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A bem da Nação

OUTROS FALARES

 

 

Viajar com crianças barulhentas é incomodativo, sobretudo para quem não é da família mas se elas se portam bem, então até pode ser agradável.

 

A criança que ia no banco à nossa frente no voo de Amesterdão para Curaçao dormiu quase toda a viagem ao colo da mãe ou do pai e nem sequer choramingou nas descolagens ou aterragens, o que é frequente por causa das diferenças de pressão e incómodo nos ouvidos. Nos poucos tempos em que esteve desperta, quis naturalmente brincar e os pais deixavam-na pôr-se de pé no banco e fazer brincadeiras com os passageiros de trás, a minha mulher e eu. Especialmente simpática, a criança deixava, contudo, muito a dever à beleza e nós achámos que os orangotangos provavam ali mesmo que somos de espécies muito chagadas.

 

E a minha mulher e eu comentávamos em voz baixa mas não em surdina que os orangotangos para a direita e os orangotangos para a esquerda e que as espécies eram muito mais próximas do que até então imagináramos... e assim falávamos porque ninguém nos percebia.

 

Fizemos uma escala em Aruba e mais de metade dos passageiros saiu pelo que fomos apenas alguns a ficar sentados enquanto o pessoal da limpeza rápida fazia o seu trabalho e os novos passageiros para um voo de 18 minutos entravam e completavam novamente o avião.

 

Mas quando uns que saíam passaram pelos que estavam à nossa frente e se despediram, os nossos vizinhos responderam em papiamento com toda a clareza da origem portuguesa da sua fala «Vai trankilo, amigo!».

 

Estarrecidos com a hipótese de eles nos terem ouvido (muito improvavelmente) e compreendido (muito provavelmente), a minha mulher e eu descarregámos o peso das nossas consciências com a alegria de descobrirmos uma fala quase igual à nossa numa terra que nunca foi nossa mas que se é hoje uma região autónoma da Holanda, aos nossos o deve.

 

 

Sim, foi um judeu de origem portuguesa de seu nome Moisés Frumêncio da Costa Gomes que na primeira metade do séc. XX conseguiu fazer com que Curaçao deixasse de ser uma colónia holandesa para passar a ser uma região autónoma e que a Holanda tivesse que mudar de nome oficial para Reino Unido dos Países Baixos e Curaçao.

 

Também por lá era feriado naquele 25 de Abril quando tentei visitar a sinagoga de Wilhelmsatdt, a capital, sede da colónia dos judeus portugueses, mas estava fechada e só falei com o porteiro que se lastimou por não me poder ser de alguma utilidade. Que o Senhor Maduro, o chefe da comunidade e principal banqueiro local, não ia lá naquele dia; que passasse lá no dia seguinte e seria por certo recebido por alguém. O dia seguinte era o do regresso a Portugal, não falei com ninguém daquela comunidade. Mas tudo começou com o Padre António Vieira...

 

Desta minha viagem a Curaçao restam-me várias recordações agradáveis sendo que a mais importante é a de que se falarmos português pausadamente e em frases simples, eles fazem um esforço e compreendem respondendo no seu papiamento que, se falado também pausadamente e em frases curtas, nós também acabamos por perceber. Não dará para dissertarmos sobre a filosofia kantiana ou sobre o papel do FMI na crise do Bangladesh mas dará por certo para pedirmos um café ou um bolo e sabermos quanto temos que pagar.

 

Maio de 2016

 

Henrique Salles da Fonseca, Curaçao (2011)

Henrique Salles da Fonseca

(na esplanada da praia do hotel em Curaçao)

CRISTÃOS QUEIXAM-SE DE SEREM AMEAÇADOS EM ALOJAMENTOS PARA REFUGIADOS

 

A organização Open Doors na Alemanha apresentou em Berlim os resultados de uma investigação feita nos alojamentos de primeiro registo (onde ficam geralmente três meses) e constata que 80% dos refugiados cristãos são sujeitos a chicanices por parte de refugiados muçulmanos.

Apostasia.jpg

 

Muçulmanos do Irão e do Afeganistão que se tornam cristãos ainda são mais atacados. A um muçulmano destes países que se converta a outra religião tem que ser reconhecido o estatuto de refugiado, não podendo voltar ao país porque esperar-lhe-ia a pena de morte por ter deixado o Islão.

 

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António da Cunha Duarte Justo

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