Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A bem da Nação

MEDITANDO...

Quem quiser ser bem sucedido na política, deve manter a sua consciência sob apertado controlo.

 

Frase atribuída a

David_Lloyd_George.jpg

David Lloyd George

(1863-1945)

Primeiro Ministro britânico de 7 de Dezembro de 1916 a 22 de Outubro de 1922 pelo Partido Liberal

 

E DEPOIS DA GERINGONÇA?

 

GERINGONÇA

 

Vários cronistas, sobretudo de esquerda, escreveram e disseram que Pedro Passos Coelho não deveria ter-se recandidatado à liderança do PSD após a “derrota” de 4 de Outubro - e apontam o exemplo de Paulo Portas, que se afastou do CDS.

 

Esta opinião enferma de dois problemas.

 

Em primeiro lugar, não é desinteressada.

 

Quando pessoas de esquerda dizem que Passos Coelho deveria sair, é obviamente porque acham que isso fragilizaria o seu partido.

 

O interesse dessas pessoas não é com certeza que o PSD se fortaleça…

 

E assim, os apelos à saída de Passos acabaram por beneficiá-lo – pois ninguém no seu juízo perfeito segue os conselhos dos adversários.

 

Em segundo lugar, Passos Coelho não ‘perdeu’ as eleições legislativas: ganhou-as.

 

Foi mesmo um dos raros líderes em todo o mundo que venceram eleições depois de terem prosseguido duras políticas de austeridade.

 

Argumenta-se que a maioria dos eleitores votou ‘contra’ a coligação PSD-CDS.

 

Ora, isso não é verdade.

 

Nas eleições legislativas não se vota ‘contra’ isto ou aquilo - vota-se ‘a favor’ disto ou daquilo.

 

Nos referendos é que se vota ‘sim’ ou ‘não’.

 

Nas legislativas, o princípio é outro: vota-se em partidos políticos e em programas – e, de caminho, no líder partidário que se deseja para primeiro-ministro.

 

Ora, em nenhum desses planos a direita perdeu: a força política vencedora foi a PàF, o partido que conquistou mais deputados foi o PSD e o líder com mais votos foi Passos Coelho.

 

Dizer uma coisa diferente é abusivo e pouco sério.

 

A afirmação de que das eleições saiu uma maioria de esquerda também não é verdadeira.

 

O que se diria, por exemplo, se o PS se tivesse aliado ao PSD e fizesse um bloco central?

 

Dir-se-ia, com toda a legitimidade, que o centro ganhou as eleições…

 

E até teria uma percentagem bem maior do que a actual ‘maioria de esquerda’.

 

A artimanha de dizer que a esquerda ganhou foi inventada para permitir a António Costa ser primeiro-ministro e permitir ao Bloco de Esquerda e ao Partido Comunista ganharem influência governativa.

 

Num bloco central, António Costa não seria primeiro-ministro (seria Passos Coelho) e o PCP e o BE seriam perfeitamente irrelevantes.

 

Argumentam, finalmente, os comentadores ligados à esquerda que esta coligação vai durar quatro anos, até porque convém aos três partidos que a sustentam.

 

Isso é parcialmente verdade.

 

Enquanto as questões forem políticas, a coligação irá tapando os buracos e fugindo para a frente, como tem vindo a fazer.

 

Só que o principal problema desta maioria não é a política - é o Orçamento.

 

Quando passarmos do terreno das palavras para o terreno dos números, a habilidade política já não valerá de nada.

 

Quando se começar a perceber que o Orçamento não é cumprível – e Bruxelas já o percebeu –, quando os parceiros europeus apertarem ainda mais o cerco, quando os parafusos da geringonça começarem todos a ranger, não haverá artifícios que valham.

 

Repito: o Governo não cairá por razões políticas mas por razões económicas e financeiras.

 

E, quando a geringonça se desconjuntar, o poder acabará no colo de Passos Coelho.

 

É por isso que a esquerda o quer afastar.

 

A esquerda sabe que, pela imagem de responsabilidade que construiu, Passos Coelho é o líder mais bem posicionado para suceder a este desvario esquerdista.

 

A sua simples presença paira como um fantasma sobre o Governo.

 

Olha-se para ele e parece que ainda está ali o primeiro-ministro.

 

E depois, se ganhou as eleições com quase 39% após quatro anos de austeridade, que percentagem terá se este Governo cair prematuramente?

 

Dificilmente deixará de ter maioria absoluta.

 

Até porque, nessa altura, estará provado que a ‘alternativa’ à política que vinha a ser seguida por ele era uma miragem.

 

Julgo que o grande problema de Passos Coelho não será, pois, voltar a S. Bento - mas sim o que fazer para remediar os estragos feitos por esta maioria desconexa.

 

António Costa tem vindo a destruir tudo o que o Governo de Passos Coelho fez.

 

Até mete dó.

 

Como os talibãs, a maioria de esquerda, depois de tomar o poder, começou a derrubar implacavelmente o que estava feito, não deixando pedra sobre pedra.

 

Ora, quando voltar a ser primeiro-ministro, Passos Coelho terá o mesmo comportamento?

 

Espero que não.

 

Espero que tenha uma atitude mais civilizada.

 

Portugal não pode estar sempre, desgraçadamente, a voltar ao princípio.

 

Portugal tem de definir um rumo e segui-lo com firmeza.

  • A palavra ‘geringonça’, usada por Vasco Pulido Valente (e popularizada por Paulo Portas) para designar esta solução de Governo, já era usada no século XIX, embora o sentido não fosse bem o mesmo. Escrevia Ramalho Ortigão, n’As Farpas, em Janeiro de 1874: “Esta retórica trôpega, relaxada e senil dos deputados, não podendo criar uma língua forte e digna, deu o ser a um estilo especial de malandragem política, fez a gíria constitucional, a geringonça parlamentar, o calão burguês”.

 

14/03/2016

 

José Antonio Saraiva.jpg

 José António Saraiva

Observador

FORAM ESSAS NINFAS...

 

 P. António Vieira, SJ.png

... acobreadas púbio-alopécicas vivendo em pleno naturismo que por certo impediram António Vieira de subir aos altares mas as sofisticadas industânicas nos seus coloridos saris não tiveram as artes capazes de obstar a essa ascensão a Francisco Xavier.

 

E se Vieira terçou a verve em defesa dos inocentes desnudos perambulando pelo paraíso verde das Índias Ocidentais, foi Xavier que pediu ao Rei que enviasse o inferno inquisitorial para as Índias Orientais.

 

Então, a bondade perdeu os ossos nalguma vala anónima esquecida algures por ali próxima do prosaico Elevador Lacerda ligando o mercado de escravos às alturas da benesse divina destinada aos inocentes ocidentais, na Sé de Salvador da Bahia, mas o promotor do radicalismo torquemadeano recebe culto e grande veneração ao corpo exposto em ataúde dourado na Roma do Oriente.

 

Vá lá a gente perceber isto...

 

Jardim Botânico, Peradeniya, Sri Lanka, NOV15.JPG

 Henrique Salles da Fonseca

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2006
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2005
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2004
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D