Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A bem da Nação

A LUSOFILIA NUMA PERSPECTIVA DE FUTURO

V

 

L'école.png

 

Educar é hoje uma missão muito difícil

 

É claro que os pais se preocupam com o bem dos filhos. Sabemos que depende deles o futuro da sociedade e não podemos deixar de fazer o melhor pela formação  das novas gerações. Temos que lhes dar uma forte capacidade de se orientarem na vida e sobretudo de distinguirem o bem do mal.

 

A "ruptura entre as gerações" de que tanto se fala resulta da não transmissão de certezas e valores. Resulta da interrupção criada pela renúncia daqueles que deviam assumir a função educativa: os pais. Estão em causa as responsabilidades pessoais dos adultos, que são reais e não devem ser escondidas, mas também a atmosfera difusa a que se referia Lipovetsky na citação anterior, aquela mentalidade e forma de cultura que fazem duvidar do significado do bem. Então, torna-se difícil transmitir de uma geração para a outra algo de válido e de certo, regras de comportamento, objectivos credíveis com base nos quais construir a própria vida.

 

Estas dificuldades são a outra face da moeda que é a liberdade e esta constitui uma relação biunívoca com a responsabilidade. A liberdade de cada um de nós cessa onde começa a do nosso vizinho e se queremos ser livres, então temos que assumir a responsabilidade dos actos que livremente praticamos. Só é responsável quem é livre e a actual irresponsabilidade não é atributo por que devamos pugnar. Não pactuemos com a transfiguração da liberdade em libertinagem. Sejamos merecedores da liberdade de que usufruímos.

 

E é disso que aqui tratamos: de uma educação que o seja verdadeiramente e não se limite ao débito de programas curriculares de mera base científica, sem qualquer orientação pró-ética. Há pais angustiados com o futuro dos filhos; os professores sofrem com a degradação das escolas e do sistema de ensino; a sociedade, no seu conjunto, vê postas em dúvida as próprias bases da convivência e muitos são por certo os jovens que não querem ser deixados sozinhos perante os desafios da vida.

 

Por tudo isto, parece urgente assentar naquilo que devemos apelidar de exigências comuns de uma educação ética.

 

A educação reduz-se à dimensão de mera instrução quando se limita a dar noções e informações deixando de lado a grande pergunta: o que é o bem? E seguindo nessa senda, há que distinguir entre o bem individual, o bem plural e o bem nacional que servem para a vida dos governados, os contribuintes. Mas a essas dimensões do bem há que juntar o Sentido de Estado, ou seja, o bem a que devem obedecer os governantes, os contribuídos, a quem cumpre gerir a causa comum.

 

E se a causa comum resulta duma discussão democraticamente desenvolvida, ela tem que assentar em princípios morais que derivem linearmente do conceito de bem, tudo conjugado num edifício a que deveremos chamar política de base ética e bem comum. Ou seja, a Ética e o Sentido de Estado estão ligados numa relação íntima em que nenhum dos dois pode existir sem o outro.

 

Mas há outra questão que tem a ver com o equilíbrio entre a liberdade e a disciplina.

Educação bem sucedida é a que dá formação para o recto uso da liberdade e as regras de comportamento, utilizadas no dia-a-dia, formam o carácter. Só um carácter bem formado permite a preparação necessária para se enfrentarem as vicissitudes que não faltarão ao longo da vida. E é do disciplinado uso da liberdade que naturalmente resulta o sentido de responsabilidade, essa que começa por assumir uma dimensão individual e a partir da qual construímos a responsabilidade plural, como residentes numa cidade, como membros de uma nação.

 

E as ideias, os estilos de vida, as leis, as orientações gerais da sociedade e a imagem que dela dão os meios de comunicação ao exercerem uma grande influência sobre todos nós – tanto para o bem como para o mal – impõem-nos que cuidemos da formação das novas gerações de modo a que elas saibam com exactidão distinguir entre o que devem escolher e o que devem rejeitar, sem se deixarem influenciar por motivações menos transparentes dos fazedores públicos de opinião tantas vezes ao serviço de interesses mais sinuosos do que aquilo que descortinamos à primeira vista.

 

(continua)

 

Henrique Salles da Fonseca

Henrique Salles da Fonseca

A LUSOFILIA NUMA PERSPECTIVA DE FUTURO

 IV

 

Hedonismo.jpg

 

Reinventando uma Ética para o século XXI

 

Essa, a missão que se espera das elites e, mais concretamente, ao que devemos conduzir as elites lusófilas: a educar seguindo um conjunto de princípios éticos de inspiração universal mas sem descurar o enquadramento étnico de cada comunidade ou País da Lusofilia.

 

Chamemos-lhe educação cívica ou outro nome que possa ser mais consensual, discutamos o conteúdo programático duma tal disciplina curricular dos Ensinos Oficiais em cada um dos nossos países mas não deixemos a juventude entregue ao hedonismo reinante e sem um rumo ético.

 

É que mais perigoso do que viver numa sociedade imoral é deixarmos que se forme uma sociedade amoral.

 

Esta questão é tanto mais grave quanto os pais se demitiram da função educativa dos filhos deixando essa tarefa para os professores, função para que estes não estão formalmente preparados e quando muitas vezes nem conseguem dar o programa curricular que lhes está consignado em matérias mais prosaicas do que éticas.

 

Professores que estão hoje no fio da navalha em que se transformou a sociedade actual. Lembram domadores de feras pois deixaram de ter como principal missão ensinar os programas oficiais e passaram a ter que domar umas criaturas a quem os pais disseram que tudo lhes é devido, que a tudo têm direito sem esforço. Foi disso que os demagogos convenceram os pais e estes transmitiram aos filhos, toda a irresponsabilidade transfigurada em direito.  É claro que agora o esforço de retorno à vida responsável, ao inadiável realismo, vai ser um processo muito doloroso e os primeiros a dar de frente com o problema são os Professores. E como os pais não perceberam que a vida de irresponsabilidade que o laxismo lhes incutiu já acabou, revoltam-se e … vão às Escolas bater nos Professores. Eis o cenário em que deambula o «professor perdido».

 

Urge devolver a dignidade aos professores.

 

(Continua)

 

Henrique SF em Angkor Wat (NOV14).JPGHenrique Salles da Fonseca

(em Angkor Wat, Camboja, Novembro 2014)

A LUSOFILIA NUMA PERSPECTIVA DE FUTURO

 

III

 

Power and Glory.jpg

Chegados à filosofia do poder, deparamo-nos com a anomalia de todos os direitos serem outorgados aos poucos campeões e todas as obrigações serem imputadas a um mar de vencidos.

 

E o que será melhor? Ser-se servo num eldorado ou Senhor num mundo de miséria?

 

A aculturação das populações a um modelo standard e globalizado corta o acesso às raízes culturais mais endógenas e isso anula a ética étnica, essência da cultura mais íntima dos povos. Mas a etnologia é hoje objecto morto de Museu bolorento e escassamente visitado. Em simultâneo, quando esse desenraizamento conduz as pessoas para o mundo da globalização competitiva, então está-se a enviar populações inteiras para um mundo em que não há que olhar a meios para alcançar fins. Se a isto somarmos a atracção que as cidades exercem sobre as populações rurais flageladas pelas guerras, pela inviabilização da ruralidade e pela apologia do urbanismo, compreenderemos a selva urbana em que as nossas grandes metrópoles se transformaram. Pululam os exemplos no espaço lusófono.

 

E como diz Gilles Lipovetsky no seu livro “O crepúsculo do dever”, (...) A sociedade post-moderna ou post-moralista designa a época em que o dever se adocicou e tornou anémico, em que a ideia do sacrifício pessoal se ilegitimou socialmente, em que a moral já não exige que as pessoas se devotem a uma causa superior, em que os direitos subjectivos dominam os mandamentos. (...) o mal transformou-se em espectáculo, o ideal pouco engrandecido. Se perdura a crítica do vício, o heroísmo do bem enfraquece. Os valores que reconhecemos são mais tidos como negativos do que como positivos. (...) triunfa uma moral indolor (...).

 

Neutralizadas tanto a Moral como a Ética clássicas e modernistas, no pós-modernismo promoveu-se a competição em que tudo serve para subir na ostentação. E subir JÁ! A globalização fez isso aos países chamando-lhe competitividade. O que interessa é alcançar os objectivos. Como? Isso é o que menos interessa desde que eles sejam alcançados e, também nesta dimensão macro, JÁ!

 

O hedonismo deixou de ser uma chaga individual para assumir a dimensão plural e, pior, passar a ser considerado «politicamente correcto». O carpe diem horaciano é hoje adubo dos discursos políticos e faz doutrina junto da mole de incautos que ouve, aplaude e, pior que tudo, crê.

 

Podemos, querendo, promover o regresso do discurso da verdade sob pena de, pelo silêncio, darmos guarida a soluções que passem por fora da democracia pluralista em que queremos viver.

 

Aqui chegados, urge perguntar que solução temos à nossa frente. Adoptarmos o imobilismo monástico à espera que a crise passe? Entregarmo-nos, à moda muçulmana, nas mãos do fatalismo indiscutível? Preconizarmos um regresso às origens étnicas, folclóricas?

 

Não nos parece que atitudes de medo, de fatalidade ou de recuo sirvam o futuro por que ambicionamos.

 

Pelo contrário, creio que devemos partir rumo ao futuro pois é natural a ânsia de progresso dos povos a que pertencemos.

 

Sim, temos o direito de subir mas temos a obrigação de promover a subida dos que nos rodeiam para podermos dizer como Nelson Mandela que “a educação é o grande motor do desenvolvimento pessoal. É através da educação que a filha de um camponês se pode tornar doutora, que o filho de um mineiro se pode tornar chefe de uma mina, que o filho de trabalhadores agrícolas pode vir a ser Presidente

de uma grande nação. É o que fazemos do que temos, não o que nos é dado, que distingue uma pessoa de outra.”

 

Mas façamo-lo cumprindo os valores de alguma Ética, aquela que urge reinventarmos.

 

(continua)

 

Bombaim-2008.JPG

Henrique Salles da Fonseca

(em Bombaim, Janeiro de 2008)

A LUSOFILIA NUMA PERSPECTIVA DE FUTURO

II

 

Capacitação.jpg

 

Eis ao que andamos: a puxar as gentes para cima.

 

O fulgor da Lusofilia poderá ser provocado se cada um de nós, os lusófilos, decidir interceder nesse sentido desenvolvendo acções pessoais, locais e regionais para que numa fase mais globalizadora possamos definir as tais complementaridades e estabelecer uma rede de cooperação que promova a língua portuguesa no âmbito duma lusofilia que se irá progressivamente definindo e afirmando.

 

Essencial é que todos saibamos o que cada um faz para que possamos transmitir inspiração, evitar incompreensões e optimizar a acção.

 

Na certeza, porém, de que a língua portuguesa só poderá assumir a relevância que para ela desejamos se for o veículo dos originais de temas que mobilizem a sociedade globalizada, nomeadamente de relevância científica, tecnológica e artística. A divulgação deste tipo de trabalhos é urgente e fundamental para a nossa afirmação no mundo.

 

Noutra dimensão, tenho como fundamental lançar um apelo para a construção de uma Ética Lusófila e para a exigência de um imperativo Sentido de Estado.

 

Herdeiros de um processo de regulação moral da conduta humana necessária ao bem-estar colectivo, deitámos quase tudo a perder e eis-nos chegados à filosofia do poder, aquela em que o objectivo mais elevado é o poder e que resulta claramente de um espírito de permanente competição.

 

Como cada vitória tenderá a elevar o nível dessa mesma competição, o final lógico de tal filosofia é o poder ilimitado e absoluto. Aqueles que buscam o poder podem não aceitar as regras éticas definidas pelos costumes e a tradição enquanto, pelo contrário, adoptam normas próprias e se regem por outros critérios que os ajudam a obter o triunfo. Tentam mesmo convencer as outras pessoas de que são éticos no sentido do objectivo supremo por eles definido tentando conciliar o poder e o reconhecimento da moralidade. Assim foi que se sentam na cadeira do poder muitos daqueles para quem a ética é palavra vã. Daí ao poder absoluto, à ausência de regras consensualmente (leia-se democraticamente) construídas, à ausência de Direito e à dissolução do Estado de Direito, vulgo o fascismo, não dista muito ou não dista mesmo nada. Ignorados os princípios que definem o bem-comum, instala-se o “salve-se quem puder”, sobrepõe-se a razão da força à força da razão.

 

Globalizada a competição e sacralizados os critérios da competitividade, não mais resta qualquer esperança de sobrevivência aos que não sejam campeões. E a alternativa para os não campeões – em que o 2º classificado mais não é do que o 1º vencido – é unicamente a de serem servos. Servos mais ou menos mitigados, mais ou menos engravatados, numa gaiola mais ou menos dourada mas servos e apenas isso.

 

Todos os direitos aos poucos campeões; todas as obrigações ao mar de vencidos.

 

(continua)

 

028.JPG

Henrique Salles da Fonseca

(algures no Sri Lanka em Novembro de 2015)

A LUSOFILIA NUMA PERSPECTIVA DE FUTURO

 I

 

Internet.png

 

Lusofilia – dedicação a tudo que se relacione com a cultura portuguesa e com as culturas dela derivadas.

 


Temos, nós os lusófilos, como motivação principal o estreitamento dos laços entre as várias comunidades de língua portuguesa, pelo que é fundamental procurarmos as complementaridades nacionais que reponham a língua portuguesa na ribalta internacional e façam do espaço lusófono um modelo de facetada erudição, ética e progresso.

 

E se neste momento nos dividimos nas opções ortográficas dando maior ou menor predominância às vias erudita e popular, devemos precaver-nos contra o perigo da deriva populista (já tão em moda na política) que nos poderá conduzir ao desaparecimento do padrão e ao extermínio da via etimológica pela hegemonia da via fónica. Num espaço ainda tão flagelado pelo analfabetismo adulto, não parece ser esta uma opção de valimento porque o futuro não deve ser subjugado pela quantidade em detrimento da qualidade. Apelando à nossa tradição náutica, se desmagnetizarmos a bússola nunca mais encontraremos o rumo.

 

Simultaneamente, em plena crise financeira global resultante do hedonismo reinante e da flagelação da Ética, é imperioso que assentemos nos princípios que possam enformar o futuro de todo o mundo lusófono.

 

A tradição mercantil portuguesa pode ajudar na busca de soluções para o futuro e se a globalização nos conduz a uma dimensão muito grande, isso não obsta a que não devamos procurar enquadramentos mais à nossa escala. Antes de rumarmos para outros horizontes, dediquemo-nos à promoção das capacidades endógenas para não corrermos o risco de crescimento balofo. Referimo-nos às escalas local, regional e nacional. Na outra dimensão, a internacional, temos a CPLP como o espaço privilegiado para a corporização de uma estratégia de complementaridades de utilidade múltipla, sempre no pleno uso das inquestionáveis soberanias. E esta dimensão lusófona, queremo-la alargada aos «portugueses abandonados», aqueles que algures no Mundo e na História foram bem ou mal governados por Portugal, que absorveram os valores que lhes legámos e que após a nossa retirada – por vontade própria ou alheia – ficaram, contra ventos e marés, a defender esses valores quantas e quantas vezes rodeados de hostilidade ou, no mínimo, de desdenhosa indiferença. Referimo-nos aos lusófonos da Índia, das Celebes, de Malaca, do Sri Lanka, aos Melungos dos Apalaches e a tantos outros que não queremos deixar ao abandono. E porque adivinhamos «portugueses» perdidos por aí além, cremos que a Lusofonia está em crescimento. Crescimento numérico. Preocupemo-nos desde já com a qualidade.

 

Motiva-nos a idealização de todas as vias possíveis e úteis para o progresso da Lusofonia (expressão oral) e do espaço lusófono (expressão material, económica). E pensando nestas vertentes, lemos a História para com ela aprendermos, não a discutindo nem a negando mas reconhecendo que uma repetição não faria hoje qualquer sentido. Procuramos conhecer as questões que se colocaram no passado para melhor compreendermos o presente e, daí, perspectivarmos o futuro. In minime, modernizemos o passado.

 

A título de exemplo e recorrendo apenas a uma cidade, vejamos por onde andou Tavira, actualmente uma pequena cidade portuguesa, ao longo da História: foi sede do primeiro Hospital do Ultramar fundado em 1430 pelos frades trinitários[1] dali irradiando o apoio à Cruzada no Norte de África e à sequente gesta dos descobrimentos; foi pólo pesqueiro de primeira grandeza exportando carne de baleia para o resto da Europa; foi centro mercantil internacional até que a barra assoreou; foi «Madrinha» do Canadá; foi na de Tavira que o Marquês de Pombal se inspirou para decretar a Região Demarcada dos Vinhos do Douro (hoje erradamente considerada a mais antiga do mundo quando essa honra pertence a Tavira). Enfim, foi tanta coisa que podemos inspirar-nos fartamente no passado para imaginarmos o futuro. Mas o Império acabou, a barra não tem calado para os navios modernos, as baleias fugiram e os atuns passam ao largo, o Canadá já não se lembra da existência de Tavira e a vitivinicultura aguarda por ser restaurada.

 

Quantos outros exemplos podem ser identificados? Tantos que não cabem num texto sucinto.

 

Mas quando a análise histórica não sugere modelos pragmáticos para o futuro, resta a solução de cuidar da melhor e praticamente única matéria-prima de que dispomos, as pessoas. Por isso, antes de nos lançarmos a novas campanhas de alvorada, devemos dar prioridade à valorização dos recursos humanos.

 

(continua)

Henrique, Forte Aguada, Goa.JPG

 Henrique Salles da Fonseca

(junto ao Forte Aguada, Goa, Novembro de 2015)

 

[1] Ordem da Santíssima Trindade

DEUS SEGUNDO SPINOZA

 

Einstein, quando lhe perguntaram se acreditava em Deus, respondeu:


- Acredito no Deus de Spinoza que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe e não no Deus que se interessa em premiar ou castigar os homens.

Espinoza.pngBaruch Spinoza, filósofo judeu de origem portuguesa, viveu de 1632 a 1677; na Holanda, pelas suas ideias, foi banido pelos rabinos judeus.

 


Pára de rezar e bater no peito. O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes da tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz.

 

Pára de ir a estes templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. A Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nas praias. Aí é onde eu vivo e expresso o meu amor por ti.

 

Pára de me culpar pela tua vida miserável; eu nunca te disse que eras um pecador.

 

Pára de ler supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo; se não podes ler-Me num amanhecer, numa paisagem, no olhar dos teus amigos, nos olhos do teu filhinho, não me encontrarás em nenhum livro.


Pára de ter medo de mim. Eu não te julgo, não te critico, não me irrito, não me incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.

 

Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso castigar-te por seres como és, se fui Eu quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar onde queimar todos os meus filhos, que não se comportassem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso? Esquece qualquer tipo de mandamento que em ti só geram culpa. São artimanhas para te manipular, para te controlar. Respeita o teu próximo e não faças aos outros o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção à tua vida; que o teu estado de alerta seja o teu guia. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.

 

Pára de crer em mim... crer é supor, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti quando beijas a tua amada, quando agasalhas a tua filhinha, quando acaricias o teu cão, quando tomas banho de mar.

 

Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra acreditas que Eu seja?

 

Tu sentes-te grato? Demonstra-o cuidando de ti, da tua saúde, das tuas relações, do mundo. Expressa a tua alegria! Esse é o modo de me louvar.

 

Pára de complicar as coisas e de repetir como um papagaio o que te ensinaram sobre mim. Não me procures fora porque não me acharás.

 

Procura-me dentro de ti... É aí que Eu estou.

 

 

Recebido por e-mail, Autor não identificado

 

PELAS TRASEIRAS DA DEMOCRACIA

 

DEPUTADOS ALEMÃES À TRELA DOS EUA E DA UE E COM DEPUTADOS DOS OUTROS PAÍSES LEVADOS AO COLO

Sorrateiro

 

Conversações sorrateiras TTIP

 

 

As conversações sobre o FTA (o contrato de comércio livre) entre os USA e a UE, que se prevê em breve assinado no acordo TTIP, são conduzidas sob a exclusão do público e da opinião pública.

 

http://antonio-justo.eu/?p=2957 http://antonio-justo.eu/?p=2962

 

Enquanto o povo se perde distraído, na praça da nação, com as imagens da TV e uma conversa fiada apelativa ao sentimento do dia-a-dia, os grandes capitalistas e as grandes instituições USA e União Europeia, fazem pressão sobre os governos europeus para que TTIP passe desapercebido até mesmo aos parlamentos.

 

Nunca pensei que o Governo alemão chegaria a ponto de não colocar os textos das conversações sobre TTIP ao acesso da opinião pública nem que teria o descaramento de os manter amarrados para consulta nos armários do parlamento, apenas para a consulta de deputados! De facto os deputados não podem copiar os textos nem trazê-los para fora, só podem lê-los in loco. E depois vem-se cá para fora falar de democracia! Também deputados alemães se encontram numa democracia amarrada à trela da economia e dos interesses das grandes potências.

 

Os mordomos da nossa democracia são tão bem educados, tão atenciosos para com a nação, que passam nela em bicos de pé para que o povo não acorde. Deixam os sentimentos para o povo e reservam para eles os rendimentos. E depois ainda têm o desplante de quererem um povo que não pense com a barriga e uma inteligência só alimentada por sentimentos!

 

Quando os deputados alemães se deixam amarrar à trela dos EUA e da UE então os deputados de outros países são levados ao colo! Apesar de tudo, na Alemanha ainda há, pelo menos, uma consciência de responsabilidade do governo para com os parlamentares enquanto noutros países tais assuntos são mantidos nos segredos dos deuses sob a sigla governamental.

 

Muitos chefes de governo da UE fazem barreira encobrindo os interesses duma Comissão Europeia que depois se escusa quando os Estados tiverem de assumir os custos.

 

O mesmo, fizeram os Governos da UE quando negociaram, com exclusão do povo, entre outras coisas a impossibilidade de os países membros poderem defender as suas indústrias e economias perante o ditada da UE e a concorrência estrangeira. E agora temos uma UE sempre na oficina de reparações! (1)

 

ACDJ-Prof. Justo-1.jpg

António da Cunha Duarte Justo

  1. A propósito de colonialismo! Ao escrever este texto a abreviatura da União Europeia com UE e não com EU, logo o computador corrigiu para UE. Como vemos ao lado da democratura temos a ditadura da tecnologia que nos ameaçará a espinha!

A REVOLTA DAS ELITES

HSF-inversão de valores.jpg

 

As críticas à política de redução da despesa pública só fazem sentido por parte de quem considera que o pagamento das dívidas é «coisa de criança».

 

Ora, o poço sem fundo que esses críticos julgam existir é mais uma ilusão que apenas revela o irrealismo de quem crê que o dinheiro nasce do prelo. Não, o dinheiro é o resultado da produção de bens e serviços, transaccionáveis ou não, mas sempre tendo origem no esforço de alguém que não a rotativa da moeda falsa a que sofisticada e eufemisticamente se tem chamado «eurobonds».

 

Se conjugarmos a política de consolidação orçamental no sentido da anulação dos défices simples (anuais) e dos acumulados com a da restrição monetária para evitar o crescimento dos preços na espiral doentia por que já passámos, então a emissão monetária assume dimensões que quem nos conduziu ao colapso apelida de cilício ou até mesmo de cinto de castidade.

 

A crítica que temos de aceitar é a de que no meio de todo o processo de financiamento das dívidas soberanas dos Estados mais perdulários há movimentos especulativos na certeza, porém, de que por enquanto nos resta pagar o que devemos (menos prosaicamente, «servirmos a dívida») e não esbracejarmos muito para conseguirmos que nos respondam positivamente enquanto formos progressivamente pedindo cada vez menos até que os saldos primários voltem a ser positivos e possamos então começar a reduzir o montante da dívida total. Mas para que isso aconteça, daria muito jeito que as taxas de juro não continuassem a subir como tem acontecido desde que o absurdo democrático se instalou no nosso país.

 

A imperiosidade da pureza não especulativa dos capitais que nos financiam (e aos outros perdulários deste mundo) foi matéria a que Dominique Strauss Kahn pretendeu dar prioridade e todos fomos testemunhas da «estrangeirinha» que alguém lhe armou; o ostracismo a que James Tobin foi remetido em Yale lá pelos idos de 80 do século passado também há-de querer dizer qualquer coisa... Sim, é desejável que cheguemos a um acordo a nível da UE com vista à taxação dos movimentos transfronteiriços de capitais especulativos. Mas de momento interessa sobretudo cuidar do acesso de Portugal aos meios necessários ao financiamento dos seus défices e menos avaliar as intenções dos proprietários desses mesmos capitais cuja origem se deseja transparente. Mas para ter acesso a esses meios de cobertura das nossas necessidades, torna-se imprescindível que Portugal continue a pagar atempadamente as dívidas sob pena de deixar de merecer a confiança dos seus credores. E o pagamento atempado dessas dívidas só se consegue no imediato pelo recurso a capitais alheios, sucessivamente menores até que desnecessários. Gerir as taxas de juro não é coisa que um devedor maneje com desenvoltura. Eis por que algo ao estilo da Taxa Tobin poderia ser importante nesta altura evitando a especulação e criminalizando a manipulação.

 

Tudo para concluir que o «modelo de desenvolvimento» por que estamos de novo a trilhar em direcção ao abismo tem que ser modificado de modo a que confirmemos a aposta na produção dos bens transaccionáveis que é muito mais cómodo importar pois só desse modo poderemos voltar a reduzir os défices das balanças de transacções correntes e de pagamentos, criarmos as condições para abrandar e anular o ritmo de endividamento do sistema bancário nacional face ao exterior e recuperarmos a credibilidade externa que já nos falhou e que a qualquer momento pode voltar a falhar.

 

Mas esta reviravolta só seria possível acordando uma população adormecida pelos «cantos de sereia» que a demagógica compra de votos (nos sucessivos actos eleitorais) fez soar ao longo de quase 40 anos e, num país como o nosso que deve bater o recorde europeu na propensão marginal à importação, o primeiro toque de alvorada tinha que seguir a pauta da drástica redução do consumo. E não é isso que os usurpadores apregoam. Pelo contrário, dizem que o consumo é motor do desenvolvimento. Puro sofisma.

 

Da redução do consumo resulta um grande desconforto entre os consumidores e isso desde a base social até às elites.

 

E a que desconfortáveis me refiro?

 

Os que giram pela alta finança só têm motivos de satisfação se forem proprietários desses capitais que beneficiam de juros definidos no spot bolsista e são inimigos da putativa entrada em vigor de alguma limitação à circulação internacional desses capitais; os banqueiros já se choravam com as condicionantes de Basileia I, mais choraram com as de Basileia II e agora quase desesperam com os novos ratios que lhes vêm sendo impostos desde que a Lehman Brothers faliu e desde que os seus movimentos passaram a estar debaixo de olho não só do do ineficaz supervisor mas sobretudo do da opinião pública, apesar da escassez de informação que «salta» cá para fora; a produção de bens transaccionáveis acabara de ressuscitar quando a reviravolta se deu mas esperemos que se mantenha firme apesar das rasteiras que os demagogos se preparam para lhe dar; a grande agricultura nunca existiu em Portugal, o pouco que havia foi aniquilado para dar espaço ao escoamento de excedentes europeus e foi necessária a ruptura do sistema bancário perante o exterior para que a agro-indústria voltasse a dizer que, apesar de tudo, há quem não tenha desistido. Resta referir os jovens que foram educados na subsídio-dependência e esses, sim, com formação óptima para o desemprego, tiveram que emigrar e por lá terão que continuar mais uns tempos pois que a reconversão económica meteu férias em Portugal.

 

A solução está à vista e passa pela redução drástica da despesa pública corrente e pela cessação imediata da demagogia despesista, pela redução do consumo e pelo incremento da produção de bens e serviços transaccionáveis.

 

Dir-me-ão que com políticas sérias não se ganham eleições mas, eventualmente, é o regime constitucional que tem que ser revisto para que a seriedade assuma o lugar de que nunca deveria ter sido apeada.

 

Todos de rastos, só as elites políticas mantêm a convicção de que tudo vai bem. Mas essas vão ter que reconhecer que estão a liquidar o regime de que elas se têm lautamente servido e que a alternativa é o regime mudá-las quanto antes a elas próprias. E de nada lhes valerá revoltarem-se quando chegar o próximo resgate porque, então, já ninguém lhes dará ouvidos.

 

Se é que hoje ainda alguém as ouve...

 

 

Março de 2016

 

 

Henrique no barco-Israel.JPG

Henrique Salles da Fonseca

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2023
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2022
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2021
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2020
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2019
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2018
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2017
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2016
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2015
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2014
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2013
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2012
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2011
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2010
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2009
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2008
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2007
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D
  235. 2006
  236. J
  237. F
  238. M
  239. A
  240. M
  241. J
  242. J
  243. A
  244. S
  245. O
  246. N
  247. D
  248. 2005
  249. J
  250. F
  251. M
  252. A
  253. M
  254. J
  255. J
  256. A
  257. S
  258. O
  259. N
  260. D
  261. 2004
  262. J
  263. F
  264. M
  265. A
  266. M
  267. J
  268. J
  269. A
  270. S
  271. O
  272. N
  273. D