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A bem da Nação

UM REFERENDO E A FALÊNCIA DOS PARTIDOS TRADICIONAIS

 

DESVIRTUAMENTO DO PODER QUE EMANA DO POVO.jpg

 

O referendo que ocorreu no Reino Unido, mais provavelmente ex-Reino Unido, veio trazer ao de cima o que já se ia apercebendo estar a acontecer no interior dos partidos políticos que nestas últimas décadas detinham o poder na maioria dos países europeus.

 

Com efeito os dois principais partidos do Reino Unido mostraram claramente não só estarem no seu interior desligados entre as chefias e as estruturas como talvez ainda pior desligados do seu eleitorado e isto se na verdade ainda o têm. O que significa na prática uma autêntica falência política em toda a linha.

 

No entanto isto não é maleita apenas inglesa.

 

A própria União Europeia está nesta mesma linha de actuação: afastamento crescente entre eleitores e eleitos e desenvolvimento de centros de decisão não eleitos, portanto democraticamente a eliminar.

 

Por outro lado em vários países europeus, não todos mas quase, tem sido claro não só esse afastamento da população em relação aos detentores do poder mas também estes serem mais ativos a beneficiar os seus partidários do que a defender os interesses essenciais dos seus países como seja a sua independência e o seu futuro.

 

Portanto só vejo duas hipóteses de solução: esses partidos reestruturarem-se para poderem depois reestruturarem o país ou surgirem novos partidos que não cometam os mesmos erros e sejam capazes de governar de forma a aumentar a riqueza do país e da sua população para o que é indispensável saberem dinamizar os trabalhadores e o capital produtivo (que é forçoso distinguir do especulativo que tem de ser controlado ou eliminado) pois sem esse conjunto de trabalho e capital bem sintonizado, e um Estado bem governado, não sairemos desta apagada e vil tristeza de crise.

 

Lisboa, 28 de Junho de 2016

Eng. J.C. Gonçalves Viana

José Carlos Gonçalves Viana

NOTAS SONORAS

 

 

Nem todas as notas são musicais. Há-as de Banco, de rodapé, etc.

 

Som, qualquer som? Não! Nem todo o som é correcto no momento certo. Nem na música nem na conversa.

 

Mas se há curiosidades como essa de um bemol poder ter exactamente o mesmo som que um sustenido, isso não significa que se possam escrever indistintamente. Também na língua francesa é muito difícil distinguir um «an» de um «en» no som de inúmeras palavras. E há mesmo quem se aplique a pronunciar o «in» como se fosse «en» ou «an».

 

Foi o caso que há tempos aprendi na Antena 2 pela voz do compositor Pedro Amaral que se dedicou a explicar a Sinfonia Fantástica de Hector Berlioz e em que a certa altura disse que o compositor se inspirou em diversas cenas campestres para imaginar a dita sinfonia. Por exemplo, o andamento tal (já não recordo qual) foi inspirado numa cena a que ele assistiu em que dois pastores conversavam «pendant le rancer des vaches». Acabo de escrever da forma correspondente à exacta pronúncia que ouvi. Julgando eu que era fluente em francês, logo me apressei num acto de contrição reconhecendo a minha enorme ignorância e necessidade de continuar a aprender...

 

Chegado a casa (ouço rádio enquanto conduzo), fui de imediato à procura de esclarecer o que as vacas teriam estado a fazer. Servi-me do dicionário que usei desde sempre e recorri também ao tradutor do Google.

 

«Rancer» – é verbo que não existe, pura e simplesmente;

«Rance» – corresponde a ranço e não estou a ver como tal coisa poderia atacar as vacas vivas e inspirar uma sinfonia que é mesmo fantástica;

«Rencer» – é verbo que também não existe;

«Rence» – não existe tal palavra.

 

Até que me restou o «rince» e o «rinçage» como enxaguar.

 

Ruisseau-vaches.jpg

 

Finalmente, deu para imaginar que os pastores conversavam enquanto tinham as vacas dentro do riacho, a enxaguar. Essa, sim, uma cena que pode inspirar um artista por muito prosaico que seja lavar o estrume colado à pele dos animais.

 

Só que o «in», o «en» e o «an» não são como o sustenido e o bemol: correspondem a sons diferentes, por mais subtis que sejam essas diferenças e um compositor como Pedro Amaral não deve confundir sons. Trata-se, afinal, da sua profissão (creio mesmo que inspiração).

 

Esclarecido o cenário, voltei a ouvir da capo al fine a Sinfonia Fantástica de Berlioz na gravação que possuo e confesso que nos cinco andamentos da obra não vislumbrei qualquer cornúpeto, quer sujo quer enxaguado.

 

Os artistas são mesmo... uns artistas.

 

Henrique Salles da Fonseca

Henrique Salles da Fonseca

(no Jardim da Estrela, Lisboa, com o «Caramelo»)

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