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A bem da Nação

CONSUMINDO OXIGÉNIO

 

Varrendo o chão já varrido.jpg

 

 

O que valemos para a Nação?

O que andamos por cá a fazer?

 

Dois modos de colocar a mesma questão por quem não gosta de ser um mero consumidor de oxigénio.

 

Certo dia, bem longínquo lá nos idos, ouvi um Fulano apregoar que já tinha trabalhado muito e que agora (então) era a vez de não fazer nada, de gozar a vida. Perguntado por outro espectador sobre qual a profissão que exercera, respondeu que a de «contínuo» numa Repartição Pública cumprindo-lhe permanecer sentado numa secretária a meio de um longo corredor.

 

Tive alguma dificuldade em suster o riso mas felizmente consegui manter um ar seráfico pois logo de seguida, na minha qualidade de contribuinte, me apeteceu insultá-lo. O que não fiz, claro!

 

Pelo modo como o Fulano se expressou, deu para entender que lhe cumpria estar sentado e que magnanimamente condescendia por vezes em fazer recados como por exemplo levar um ofício de uma para outra Secção da dita Repartição. Nada esclareceu sobre se lhe cumpria dar alguma informação a contribuinte que lha pedisse.

 

Fiquei convencido de que qualquer boneco de cera ao estilo dos do Museu de Madame Tussauds seria muito mais decorativo do que aquele Fulano, ficaria muito mais barato ao erário público e ninguém o veria espalitar os dentes depois do almoço. Com a vantagem ecológica acrescida de que não consumiria oxigénio.

 

Ou seja, já «no tempo da outra Senhora» se praticava o sub-emprego, o mesmo é dizer, se confundia locais de trabalho com asilos.

 

Quando a partir de certa altura o trabalho passou a ser constitucionalmente definido como um direito, a produtividade, a competitividade, a competência e o brio profissional entraram em processo degenerativo e concluíram o percurso em adiantado estado de moribundez.

 

A política soviética do pleno emprego é mais uma das mentiras que ao fim de 70 anos de permanentes práticas viciosas levaram a URSS à ruína. Nós, Portugal, também não resistimos a tanta mentira.

 

E quando o nível médio de instrução da população portuguesa deu provas estatísticas de grandes progressos, é oportuno perguntar: e que sabem esses jovens fazer?

 

Ponhamos a mão na consciência e olhemos em redor. Mas façamo-lo com cautela para não nos espetarmos nalguma farpa, nesses cursos que não passam de gatos a imitar lebres, nas passagens administrativas, nas licenciaturas por «mérito» curricular...

 

Mas os Papás e Mamãs que provavelmente passaram a vida activa sentados num corredor, acham que aos Fifis, tendo um canudo, tudo lhes é devido e que «eles», esses outros sempre distantes mas sempre na boca dos desbocados, é que têm a obrigação de lhes arranjar um emprego. Sim, um emprego; não um posto de trabalho!

 

E feito esse exame de consciência, digo aos reprovados que estão a tempo de corrigirem as mentiras em que se deixaram enrodilhar, saúdo os que passarem e a todos, redimidos e gloriosos, quero que sejam bem vindos à nova Pátria que urge erguer!

 

Eu, por mim falo: estou cheio de dúvidas quanto ao que a Pátria esteja a ganhar comigo para além dos pesados impostos que atempadamente pago. A minha consciência atazana-me relativamente ao meu actual dolce far niente. Sinto-me apenas um consumidor de oxigénio.

 

 

Henrique Salles da Fonseca

Henrique Salles da Fonseca

 

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