Districto

(assinados) João Loforte, Prezidente da Câmara - Frederico Leal de Souza, Vice-Presindente - Joaquim Augusto Guima­rães, António Pascoal Pinto e Egas Corrêa Mascarenhas Arouca."


Como se constata, era presidente da Câ­mara, João Loforte, que generosamente ofertara "quarenta barcadas de pedra e o transporte de toda a pedra preciza para o completo d'huma das muralhas do Forte", uns tantos anos atrás. Infelizmente, o pedido foi deferido, pelo Gover­nador Geral, conforme se verifica pelo seguinte ofício:

""Ilmo. Snr.

Tendo V. Sra pedido para que lhe fosse concedida a pedra do Forte de Sam João da Boa Vista, para o empedramento das ruas desta, cumpre-me participar-lhe que por determinação de Sua Exa o Governador Geral pode V. Sra. utilisar-se da mesma pedra para o indicado fim — Deus Guarde a V. Sra. — Secretaria do Go­verno do Districto de Inhambane, 21 de Janeiro de 1878 (assignado) o Governador António Maria Cardoso — Tenente d'Armada."


E assim desapareceu algo que hoje seria uma relíquia nesta linda terra de Inhambane.


Pesquisado na revista “Documenta”, Nr 4 – Moçambique – 1968 - Dr. Armando Maria Dionísio


Julho/2016

FGA-2OUT15.jpg

Francisco Gomes de Amorim

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