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A bem da Nação

O TEMPO E O SEU MODO

 

 

Guilhermina Suggia, a grande violoncelista que encheu Pablo Casals, seu marido, de inveja por não ter tanto sucesso artístico como ela, nasceu no Porto em 27 de Junho de 1885 e faleceu na mesma cidade em 30 de Julho de 1950. Viveu 65 anos e faria hoje 131 anos se essa fosse uma idade comum.

 

A particularidade da efeméride é que ela fez 60 anos no dia em que eu nasci e eu fiz 50 anos no dia em que o meu amigo Tomás Bernardo nasceu e que hoje faz 21 anos.

 

Tomás Bernanrdo.jpg

 

Dá a impressão que o tempo foi elástico entre a célebre violoncelista e este promissor jovem estudante de engenharia, meu companheiro de equitações.

 

Mas não, o tempo não é elástico, o que varia é o modo e nós somos apenas testemunhas empenhadas do seu andamento.

 

Continuemos...

 

27 de Junho de 2016

 

Chefe índio 2.JPG

Henrique Salles da Fonseca

(no Amazonas, Março de 2016)

MENTES BRILHANTES

 

 

Foi na instrução primária que tive professoras de alto nível diplomático. Diziam que certos dos meus colegas eram inteligentes e que eu era trabalhador. Eis por que me habituei desde a infância aos eufemismos que os sábios usavam para me chamarem burro. Mas foi também logo nessas idades que não me deixei abater talvez já conformado com a realidade e com o princípio que mais tarde aprenderia que diz que contra factos não há argumentos.

 

E como a inteligência é relativa tanto no espaço como no tempo e muito resultante dos trabalhos que fortalecem ou enfraquecem a rede de sinapses com que cada um nasce, aí estive eu a trabalhar o suficiente para nunca ter perdido um ano desde as primeiras letras até à conclusão da licenciatura.

 

Ciente de que possuía alguma capito deminutia, eis-me a fazer uma coisa de cada vez para que todas as sinapses se dedicassem apenas a um tema, sem dispersão que pudesse levar a que o sistema gripasse. Desenvolvi, pois, a capacidade de concentração e ao longo da vida tenho encontrado mentes brilhantes que quando estão a fazer uma coisa já estão a pensar noutra nunca chegando a rematar à baliza e muito menos a meter golo. Fazer uma coisa de cada vez não obsta que se faça uma aproximação holística ao tema. O meu método é, pois, inspirado no provérbio italiano que diz que «chi va piano va sano e va lontano».

 

Ainda tentei fazer 10 coisas ao mesmo tempo aprendendo a tocar piano mas acabei com a experiência para salvaguardar a serenidade da vizinhança.

 

Já lá vão 71 anos, acho que tenho feito bem e tenciono assim continuar durante esta segunda série de 70.

 

Primavera árabe.jpg

 

Um dos temas que mereceu a minha atenção durante estes últimos anos foi a chamada «Primavera árabe» e foi com algum receio que fui ouvindo as opiniões dessas mentes brilhantes espalhadas por tudo quanto é televisão europeia e americana. Se os factos já me davam motivos para recear as consequências, as opiniões desses iluminados deixavam-me estarrecido.

 

Estava-se mesmo a ver que não era Primavera nenhuma e que o derrube dos ditadores iria descambar na tomada do Poder pelas forças mais conservadoras do Islão. E aí está a débâcle do Norte de África e do Médio Oriente a dar-me razão.

 

Tudo se resume a um ditame: derrube de Estados laicos para instauração de hierocracias fundamentalistas.

 

Entretanto, acho que é o Putin que está certo e os EUA que estão errados na Síria e por aí fora...

 

E que fazer perante a invasão muçulmana da Europa?

 

Mas as mentes brilhantes dizem que assim é que está certo e eu fico-me pela minha burrice. Haja saúde!

 

Henrique em Marrakesh.jpg

Henrique Salles da Fonseca

(em Marrakesh, 2006)

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