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A bem da Nação

BREXIT

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SEM A GRÃ-BRETANHA A UNIÃO EUROPEIA FICARIA ENTREGUE AOS NACIONALISMOS

A Influência de Organizações não-governamentais ganharia mais força

 

Quinta-feira os britânicos decidem, através de referendo, sobre a saída ou permanência da Grã-Bretanha na União Europeia.

 

A Alemanha tem sido a grande aliada do Reino Unido no palco da UE. Em conjunto forçavam a economia livre e da concorrência remando contra o nacionalismo francês. Por vezes seguiam ao sabor de uma “política real” segundo o princípio os fins justificam os meios!

 

O Reino Unido movido por intenções nacionalistas pretende defender os rostos nacionais na UE; como grande potência tem conseguido para si regalias especiais perante a UE mas mesmo assim os britânicos estão descontentes. Uma potência tem sempre possibilidade de condicionar os outros parceiros. Mas se a Grã-Bretanha saísse da UE o nacionalismo de Estado da França teria mais facilidade de se impor à Europa porque a Alemanha ficaria mais isolada na defesa de interesses e estratégias nórdicas. Dar-se-ia um deslocamento de influências em direcção do sul.

 

No que respeita ao desenvolvimento da filosofia de Estado na Europa penso que se daria um atraso. A Crença de Estado francesa afirmar-se-ia então, sem grande concorrência, e influenciaria mais ainda os Estados periféricos latinos. O eixo da influência Alemanha-França acentuar-se-ia. A Europa tem-se encontrado, até agora, a ser influenciada pelos estados nórdicos na sua maneira de fazer economia e política.

 

Com o Brexit as crises aumentariam e a fúria legislativa da oligarquia de Bruxelas que era limitada pela Inglaterra e Alemanha passaria então a interferir mais na sociedade e na cultura. A nível de legislação na UE, a Influência da economia nórdica arrefeceria um pouco e aumentaria a influência de organizações não-governamentais que querem ver tudo mais regulamentado. A influência dos Verdes e a ideologia do género ganhariam mais força.

 

O Euro desvalorizaria e as economias dos restantes estados europeus sofreriam arrombamentos. A economia alemã não sofreria grande coisa porque a desvalorização do Euro seria compensada com as suas exportações; talvez sofresse um pouco na indústria automóvel.

 

Há uma certa insegurança nas empresas porque não se sabe que regras de cooperação surgiram até 2020, data de conclusão do Brexit. As empresas teriam de negociar de novo os contratos. A Alemanha e os britânicos arranjar-se-iam. O resfriamento da economia europeia enfraqueceria, mais os outros estados que a Alemanha. Esta, ordenada e disciplinada é demasiado forte pelo que não sofreria muito com qualquer eventualidade. O mundo das finanças tem andado apavorado, mas depois do atentado na Grã-Bretanha o grupo favorito em favor do Exit sofreu uma diminuição significativa passando para apenas 35%; isto provocou euforia no DAX. O Brexit provocaria muito desemprego especialmente com a saída de empresas dos países parceiros.

 

Um perigo grande para a UE seria se Bruxelas, para compensar os 56 milhões de consumidores britânicos, abrisse as portas à Turquia na qualidade de seu membro. As regiões periféricas iriam sentir ainda mais a concorrência da nova nação que passaria a ser mais populosa no grupo da UE.

 

Os britânicos estão fartos da demasiada regulamentação e não conformes com uma política de portas abertas para refugiados e queriam, neste referendo, mostrar o seu descontentamento.

 

David Cameron jogou com a democracia indo à pesca de eleitores quando fez a promessa do referendo. Agora sente-se em maus lençóis temendo o resultado do Brexit. O assassínio da deputada trabalhista Jo Cox, defensora da permanência do Reino Unido na União Europeia, provocou uma mudança radical nas perspectivas de voto vindo ajudar os defensores da continuidade na EU movendo também parte do eleitorado britânico que doutro modo ficaria em casa.

 

O Reino Unido só entrou em 1973 para o projecto da UE começado em 1958 como a Comunidade Económica do comércio livre e da livre circulação de pessoas.

 

A UE tem razão para temer a saída, por isso se empenha tanto em convencer os britânicos da derrocada que também significaria para eles uma tal decisão.

 

O crescente nacionalismo europeu, caso a Grã-Bretanha saísse receberia um grande impulso devido às forças anti UE que vêem os interesses nacionais mais bem defendidos fora da UE.

 

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António da Cunha Duarte Justo

IDEOLOGIA

 

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Perguntado sobre se a ideologia melhora ou piora o homem, sou levado a responder que melhora na medida em que dá um sentido à vida e que piora se se transforma numa alienação.

 

A ser verdade que «cada cabeça, sua sentença» e que «da discussão nasce a luz», então a ideologia serve de trave mestra na definição de parâmetros que enquadrem a discussão evitando derivas extravagantes. Mas se cada interveniente se colar monoliticamente à sua ideologia, então deixará de haver diálogo e tudo passa ao confronto entre teimosos graníticos. Está por escrever o diálogo entre duas pedras.

 

Daqui concluo que a ideologia é boa desde que os seus professos mantenham um espírito de abertura que lhes permita verificar se os seguidores de outras ideologias não terão alguma lógica também por si aceitável ou, no mínimo, compreensível.

 

A falta de uma ideologia representa a aridez mental propícia à manipulação, nomeadamente pela «mão invisível» tão actuante nestes dias que correm...

 

O culto da aridez mental, eis a prática dos ditadores e dos órgãos de comunicação generalistas; os temáticos manipulam tão descaradamente que se tornam ridículos e só apanham papalvos.

 

Sim, é preferível que se tenha uma ideologia.

 

Henrique Salles da Fonseca, Delhi.JPG

Henrique Salles da Fonseca

(na grande Mesquita de Nova Delhi, Janeiro de 2008)

DIREITOS DE IMIGRANTES DA UE REDUZIDOS...

... PELO TRIBUNAL DE JUSTIÇA EUROPEU

 

Abono de Família encurtado ou eliminado no Sentido das Exigências britânicas

 

 

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No conflito entre a legislação social britânica e a Comissão Europeia, o Supremo Tribunal Europeu de Justiça deu razão à Grã-Bretanha. Estrangeiros da UE que não vivem ou não vivam sempre na Grã-Bretanha não tinham direito, segundo a legislação britânica, ao abono de família britânico, embora a Comissão Europeia em Bruxelas fosse de opinião contrária.

 

O Processo com o número de arquivo C-308/14 relativo ao abono de família para estrangeiros da União Europeia veio criar clareza através da decisão do tribunal que dá razão à Grã-Bretanha.

 

A decisão, ao dar razão à Grã-Bretanha, vem fortalecer a posição dos Estados membros em relação à política da Comissão Europeia. Esta medida do tribunal é vento contrário nos moinhos dos britânicos defensores da saída da Grã-Bretanha da EU (Brexit). Este vento não será porém suficiente para a manter na UE.

 

Os juízes fundamentaram a decisão com o argumento de que as directivas relevantes da UE não criam um regime comum de segurança social europeia, permitem diferentes regulações nacionais e um governo não deve perder de vista o seu próprio orçamento. Deste modo, mesmo que o pai de uma criança viva na Grã-Bretanha e o filho na Roménia, este só passará a receber o abono de família correspondente ao da Roménia e não ao da Inglaterra. Mobilidade livre na Europa não significa direito de acesso a todos os apoios do Estado.

 

Países como a Alemanha, que pagavam imensas quantias de abono de família a crianças a viver na Roménia e em outros países da União Europeia, esfregam as mãos de contentes com tal medida do tribunal. Também se torna muito diferente se a quantia do abono de família pode ser feita em referência ao país de residência ou ao país de origem. Assim uma criança que até aqui era abonada em 180€ na Alemanha independentemente do local de residência, logo que a legislação alemã seja aferida à decisão do tribunal europeu, passará, a receber apenas 10 € de abono num país que só abone a criança com essa quantia. A prática anterior que se revelava numa medida de ajuda ao desenvolvimento e uma medida compensatória para países da periferia com a correcção do tribunal favorece o espirito nacional em relação ao europeu.

 

Com esta medida Bruxelas vem de encontro aos países mais ricos que se viam prejudicados ao terem de tratar os seus imigrantes e familiares independentemente da sua residência.

 

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António da Cunha Duarte Justo

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