Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A bem da Nação

FACILITANDO…

 

Doutor Salazar.jpg

 

A propósito do projecto de Estatuto do Ensino Superior, escrevia Salazar a Marcello Caetano em 21 de Março de 1956:

 

(…) O projecto é todo informado do espírito da facilidade – exames por cadeiras e não por grupos, interrogatório único, segunda época de exames em Outubro para os reprovados até 2 cadeiras na primeira época, etc., etc. – tudo matérias que antigamente se consideravam muito delicadas. (…) Não me parece bem a orientação seguida (…)

A tendência é para facilitar que se tenha um curso, seja como for. Há vantagem nisso? (…)

 

 

Henrique num templo indú em Goa.jpg

Henrique Salles da Fonseca

(algures em Goa, NOV15)

 

 

BIBLIOGRAFIA:

Freire Antunes, José – SALAZAR – CAETANO cartas secretas 1932-1968; Círculo de Leitores, ed.1993. pág. 375

MALANDROS

 

A História tem pela frente séculos suficientes para deixar a poeira assentar e essa parece razão suficiente para não tecermos juízos de valor sobre ocorrências nossas contemporâneas. A distância no tempo arrefece as paixões e essa tem sido uma condição importante para a observação de factos polémicos, esses que a História regista; os consensuais não se libertam facilmente da lei da morte.

 

Ainda por cima eu acredito que o futuro é muito mais longo que o passado e, portanto, tenho grande sossego quanto à pressa que devemos imprimir à apreciação histórica do nosso tempo. Quero acreditar que vai haver muitos mais historiadores do que todos aqueles que já o foram ou são. 

 

Mugabe.jpg

 

Todos sabemos que Mugabe promoveu uma série de barbaridades contra agricultores brancos no Zimbabwe, que o país deixou de produzir alimentos, que a actividade económica geral se despenhou, que a inflação disparou e tudo quanto há de pior nas perspectivas económicas – e, portanto, financeiras – vem acontecendo naquele que em tempos foi sede do Império do Monomotapa. O fulano é um malandro que parece viver rodeado das maiores mordomias enquanto o povo se debate com problemas diários de sobrevivência.

 

Nesta última perspectiva – a das mordomias presidenciais versus miséria popular – não vejo diferença entre Mugabe e os demais políticos africanos. Portanto, se por isto ele é um malandro, todos os outros o são também mas se ele é um malandro porque promoveu o assassinato de agricultores brancos e a ocupação das terras por negros, não vejo no que o distinguir dos políticos que lideraram Angola e Moçambique nos idos de 1975 e seguintes. E se ele é um malandro porque promoveu a chacina de etnias negras zimbabweanas tradicionalmente adversas à sua própria, não vejo onde possa estar a diferença entre ele e a maior parte dos políticos que alguma vez na História de África se sentaram na cadeira do Poder.

 

Ou seja, Robert Mugabe é de facto um malandro sem sombra de qualquer dúvida mas não há-de morrer de tédio por falta de companhia na classe dos malandros.

 

A questão, no entanto, nada tem a ver com critérios africanos mas única e exclusivamente europeus: os agricultores brancos assassinados ou expulsos do Zimbabwe eram ingleses enquanto os brancos assassinados ou expulsos de Angola e Moçambique eram portugueses. E esta é a única diferença. Portanto, medidas diferentes para casos idênticos.

 

O que se passou no Zimbabwe foi uma barbaridade; o que se passou em Angola e Moçambique foi uma «justiça da História», uma «luta pela autodeterminação» e outras coisas que já nem lembro.

 

Pasme-se.

 

É claro que Mugabe é um malandro mas tão malandro como ele é quem hoje manda escrever a História do lado contrário ao dele.

 

Henrique Salles da Fonseca, Hanói, NOV14.JPG

Henrique Salles da Fonseca

(em Hanói, na casa de Ho Chi Minh)

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2006
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2005
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2004
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D