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A bem da Nação

PALAVRAS DIFÍCEIS

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Pensa que sabe tudo sobre o idioma que fala?

Quase de certeza que se engana pois é muito provável que desconheça totalmente a existência destas 90 palavras portuguesas.

Está preparado para sentir alguma frustração quando perceber que não conhece muitas das palavras que apresentamos?

Veja se conhece ou não as palavras da lista e, no final, comente o resultado. Mas se não conhecer nenhuma delas não se preocupe pois é bem provável que não seja o único.

·         Babiaque – Nome comercial da casca da árvore-da-goma-arábica.

·         Bricolagem – Combinação de elementos extraídos de obras distintas.

(continua)

PLEONASMOS

 

pleonasmo.jpg

 

Quase todos os portugueses sofrem de pleonasmite, uma doença congénita para a qual não se conhecem nem vacinas nem antibióticos. Não tem cura, mas também não mata. Mas, quando não é controlada, chateia (e bastante) quem convive com o paciente.

 

O sintoma desta doença é a verbalização de pleonasmos (ou redundâncias) que, com o objectivo de reforçar uma ideia, acabam por lhe conferir um sentido quase sempre patético.

 

Definição confusa? Aqui vão quatro exemplos óbvios “Subir para cima”, “descer para baixo”, “entrar para dentro” e “sair para fora”.

 

Já se reconhece como paciente de pleonasmite? Ou ainda está em fase de negação? Olhe que há muita gente que leva uma vida a pleonasmar sem se aperceber que pleonasma a toda a hora.

 

Vai dizer-me que nunca “recordou o passado”? Ou que nunca está atento aos “pequenos detalhes”? E que nunca partiu uma laranja em “metades iguais”? Ou que nunca deu os “sentidos pêsames” à “viúva do falecido”?

 

Atenção que o que estou a dizer não é apenas a minha “opinião pessoal”. Baseio-me em “factos reais” para lhe dar este “aviso prévio” de que esta “doença má” atinge “todos sem excepção”.

 

O contágio da pleonasmite ocorre em qualquer lado. Na rua, há lojas que o aliciam com “ofertas gratuitas”. E agências de viagens que anunciam férias em “cidades do mundo”. No local de trabalho, o seu chefe pede-lhe um “acabamento final” naquele projecto. Tudo para evitar “surpresas inesperadas” por parte do cliente. E quando tem uma discussão mais acesa com a sua cara-metade, diga lá que às vezes não tem vontade de “gritar alto”: "Cala a boca!”?

 

O que vale é que depois fazem as pazes e vão ao cinema ver aquele filme que “estreia pela primeira vez” em Portugal.

 

E se pensa que por estar fechado em casa ficará a salvo da pleonasmite, tenho más notícias para si. Porque a televisão é, de “certeza absoluta”, a “principal protagonista” da propagação deste vírus.

 

Logo à noite, experimente ligar o telejornal e “verá com os seus próprios olhos” a pleonasmite em directo no pequeno ecrã. Um jornalista vai dizer que a floresta “arde em chamas”. Um treinador de futebol queixar-se-á dos “elos de ligação” entre a defesa e o ataque. Um “governante” dirá que gere bem o “erário público”. Um ministro anunciará o reforço das “relações bilaterais entre dois países”. E um qualquer “político da nação” vai pedir um “consenso geral” para sairmos juntos desta crise. E por falar em crise!

 

Quer apostar que a próxima manifestação vai juntar uma “multidão de pessoas”?

 

Ao contrário de outras doenças, a pleonasmite não causa “dores desconfortáveis” nem “hemorragias de sangue”. E por isso podemos “viver a vida” com um “sorriso nos lábios”. Porque alguém a pleonasmar, está nas suas sete quintas. Ou, em termos mais técnicos, no seu “habitat natural”.

 

Mas como lhe disse no início, o descontrolo da pleonasmite pode ser chato para os que o rodeiam e nocivo para a sua reputação. Os outros podem vê-lo como um redundante que só diz banalidades. Por isso, tente cortar aqui e ali um e outro pleonasmo. Vai ver que não custa nada. E “já agora” siga o meu conselho: não “adie para depois” e comece ainda hoje a “encarar de frente” a pleonasmite!

 

Ou então esqueça este texto. Porque afinal de contas eu posso estar só “maluco da cabeça”

Autor não identificado, recebido por e-mail.

 

 

 

 

A SUBSTÂNCIA POLÍTICA DA BOFETADA

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Pode ser romântico, mas a existência de personagens novecentistas como João Soares na política igualitária e dessacralizada do século XXI é um anacronismo que só podia acabar como acabou: numa demissão.

 

Há quem julgue que a ameaça de João Soares a Augusto M. Seabra e a Vasco Pulido Valente não passou de uma simples declaração de deselegância ou de falta de chá. Não é o caso. Muitos pensam que a promessa de umas “salutares bofetadas” são apenas um impropério vulgar de uma pessoa que há muitos anos se afirma em público pela grosseria travestida em desassombro ou em coragem política. É pouco para explicar o lamentável episódio que conduziu à sua abençoada demissão. João Soares deu-se ao luxo de armar em cavalheiro do tempo das cartolas e das bengalas para se dedicar à justiça por mãos próprias porque faz parte de uma certa classe de políticos que se julgam investidos de um direito divino a viver e agir acima dos mortais.

 

É essa convicção de déspotas iluminados pelo passado e pela intransigência ideológica que os leva a confundir a ameaça com a liberdade de opinião, o direito de resposta com o castigo aos que os ousam questionar. Um plebeu da política, tipo Passos Coelho ou Jorge Coelho ou Mário Centeno ou Augusto Santos Silva, seria fuzilado se alguma vez ousasse sequer meter um estalo no discurso; um aristocrata da política, como João Soares, pode prometê-los a quem bem entender porque, vindo de quem vem, não é ameaça, nem insulto, nem deselegância, nem terceiro-mundismo. É direito à palavra.

 

Pode ser romântico, mas a existência de personagens novecentistas como João Soares na política igualitária e dessacralizada do século XXI é um anacronismo que só podia acabar como acabou: numa demissão. Na sexta-feira, quando o país se ria ou indignava com a ameaça patética do ministro, tornou-se premente saber como iria o primeiro-ministro reagir. Costa, porém, esteve bem. Não precisava afrontar uma ala poderosa do seu partido, e não o fez. Não precisava de se assumir como um espalha brasas que vocifera à primeira contrariedade de um elemento cuja escolha foi da sua responsabilidade, e não o fez. Revelando a sua meticulosa arte de aranha política, capaz de construir teias à medida para qualquer estratégia, limitou-se a deixar o isco envenenado. Dizendo que um ministro é um ministro até no café. E pedindo desculpas aos visados. Dificilmente um diplomata experiente seria capaz de produzir um ultimato com tanta subtileza e eficácia.

 

Quando um ministro se digna prometer bofetadas a críticos numa página de uma rede social, a suspeita de que perdeu a noção das coisas torna-se pertinente; quando é forçado a demitir-se e não é capaz de perceber o erro em que caiu, a certeza de que vive num mundo paralelo, na qual uma qualquer cultura de valores jacobina e elitista ainda reina, ganha consistência. Ao cair, João Soares arrasta consigo um pouco dessa corte que se julga ter direito a tudo e a ser capaz de tudo por ter um passado e ideias irredutíveis que o testemunham. O PSD há muito que aboliu os baronatos e desceu ao país das pessoas comuns. É boa notícia que o PS esteja a seguir o mesmo caminho. Como dizia Paulo Rangel, está na hora de acabar com os doutores. Os que se julgam tão sábios e tão etéreos que até acham que as bofetadas podem ser “salutares”.

 

10/04/2016

 

MANUEL CARVALHO

 

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