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A bem da Nação

CETA – AVISO DE BERLIM A BRUXELAS

 

CETA_2014.png

 

O Governo alemão acaba de avisar Bruxelas que o acordo comercial CETA com o Canadá não poderá ser aplicado na Alemanha sem a aprovação do Parlamento alemão e do Conselho Federal.

 

Este é um aviso às instituições da UE e aos lóbis de Bruxelas de que a democracia também tem uma palavra a dizer num negócio que não deveria ser feito à margem dos parlamentos de países europeus em que os governantes respeitam o parlamento e o cidadão.

 

O Governo alemão vê-se obrigado a intervir porque o povo tem feito muita pressão.

 

ACDJ-Prof. Justo-2.jpg

António da Cunha Duarte Justo

BREXIT – 2

 brexit.jpg

 

Primeiro uma referência à Noruega: o maior produtor de petróleo do chamado “Ocidente”, tem conduzido de forma admirável os excedentes financeiros dessa exploração, para investimentos que assegurem, no futuro, a continuação do nível de vida, impecável, que hoje usufruem os noruegueses. Nada de espaventos arábicos ou idiotas dos venezuelanos. O maior investidor mundial, tem aplicado dinheiro em largas dezenas de países, jamais ultrapassando 5% do capital das empresas onde aplica, diversificando ao máximo e garantindo que se uma ou outra empresa falir a Noruega não vai sentir.

 

David Cameron apostou tudo num idiota referendo, colocou os ovos todos no mesmo cesto, orgulhoso e “seguro”, não soube conduzir a opinião pública e... dançou!

 

Não parece ter sido muito difícil derrubar a imbecilidade de slogans do “out” como “Give us our country back”, como se alguma vez o Reino Unido tivesse perdido a sua TOTAL independência. Não entraram no Euro, não alinharam no Schengen, não aceitaram lutar contra paraísos fiscais e se não gostavam muito das directrizes de Bruxelas, o que estavam lá a fazer 2.000 funcionários?

 

Boris bramava que a UE custava £ 400 milhões por semana, o que é mentira. Mandavam cerca de 350 e recebiam de volta 200, e tinham 2.000 funcionários, regiamente pagos, não pelo UK mas pela EU. O malandro do Boris, e seus correligionários usaram e abusaram disso, e ninguém os desmentiu. O que era de esperar?

 

Razão teve o Putin em dizer, há já quase duas semanas, que tinha sido a maior burrada do Sr. Cameron. E foi.

 

Quem ficou a ganhar com esta saída da UE? Todos os outros blocos económicos do mundo, sobretudo China e América do Norte, não esquecendo a Rússia, agora com a obsessão de reconstruir o Império Soviético e adorando ver a Europa se enfraquecer (vidé Ucrânia) e até o imbecil Donald Trump que vai dizer nos EUA que até os ingleses não querem mais imigrantes!

 

Quem votou no “out”? A velharia inglesa apavorada com os “imigrantes”! Teria votado na Rainha Vitória ou no Henrique VIII do mesmo modo, recordando os “bons velhos tempos” em que os marajás beijavam a mão do governador da Índia, ou quando morreu o rei Jorge VI, o futuro Eduardo VII estava de visita ao Quénia, recebeu o telegrama a avisar da morte do pai e que regressasse imediatamente a Londres. Eduard não regressou logo. Quis ficar mais uma noite porque sabia que nessa noite ia “comer a mulher do governador”. Comeu e quando chegou a Londres o velho rei já estava em baixo da terra. Esta é a Inglaterra que votou no “out”. Querem continuar com o seu snob “five ó clock tea”, e o futuro, como não será deles... que se lixe.

 

Quem saiu prejudicado? Os jovens que sabem que o futuro está inexoravelmente ligado à Europa, mesmo com o exemplo desastroso e infeliz que tem sido até hoje a condução super burocratizada do Parlamento Europeu.

 

Se em vez de implodir a Europa este BREXIT for bem mastigado por todos os países membros, pode ser que a Europa saia fortalecida.

 

Terá que reduzir o custo do Conselho e do Parlamento em 50% ou mais, para ver se alguma eficiência pode vir a ter, terá que bater o pé à sra. Adolph H. Merkel e sua fobia de conquistar a Europa esmagando os pequenos, terá que consertar a livre circulação de mercadorias, conscientes de que a França tem custos altíssimos nos produtos alimentares, mas que país nenhum pode depender de importação para comer – como é o caso de Portugal desde pelo menos... sempre – continuar a luta contra os paraísos fiscais, dos quais a Inglaterra é um carro chefe, e etc., além de inúmeros etcs., e tentar resolver o programa da invasão dos refugiados que já fez mais de 10.000 mortes por afogamento, entre estas mais de 2.000 crianças.

 

A sensação que fica é que o “glorioso” Reino Unido, depois de dominar o mundo, desde a China às Américas e África, demonstrou agora uma falta de raciocínio e bom senso, dignos de imberbes mentecaptos.

 

E é pena.

 

25/06/2016

 

FGA-2OUT15.jpg

Francisco Gomes de Amorim

VIVA A TROPA!!!

 

Tropas portuguesas em parada.jpg

 

São historietas de que me lembro, as que me fazem bradar o título ali em cima.

 

  1. Os meus avós tinham na Beira Alta uns vizinhos que não paravam de ter filhos – uns dos quais iam nascendo mortos e outros exalavam o supremo suspiro pouco depois dos primeiros vagidos – pelo que era uma vitória cada um que vingava.

 

Quando, dos vivos, o mais velho deu o nome para a tropa, logo todos se apressaram a convencê-lo a calçar alguma coisa. Começou por umas botifarras largueironas – que dariam para um gigante muito maior que ele – onde mal lhe cabiam os dedos esparramados e foi vê-lo coxo a toda a hora, sentado as mais das vezes, a dar largas aos horrores de tanto martírio... e o meu avô lá o ia animando com palavras de encorajamento e botas menos agigantadas para que ele, assentando praça, pudesse então calçar botas da Ordem. E de cada vez que ia com o meu avô à feira comprar botas menos anormais, lá vinha ele sentado sobre um carro de bois a gemer a sua desgraça. E é que nem pensar em vir a pé os três quilómetros da feira até casa. Mas no dia seguinte, entre plangências e palavras horríveis a condizer, lá ele se ia habituando à tarefa de juntar os dedos que sempre tinham andado apartados à moda dos palmípedes.

 

Passado o negrume de tanta dor, chegou o dia de assentar praça, foram muitos que acompanharam os mancebos da terra à estação do comboio e fez-se grande escuridão de notícias. Breu completo, houve quem mandasse rezar missas pelos jovens da terra de quem nada se sabia.

 

Até que o nosso militar escreveu uma carta a dar prova de vida daquele género «Espero que esta vos encontre bem que eu por cá nunca pior...». E certa vez a carta dizia que iria para Angola embarcando no navio “Não Sei Quê” e por aí fora como mandava o Movimento Nacional Feminino «e adeus, até ao meu regresso».

 

Foi cerca de dois anos depois que o nosso homem voltou de Angola, foi desmobilizado, passado à «peluda» e regressou a casa.

 

Ileso, habituado a três refeições diárias completas, a cama limpa e a hábitos de higiene, ei-lo completamente desadaptado à vida que veio reencontrar de refeições aleatórias, enxerga fétida e descargas fisiológicas a trás das moitas.

 

O homem não queria de modo nenhum regressar à vida do bicho bravo de antigamente e a primeira coisa que fez, antes da primeira noite depois do regresso, foi pedir ao meu avô se o deixava dormir no quarto dos fundos da escada de serviço, ali ao lado da porta da adega. A resposta imediata foi positiva e a vida retomou um ritmo sem toques de clarim mas de grandes inovações para o obscurantismo até então vulgar.

 

Esta leva de soldados restituídos à terra que os vira nascer fez com que a autarquia se visse na obrigação de fazer algo parecido com «banhos públicos» na sede do Concelho, iniciasse as prospecções necessárias ao fornecimento de água potável a todas as sedes de Freguesia, promovesse a iluminação (esparsa) das estradas municipais e, consequentemente, fizesse chegar a electricidade a locais que até aí viviam como no tempo dos moiros.

E porquê? Porque a tropa educara os embrutecidos que, entre grunhidos de resmungo, tinham um dia assentado praça, fizera deles pessoas normais e lhes dera novos horizontes geográficos e civilizacionais.

 

 

  1. O meu primo sempre achara que era muito melhor ir para a praia e fazer ginástica do que queimar as pestanas a estudar as chatíssimas matérias que lhe impingiam no Liceu.

 

Atlético e praticante de luta livre, foi Sargento miliciano em Angola. Relativamente pouco o tempo que esteve numa unidade operacional algures «no mato» daí transitando para uma qualquer unidade em Luanda onde deu aulas de educação física a militares e, nas horas vagas, a civis.

 

Ileso, adorou estar em Angola mas quando lhe perguntei qual fora a missão que lá desenvolvera, deixou-me espantado quando me disse que se dedicara a domar selvagens.

 

Como assim?

 

Que eu não imaginava o que era a selvajaria dos soldados (nomeadamente dos brancos) à mesa no refeitório e o que era a falta de ética na luta livre que ensinava a militares, civis, brancos, pretos e mistos.

 

Então, passou a dar o exemplo à mesa no refeitório militar para que o vissem direito e não debruçado com o queixo dentro do prato, comer com colher, garfo e faca e nas aulas de ginástica, a sua preocupação foi, mais do que os truques e golpes de mestre, a de inculcar a ética cavalheira naquelas cabeças frequentemente estouvadas e por vezes até vingativas. Sim, terá sido muito frutificante domar selvagens.

 

Conseguiu?

 

Talvez o homem da primeira história lhe tenha passado pelo refeitório mas não consta que tivesse feito ginástica.

 

26 de Junho de 2016

 

Henrique sem bigode-1970.jpg

Henrique Salles da Fonseca

(1970, antes do bigode)

 

 

 

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