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A bem da Nação

SE A MINHA ILHA SOUBESSE…

 

MM-quando chegares.jpg

 

Quando chegares, Mário

Prepara-te para um grande

Bombardeamento

De estórias e explicações…

Há tanto que não sei nada de ti

Em pormenor

Que serão precisos

Dias e dias de conversa

E serões cheios de gargalhadas

Que não temos, desde a infância.

Será que ainda sabes rir, como antes?

Será que os teus olhos

Ainda têm a mesma luz

Das tardes de Verão, como antes?!

 

Maria Mamede.jpg

Maria Mamede

REFUGIADOS OBJECTO DE NEGÓCIO...

 

... ENTRE A TURQUIA E A UNIÃO EUROPEIA

 

 

A União Europeia aceita como refugiados os curdos perseguidos pelo regime turco e, por outro lado, dá à Turquia o poder de enviar os refugiados da Síria para a Europa.

 

Segundo o tratado entre a UE e a Turquia, além dos seis mil milhões de euros que a UE concede à Turquia para os refugiados, o tratado determina que os refugiados enviados da Turquia para a Grécia (destino Europa) podem ser reenviados pela Grécia para a Turquia e a Turquia, por cada refugiado reenviado da Grécia pode escolher um dos que se encontram no seu território e enviá-lo para os países da UE. É um negócio esquisito que se dá à custa da humanidade dos refugiados e que serve a Turquia e a Europa.

 

Serve a Turquia porque esta pode escolher os refugiados que manda para a Europa e até ficar com os mais qualificados; é também um negócio para a Europa porque ao encurralar os refugiados na Turquia e na Grécia pode ter controlo sobre o tráfico dos refugiados, tirando-o das mãos dos traficantes livres para o passarem ao controlo dos Estados (aqui a Europa espera também que o Estado turco assuma a responsabilidade sobre os traficantes turcos e internacionais que operavam da Turquia, chegando estes a ganhar mais de quatro mil euros por cada refugiado traficado).

 

Por cada sírio enviado de volta para a Turquia, o Estado turco começou a enviar legalmente um outro sírio para a Europa a partir de 4 de Abril passado. A Europa comprometeu-se a receber, este ano, até 72.000 refugiados por esta via.

 Erdogan.jpg

 

Erdogan é um osso duro de roer para os seus parceiros europeus. O autocrata Erdogan, que se ri dos valores democráticos, alinha as forças da Turquia em direcção ao fascismo. O presidente turco sabe que tem na sua agenda a cartada dos refugiados para poder chantagear a classe política europeia que não quer ver o seu poder diminuído com o surgir de novos partidos concorrentes alimentados pelo tema dos refugiados e da política da UE. Deste modo é diminuído o contrabando com os refugiados ao condicioná-lo a fronteiras e à burocracia dos Estados.

 

A Chanceler alemã apesar do clima político complicado, aquando da visita à Turquia não parece ter vendido a alma democrática à Turquia, ao expressar em Istambul a “profunda preocupação” sobre a manipulação da oposição, a liberdade de imprensa e a maneira como o Estado trata os curdos.

 

Agora que a Alemanha declarou o massacre dos turcos contra os arménios como Genocídio, o Governo turco lançará algumas “bombardas” contra a Alemanha tal como fez contra a França aquando de igual resolução proclamada pelo Parlamento francês; as bombardas estarão condenadas a afogar no mediterrâneo não atingindo a Alemanha porque a economia turca está imensamente dependente do comércio e do turismo alemão.

 

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António da Cunha Duarte Justo

ILHA DA MADEIRA, MOÇAMBIQUE E OS ALPES

 

D. Teodosio Clemente de Gouveia.jpg

 (13 de Maio de 1889, Santana, Madeira - 6 de Fevereiro de 1962, Lourenço Marques, Moçambique)

 

1.- O primeiro Cardeal na África Austral

 

Em 13 de Maio de 1889 nasce na Ilha da Madeira um menino a quem os pais, agricultores, puseram o nome de Teodósio. Teodósio Clemente de Gouveia. Bom aluno, inteligente, entrou no Seminário do Funchal e foi terminar os estudos em França e conclui-los em Roma, na Universidade Gregoriana, como aluno do Colégio Português de Roma. Doutorado em Teologia e Direito Canónico em 1921, fez a seguir o Curso da Escola de Ciências Sociais em Bergamo e outro doutoramento em Ciências Económico-Sociais em Lovaina. Em 1929 era Vice-Reitor do Colégio Português e em 1934 já acumulava com a função de Reitor, e ainda Reitor da Igreja Nacional de Santo António dos Portugueses. Um curriculum notável.

 

Dois anos depois o Papa Pio XII nomeia-o Bispo de Leuce e Prelado em Moçambique. A seguir Arcebispo de Lourenço Marques e em 1946, o mesmo Papa, que muito o considerava e estimava, convocou um Consistório durante o qual lhe impôs o barrete cardinalício.

 

O primeiro Cardeal de toda a África Austral.

 

Era preciso mandar o Arcebispo a Roma para o Consistório e pelas vias normais não chegaria a tempo. O Governador de Moçambique – General José Tristão Bettencourt – negocia com o Cônsul Geral Britânico o transporte do Arcebispo num avião da British Overseas Airways, um hidro “Cleópatra”, com o comando do capitão G.P.Wood.

 

Sai de Lourenço Marques em 16 de Janeiro.

 

O avião devia ser algo parecido com “isto”:

FGA-hidrovião.jpg

O Short Scion Senior FB – Autonomia: 675 km.

 

À tarde chega à Beira, faz escala e depois no Lumbo, ao lado da Ilha de Moçambique onde pernoita. Na manhã seguinte faz escalas em Lindi e Dar-es-Salem na Tanzânia e Mombassa, Kisumu e Port-Bell (Kampala) no Quénia, Lago Vitória. Dia seguinte, etapas em Laropi (Uganda) e Malakal para chegar a Khartoum, onde fica retido seis dias por causa da vacina contra a febre-amarela. Dia 25 segue num avião “ de rodas”, um bombardeiro adaptado a transporte, com escalas em Wadi-Halfa – ainda (hoje, Sudão) “aterrando” no Nilo, Luxor e finalmente chega ao Cairo.

 

A 27 sai do Cairo, do aeroporto de Almazah, num outro bombardeiro adaptado para passageiros, escala em El-Adem (Líbia), Malta e aterra dia 28 em Nápoles!

 

A 29, novo bombardeiro leva-o até ao aeroporto de Ciampino. Finalmente em Roma!

 

Treze dias de viagem... de avião! Aos saltos como um canguru!

 

Dia 18 de Fevereiro, Dom Teodósio e mais outros trinta e um receberam a púrpura. Dom Teodósio deve tê-la recebido suado da canseira que foi aquele voo!

 

2 – Os Carrinhos do Monte

 

Uma das muitas e simpáticas atracções da Ilha da Madeira são os famosos “Carrinhos do Monte” também conhecidos por “Carros de Cesto”, uma espécie de trenó terrestre onde os turistas têm a oportunidade de descer 2 km, cheios de emoções, do Monte ao Livramento, Funchal.

 

FGA-carrinho do monte, Madeira.jpg

Carrinho do Monte – Foto de cerca de 1900

 

O Caminho do Monte foi mandado construir, em 1802. Por ele passaram a transitar os típicos CARROS DO MONTE, também conhecidos por CARRINHOS ou CARROS de CESTO ou de VERGA – dos CARREIROS do MONTE – Associação Regional de transporte de turistas nacionais e estrangeiros, que, em 1849, sucedeu às antigas corças ou trenós terrestres, que faziam o mesmo serviço. Tendo como função inicial o transporte dos senhores poderosos que possuíam residências no Monte no seu percurso para o Funchal, actualmente constitui uma marca do Turismo da Madeira, sendo muito solicitados por todos quantos visitam a Madeira e o Monte, nacionais ou estrangeiros.

D. Frei Bartolomeu dos Mártires.png

 https://www.youtube.com/watch?v=8N80izddq68

 

A ideia foi óptima, mas... ouçamos agora Frei Luis de Sousa, no livro maravilhosamente bem escrito em 1619, sobre “A Vida de D. Frei Bartolomeu dos Mártires”, descrevendo a ida deste Prelado, Arcebispo de Braga, a caminho de Trento para o Concílio, no ano de 1561.

 

“Saiu de Braga em 24 de Março e chegou a Trento 56 dias depois. Percorreu todo o caminho muita vez a pé ou em cima de uma mula. Atravessou os Alpes, passou em Breanson – hoje Briançon – a mais de 3.000 metros de altitude; não parou de nevar como se fora Janeiro. Passou por Mongeneura (onde será?) uma aldeã que faz coroa aos mais altos picos dos Alpes; e daqui começa a descer para Piemonte, que foi aos romanos parte dos povos taurinos (uma das tribos celtas da vertente Sul dos Alpes). E quadra-lhe bem o nome de Piemonte pola baixeza em que fica, compa­rada com os montes. A descida que há é tão íngreme que parece talhada a pique e, pera espantar mais, ordinariamente coberta de neve; e é tão profunda que corre uma légua (quase 10 quilómetros!) e meia* de ladeira contínua até um lugar que chamam Santa Susana. O meio que achou o engenho humano pera vadear este passo foi inventar a maneira de andores ou carretes sem rodas, que vão descendo ou caindo polas serras abaixo, arras­tados cada um por dous homens, que não sabeis se os chameis pilotos, se cocheiros, se cavalos, porque tudo é neces­sário que sejam nesta perigosa distância, e tudo são; e andam tão destros, facilitando o uso à marinhagem, que se vence todo perigo.

 

Por aqui se vê que três séculos antes dos madeirenses terem “inventado” os Carrinhos do Monte” já nas faldas dos Alpes os italianos usavam este tipo de transporte.

 

Qual madeirense terá ido aos Alpes ver isto?

 

Assunto que os historiadores da Madeira deverão pesquisar.

 

  • O Arcebispo andou 332 léguas, e como a légua desse tempo media 6.197 metros, perfaz mais de 2.000 quilómetros!

 

13/06/2016

 

FGA-2OUT15.jpg

Francisco Gomes de Amorim

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