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A bem da Nação

MÃE - memória

 

MM-Mãe educadora.png

 

 

Não lembro os abraços da infância

Que a tua missão

Era abraçar o mundo…

Lembro o amor ao sacrifício

E o suplício

De sentires um irmão

Em cada um;

E lembro o sofrimento

Vasto e profundo

E a enorme tortura

Pra curares as feridas

A toda a criatura.

Não lembro os abraços da infância

Mas a constância

Do ensinamento

E o colo mais largo

No abraço Mulher

De Mãe diamante

Quando ele é instante

Por ser tão tamanho

O nosso sofrer!

 

Maria Mamede.jpg Maria Mamede

MAR PLANO, AMOR LOUCO

 

 

 

 

As gentes de Olhão mostraram várias vezes ao longo da História que são gente valente. Os factos mais citados têm a ver com as acções de guerrilha que moveram contra os ocupantes franceses em toda a serra do Caldeirão. Expulsos os ocupantes, enviaram em 1808 ao Brasil um caíque, barco de dois mastros relativamente pequeno, com a notícia dessa expulsão assim dando a saber ao rei D. João VI que já podia regressar ao reino pois a população lhe defendera o trono.

 

Foi já D. Pedro IV que atribuiu a Olhão o complemento “da restauração”. Ficou a chamar-se – e disso ainda hoje muito se orgulha – Vila de Olhão da Restauração. A diferença está em que actualmente já é cidade e não mais vila.

 

Mas nem todos os actos heróicos têm a ver com guerras, invasões e momentos que a História Nacional registe. Sim, há os que não conduzirão os seus autores ao sossego do Panteão Nacional mas que, mesmo assim, são dignos de nota.

 

Foi o caso de um rapaz solteiro e duma jovem recém-casada, ambos naturais e residentes na Ilha da Culatra, nos idos de 50 do século passado. Bem solteiro e mal casada, davam-se de amores secretos e não hesitaram em ditar a vida pelas suas próprias vontades. Se na Culatra lhes proibiam o amor, então havia que encontrar sítio onde se pudessem amar…

 

E foi pela calada da noite de 1 de Outubro de 1958 que José Belchior e Felismina Inês zarparam da Culatra num barquito de 6,5 metros de comprimento e 2 de boca, o Natília Rosa, com destino … ao Brasil.

 

 SaveiroBelchior.jpg (27240 bytes)

 

Cavalheiro, poupou a amada aos esforços físicos inerentes à tripulação de barco tão pequeno pelo que pediu ajuda a José Eduardo Guerreiro que o rendesse na árdua tarefa da navegação. Assim aportaram a Dakar onde ficaram durante 5 meses. Inebriado pela vida nocturna da capital da colónia francesa, o ajudante Guerreiro decidiu ficar-se por ali e foi rendido por outro aventureiro, o espanhol Adrián Léon Diaz.

 

Nos 99 dias que levaram de seguida para atravessar o Atlântico enfrentaram vagas de 10 metros, perderam a única panela que levavam da Culatra e passaram a cozinhar no bacio que Felismina usava até então. Quase morreram na praia de Alcobaça, na Bahia, mas finalmente chegaram a Porto Seguro no dia 29 de Junho do ano seguinte (1959) onde, exaustos, já entraram rebocados pelo faroleiro.

 

Passados dois meses nasceu Fátima, a primeira dos três filhos que tiveram. Dedicaram-se à agricultura e à pesca. Viveram. E passados 42 anos voltaram à Culatra. Rija festa lhes fez Olhão que em Junho de 2001 descerrou na Ilha uma lápide comemorativa do feito destes aventureiros para quem o mar foi plano porque o amor era louco.

 

 

Henrique Salles da Fonseca, Vietname, NOV14

Henrique Salles da Fonseca

(Nov14 - à entrada das grutas da Baía de Halong, Vietname)

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