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A bem da Nação

EUROPA NA RECTIFICAÇÃO – AfD O SEU MECÂNICO?

 ACDJ-AfD.png

 

 

Quem não marra não mama – Em vez de Lamentos Grupos de Pressão

 

No fim de semana de 30 de Abril para 1 de Maio realizou-se na Alemanha o congresso do partido AfD (Alternativa para a Alemanha) para discutir e aprovar o programa básico do AfD e assim alinhar as diferentes tendências do partido e se preparar para as próximas legislativas de 2017; a secção do AfD Sarre foi excluída do partido pelo Congresso, por manter contatos com a extrema-direita.

 

O declarado objectivo do novo partido AfD (actualmente com 23.000 membros) é, em relação à Alemanha, “entrar no Parlamento Federal” e, em relação à EU, defender uma “Europa das pátrias” soberanas.

 

O Programa

 

O jornal HNA 2.05 cita as seguintes decisões aprovadas no programa do partido: a Turquia não deve tornar-se membro da EU, a EU deve ser reformada de maneira a restituir a soberania aos estados nacionais, regressar à comunidade económica CEE, ser diminuído o número de abortos, proceder-se à expulsão de estrangeiros criminosos, iniciar uma saída ordenada do ensaio Euro, reintroduzir-se o serviço militar obrigatório para os alemães, "a imigração de refugiados não regulamentada" prejudica a Alemanha, precisando esta de “imigrantes qualificados com vontade de se integrarem”; pretende também que a responsabilidade criminal seja já a partir dos 12 e não dos 14 anos. O programa afirma que o islão não é compatível com a Constituição Alemã. Entre outros apelos regista-se a proibição do uso da burca e do niqab em público, bem como o apelo do muezim (1) e a construção de minaretes (torres das mesquitas), prolíferos devido ao financiamento árabe. Defendem a energia atómica, o sistema escolar dividido em escola industrial, escola comercial e liceu em vez da “escola secundária integrada”; contra a ideologia multicultural e consideram o Islão como o adversário do ocidente.

 

São críticos em relação aos “partidos do consenso” e a uma “Alemanha contaminada pela geração 68” e reconhecem na Suíça o grande exemplo de participação civil na política.

 

O fenómeno que sociopolítico que se observa na Alemanha, uma sociedade extremamente temperada é indício de na Europa se iniciar um período crítico em relação a uma esquerda que actuou desenfreadamente perante uma direita, que se tinha reservado, socialmente, o papel de espectadora.

 

Segundo Bild am Sontag, a última sondagem Emnid conclui que se agora houvesse eleições o AfD seria a terceira força partidária da Alemanha com 13% de eleitores, os Verdes com 12%, o CDU/CSU 33%, o SPD 22%, o Esquerda 9% e o FDP 6%.

 

Os partidos estabelecidos procuram defender-se da nova força política, dando-lhe os atributos de extrema-direita e de populistas. Esta atitude revela mais fraqueza que força de argumentação porque é injusta no que respeita à atitude da maioria dos membros do partido (muitos deles eram membros dos partidos que dominam o poder na cena política: são os desiludidos da maneira como a esquerda europeia tem sido iconoclasta e irreverente em relação às tradições culturais ocidentais, são os críticos e os perdedores do sistema.).

 

O AfD obriga os outros partidos a ocuparem-se a nível de conteúdo com os problemas prementes que incomodam a maioria da população.

 

A classe política, apesar das perdas, sabe que pode continuar a governar sem grandes mudanças porque o grupo que a contesta é constituído por diferentes e concorrentes interesses que desestabilizam a nova formação política.

 

O que contribuiu para a formação do novo partido

 

Depois de 50 anos de domínio ideológico da esquerda surge agora pela maior parte da Europa a resposta da direita. Até ao surgir do AfD, a Alemanha era um país em que os imigrantes de cultura árabe se encontravam à vontade e até com exigências desmedidas. Os governos alemães não elaboraram uma política de estrangeiros em termos sociais; tinham uma política só virada para a economia e em questões problemáticas consideravam o tema de estrangeiros na opinião pública como tabu. O tema sobre os problemas do gueto e de integração não podiam ser tratados com objectividade porque os interesses do status quo e grupos políticos da esquerda logo se insurgiam com o epíteto de racista a quem apresentasse algo crítico em relação aos árabes.

 

O Governo da Turquia envia regularmente para a Alemanha 970 imames (orientadores religiosos de mesquitas) que rotativamente se renovam de cinco em cinco anos, enquanto a mesma Turquia proíbe a entrada e a acção de padres ou pastores na Turquia. Deste modo, o governo turco com o seu ministério do culto, direcciona política e religiosamente, os turcos e seus descendentes na Alemanha chegando o presidente turco Erdogan a considerar a integração “um atentado contra a humanidade”.

 

Os partidos, até agora ignoraram o facto de muitas famílias turcas impedirem as filhas de frequentarem a ginástica (natação) na escola; não tomaram a sério nem puseram na ordem do dia o facto de jovens muçulmanos manifestarem desrespeito pelas professoras; ignoraram o facto de em algumas mesquitas se pregar contra princípios democráticos da sociedade ocidental; não se preocuparam com o problema da radicalização em torno das mesquitas, nem dos casamentos forçados, nem da matança primitiva de animais para a festa do sacrifício; evitaram também tematizar crimes de honra, a liberdade individual e a igualdade dos géneros entre os muçulmanos.

 

Desonrou-se a tolerância, tolerando a intolerância e agora que surge um novo partido (o AfD) a fazer concorrência aos partidos instalados, estes já se começam, oportunisticamente, a preocupar com o problema da integração e com a realidade de sociedades paralelas que fomentaram.

 

Outrora o povo barafustava não sendo tomado a sério pela classe política, agora que se organiza em termos de poder já é tomado a sério sendo até copiado nalgumas exigências.

 

Lição da história: em vez de lamúrias e queixumes contra a classe do poder instalado, a solução é organizar-se em grupos de pressão, tal como fazem os que dominam. Basta seguir o exemplo dos grupos que têm nas mãos o poder: partidos, lóbis da economia e das finanças, maçonaria, sindicatos, etc. Doutro modo terão de se deixar reduzir à categoria dos que seguem o mote de “quem não berra não mama”; estes porém estão sempre dependentes do leite e da mãe. A política e o povo têm a melhor alegoria do seu comportamento na vaca leiteira e no seu bezerro: se o bezerro marra a vaca, esta deixa correr o leite. Em vez de berrar para mamar seria mais adequado lembrar-se da experiência de que quem não marra não mama. Alternativa: chorar ou marrar?

 

Aqui se nota a razão de povos vocacionados ao queixume! Em vez de seguirem o mote “quem não berra não mama” tornem-se activos mudando de atitude e de consciência, cientes de que quem não marra não mama! A prova vem dos grandes que marram tanto na teta do povo que chegam a nadar no leite. «Ou há moralidade ou comem todos»!

 

Somos livres de continuarmos a ser um povo que “não tuge nem muge” mas então não nos queixemos de sermos vaca só para alguns. No meio de tudo isto não desprezemos o outro provérbio português que avisa: "Onde reina a força, o direito não tem lugar."

 

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António da Cunha Duarte Justo

 

  • “Não há nenhum deus além de Deus (Alá) e Maomé é o seu profeta”. Este grito é uma provocação diária em relação a todos os que não são maometanos e para mais é entoada nas mesquitas europeias sem qualquer preocupação. A política que penaliza quem levanta o braço na repetição do gesto de Hitler aceita como normal a entoação religiosa de uma confissão de superioridade e de exclusão dos outros. O povo parece resignar, na consciência de que é melhor não pensar para não sofrer! Esta cultura que sobe ao rubro por qualquer ninharia cristã acumula energias negativas no povo ao verificar que se respeita mis a cultura do próximo que a própria.

 

DAVID DE SOUZA

 David de Souza-CD

 

Quem procurar por David de Souza na Internet vai deparar com um fotógrafo brasileiro e com mais não sei quantas personalidades importantíssimas de apelido Desouza mas a biografia do nosso compositor prima pela ausência. Fora ele espanhol e não haveria terrinha andaluza ou estremenha que não lhe pusesse nome em rua…

 

Mas nós somos assim: ingratos; não queremos saber dos nossos ilustres.

 

Seremos isso?

 

Não! Somos apenas ignorantes!

 

Então, quem foi o nosso David de Souza?

 

Foi um compositor de música erudita. Se fosse pimba ou de rock

 

Nascido em 6 de Maio de 1880 na Figueira da Foz, realizou os seus estudos musicais no Conservatório Nacional de Lisboa onde frequentou as classes de violoncelo e de teoria musical; em 1901, bolseiro do Estado, foi estudar violoncelo para o Conservatório de Leipzig; em 1913 estreou-se como chefe de orquestra em Portugal num concerto no Teatro Nacional e passou logo de seguida a Maestro Titular da recém-constituída Orquestra Sinfónica de Lisboa; em 1916 passou também a exercer o cargo de professor das disciplinas de violoncelo e de regência de orquestra no Conservatório Nacional. Faleceu na Figueira da Foz em 1918 vitimado pela gripe pneumónica.

 

Na sua obra, eminentemente nacionalista, figuram composições para piano, canto e piano, violino e piano e violoncelo e piano para além de um bom número de obras para grande orquestra, nomeadamente a “Rapsódia Eslava” e o Poema Sinfónico “Babilónia”; ainda hoje se encontra inédita a sua ópera “Inês de Castro”.

 

Pois é! David de Souza foi um compositor brilhante que nos deixou músicas muito agradáveis de ouvir e que depois de um longuíssimo silêncio, volta agora a poder ser escutado pois o Maestro António Ferreira foi desencantar as partituras que deviam estar fechadas a sete chaves nalgum baú esquecido numa cave escura.

 

Então, acompanhem-me primeiro ao YouTube: é lá que encontramos várias peças deste Autor em gravações actuais, todas interpretadas pelo Maestro António Ferreira ao piano, pela soprano Ana Leonor Pereira e pelo violoncelista Pedro Neves: concentrem-se nas melodias para ficarem com uma ideia da qualidade do Autor. Tenho a certeza de que me vão dar razão quando digo que se trata de um conjunto de músicas que se ouvem com muito agrado. De seguida façam justiça aos intérpretes reconhecendo que merecem o nosso aplauso.

 

http://www.youtube.com/watch?v=9vnrVJJOXnY

http://www.youtube.com/watch?v=yEq107Gl3ik

http://www.youtube.com/watch?v=RZ9xtrLbQ-8

 

Mas se quiserem ter uma ideia mais precisa da qualidade do compositor e dos intérpretes, então acompanhem-me ouvindo o CD que a Câmara Municipal e o Casino da Figueira da Foz patrocinaram homenageando David de Souza. Obtive-o há menos de 24 horas e já o ouvi 4 vezes. De cada vez gostei mais do que na anterior e vou continuar… No CD, a qualidade da gravação ultrapassa largamente o som permitido pelo YouTube pelo que acabamos percebendo detalhes que nos vídeos não notamos. E aqui já podemos apreciar melhor o trabalho dos intérpretes. Veludo, é a ideia que me ocorre. Ana Leonor Pereira tem sublimes agudos em pianíssimo e Pedro Neves delicia-nos com o violoncelo que pertenceu ao compositor. E por mais que me digam que o piano apenas acompanhou, todos sabemos que as mãos são as do Maestro que tudo produziu.

 

Fico sem saber se dar os parabéns aos intérpretes e patrocinadores ou se lhes agradecer com um sincero obrigado. Faço as duas coisas: PARABÉNS e OBRIGADO!

 

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Henrique Salles da Fonseca

QUEM DESCOBRIU O QUÊ?

 Lagos das Sete Cidades.jpg

 

LAGOA DAS SETE CIDADES

 

 

1334

 

A barca Marajó, construída por alguns portugueses e índios na Amazónia, regressa a casa, Portugal.

 

Visita todas as ilhas a que mais tarde chamaram Açores.

 

Rumo a casa, a última ilha que se avistava no caminho, contornam pelo sul onde encontram uma magnifica angra que parecia convidá-los a entrar, convite aceite. Ainda não tinham os pés em terra, uma surpresa bem maior. Todas as ilhas anteriormente visitadas eram desabitadas e agora surgia-lhes pela frente um homem, nos seus trinta a quarenta anos, gordo, coberto de peles e farrapos, chorando de alegria, querendo abraçar a todos, limitando-se a dizer, enquanto nos intervalos dos abraços ajoelhava, voz entrecortada pela profunda emoção e pronúncia galego-arcaico Deo Gratias, Deo Gratias! Quem seria, quantos seriam, donde tinha vindo? A emoção do homem era imensa, e levou tempo a sossegar.

 

Rodeado por quase toda a tripulação, grande a dificuldade para falar e para ser entendido, contou a xua xaga! Que saga!

 

Tiña naxido nâutra isla que está prálém, naquela direxon, apontava a sul com nascente, prá donde tiñam bindo os xeus antepaxados há muitoss e muitoss anoss. La tradixon diz que bieram xunto cum los bispos de Braccara, qundo fuxiram da inbaxão dos infiéss muxulmanoss. Eram xete bispos que fixeram xete xidades ca bem da berdade num eram mais que xete poboaditos, unde todos bibiam em harmonia.

 

Um clima muito bão, tudo xempre berde, nunca faltou o comer, nem aqui, cumo podem ber p´la miña barriga, mass de bez incanto uns quantoss, canxados de biberem inxolados na isla, faxiam uma embarcaxon, mal feita, tásse a ber, iam pó mar e nunca maiss xóbia falar deless. Por exa raxon la populaxon num crexia. Duass a trêss mil almas de Deus Nuestro Señor Xexus, todos se coñexiam, todos primos, la tristexa há muito tomara cunta daquela xente. La maioria queria ir imbora mas num faxia idéia cumo, nem pr´unde xeguir. Ninguém xabia mais unde ficaba a Galéxia.

 

Ass xidadess foram construídass num lugar alto, linda bista pá isla e mar, xempre alguém de bigia à espera de abistar um barquito qalquer que biesse axudar a melhorar las bidas noxas. Um dia la tierra tremeu muinto e todos se axustaram. Já tiñam xentido outros tremoress, mas esste foi mais balente. No dia xeguinte tremeu mais e quaxe todas las caxas caíram. Foi una dessgraxa. Recomeçaram, tristes, a faxer tudo de novo e eu fui mandado al mar, com mais trêss compañeiross, lebantar las redess de pesca que debiam ter peixe pralguns dias. Mal apañámos las redes qundo oubimos um estrondo medoño. La isla toda tremeu cum tanta biolênxia que parexia querer afundar-xe. No lugar unde estabam las caxas lebantou-xe una coluna de fumo que tapou tudo, até o xol. Ficámos horrorixados, xabendo que nem xequer podíamos xubir la montaña porque el fumo era tan espêxo que num dava pra enxergar um palmo en la frente, e axim ficou talbez uns dez dias.

 

Logo que pudemos, galgámos aquela xubida e el nuestro espanto e terror num tem descrixão. Todas las cidades habiam xido engolidas per lo chão. Ali, unde fuera uma plataforma marabilhoxa era um buraco, fundo, e dentro del nada se abistaba. Nem resíduoss de las caxas, nem de xente, nada. Um dos compañeiros, caxado, e cum filhito pequeno, dexesperado xogou-se dali a baxo pra se xuntar aos xeus. Una gran tristexa. Ficámos xó trêss que durante muito tiempo corremos la isla toda, palmo a palmo à procura de xobrebibentes. Nem unxiño. Foi qundo dexidimos faxer também una embarcaxão e ir pra qólquer lado! Lo que ponderiamos ficar ali a faxer três homes? Quando la xangada ficou pronta entrámos enela. O bento e corrente lebaram-nos hasta outra isla que tiña um bulcão cuspindo lume fuerte, e cumo já tiñamos bisto lo que pode acontexer com uma cosa dessas, voltámoss a embarcar.

 

Loutra isla al lado estaba en la misma. Finalmente el bento mudou, empurrando la xente nesta direxão e biémos parar aqui unde agora estamos. Xaímos duma isla e biémos parar nâutra. Num gañámos nada com ixo. Esta foi la “Terxeira” que encontrámos despois da noxa xaída. Los meus compañeiross, dexsesperadoss desta bida de xulidão, um belo dia embarcaram de novo e nunca mais los bi. Fiquei xóxinho. Num xei quntos anos xe paxaram desde que aqui xeguei, porque nunca fiz bem las contas. Xó fui faxendo unos riscos naxárboles pra cuntar o tempo. Pra quê? Cuntaba las lunas que me parexeu melhor. Naxárboles tenho marcadas todas las lunas desde la miña xegada!

 

Relato «imprexionante»! Quando terminou estava tão emocionado que chorava como criança. Disse chamar-se João Robles.

 

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Francisco Gomes de Amorim

MÃE - memória

 

MM-Mãe educadora.png

 

 

Não lembro os abraços da infância

Que a tua missão

Era abraçar o mundo…

Lembro o amor ao sacrifício

E o suplício

De sentires um irmão

Em cada um;

E lembro o sofrimento

Vasto e profundo

E a enorme tortura

Pra curares as feridas

A toda a criatura.

Não lembro os abraços da infância

Mas a constância

Do ensinamento

E o colo mais largo

No abraço Mulher

De Mãe diamante

Quando ele é instante

Por ser tão tamanho

O nosso sofrer!

 

Maria Mamede.jpg Maria Mamede

MAR PLANO, AMOR LOUCO

 

 

 

 

As gentes de Olhão mostraram várias vezes ao longo da História que são gente valente. Os factos mais citados têm a ver com as acções de guerrilha que moveram contra os ocupantes franceses em toda a serra do Caldeirão. Expulsos os ocupantes, enviaram em 1808 ao Brasil um caíque, barco de dois mastros relativamente pequeno, com a notícia dessa expulsão assim dando a saber ao rei D. João VI que já podia regressar ao reino pois a população lhe defendera o trono.

 

Foi já D. Pedro IV que atribuiu a Olhão o complemento “da restauração”. Ficou a chamar-se – e disso ainda hoje muito se orgulha – Vila de Olhão da Restauração. A diferença está em que actualmente já é cidade e não mais vila.

 

Mas nem todos os actos heróicos têm a ver com guerras, invasões e momentos que a História Nacional registe. Sim, há os que não conduzirão os seus autores ao sossego do Panteão Nacional mas que, mesmo assim, são dignos de nota.

 

Foi o caso de um rapaz solteiro e duma jovem recém-casada, ambos naturais e residentes na Ilha da Culatra, nos idos de 50 do século passado. Bem solteiro e mal casada, davam-se de amores secretos e não hesitaram em ditar a vida pelas suas próprias vontades. Se na Culatra lhes proibiam o amor, então havia que encontrar sítio onde se pudessem amar…

 

E foi pela calada da noite de 1 de Outubro de 1958 que José Belchior e Felismina Inês zarparam da Culatra num barquito de 6,5 metros de comprimento e 2 de boca, o Natília Rosa, com destino … ao Brasil.

 

 SaveiroBelchior.jpg (27240 bytes)

 

Cavalheiro, poupou a amada aos esforços físicos inerentes à tripulação de barco tão pequeno pelo que pediu ajuda a José Eduardo Guerreiro que o rendesse na árdua tarefa da navegação. Assim aportaram a Dakar onde ficaram durante 5 meses. Inebriado pela vida nocturna da capital da colónia francesa, o ajudante Guerreiro decidiu ficar-se por ali e foi rendido por outro aventureiro, o espanhol Adrián Léon Diaz.

 

Nos 99 dias que levaram de seguida para atravessar o Atlântico enfrentaram vagas de 10 metros, perderam a única panela que levavam da Culatra e passaram a cozinhar no bacio que Felismina usava até então. Quase morreram na praia de Alcobaça, na Bahia, mas finalmente chegaram a Porto Seguro no dia 29 de Junho do ano seguinte (1959) onde, exaustos, já entraram rebocados pelo faroleiro.

 

Passados dois meses nasceu Fátima, a primeira dos três filhos que tiveram. Dedicaram-se à agricultura e à pesca. Viveram. E passados 42 anos voltaram à Culatra. Rija festa lhes fez Olhão que em Junho de 2001 descerrou na Ilha uma lápide comemorativa do feito destes aventureiros para quem o mar foi plano porque o amor era louco.

 

 

Henrique Salles da Fonseca, Vietname, NOV14

Henrique Salles da Fonseca

(Nov14 - à entrada das grutas da Baía de Halong, Vietname)

DIA DA MÃE

 

 

La Parque t’a tuée et cendres tu reposes.

Pour obsèques, reçois mes larmes et mes pleurs,

Ce vase plein de lait, ce panier plein de fleurs,

Afin que, vif et mort, ton corps ne soit que roses.

 

Pierre-de-Ronsard.jpg

PIERRE DE RONSARD (1524-1585)

In «Le Second Livre des Amours de Marie»

CASA DO GAIATO

 

 

 

Há cerca de um mês (final de Março) a SIC e outros órgãos de comunicação, em Portugal, escreveram e divulgaram na TV uma matéria “malhando” na Casa do Gaiato, a Obra de Rua, que eu conheço bastante bem e que defenderei sempre que achar oportuno.

 

Burrice do jornalista que fez a matéria porque mal informado, sentadão na sua cadeira de maledicência, irresponsável. Porque o jornalista não se foi informar? A resposta é simples: ou porque não é jornalista ou porque decidiu politizar o impolitizável!

 

É fácil ter uma caneta nas mãos e escrever sobre o que se desconhece, e, pior, ficar impune.

 

Um dos padres desta GRANDE obra, indignado, escreveu no magnífico jornal “O Gaiato”, que eu leio todos os meses com um prazer imenso, o texto abaixo que reproduzo, e vejam algumas fotos do que se passava em Moçambique há 15 anos!!! E muito tem progredido.

 

Pontos nos ii

 

FGA-Padre Acílio

Padre Acílio – Casa do Gaito de Setúbal

 

De vez em quando a comunicação social, por meio dos seus jornalistas, lembra-se de, confusamente, atacar a Casa do Gaiato e isto obriga-me a por os pontos nos ii.

 

As Casas do Gaiato nasceram da situação miserável dos pobres, na alma do Padre Américo e só se devem chamar assim, enquanto tiverem à sua cabeça, um padre pobre, isto é: que não ganhe nada, come à mesa com os rapazes, vista e calce do que lhe dão ou lhe entre­gam para dar aos pobres, vive na Casa do Gaiato com os rapazes e nela trabalha todos os dias e fins-de-semana, sem folgas e muitos anos a fio sem quaisquer férias.

FGA-Casa do Gaiato (Moçambique).jpg

Refeitório para os 160 gaiatos mais os responsáveis – Moçambique

 

Dá a sua vida aos rapazes e aos pobres como qualquer pai zeloso, se entrega aos seus filhos, tantas vezes num silêncio doloroso que só Deus avalia.

 

É um homem pobre, sem carro, sem casa, sem família e sem amigos. É homem dos pobres na sequência de Jesus de Nazaré que não tinha uma pedra para reclinar a cabeça. Não tem reforma, nunca descontou, não tem idade para se jubilar e dá a sua vida até ao des­gaste final.

 

Esta é a situação real dos padres da Casa do Gaiato que por isso se chamam Padres da Rua.

 

As Casas do Gaiato são igual­mente Obras que têm como mães de família. Senhoras Consagradas à vida de Jesus, não ritualmente, mas na realidade, nas vicissitudes diárias dos rapazes com a atenção e o desvelo de uma diligente mãe de família, como os padres da Casa do Gaiato. Sem Sábados nem Domingos e alguns anos sem férias nem retiros numa oferta contínua, heróica e silenciosa a gerações e gerações de rapazes.

 

FGA-Casa do Gaiato (Moçambique)-2.jpg

Estas são parte das camisas acabadas de lavar.

E faltam aqui as calças, cuecas, pijamas, meias e agasalhos!

 

As Casas do Gaiato são institui­ções pobres, sem qualquer apoio do Estado, onde se aproveitam e promovem todos os valores e qua­lidades dos rapazes sem menospre­zar técnicos das diversas áreas da ciência educacional como psicólo­gos, pedopsiquiatras, neurologistas e outros, mas onde os rapazes são encaminhados, a viverem um auto­-governo, como Obra de Rapazes, para Rapazes, pêlos Rapazes.

 

Uma instituição que não goze destas características não pode e não deve ser chamada de Casa do Gaiato. É uma mentira a reclamar para si este nobre nome.

 

Compete a quem de direito repor a verdade e não andar a mentir.

Se, por desgraça, alguma das actuais Casas do Gaiato da Obra do Padre Américo deixar de ser assim, já não é uma Casa do Gaiato, terá de ter outro nome como casa de rapazes, de crianças, de adolescen­tes, de famílias ou qualquer outro, nunca este célebre nome tão português e cristão que pertence à Obra da Rua e a mais ninguém.

 

As Casas do Gaiato, são essen­cialmente instrumentos apostóli­cos ao serviço do Evangelho e não meras casas de assistência, ainda que meritória.

 

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Creche. Construída e sustentada pela Casa do Gaiato – Moçambique

 

Chegam onde os Bispos e os Padres não alcançam e fazem-no em Nome do Bispo e da Igreja Católica, por Amor de Deus, dos Rapazes e dos Pobres.

 

Não será insensatez da minha parte fazer este esclarecimento sobre um assunto que os nossos Leitores bem conhecem, mas que os media mais pesados e mais poderosos teimam em pôr em causa.

 

Os jornalistas destas empresas, pagos para escandalizar o povo, com meias verdades, nem de longe sonham a dureza da vida dos Padres das Casas do Gaiato; e então, de forma ambígua, dão notícias, pisando as regras mais elementares da lógica para con­fundir todos e vender o seu peixe que é quase sempre demolidor e raras vezes construtivo.

 

Já estou habituado, mas à essa pobre gente também quero dizer, com as devidas distâncias, como Paulo na 2a Carta aos Coríntios. No princípio e para levantar esta Casa, passei fome e frio.

 

Nalguns Invernos enrolava-me num cober­tor para vencer a noite e conseguir o sono. Felizmente esta carência está hoje largamente ultrapassada e distribuímos muita roupa aos pobres.

Comprei, uma vez, um cinto para segurar as calças. Fiz cerca de um milhão de quilómetros numa motorizada, em duas lambretas e duas vespas e em motos emprestadas, de Inverno e de Verão à geada e à chuva.

 

Com a camioneta da Casa, carreguei, da Secil, toda a pedra oferecida para construir as nossas oficinas e as nossas escolas, que agora, também por virtude das mentiras e calúnias, estão fecha­das.

 

Enchi com os rapazes, à pá, milhares e milhares de sacos de cimento, no meio de muito pó dele, de tal modo que os encarre­gados da Secil, com pena de nós, ofereciam máscaras para tapar­mos a boca e o nariz.

 

Várias vezes caí nos motoci­clos, fazendo em certa ocasião um buraco numa perna e per­dendo os sentidos. Noutra altura a lambreta avariou em Lagos e não tendo dinheiro para reparação, fui pedi-lo ao pároco que me deu cama, mesa e pagou a dívida.

 

Ceifei arroz à mão, muitos anos, com os rapazes e debulhei-o até altas horas da noite para com o dinheiro dele pagar as dívidas feitas ao longo do ano.

 

Agarrei no tractor, lavrei, gra­dei, semeei, sachei e colhi vários alimentos ao longo dos anos.

 

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Casas para viúvas que tudo perderam com uma catastrófica cheia

 

Se saí para o estrangeiro foi para o meio dos pobres de Angola, São Tomé e Moçambique, e, por lá, sempre trabalhei para os ajudar e não ser pesado a ninguém.

 

Por duas vezes, tive viagens e hotéis pagos, oferecidos para ir a Roma e à Terra Santa, e nunca tive tempo.

 

Não me devia gloriar, antes estar calado, mas essas pessoas sequiosas de atacar quem faz o bem, precisam de saber que uma Casa do Gaiato, é uma realidade séria com que não se deve brincar e muito necessária no tempo em que foi criada — e ainda hoje, com tanta miséria escondida e tão desoladora indiferença.

 

 

Se é preciso gloriar-me da minha fraqueja, gloriar-me-ei, mas Deus, que conhece os cora­ções, sabe que não minto.

 

A Ele peço perdão desta amos­tra, o resto é com Ele!

 

A vida dos Padres das Casas do Gaiato da Obra da Rua é toda ela, semelhante e nalguns muito mais heróica que a minha.

 

Quem achar de interesse, por favor, divulgue.

 

E o jornalista que faça mais e melhor! Ou então cale a boca.

 

29/04/2016

 

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Francisco Gomes de Amorim

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