Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A bem da Nação

INDECOROSO

 

basta.jpg

  

A propósito da sustentabilidade das reformas...


VERGONHA é comparar a reforma de um Deputado com a de uma viúva.


VERGONHA é um Cidadão ter que descontar 40 ou mais anos para receber reforma e aos Deputados bastarem somente 3 ou 6 anos conforme o caso.

VERGONHA é que aos membros do Governo, para cobrar a pensão máxima, só precisem do Juramento de Posse.


VERGONHA é que os Deputados sejam os únicos trabalhadores deste País que estão isentos de 1/3 do seu salário em IRS… e reformarem-se com 100% enquanto os trabalhadores se reformam na base de 80%.


VERGONHA é pôr na Administração milhares de Assessores (leia-se «amigalhaços») com salários que os Técnicos mais qualificados desejariam.


VERGONHA é a enorme quantidade de dinheiro destinado a apoiar os Partidos, aprovados pelos mesmos políticos que vivem deles.


VERGONHA é que a um político não se exija a mínima prova de capacidade para exercer o cargo.


VERGONHA é o custo que representa para os Contribuintes a sua comida, carros oficiais, motoristas, viagens (sempre em 1ª Classe), cartões de crédito...


VERGONHA é que S. Exas. tenham quase 5 meses de férias ao ano (48 dias no Natal, uns 17 na Semana Santa mesmo que muitos se declarem não religiosos e uns 82 dias no Verão).


VERGONHA é S. Exas., quando cessam um cargo, manterem 80% do salário durante dezoito meses.


VERGONHA é que ex-Ministros, ex-Secretários de Estado e altos cargos da política quando cessam funções são os únicos Cidadãos deste país que podem legalmente acumular dois salários do Erário Público.


VERGONHA é que se utilizem os meios de comunicação social para transmitir à sociedade que os Funcionários só representam encargos para os bolsos dos Contribuintes.


VERGONHA é ter residência em Sintra e cobrar ajudas de custo pela deslocação à Capital porque dizem viver noutra Cidade.


Não fazemos agravo a ninguém, salvo o escândalo de termos princípios, História, coragem e razão.


Recebido por e-mail, Autor não identificado

DE QUE DINHEIRO PRECISAMOS?

 historia-da-moeda-009.jpg

 

Escreveu Suetónio, na "Vida dos Césares", que o imperador Vespasiano, ao ser interpelado pelo filho, Tito, por taxar o uso dos urinóis, ter-lhe-á mostrado uma moeda de ouro

… e dado a entender que o dinheiro não tem cheiro.

 

Bem… Isso foi há dezanove séculos. “O mundo mudou”, como diz o engenheiro.

 

E hoje, o dinheiro tem muitos cheiros: o perfume dos banqueiros e políticos; o suor dos desempregados e condenados à indigência; o cheiro dos traficantes dos off-shores; e, sobretudo o fedor dos corruptos, os poucos que estão presos e os muitos à solta.

 

Dito isto, precisamos do dinheiro. Precisamos? A questão é, antes, de que tipo de dinheiro precisamos. À frente dos nossos olhos, um brutal conjunto de escolhas políticas, financeiras e culturais transformou o dinheiro de mero objecto que era, em sujeito que nos controla a vida e pode cheirar muito mal, desde o plástico dos cartões, aos negócios do tráficos de armas, drogas, pessoas, órgãos humanos e diamantes.

 

As confusões abundam neste assunto. Durão Barroso afirmou que Portugal ia receber uma pipa de massa, insinuando que a riqueza resulta dos fundos europeus. Tão mal aproveitadinhos, benza-os Deus! Há quem diga que ganha pouco dinheiro; a confusão é grande com rendimentos.

 

Riqueza é o valor de um património, a começar pelo capital humano. Rendimento é o que alguém recebe, sujeito às mil vicissitudes do valor da moeda. Agora dinheiro, dinheiro, é outra coisa. Pode mesmo resumir-se as funções do dinheiro num verso de pé-quebrado: Dizem que o dinheiro/Tem muita utilidade/ Serve de meio e padrão/ De cofre e unidade.

 

No Antigo Testamento, Deus e Mamon estão sempre em conflito. A ganância e a avareza são devoradoras. O Novo Testamento diz que ninguém pode servir a dois senhores. (Mateus 6:19-24). Paulo afirma em Timóteo I (16.10) que o amor pelo dinheiro é a raiz de todo o mal. E Tomás Moro – um santo da Igreja católica e do movimento comunista que escreveu a Utopia, faz agora 500 anos – repetiu o alerta. Nem ele sabia como tinha tanta razão no séc. XXI.

 

Desde as conchas da Polinésia, às moedas do Rei Midas – que tinha orelhas de burro – até aos depósitos em bancos e aos bitcoins, o dinheiro mudou de forma. Mas sempre com a simplicidade assustadora de ter atrás de si uma entidade que o cria do nada, e outra que o vende.

 

Aqui é que a porca torce o rabo. Segundo o Positive Money, movimento em crescendo na Inglaterra, cerca de 95% do dinheiro que circula é criado por bancos privados. Quem lhes permitiu isso foram os poderes soberanos. E a ideologia de serviço chama-se neoliberalismo.

 

Com a desregulamentação imposta pelo Consenso de Washington, criou-se a tempestade perfeita que fez do dinheiro um senhor em vez de nosso servo. A varinha mágica chama-se dinheiro escritural e que resulta da prática permitida de os bancos manterem apenas uma fracção dos depósitos recebidos sob a forma de dinheiro e outros activos financeiros e de emprestar o restante, criando dinheiro ou direitos de resgate.

 

A velocidade de circulação do dinheiro escritural é ajudada pelos cartões de débito e crédito. Um amigo meu que trabalha com famílias sobre-endividadas descobriu uma com 23 cartões de crédito.

 

O sistema das reservas fraccionadas que desrespeitou os rácios pedidos pelas entidades reguladoras; a cisão entre valor nominal do dinheiro e o seu valor de utilidade intrínseca; a abdicação dos controlos soberanos; tudo junto, deu nesta lindeza em que estamos.

 

Estando o dinheiro bancário exposto ao risco de insolvência da instituição de depósito, sempre que há desconfiança na instituição ou no sistema, pagamos nós, ou seja o Estado. Mais de oito anos a resgatar bancos desde 2008, mostra que não é solução.

 

E assim voltamos ao dinheiro ao qual até os soberanos se vergam, tanto quanto a classe média que está a ficar pobre com a austeridade e os pobres que ficaram desempregados porque o dinheiro mau expulsou o dinheiro bom e tornou-se gerador de dívida para famílias e empresas.

 

Só lucrou o 1% da casta de novos senhores. Por isso, abençoadas sejam as dezenas de casos de Panama Papers como as continhas de escriturário do dr. Salgado que pagou a 100 amigos. Centenas de perversos financeiros e dezenas de bancos andam a ser investigados.

 

Contudo, a perversão financeira dos últimos 20 anos do Ocidente e do resto do mundo não irá parar enquanto não for bolado um plano para mudar o tipo de dinheiro que precisamos. Varoufakis caiu porque não pensou nisso. E os Prémios Nobel da Economia esfregam a carequinha sem que saia chispa.

 

Não há volta a dar: enquanto não tivermos um outro tipo de dinheiro, não sairemos da crise como, juntamente com João Gil Pedreira e Nazaré Barros, procuro expor num livrinho a sair em Maio deste ano: “O dinheiro das nossas (dí)vidas”.

 

Mendo Castro Henriques.jpg

Mendo Castro Henriques

Faculdade de Ciências Humanas, Universidade Católica Portuguesa

 

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2006
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2005
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2004
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D