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A bem da Nação

QUE TEM GOA, QUE MAGOA?

Arquitectura típica de Goa.jpg

 

Que tem Goa, que magoa

meu coração português?...

(- Índia sonhada em Lisboa,

diz-me segredos de Goa,

diz-mos baixinho de vez...)

 

 Que Goa, que destoa

do mundo que à volta sei?...

(- Índia das noites à toa,..

canta-me a voz do Pessoa,

conta-me a volta do Rei...)

 

Que tem Goa, qu´inda ecoa

nas águas mortas do mar?

(- Índia, vem...moro em Lisboa...

deixei meus barcos em Goa,

preciso de navegar...)

 

Casimiro Ceivães

A PROPÓSITO DO ATAQUE AO GRUPO GAY

 

A DIFERENÇA É UMA COMPONENTE DE VIDA

E A CONSCIÊNCIA TAMBÉM

 

O massacre do Estado Islâmico (Daesh) na discoteca gay em Orlando mata 50 pessoas e deixa 53 feridas; neste acto barbárico revela-se o ódio das cavernas contra a civilização. Pessoas inocentes morrem pelo facto de fanáticos não suportarem o direito à diferença na sociedade. Falta o respeito pela vida e a consciência de que a vida tem em cada pessoa o seu rosto. A vida é o sorriso de Deus na natureza a florescer em cada pessoa e em cada planta. Cada pessoa só tem uma vida disponível que, embora integrada numa sociedade, é única e dela. Porquê tanto ódio contra o sorriso de Deus?

Tolerância?

Na folhagem da imprensa e nos meios virtuais, vêem-se muitos comentários que, embora condenando o morticínio de Orlando, também permanecem prisioneiros do espírito dualista que o motivou. Muitas opiniões são equacionadas a partir do posicionamento de dois extremos de uma mentalidade que parte do princípio de que, para se ser por alguém, tem de se ser contra outros. Por vezes as partes contraentes na criticada só se diferenciam por terem uma imagem de inimigo diferente. Na falta de capacidade integrativa permanecendo-se no demonizar ou no idolatrar; e isto acontece porque só se aceita o perfeito ideal e neste caso os gays são os maus e a religião são os bons ou para outros a religião é a má e os homossexuais são os bons.

Porque não interessa a capacidade de discernimento fica-se pela vaga tolerância que não chega a atingir os foros do respeito, numa atitude de opinião tipo salpicão onde tudo cabe devido à elasticidade da tripa da indiferença elevada ao grau de consciência de posição superior.

O respeito por cada pessoa pressupõe a aceitação de ela ser como é, comportando também o respeito pela pessoa ainda não nascida; a aceitação da pessoa também contempla o respeito pela decisão tomada por cada um, o que não implica a renúncia a uma ética fundamental do respeito pela vida em toda a sua forma de expressão.

Na realidade factual e virtual, as pessoas tratam o partido oposto com os mesmos critérios que usam para condenar aqueles que injustamente são agressivos contra os homossexuais. O que falta é o bom senso numa cultura diferenciada mas inclusiva.

Tanto as opiniões como os afectos e as relações das pessoas devem ser respeitados desde que não se expressem de forma violenta. Por outro lado cada pessoa tem o direito a sustentar a sua posição sem ter de deixar ver tudo reduzido à papa da tolerância que tem mais a ver com o direito e a justiça do que com o respeito e a convicção. Para encontrarmos respostas de sustentabilidade para o futuro será necessário observar melhor o princípio da diferenciação na natura e o princípio da consciencialização na cultura.

Maneira de estar de cunho católico

Observei que adversários anticatólicos por conveniência se aproveitam deste acontecimento para atacarem de forma destrutiva também o catolicismo esquecendo-se que o que atacam é a sua imagem de catolicismo. Na sociedade actual é moda a afirmação de uma dogmática orgulhosa “superior” baseada num relativismo que se afirma contra todas as doutrinas ou instituições que tenham um ponto de vista próprio. (Reservam para si o direito de opinião própria que negam à instituição!)

No cristianismo, seja ele católico ou protestante a última instância da moral é a consciência individual. Só a pessoa é soberana independentemente do que uma instituição pense, recomende ou regule. Esta atitude garante perenidade ao cristianismo, porque nela se manifesta a consciência cristã de que tudo o que não é pela pessoa humana está condenado a desaparecer, além da douta sentença de que quem anda com Deus nunca se encontra sozinho. Esta liberdade e soberania da pessoa não a ilibam de responsabilidade em relação à comunidade nem da comunidade em relação a ela.

O problema de todas as instituições grupos ou agrupamentos é deixar-se levar pela enxurrada da rotina do dia-a-dia, que geralmente serve o poder e o domínio do mais oportuno e violento, fixando-se em medidas mais pedagógicas e didácticas, deixando na sombra a profundidade da própria doutrina e filosofia que é mais abrangente mas que, também, numa sociedade massificada e de massas, geralmente, não é contemplada. A ética católica não se deixa reduzir a uma expressão ou contexto histórico nem tão-pouco ao espírito do tempo; ela é de cunho pessoal tendo em conta também a comunidade como lugar da realização da individualidade.

Por isso a ética de cunho cristão é processual orgânica e dinâmica não se podendo reduzir a uma formulação intelectual nem a um discurso do sim-não; ela é viva e a sua expressão é resumida no JC, o protótipo do Homem como passado, presente e futuro; com ele caminha toda a criação e todo o discurso no sentido do Alfa para o Omega.

A maior dificuldade vem do facto das diferentes posições e opiniões se expressarem de forma provocadora e violenta.

Incoerência no proselitismo e na provocação

Os contraentes das opiniões não são simples ao lidar uns com os outros fazendo uso, por vezes, do proselitismo e da provocação na arena pública ou publicada. Em vez de aproximação ou de argumentação recorre-se à repulsa do outro (para cada um o diferente é o outro) e à opinião formatada sem espaço para a argumentação. Não é saudável a atmosfera em que se vive dado minorias em sociedade tentarem humilhar a sociedade que lhes deu o ser e se comportarem como senhores da melhor verdade e como tendo o rei na barriga. Mas também a sociedade maioritária deveria reagir à provocações com maior serenidade como reagem os pais perante o filho adolescente que se revolta para se encontrar e definir a si mesmo.

O cúmulo da ingenuidade seria querer impor a própria forma de vida através da provocação e da violência. A parte mais fraca quando tenta impor a sua forma de vida através da provocação e da violência deveria ser consequente e pensar que se a razão se impõe pela violência então a razão estará do lado de quem tem mais força, legitimando deste modo a ditadura das maiorias.

Cada comunidade de interesses deveria naturalmente procurar ser reconhecida num convívio das comunidades cujo fim é, na complementaridade, o alcance da felicidade; nem o trunfo da força nem o do moralismo relativista são meios adequados como argumento. Uma sociedade relativista, da moral do politicamente correcto, tem-se afirmado à custa de uma estratégia de confusão dos argumentos e deste modo tem reduzido a capacidade crítica das massas. A decadência vive da ambivalência e do deita abaixo, por isso são consequentes na sua luta contra o monoteísmo e o organigrama estrutural de formas de vida tradicional. É chegada a hora em que não se deve tratar de combater um totalitarismo da exactidão abstracta com um totalitarismo dos relativismos ou vice-versa mas de personificar o dia integrando o passado e o presente num futuro que embora manque à esquerda e à direita não se torne torto.

Vivemos tropeçando em nós e no tempo

Vivemos num tempo narcisista que procura adquirir trunfos e viver da confusão e, como tal, grandes grupos da sociedade já não distinguem entre o público e o privado, entre o caótico e o ordenado, nem sequer o que é fundamental e o que é secundário: cada um quer fazer da sociedade o seu espelho e formatar a sociedade e as instituições à medida da sua opinião. Para isso exigem uma sociedade tão aberta que identifique a linha da sua demarcação com a fronteira do indivíduo.

O princípio da discriminação é inerente à capacidade do discernimento; o problema surge quando se fixa numa só anuência contra uma realidade que é processual e flui. Ao afirmarmos indiscriminadamente que uma geração é mais madura que a outra, que este ou aquele é que tem a culpa, já decidimos pela forma de discriminação negativa ou positiva, colocando-nos assim no tapete dos discriminadores (caso um momento processual do conceito se fixe em “preconceito” provocando uma sentença irreversível). O problema do jogo do empurra e a questionação da culpabilidade já foi mestralmente resolvido na resposta dada por Jesus aos espertos da sociedade que queriam ver uma mulher condenada por ter sido apanhada em falta flagrante contra a opinião dos doutores do saber e da lei: “Aquele que de entre vós está sem culpa seja o primeiro que atire a pedra contra ela” (Jo, 8, /), escreve no pó da realidade, o mestre.

O respeito pela vida leva a proteger as crianças da pedofilia e os não nascidos da morte prematura por aborto. É uma questão de atitude e de filosofia: o respeito e a admiração pela vida que compreende os excessos sem os aprovar. A ética não pode ser reduzida a valores limitados ao pragmatismo utilitário nem apenas à circunstância. Para lá de valores éticos de caracter racionalista e mecanicista há uma ética de responsabilidade criativa e orgânica. Não se trata aqui de estar de acordo ou em desacordo mas de nos encontrarmos todos no meio da vida com as suas inclinações e opções.

As inclinações e predisposições podem ser mórbidas (Freud) mas estas não devem ser aquelas que servem de orientação para a sociedade ou em nome da banheira da tolerância legitimar um relativismo superficial que igualiza todos os valores e deste modo não leve nenhum a sério, como se fosse possível em nome do intelecto negar o corpo e a massa cerebral ou como se se tivesse a impressão de ser tão intelectual ou espiritual e tão perfeito que pudesse afirmar-se sem o corpo, numa dimensão sem espaço nem tempo.

As pessoas confundem muitas vezes uma orientação sexual ou pessoal com uma opção. A opção é de caracter intelectual, de caracter mecanicista e artificial, geralmente estranha à vida que é orgânica. Uma sociedade demasiadamente demarcada pelo conceito de liberdade, que fomenta o individualismo absoluto, incorre na tentação de reduzir tudo a uma mera decisão de escolha como se a realidade fosse feita de sim ou não, ou de um momento só (visão momentânea) e não tivesse um caracter orgânico processual. A vida privada tem naturalmente uma outra abertura que não é possível viver totalmente no enquadramento social. Não é fácil manter a equilíbrio para se na ser vítima de uma ditadura da maioria nem da ditadura de minorias.

Tentativa de solução

É necessário um estado contínuo de presença, reflexão e análise das próprias ideias e opiniões, dado cada pessoa, cada geração, cada grupo precisar de um contexto ideário e de uma definição para poder dar expressão à própria existência e motivação (manifesta-se aqui a interferência ideal e orgânica da relação de identidade pessoal e da identidade comunitária ou social em que uma deve servir a outra). Geralmente o que se considera como normalidade não passa de uma visão rotineira e de aceitação do domínio do dia-a-dia e da vista curta e generalizadora de algo que é mais profundo e abrangente. O problema vem da implicação da relação entre indivíduo e grupo e da identificação da própria definição com a definição do grupo; muita agressividade vem dessa confusão que se expressa tanto no orgulho gay como no orgulho nacional. Entre o homo e o hétero está a objectividade da pluralidade e heterogeneidade da natureza. Na natureza porém coexiste pacificamente a regra e a excepção. O carvalho não se sente superior ao arbusto pelo facto de ter mais luz nem a faia se sente superior à floresta pelo facto de se sentir mais individuada em relação a ela.

O proselitismo e o exibicionismo, em voga, contra os valores da família, da nação e de Deus, embora não abdicando de se definir e identificar, rebela-se contra qualquer definição e identificação de forças de uma sociedade que consideram burguesa e querem ver destruídas. O problema das forças centrífugas de uma sociedade torna-se fatal quando estas, em vez de quererem corrigir exageros de uma moral, cultura ou religião demasiado centrípetas, optam pela sua destruição. Então a maioria sente-se provocada e reage também ela de maneira inadequada em vez de reconhecer que nela são necessárias tanto as forças centrípetas como as centrífugas. As energias centrífugas (progressistas) têm exagerado contra as forças centrípetas do passado. Por isso as energias centrípetas (conservadoras) reagem e se revelam de momento um pouco mais fortes. Sofre de contradição e de lógica quem quer, em nome do biótopo ideológico, destruir a ecologia cultural. O meio ambiente (população cultural) precisa da coexistência de diferentes biótopos humanos. Que seria da frase sem a palavra e que seria da frase sem o texto? Em nome da igualdade da palavra, da frase e do texto não podemos acabar com estes para reconhecermos só valor da letra!

As forças de resolução no caos são contra as forças ordenadoras na criação. Daí a necessidade de afirmadores e negadores se consciencializarem das forças que representam e que redemoinham no lago da própria existência e na realidade maior que é a Terra. Daí o problema de as forças primeiramente mencionadas se expressarem no budismo e no niilismo em voga e as forças ordenadoras se expressarem mais no cristianismo. A decadência é de inspiração relativista e como tal tenta conduzir uma cultura fértil ao Tohu-va-bohu (Jer 4,23) confundindo a realidade com a própria guerra, a verdade com o horizonte da sua vista (estado da confusão sem esperança em estado após uma guerra!). A tendência actual extremista que se expressa no islão na defesa do grupo contra o indivíduo nota-se o contrário no ocidente na luta do indivíduo por se definir contra o grupo; deste modo cai-se no vazio espiritual, como forma de liderança, na esperança de que a liberdade se identifique com a largura do deserto. Que cada um, no ocidente, lute pela própria definição e afirmação é totalmente legítimo e natural, mas obrigar a colectividade a ter de igualar a regra à excepção seria abdicar do pensamento honesto de desenvolvimento ordenado! A comunidade heterossexual deve viver em paz com os grupos homossexuais e estes com a heterossexual na aceitação da naturalidade de vida sem discriminar nem negar o direito natural à diferença mas estar consciente de que a diferença só tem expressão no grande bosque que é a sociedade e a cultura.

 

António Justo.jpg

António da Cunha Duarte Justo

Teólogo e pedagogo

 

BREXIT?

brexit.jpg

  

 

Pergunta - A Grã Bretanha vai sair da UE?

 

Resposta – Isso é o que havemos de ver.

 

Pergunta - Como assim? Então o referendo não decidiu pela saída?

 

Resposta – O referendo não é deliberativo; é apenas indicativo.

 

Pergunta – Então de quem é a decisão?

 

Resposta – Do Parlamento e, mais concretamente, da Câmara dos Comuns.

 

Pergunta – E o Parlamento não vai corresponder à indicação dada pelo referendo?

 

Resposta – Não faço a mais pequena ideia. O que se sabe é que há uma maioria parlamentar a favor do «stay». Como vai ser? Respeitam a maioria referendada ou seguem as suas próprias convicções com base no argumento de que o «stay» faz parte do seu próprio mandato como membros do Parlamento? Podem sempre argumentar que o «stay» estava implícito na sua candidatura, na sua eleição e que, portanto, lhes cumpre seguir essa via. Mas eles são britânicos e nós nem sempre somos capazes de lhes adivinhar os pensamentos.

 

Pergunta – Mas e agora o que se segue?

 

Resposta – Para sair, a Grã Bretanha terá que invocar o Artº 50º do Tratado de Lisboa mas não há um prazo para o fazer. O Governo britânico pode mesmo não ter pressa e ir deixando essa invocação lá para as bandas do além…

 

Pergunta – E quem vai suceder a Cameron?

 

Resposta – Isso é coisa que se vai saber em breve. Mas já há muita dança com voltas e voltinhas com uns a dizerem que avançam e outros a dizerem que recuam…

 

Pergunta – E a rainha, que diz?

 

Resposta – Que sim.

 

Pergunta – Que sim a quê?

 

Resposta – Ao que chegar ao fim da dança. À rainha não compete dizer nada que não seja «sim». Nem é sequer ela a redigir os discursos da Corôa. Isso é da competência do Primeiro Ministro e ela apenas os lê.

 

Pergunta – Então para que serve a rainha?

 

Resposta – Não digo!

 

Pergunta – Não diz?

 

Resposta – Não!

 

Pergunta – Posso saber porquê?

 

Resposta – Porque tenho amigos monárquicos e não me apetece entrar em discórdia com eles.

 

Pergunta – Posso depreender que acha que a rainha não serve para nada?

 

Resposta – A depreensão é sua, eu não fiz tal afirmação. Mas não me parece que essa seja uma matéria importante para a questão de que estamos a tratar. Deixemos Sua Majestade tranquila.

 

Pergunta – E a Escócia e a Irlanda do Norte que votaram inequivocamente pelo «stay»? Acha que se despegam da Inglaterra e de Gales?

 

Resposta – Sim, vejo essa contingência como plausível e atribuo-lhe uma relevância enorme pois o petróleo do Mar do Norte é escocês. Ou seja, vão-se os anéis, os dedos e tudo… Os ingleses correm o risco de ficarem pobres como já não são há muitos séculos.

 

Pergunta – E as Universidades não produzem massa cinzenta suficiente para a Inglaterra continuar a ser importante?

 

Resposta – É claro que sim. Mas quem vai financiar essas Universidades? Se houver uma drástica redução das receitas públicas inglesas relativamente às homólogas britânicas…

 

Pergunta – Acha que a mossa vai ser grande?

 

Resposta – Acho que a mossa pode ser tão grande que a viabilidade do Estado Restante possa ser questionável.

 

Pergunta – Qual o modelo de desenvolvimento necessário a uma Inglaterra abandonada?

 

Resposta – Aí está a grande vantagem que eles têm por poderem contar com muita massa cinzenta. Isso permitir-lhes-á pensarem e decidirem sem ficarem à espera que outros pensem por eles. Só espero que este referendo lhes tenha servido de lição e que os demagogos sejam postos nos respectivos lugares.

 

Pergunta – E se o Governo britânico não invocar o Artº 50º do Tratado de Lisboa em tempo útil?

 

https://www.facebook.com/TheIndependentOnline/videos/10153765149496636/

 

Resposta – Fica o BREXIT sem efeitos práticos mas fica sobretudo o susto por que a UE passou e a necessidade imperiosa de se auto-reformular.

A UE não pode continuar a ser mais comandada por não-eleitos e por burocratas. É fundamental fazer depender os decisores dos eleitores numa escala muito mais evidente do que acontece actualmente. Se isso não acontecer, a UE virá a ser considerada apenas uma pseudo-democracia. É claro que não espero (nem desejo) que se copie o estilo suíço com referendos por dá cá aquela palha mas não podemos esquecer que os eleitores europeus respondem quase sempre negativamente quando são perguntados por isto ou por aquilo para se vingarem dos omnipotentes sábios que tudo decidem sem lhes passar cartão. Mais: a globalização dentro da UE já levou tanta gente à desgraça que o eleitor acaba por se voltar contra o «mercado único» e querer voltar à sua «quintarola privada». É para mim evidente que os europeístas tomaram o freio nos dentes e terão agora que moderar o passo. Se o não fizerem, arriscam tudo. A UE corre o perigo de desmoronamento se não se humanizar, se continuar a levar tudo pela frente como tem acontecido a torto e a direito.

O europeus já deram provas democráticas mais do que suficientes de que não querem continuar nas mãos de burocratas autocratas. Este referendo que determinou o sentido do BREXIT, foi apenas a mais recente dessas provas.

E só para acabar, no meio deste sarilho todo, está previsto que a UE seja presidida no primeiro semestre de 2017 pela… Grã Bretanha.

Vou-me fartar de rir sem achar grande piada ao ensarilhado de tudo isto. Será então a Grã Bretanha a presidir às negociações do seu próprio afastamento da UE? Será, pelo menos, curioso para não dizer kafkiano ou simplesmente absurdo. Apenas mais um absurdo.

 

Pergunta – E Portugal? Acha que deve sair?

 

Resposta – Fui muito céptico aquando do Tratado de Maastricht e todos sabemos que, tanto por opção interna como da UE, deixámos cair a produção da maior parte dos bens transaccionáveis com o argumento balofo de que não éramos competitivos. E nos serviços salvou-se o turismo apenas. É claro que se não éramos competitivos, tínhamos que pugnar pela competitividade do tecido empresarial em vez de lhe decretarmos eutanásias selectivas. O que foi feito a troco das ajudas estruturais, não foi suficiente para a cabal salvaguarda dos interesses de quem tinha que responder por uma crescente dívida externa. Mas, agora, creio que, uma vez feito o mal, seria muito pior a saída do que já foi a entrada. Temos que nos viabilizar, não temos alternativa ao regresso à produção de bens e serviços transaccionáveis, em especial nos bens alimentares. Mas para isso é necessário garantirmos a transparência dos mercados e promovermos a racionalidade no método de formação dos preços.

Só que eu ando há imenso tempo a pugnar por isto e os Serviços do Ministério da Agricultura ou fazem de conta que eu nada digo ou, como no sector das pescas, houve quem dissesse que como está é que é bom. Sim, é bom para a Procura porque para a Oferta é terrível e enquanto esta situação perdurar, nunca teremos produção e a importação será uma fatalidade. Quem comanda a política alimentar em Portugal? A Procura. Por outras palavras, o Comércio. E está bem de ver que os socialistas insistem no erro de que o consumo é motor do desenvolvimento num país de produção insuficiente e nós, os não socialistas, sabemos que a produção só é viável com preços logicamente formados em mercados transparentes. Também nunca consegui fazer os responsáveis privados pela agricultura perceberem isto.

 

Pergunta – Quem são os responsáveis privados da agricultura?

 

Resposta – A CAP. Portanto, em síntese, os grandes problemas do nosso desenvolvimento resolvem-se cá dentro mas só temos a beneficiar se pudermos contar com mercados bem maiores do que o doméstico. Ou seja, façamos o trabalho de casa mas não abandonemos a UE.

 

Pergunta – E o que dizem os Partidos da «coligação espúria»?

 

Resposta – Os socialistas dizem que o consumo é que é bom; o «tio» Jerónimo que diga o que quiser pois mais não fará do que se enganar a si próprio e a quem nele acredite; quanto à «Kika», ela que vá aprender alguma coisita de economia e de história e conversamos depois… Teatro já tínhamos que bastasse, não precisamos de mais.

 

Julho de 2016

 

Henrique na piscina das mulheres em Anuradhapura,

Henrique Salles da Fonseca

(em Polonaruva, Sri Lanka, ex-Império Britânico, NOV15)

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