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A bem da Nação

NAS CALADAS NOITES DE INVERNO

 

Casal Angelina e Raúl Brandão, óleo de Columban

 Óleo de Columbano Bordalo Pinheiro, 1928

 

Nas caladas noites de Inverno, quando despego o olhar dos papéis, encontro sempre os teus olhos que me envolvem de ternura. Isto é quase nada – e revolve o mundo. É saudade, é a vida que passa e a morte que se aproxima, enquanto o tronco arde no lume, o pinheiro estala ou o carvalho amorroa.

 

De fora vem o hálito da floresta e das águas. Mais silêncio... Surpreendo-te então a repetir o meu pensamento, ou é o teu que me acode ao mesmo tempo. Não fales! Outra figura transparece atrás da tua figura. Nesse momento até o lume parece encantado e ficas tão linda que antevejo a vida misteriosa que me fascina e deslumbra. Isto só dura um segundo. Mas basta às vezes que sorrias e é a tua alma que sorri; basta às vezes que não fales e é a tua alma que me fala. Nesse momento somos um ser: eu sou tu; tu és eu; tu sorris, eu sorrio. Então cai sobre nós o silêncio – e eu descubro o que só nos é dado ver depois da morte, a amplidão das almas, seu poder magnético e, num deslumbramento, ao lado da existência pueril, a imensidade do universo e o infinito que nos rodeia e de que perdemos a sensação pelo hábito.

 

Mª Angelina e Raul Brandão.jpg

Raúl Brandão

Raúl Brandão e a sua mulher, Maria Angelina, com quem manteve uma grande cumplicidade criativa

 

In O SILÊNCIO E O LUME, Dezembro de 1924

O JUIZO QUASE FINAL

O texto seguinte foi alinhavado em Fevereiro de 2014 mas «quand même et malgré tout», está actual porque os das parangonas têm falta de imaginação.

 

 

 

As coisas que se ouvem...

 

...que alguém decidiu que andávamos a viver acima das nossas possibilidades... mas os saldos negativos da Balança Comercial que já considerávamos eternos eram disso prova inequívoca

 

...que a Merkel é a Führerin do IV Reich... mas ela apenas quer deixar de suprir aos défices que os perdulários provocam na governança dos respectivos Estados

 

...que se lixe a Troika... mas se não fosse ela já estaríamos há muito com senhas de racionamento

 

...que estamos a matar o Estado Social... mas todos exigimos ao Estado que nos dê tudo não querendo, nem ao longe, ouvir falar de qualquer tentativa de reequilíbrio das contas públicas

 

...que Jorge de Sena terá dito que «Não quero morrer sem ver a cor da liberdade»... mas pisgou-se para outras paragens quando não assumiu as consequências técnicas do parecer negativo que deu à construção da ponte sobre o Tejo em Lisboa

 

...que os velhos ficaram com muito menos do seu contrato com o Estado que se comprometia devolver o investimento de uma vida de trabalho... mas os sistemas de segurança social europeus praticamente nada têm a ver com a capitalização dos descontos que cada um faz pelo que o Estado apenas se comprometeu a pagar aos reformados com os descontos dos que estão no activo

 

...que 5% dos sem abrigo têm cursos superiores... mas resta saber se se trata de cursos com procura real no mercado de trabalho

 

...que há enfermeiros a partir entre lágrimas para Inglaterra e Alemanha... mas até há 40 anos partiam para África e choravam menos ou não choravam de todo

 

... que não se conte com a Esquerda para continuar a austeridade... mas não diz onde se vai financiar para voltar a gastar ao seu estilo, o perdulário

 

...que as conquistas de Abril são irrevogáveis... mas afinal não são porque já não há quem as pague

 

 

Henrique no barco-Israel.JPG

Henrique Salles da Fonseca

 

 

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