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A bem da Nação

HISTÓRIA APÓCRIFA

 

D. Dinis e D. Isabel.gif

 

Segundo consta, o rei D. Dinis não seria exclusivamente devotado à rainha D. Isabel e visitaria damas nobres nas cercanias de Lisboa.

 

Ao saber do sucedido, a rainha ter-lhe-á apenas respondido: Ide vê-las, Senhor.

 

Com os tempos, de acordo com a tradição popular, uma corruptela de ide vê-las teria originado o topónimo Odivelas.

 

Mas, para estragar a piada, esta interpretação não é sustentada pelos linguistas, esses desmancha-prazeres.

 

Março de 2016

 

Henrique Salles da Fonseca (NOV14).jpg

 Henrique Salles da Fonseca

 

 

BIBLIOGRAFIA: Wikipédia

 

(...) a filologia explica de modo diferente: a palavra é composta por dois elementos “Odi” e “Velas” sendo o primeiro de origem árabe e tendo como significado ”curso de água” (e, efectivamente, em Odivelas passa uma ribeira) e o segundo faz talvez alusão aos muitos moinhos de vento que povoavam a região. O significado poderia, pois, ser «ribeira das velas».

In http://odivelas.com/2010/01/14/a-fundacao-da-vila-de-odivelas/

 

FUI AO GOURMET E TRAMEI-ME!

Francisco Gouveia.jpg

 

Sou um tipo moderno. E chique. Muito chique. Por isso não podia deixar de entrar num restaurante gourmet da moda. Vesti um Armani que comprei num saldo dos chineses, calcei umas sapatilhas com uma virgula estampada que regateei ao ciganito da feira e esvaziei, pelo pescoço abaixo, meio frasco de Chanel dos marroquinos.

 

E foi assim, cheio de cagança, como mandam as regras do pelintra luso, que fui jantar ao tal restaurante, gerido por um “chef” reputado com categoria internacional e olímpica.

 

Tramei-me! Antes tivesse ido ao tasco da esquina aviar uma bifana! Confesso que já levei muita tanga, mas como esta, nunca! Passei fome, fui gozado e fui roubado!

 

Sempre achei que cozinhar era um acto de descontracção, de partilha, de alegria, de afecto. E eu devia desconfiar, porque aqueles concursos gastronómicos das TVs transformaram uma actividade social sadia, numa agressão stressante, provocadora de lágrimas e depressões. Já para não falar das parvoíces dos mestres cozinheiros da moda, cujos pratos estapafúrdios e minimalistas se apelidam agora de “criatividade culinária”.

 

Colocaram-me um prato à frente que foi mais difícil de decifrar que as palavras cruzadas do JN ao domingo. Um prato que exibia 5 cm2 de um pobre robalo que pereceu inutilmente só para lhe extraírem um pedacito do cachaço, meia batata engalanada com um pé de salsa, e 2 ervilhas a nadarem numa colher de chá de um azeitado molho de escabeche, bem disfarçado com um nome afrancesado que nem vem nos dicionários. Para remate, três riscos de uma substância pastosa, estilo Miró, para preencher os restantes 90% do prato vazio.

 

E o bruto do português, habituado à sua travessa de cozido e ao panelão de feijoada, olha para aquilo com uma cara de parvo capaz de partir todos os espelhos lá de casa.

 

Esboça-se um sorriso amarelo, engole-se em seco, diz-se que está tudo óptimo ao empregado de mesa que mais parece uma melga à nossa volta, e enfiam-se dois Xanaxs quando nos metem a conta à frente. E, a muito custo, cala-se o berro de duas peixeiradas à nortenha que nos vai na alma.

 

Nunca mais lá volto. E sabem que mais?

 

Porque se quero comer aperitivos, como bolinhos de bacalhau e tremoços, que são muito mais saudáveis e baratos.

 

Porque para ver pintura abstracta, vou a uma exposição.

 

Porque detesto jantar uma comida onde toda a gente meteu as mãos.

 

Porque para ser roubado bastava ir à Autoridade Tributária, vulgo Finanças.

 

E, acima de tudo, porque desconfio de um cozinheiro que vive e trabalha com a ambição obsessiva de ser medalhado por uma companhia de pneus.

 

 

ENERGIAS RENOVÁVEIS E POLUIÇÃO

 

EVM-parque eólico.jpg

 

Os efeitos do CO2 na alteração climática parecem ser óbvios e reconhecidos. E felizmente o ‘mundo’, sobretudo o rico, já se convenceu de que não pode ver tranquilamente ‘a banda passar’, sem uma actuação no sentido de reduzir as emissões. Como é óbvio os que mais energia consomem, os países ricos, mais poluem. Há países com uma cultura milenar, para quem a conservação da natureza e quanto a compõe é uma dever, para não criar desequilíbrios. É o caso da India, com quem se pode aprender muito, da sua sabedoria acumulada.

 

Há uns anos atrás, a Chief Minister de Delhi, Sheila Diskit, decretou que todos os taxis e rickshaws da cidade só podiam ser movidos a gás dentro de 1 ano. E assim se fez, melhorando sensivelmente a qualidade do ar. Outras iniciativas se tem tomado, como circularem as matrículas par ou impar… Mas o alívio maior deve vir com maior uso dos transportes colectivos, em especial o Metro, e dos carros eléctricos. Estes já se fabricam na India, mas agora verão aumentar a produção (marca Mahindra, Reva).

 

De facto, a Índia com uma população 1290 milhões, tem dado a maior atenção às fontes energéticas, por ser também o país de maior crescimento económico, como se espera que seja nos próximos 20 anos, pelo menos. Como faz? Ainda quando não era compensador produzir energia renovável sob certas formas –a solar e a eólica­–, ela fê-lo e vai continuar célere.

 

Em concreto, está a fazer os aproveitamentos hidroeléctricos possíveis, com as precauções de realojar famílias deslocadas e minimizar os impactes ambientais; e,  marcou metas muito elevadas para a energia eólica e solar.

 

Dos 25.000 MW eólicos já instalados e a produzir (Dez. 2015), quer dar o salto para os 60.000 MW em 2022. Tem uma boa indústria para a produção de grupos geradores, embora a limitação seja o baixo factor de aproveitamento, de cerca de 15% apenas. Hoje a Índia ocupa a 4ª posição mundial nesta energia, o que não é mau.

 

Da energia solar, tem instalados e a produzir 5.130 MW (Jan. 2016), o que é um valor bom, comparado com países desenvolvidos. Pretende chegar aos 100.000 MW em 2022. É uma meta ousada, pois a tecnologia está em maturação, com baixo rendimento por m2 de incidência solar, e os custos unitários a caírem, sendo já competitivos com o KW produzido por via térmica. Faz falta uma evolução para maior concentração do calor, e menos área por MW instalado. Há investigação e progressos…

 

Estas duas formas têm a dupla vantagem: produzem energia sem libertação do CO2 e criam trabalho a montante na fabricação de geradores eólicos e células ou painéis foto voltaicos, tão desejados pelo Programa ‘Make in India’.

 

Qual a razão do ‘Make in India’? A Índia nas mãos dos colonizadores britânicos ficou destruída na sua capacidade de produzir riqueza: se em 1700 produzia, segundo Angus Maddison, 27% da riqueza mundial, que era transferida para o RU, nessa altura, a Europa, no seu todo, apenas produzia 23% da riqueza do mundo! Logo após a saída dos ingleses, em 1952, a Índia só produzia 3% da riqueza mundial! Alguém se lembrará que é natural, por o perfil da riqueza se ter alterado de 1700 para 1952. Talvez… Mas tome-se em conta que a Índia, já em 1500, tinha serviços: comerciava e transportava para as vizinhanças próximas e longínquas as especiarias, sedas, pigmentos, açúcar, diamantes, etc…. Não era só potência agrícola, como a Europa; e só assim se entende a pressa em despachar Vasco da Gama para a Índia, porque a vantagem é sempre de quem chega primeiro.

 

Em 1991 a Índia teve o seu renascimento económico com a abertura da economia e aproveitou o seu escol de engenheiros e licenciados em variadas saberes, bem preparados e sub-aproveitados, e começou a criar riqueza em serviços de TI, a melhorar a agricultura e a retomar a indústria decadente. Sem boas infraestruturas, foi pela senda mais óbvia: dos serviços e, destes, os de mais fácil transporte, à velocidade da luz, pela internet.

 

O período de 1950 a 1991 fôra de completa esterilidade, com o anacrónico modelo económico, altamente intervencionista, designado de ‘socialismo indiano’. Não se criou trabalho, nem riqueza, em valores substanciais, para a retoma económica. Esta, só começou em 1991, quando a iminência da ruptura financeira obrigou à abertura económica, com competição interna e externa. Isso, sim, melhorou a qualidade e os custos de todos os produtos fabricados localmente.

 

De há tempos, o Primeiro Ministro Modi está a focar na industria, com o vigoroso programa ‘make in India’, ao ser a indústria quem cria mais postos de trabalho, de menor qualificação, por unidade de capital investido. As energias vão ser um pequeno motor do programa.

 

A Índia tem também longa experiência na geração de energia nuclear, pois construiu e explora 18 centrais e tem alguma potencia adicional em instalação. A energia nuclear pode ter o problema da radioactividade, controlável. E tem associado o receio permanente de algum acidente, que pode ter efeitos imprevisíveis.

 

A energia hídrica é limpa; pode ter impactes muito limitados sobre o clima e a fauna local. Dos cerca de 94.000 MW de potencial hídrico já estão aproveitados 42.000 e programados outros.

 

Ao ter pouco petróleo e gás, a Índia é hoje dos países que muito racionalmente procura satisfazer as suas necessidades de energia, explorando com moderação o carvão, apesar de ter o subsolo muito rico desse combustível, que é poluente. Segue assim a via mais onerosa, das energias renováveis, esperando que dêem experiência e conhecimentos para as ir tornando mais económicas a prazo.

 

Eugenio Viassa Monteiro.jpg

 Eugenio Viassa Monteiro [1]

 

[1] Professor da AESE-Business School. Dirigente da AAPI-Associação de Amizade Portugal-Índia

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