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A bem da Nação

A CONTROVÉRSIA COM O HERBICIDA GLIFOSATO

 

 

Glifosato.jpg

 

Comissão Europeia prolongou o uso do glifosato sem a legitimação dos Estados da UE

 

Depois de muita controvérsia a Comissão Europeia acaba de prolongar a permissão do emprego do Glifosato na agricultura por mais 18 meses embora na votação em Bruxelas não fosse alcançada a maioria necessária. Fê-lo, sem a legitimação dos Estados da UE, um dia antes (29.06) de terminar o prazo para o prolongamento, apesar das objecções contra vindas da Alemanha e de instituições civis como Greenpeace. No termo deste prolongamento pretende-se que a Agência Echo apresente uma avaliação sobre as probabilidades do herbicida ser um produto cancerígeno e então a Comissão decidirá de novo sobre a sorte do Glifosato.

 

De facto a ciência consegue provar resíduos mínimos de pesticidas na alimentação e até na urina das pessoas já registam os vestígios. Glifosato, herbicida da Monsanto já é usado desde há 40 anos. Apesar disso os estudos sobre o assunto são controversos e segundo dados de certas investigações, não são conhecidos casos clínicos devidos ao consumo de produtos provindos de cereais tratados com o herbicida embora se comprovem resíduos de Glifosato nos cereais. Nesta discussão pública, como noutras, uns jogam com a saúde do consumidor dado estarem interessados no lucro, outros capitalizam o medo; o que mais me preocupa é o radicalismo de posições extremas.

 

Em causa estão duas posições contrárias: a dos adversários do uso de Glifosato, os defensores da biodiversidade do meio ambiente e da saúde e de uma agricultura menos extensiva e a posição dos defensores do emprego do herbicida para poderem ter o controlo químico sobre a natureza e deste modo poderem produzir mais e, como afirmam, darem resposta à crescente necessidade de alimentação numa sociedade mundial a aumentar.

 

O herbicida Glifosato, produzido pela Monsanto (USA) é prejudicial à saúde de pessoas, animais e ambiente, segundo provam estudos feitos nos USA. Outros estudos consideram-no de baixo risco ambiental e toxicológico ou até irrelevante se empregue conforme as normas.

 

Em questões controversas torna-se difícil obter-se dados científicos certos que satisfaçam todos porque em assuntos de economia e de ideologia, geralmente, há resultados científicos diferentes e até contraditórios. O resultado dos dados científicos está, muitas vezes, dependente de grupos e organizações de interesses que subvencionam e encomendam os estudos e investigações.

 

Importante seria o emprego racional da química na natureza, tal como se faz com os químicos que tomamos como medicamentos. Trata-se de proteger as plantas alimentares; o emprego de produtos químicos é como o do consumo de ideologias, quando empregues em demasia, provocam sempre efeitos colaterais. Como em tudo o problema estará no abuso.

 

Seria importante ver como reage Glifosato em combinação com medicamentos, resíduos de pesticidas e hormonas químicas no corpo humano. Geralmente só se fala do Glifosato como cancerígeno.

 

A medida da virtude está no meio-termo como já nos advertia o nosso filósofo Aristóteles no século IV antes de Cristo.

 

Para quem não é especialista torna-se difícil avistar a realidade através da floresta dos diferentes interesses de organizações sejam elas Monsanto ou Greenpeace, por vezes, cada uma atirando para além do alvo. Também é de considerar que, se há séculos houvesse tanta oposição ao desenvolvimento técnico ainda hoje teríamos as fomes da Idade Média e uma média de idade de 50 anos, quando hoje a esperança de vida, na Europa, já ronda os  80, apesar de tanto veneno.

 

Outrora algumas organizações também advertiam, e com razão, contra o uso do inseticida DDT que era realmente muito prejudicial à saúde, razão pela qual foi proibido o seu emprego na Europa; o problema é que o dito qual chega à Europa através da importação de muitos chás e de temperos da Índia onde se encontram vestígios dele.

 

As quatro pulverizações anuais com o Glifosato tornam mais rentável e económica a produção a nível de mercado. Mas a saúde deveria ser a preocupação principal de especialistas e de políticos que decidem do seu emprego. É verdade que simplifica o trabalho no campo, aumenta a produção e poupa energia mas também destrói os pequenos lavradores, impede a biodiversidade e entra na cadeia alimentícia e nas águas subterrâneas, a nossa melhor reserva vital.

 

Conflitos entre relatos científicos, leis, aplicações e práticas demonstram a importância de orientar a atenção dos investigadores para importância do princípio da prevenção (“da precaução do desenvolvimento sustentável”) em todos os estudos; o princípio “melhor prevenir que remediar” contribuirá para maior segurança num mundo, de si inseguro, a viver no meio de incertezas também científicas numa mistura de medos racionais e irracionais que a dúvida provoca.

 

O mesmo se dá em torno da discussão dos transgénicos. Certo será que o risco humano não pode ser menosprezado em favor de interesses económicos nem negligenciar o trato da natureza, nem do consumidor.

É sabido que as paisagens floridas não são coisa para o Glifosato, pesticida grande inimigo da flora e da fauna.

 

A Comissão Europeia, com esta decisão de prolongamento, não contribui para a sua popularidade.

 

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António da Cunha Duarte Justo

 

(1) Bayer anda em negociações para assumir a Monsanto por 55 mil milhões de euros, mas Monsanto quer mais.

LOW-COSTS, O CÉU É O LIMITE!

 

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O notável sucesso das carreiras de aviação low-cost, tem vindo a alimentar outras iniciativas em variados âmbitos. Muitos dos oligopólios se desfazem, pois a competição leal é benéfica para o cidadão utilizador dos produtos/serviços. Ao mesmo tempo, a empresa prestadora se renova e se faz mais competitiva, adaptando-se à realidade.

 

Os monopólios, quaisquer que sejam as razões de existência, são um mal-gastar do dinheiro do contribuinte e um mau serviço à sociedade. Veja-se o que se passou com as carreiras de aviação aqui entre nós: ao haver uma só, com uma subsidiária insignificante, o preço de uma viagem doméstica ou para as cidades da vizinha Espanha era muito elevado. Agora, com o ‘céu aberto’ e com a EasyJet e Ryanair praticando preços baixos, elas enchem as aeronaves e têm lucros. Além disso, os voos são super-pontuais, como o utilizador gosta, longe dos atrasos da companhia incumbente, antes e depois de perder o monopólio, mesmo com voos mais caros.

 

O conceito lowcost está a migrar com rapidez para muitos mais setores. Com iniciativas bem lançadas, como da Über, Olá, Alibabá, Snapdeal, etc., já estão alguns operadores clássicos a clamar proteção; deveriam, em todos os setores procurar modernizar-se, para ganhar mais eficiência, para competir numa base justa e séria!

 

Uma iniciativa de saúde interessante surgiu, há 30 anos, com o nome de Aravind Eye Care System, no Sul da Índia, agora com 5 Hospitais em funcionamento, mais um em construção e outros três em projecto. Atendem mais de 1,7 milhões de pacientes, fazendo mais de 250.000 operações às cataratas, por ano. Apenas 40% dos pacientes paga a conta e os restantes 60%, por serem pobres, não pagam nada. Apesar de serem poucos a pagar os preços de mercado, a exploração do conjunto é superavitária. A entidade é muito eficiente, bem organizada, para evitar perdas de tempo do médico ou de outro pessoal. Enquanto cada médico faz aqui mais de 2.000 operações às cataratas por ano, a média dos hospitais da Índia é de 220, por faltar uma organização capaz, virada para a produtividade e qualidade.

 

Outra, de que recentemente se falou pelo seu alto valor na Bolsa de Mumbai, foi a Thyrocare, um laboratório de análises, incluindo as mais complexas à tiróide, com sede em Mumbai. Tem já 1.122 pontos de recolha de amostras para análises na Índia, Nepal, Bangladesh e Médio Oriente. Integra também uma grande rede de laboratórios de diagnóstico de saúde. Fundada por Velumani há vinte anos foi valorizada na Bolsa em $505 milhões, em 13 de Maio de 2016. Velumani é dono de 64% das ações, nasceu numa família paupérrima, próximo de Chennai e foi estudando com as bolsas de estudo que recebeu. Formou-se em química e depois de três anos num laboratório farmacêutico, que faliu, trabalhou como assistente de laboratório no BARC-Bhabha Atomic Research Centre, Mumbai, onde, a par do trabalho foi fazendo o mestrado e doutoramento (PhD) em bioquímica da tiróide. Após 14 anos sai da BARC para detetar problemas da tiroide. Começa com um laboratório em Mumbai, bem junto do Tata Memorial Hospital, dedicado ao cancro.

 

Como a Índia tem alta percentagem hipotiróidismo, sendo as mulheres mais vulneráveis, com complicações no período de gravidez e no perinatal. A deteção de tais problemas era demasiado baixa, pela pobreza reinante.

 

Velumani, definiu um modelo de negócio, com muitos laboratórios franquiados, para ter um mínimo de 25 testes diários à tiróide. As amostras são enviadas para o laboratório central ou 4 laboratórios regionais da Thyrocare, bem equipados. Cobra apenas 25% dos preços de mercado, para poder chegar aos mais pobres. As economias de escala, que resultam de um elevado número de testes diários, compensam o baixo preço cobrado. Foi acrescentando os diagnósticos de saúde, incluindo check ups médicos de prevenção, testes de sangue, da função pulmonar, etc. Mas 28% do total continuam a ser testes à tiróide.

 

Importa olhar à volta para os bons exemplos e aprender deles os procedimentos que façam reduzir custos, sem tocar na qualidade. Depois, atrair muitos que necessitam do serviço, para se tratarem dos seus males de forma a viabilizar o modelo de baixo custo. De facto, muitas são as situações que já provaram, nomeadamente a telefonia móvel na Índia, que a riqueza está na base da pirâmide…onde está o amplo estrato populacional, que só pode pagar preços reduzidos, apesar de necessitar dos mesmos serviços que os ricos. E é preciso tê-los em boa conta.

 

Eugénio Viassa Monteiro

Eugénio Viassa Monteiro

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