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A bem da Nação

DAVID DE SOUZA

 David de Souza-CD

 

Quem procurar por David de Souza na Internet vai deparar com um fotógrafo brasileiro e com mais não sei quantas personalidades importantíssimas de apelido Desouza mas a biografia do nosso compositor prima pela ausência. Fora ele espanhol e não haveria terrinha andaluza ou estremenha que não lhe pusesse nome em rua…

 

Mas nós somos assim: ingratos; não queremos saber dos nossos ilustres.

 

Seremos isso?

 

Não! Somos apenas ignorantes!

 

Então, quem foi o nosso David de Souza?

 

Foi um compositor de música erudita. Se fosse pimba ou de rock

 

Nascido em 6 de Maio de 1880 na Figueira da Foz, realizou os seus estudos musicais no Conservatório Nacional de Lisboa onde frequentou as classes de violoncelo e de teoria musical; em 1901, bolseiro do Estado, foi estudar violoncelo para o Conservatório de Leipzig; em 1913 estreou-se como chefe de orquestra em Portugal num concerto no Teatro Nacional e passou logo de seguida a Maestro Titular da recém-constituída Orquestra Sinfónica de Lisboa; em 1916 passou também a exercer o cargo de professor das disciplinas de violoncelo e de regência de orquestra no Conservatório Nacional. Faleceu na Figueira da Foz em 1918 vitimado pela gripe pneumónica.

 

Na sua obra, eminentemente nacionalista, figuram composições para piano, canto e piano, violino e piano e violoncelo e piano para além de um bom número de obras para grande orquestra, nomeadamente a “Rapsódia Eslava” e o Poema Sinfónico “Babilónia”; ainda hoje se encontra inédita a sua ópera “Inês de Castro”.

 

Pois é! David de Souza foi um compositor brilhante que nos deixou músicas muito agradáveis de ouvir e que depois de um longuíssimo silêncio, volta agora a poder ser escutado pois o Maestro António Ferreira foi desencantar as partituras que deviam estar fechadas a sete chaves nalgum baú esquecido numa cave escura.

 

Então, acompanhem-me primeiro ao YouTube: é lá que encontramos várias peças deste Autor em gravações actuais, todas interpretadas pelo Maestro António Ferreira ao piano, pela soprano Ana Leonor Pereira e pelo violoncelista Pedro Neves: concentrem-se nas melodias para ficarem com uma ideia da qualidade do Autor. Tenho a certeza de que me vão dar razão quando digo que se trata de um conjunto de músicas que se ouvem com muito agrado. De seguida façam justiça aos intérpretes reconhecendo que merecem o nosso aplauso.

 

http://www.youtube.com/watch?v=9vnrVJJOXnY

http://www.youtube.com/watch?v=yEq107Gl3ik

http://www.youtube.com/watch?v=RZ9xtrLbQ-8

 

Mas se quiserem ter uma ideia mais precisa da qualidade do compositor e dos intérpretes, então acompanhem-me ouvindo o CD que a Câmara Municipal e o Casino da Figueira da Foz patrocinaram homenageando David de Souza. Obtive-o há menos de 24 horas e já o ouvi 4 vezes. De cada vez gostei mais do que na anterior e vou continuar… No CD, a qualidade da gravação ultrapassa largamente o som permitido pelo YouTube pelo que acabamos percebendo detalhes que nos vídeos não notamos. E aqui já podemos apreciar melhor o trabalho dos intérpretes. Veludo, é a ideia que me ocorre. Ana Leonor Pereira tem sublimes agudos em pianíssimo e Pedro Neves delicia-nos com o violoncelo que pertenceu ao compositor. E por mais que me digam que o piano apenas acompanhou, todos sabemos que as mãos são as do Maestro que tudo produziu.

 

Fico sem saber se dar os parabéns aos intérpretes e patrocinadores ou se lhes agradecer com um sincero obrigado. Faço as duas coisas: PARABÉNS e OBRIGADO!

 

Porto Santo-MAI15-B.jpg

Henrique Salles da Fonseca

QUEM DESCOBRIU O QUÊ?

 Lagos das Sete Cidades.jpg

 

LAGOA DAS SETE CIDADES

 

 

1334

 

A barca Marajó, construída por alguns portugueses e índios na Amazónia, regressa a casa, Portugal.

 

Visita todas as ilhas a que mais tarde chamaram Açores.

 

Rumo a casa, a última ilha que se avistava no caminho, contornam pelo sul onde encontram uma magnifica angra que parecia convidá-los a entrar, convite aceite. Ainda não tinham os pés em terra, uma surpresa bem maior. Todas as ilhas anteriormente visitadas eram desabitadas e agora surgia-lhes pela frente um homem, nos seus trinta a quarenta anos, gordo, coberto de peles e farrapos, chorando de alegria, querendo abraçar a todos, limitando-se a dizer, enquanto nos intervalos dos abraços ajoelhava, voz entrecortada pela profunda emoção e pronúncia galego-arcaico Deo Gratias, Deo Gratias! Quem seria, quantos seriam, donde tinha vindo? A emoção do homem era imensa, e levou tempo a sossegar.

 

Rodeado por quase toda a tripulação, grande a dificuldade para falar e para ser entendido, contou a xua xaga! Que saga!

 

Tiña naxido nâutra isla que está prálém, naquela direxon, apontava a sul com nascente, prá donde tiñam bindo os xeus antepaxados há muitoss e muitoss anoss. La tradixon diz que bieram xunto cum los bispos de Braccara, qundo fuxiram da inbaxão dos infiéss muxulmanoss. Eram xete bispos que fixeram xete xidades ca bem da berdade num eram mais que xete poboaditos, unde todos bibiam em harmonia.

 

Um clima muito bão, tudo xempre berde, nunca faltou o comer, nem aqui, cumo podem ber p´la miña barriga, mass de bez incanto uns quantoss, canxados de biberem inxolados na isla, faxiam uma embarcaxon, mal feita, tásse a ber, iam pó mar e nunca maiss xóbia falar deless. Por exa raxon la populaxon num crexia. Duass a trêss mil almas de Deus Nuestro Señor Xexus, todos se coñexiam, todos primos, la tristexa há muito tomara cunta daquela xente. La maioria queria ir imbora mas num faxia idéia cumo, nem pr´unde xeguir. Ninguém xabia mais unde ficaba a Galéxia.

 

Ass xidadess foram construídass num lugar alto, linda bista pá isla e mar, xempre alguém de bigia à espera de abistar um barquito qalquer que biesse axudar a melhorar las bidas noxas. Um dia la tierra tremeu muinto e todos se axustaram. Já tiñam xentido outros tremoress, mas esste foi mais balente. No dia xeguinte tremeu mais e quaxe todas las caxas caíram. Foi una dessgraxa. Recomeçaram, tristes, a faxer tudo de novo e eu fui mandado al mar, com mais trêss compañeiross, lebantar las redess de pesca que debiam ter peixe pralguns dias. Mal apañámos las redes qundo oubimos um estrondo medoño. La isla toda tremeu cum tanta biolênxia que parexia querer afundar-xe. No lugar unde estabam las caxas lebantou-xe una coluna de fumo que tapou tudo, até o xol. Ficámos horrorixados, xabendo que nem xequer podíamos xubir la montaña porque el fumo era tan espêxo que num dava pra enxergar um palmo en la frente, e axim ficou talbez uns dez dias.

 

Logo que pudemos, galgámos aquela xubida e el nuestro espanto e terror num tem descrixão. Todas las cidades habiam xido engolidas per lo chão. Ali, unde fuera uma plataforma marabilhoxa era um buraco, fundo, e dentro del nada se abistaba. Nem resíduoss de las caxas, nem de xente, nada. Um dos compañeiros, caxado, e cum filhito pequeno, dexesperado xogou-se dali a baxo pra se xuntar aos xeus. Una gran tristexa. Ficámos xó trêss que durante muito tiempo corremos la isla toda, palmo a palmo à procura de xobrebibentes. Nem unxiño. Foi qundo dexidimos faxer também una embarcaxão e ir pra qólquer lado! Lo que ponderiamos ficar ali a faxer três homes? Quando la xangada ficou pronta entrámos enela. O bento e corrente lebaram-nos hasta outra isla que tiña um bulcão cuspindo lume fuerte, e cumo já tiñamos bisto lo que pode acontexer com uma cosa dessas, voltámoss a embarcar.

 

Loutra isla al lado estaba en la misma. Finalmente el bento mudou, empurrando la xente nesta direxão e biémos parar aqui unde agora estamos. Xaímos duma isla e biémos parar nâutra. Num gañámos nada com ixo. Esta foi la “Terxeira” que encontrámos despois da noxa xaída. Los meus compañeiross, dexsesperadoss desta bida de xulidão, um belo dia embarcaram de novo e nunca mais los bi. Fiquei xóxinho. Num xei quntos anos xe paxaram desde que aqui xeguei, porque nunca fiz bem las contas. Xó fui faxendo unos riscos naxárboles pra cuntar o tempo. Pra quê? Cuntaba las lunas que me parexeu melhor. Naxárboles tenho marcadas todas las lunas desde la miña xegada!

 

Relato «imprexionante»! Quando terminou estava tão emocionado que chorava como criança. Disse chamar-se João Robles.

 

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Francisco Gomes de Amorim

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