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A bem da Nação

EM DEFESA DA MASSA

 

Ainda o artigo de António da Cunha Duarte Justo:

 

FENPROF.png

 

«NOVE MILHÕES DE EUROS COM DELEGADOS SINDICAIS»

 

Fiz as contas, dividi 9 000 000 de euros por 28 delegados sindicais, mesmo sem a calculadora e deu-me 32 000 E, mais coisa menos coisa, por cabeça, mas pensei logo que estava a levar a referência muito à letra, pois os 9 000 000 também devem incluir a renda do edifício sindical, mais as mulheres da limpeza, os detergentes e o café da máquina, além das garrafinhas de água, desconheço a marca, para molhar as palavras sindicais, o que, descontado aos 9 000 000 reduz substancialmente os vencimentos pessoais. Seguidamente a estas deduções, compreendi as razões por que os sindicatos da Educação não se extinguem – nem os demais, de resto - pois a pretexto de defenderem os interesses dos professores e elementos auxiliares, os delegados sindicais não deixam de constituir uma boa mina para si próprios, o que é de inteira justiça, como coisa praticada por todos os responsáveis na distribuição dos bolos, segundo a fórmula “quem parte e reparte e não fica com a maior parte ou é tolo ou não tem arte” e não é nunca esse o caso, pois, oferecendo a côdea, mais vistosa e dura de roer, aboletam-se com o miolo, em duradoura degustação de comprazimento e benefício próprio. António da Cunha Duarte Justo refere quanto pela Alemanha as coisas divergem, os síndicos acumulando o seu trabalho sindical com o trabalho docente, o que não se passa cá, a docência sendo coisa complicada, e muito sujeita às pedradas dos teóricos que preferem estudar por outros teóricos em vez de virem à praça experimentar as teorias.

 

Mas é preciso separar as águas. Se os tais síndicos acumulassem docência e sindicato, acumulariam dois vencimentos de desproporção vexatória, não só porque o mais ínfimo em vencimento é reconhecidamente o mais afanoso, mas também porque seria redutor da aura teorizadora sindicalista que apela muito à greve por via da massa pecuniária, por não lhe importar a massa escolar.

Berta Brás.jpgBerta Brás

PENSAR COM ESPERANÇA

 

 

Os Estados, mesmo os mais fortes, revelaram grandes limitações na capacidade de prever e tutelar a actividade financeira e não só. Certamente influiu o maior carácter transnacional da economia bem como a complexidade dos centros de decisão que também ultrapassam as fronteiras tradicionais.

 

Não deve estar em causa o lugar e o papel do Estado – e do Estado democrático e «de direito» – como primeiro responsável do bem comum de cada povo. Mas parece necessário retomá-lo de modo mais aberto, na relação internacional e intercultural e mais «subsidiário» no acolhimento e estímulo da colaboração dos corpos intermédios (famílias e instituições não públicas), dentro dos princípios que as declarações universais têm afirmado quanto aos direitos humanos a promover.

D. Manuel Clemente.jpgD. Manuel Clemente

 

In «PORQUÊ E PARA QUÊ – Pensar com esperança o Portugal de hoje», D. Manuel Clemente – ASSÍRIO & ALVIM, Ed. Novembro de 2010, pág. 42

ESPERTAS SÃO ELAS

MAS TAMBÉM ELES

 

Mandou-me a Conceição Sarmento o e-mail seguinte, que me avivou recordações de lendas, de bruxedos, de superstições, acudindo-me sobretudo as das mourinhas encantadas, solitárias guardiãs de tesouros, ora maléficas, ora infelizes, trazidas pelos mouros seus pais ou maridos dos países do norte africano, nas hordas de outrora. Porque agora também há hordas, canalizadas para a doce Europa, vindas do norte e do leste, a infiltrar-se e a instalar-se, e a ser objecto de repúdio ou de ternura virada um dia em lenda, guardiãs dos tesouros, numa Europa sobre que lançaram maldição, como ela já vai percebendo através dos Almançores de agora. E também são donas de tesouros, como nunca foram os que cá estão. É o que conta a história do Imã Buziane, sábio do culto muçulmano, com as suas tradições e o doce acolhimento do Sistema francês, a qual história, se não virar lenda aos nossos olhares deslumbrados e invejosos, poderá virar anedota, em que os parolos somos sempre nós. Ou as vítimas, não tarda que o decifremos.

Berta Brás.jpgBerta Brás

 

A história do Imã Bouziane

 

Imã.jpg O senhor Imã Bouziane não trabalha, sendo um sábio do culto muçulmano.

 

O Imã Bouziane é polígamo, e:

- Declarou em 1993 à Prefeitura a sua segunda esposa.

- A Prefeitura aceitou que a sua segunda esposa se juntasse a ele em França sem lhe emitir a autorização de residência. As crianças nascidas da segunda esposa são francesas. Assim, ela não tem documentos e não pode ser expulsa.

-O Imã Bouziane tem hoje 16 filhos, 8 de cada mulher.

1) A segunda esposa não é considerada como tal.

Ela é considerada pela C.A.F. (Caisse d'allocations familiales) como um “parente isolado".

Por essa razão ela passa a ter direito ao A.P.I. ‘l'allocation de parent isolé”, ou “subsídio monoparental”, que atinge os 707,19 € para uma família monoparental com um filho, ao qual se soma mais 176,80 €por filho suplementar => (7 x 176,80 mais).

Seja um total de 1.944,79 €

2) Todos os meses ela recebe pelos seus 8 filhos 978,08 € de subsídios familiares.

3) Como ela tem 2 filhos com menos de três anos, tem direito ao A.P.J.E. (Allocation Pour Jeune Enfant) de 161,66 € x 2, ou seja, mais 323,32 €.

4) Como família monoparental, tem ainda direito a 305 € de subsídio de habitação.

5) Com 8 filhos ela não trabalha, o que faz com que o seu marido e muçulmano exemplar aprove sem dúvida que toda a mulher muçulmana «tem o direito de não trabalhar com os homens porque ela poderia ser tentada pelo adultério…" RMI (Revenue Minimum d’Insertion) ou Rendimento Mínimo de Inserção para uma 417,88 € + 167,15 € / criança ou seja, um total de 1.755,08 €.

6) Ela tem 4 crianças em idade escolar:

Subsídio ou Bolsa escolar anual => 257,61 € X 4 = 1.030,44 €, o que dá um montante mensal de mais 85,87 €.

No total, a Sra Bouziane n° 2 recebe 5.296,14 € / mês

O Sr. e a Sra Bouziane n°1 :

Com os seus 8 filhos atingem os 978,08 € de subsídios familiares todos os meses

+ 2 Subsídios para – crianças < 3 anos = 323,32 €

+ Subsídio habitação 305 €

+ Rendimento Mínimo Inserção Casal 626,82 €

+ 8 Filhos (1.337,20 €) => ou seja 1.964,02 €

+ Subsídio escolar para 4 filhos => 85,87 €.

No total, o Sr. E a Sra Bouziane n°1 atingem 3.651,29 € / mês

TOTAL : 8.947,43 € / mês

Medite, enraiveça-se e grite, ... Mas sobretudo continue a trabalhar duro, porque é preciso pagar!!!

 

O SENHOR DA VIDIGUEIRA

 

Vasco da Gama.png

 

Tanta glória teve Vasco da Gama com a descoberta do caminho marítimo para a Índia que D. Manuel um dia o fez Vice-rei mas nada consta ao comum dos mortais sobre o que terá acontecido para, no regresso da primeira viagem, o Rei o ter proibido de voltar à sua terra natal, Sines e também lhe ter vedado o acesso à Corte. Os eruditos sabem-no pela certa mas ainda não desceram a este nosso terreiro para o contarem. Mais: o Rei desterrou-o para o interior, Vidigueira, senhorio que lhe doou – no âmbito de um processo a que hoje chamaríamos de «pontapé para cima» – para que ele por lá se entretivesse e não desse mais nas vistas.

 

Mas o Gama tantas voltas conseguiu dar que o Rei acabou por lhe permitir que regressasse à Índia. O que por lá fez? Serão os mesmos ou outros eruditos que o sabem? O que nós, cá por baixo, sabemos é que um dia havemos de estudar e acabaremos por saber o que os sábios hoje calam.[1]

 

Contudo, sabemos outras coisas. Por exemplo, que Vasco da Gama morreu de malária em Cochim na véspera de Natal de 1524 e que foi sepultado na igreja de S. Francisco daquela cidade do actual Estado do Kerala.

Igreja do Carmo, Vidigueira.jpg

E mais sabemos que em 1539 foi trasladado para a Igreja da Quinta do Carmo nos arredores da Vidigueira e sepultado do lado do Evangelho mas quando em 1880 ocorreu a trasladação para o Mosteiro dos Jerónimos, diz-se que foram exumadas umas ossadas do lado da Epístola. Se assim foi, os restos mortais de Vasco da Gama continuarão na Vidigueira, nos Jerónimos estará um desconhecido e faz todo o sentido o brado que ainda se ouve por esse Alentejo além Vidigueira larga o osso! 

 (*)

Fevereiro de 2016

 

Henrique junto à que foi a sepultura de Vasco da

Henrique Salles da Fonseca

 (junto à campa primitiva de Vasco da Gama na igreja de S. Francisco em Cochim)

 

[1] - Não é necessário ir à Mesquita de Córdova (conhecida por Ceca) nem a Meca para saber; basta ir a https://pt.wikipedia.org/wiki/Vasco_da_Gama onde está tudo bem contado.

(*) - A hipótese do eventual erro na exumação foi-me contada por Maria das Dores Freixial de Goes.

O EI REIVINDICA A PENÍNSULA IBÉRICA

 

 

escravas-do-estado-islamico.jpg

 O Estado Islâmico na sua grande pujança

 

Num vídeo em que um militante do Estado Islâmico (Daesh) executa um alegado espião a tiro, o mesmo militante tece ameaças a Portugal e Espanha. O homem avisa os inimigos do Estado Islâmico que poderão esperar um ataque tão violento que fará esquecer o 11 de Setembro. Os avisos são centrados na Península Ibérica.

 

Esta ameaça não é nova, porquanto os islamitas sempre reivindicaram como seu o território peninsular, que, aliás, figura muitas vezes nas bandeiras do Daesh, em que aparece desenhado o mapa das pretensões territoriais do Estado Islâmico à escala mundial, onde se destaca com especial ênfase Al-Andalus.

 

Em suma: os jihadistas querem recuperar Portugal e Espanha. Há que tomar-se boa nota do que foi recentemente publicado pelos media, que confirmam o que precede, designadamente no Jornal de Notícias. Vale a pena perder uns minutos com a respectiva leitura

 

É por estas e por outras que temos de pensar seriamente em orçamentos dignos e consistentes para as Forças Armadas, para as forças de segurança interna e para os serviços de informações (intelligence). Todavia, parece que existem outras prioridades, na Tugalândia: i.e., se vão subir ou baixar o IVA dos galões e das torradas, o retorno da sobretaxa do IRS e se as Juntas de freguesia devem agrupar ou não várias antigas circunscrições congéneres, entre outros assuntos de palpitante interesse. Aliás, por outro lado, se repararem bem nenhum, mas nenhum, dos 10 candidatos à Presidência da República se referiu, mínima e seriamente, a estas questões de primeira grandeza da vida nacional, ou seja às questões de segurança externa e interna. E, não obstante, o PR, nos termos da Constituição, "garante a independência nacional, a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas e é o Comandante Supremo das Forças Armadas.", Assim vai Portugal!

 

Se o que os jihadistas afirmam não é relevante para os superiores interesses de Portugal, o que será?

 

O EI, por ora, está confinado a um território relativamente extenso entre o Iraque e a Síria, ou seja o núcleo central do cancro está aparentemente controlado. O problema são as metástases e elas estão por toda a parte, como bem se sabe, inclusive intra-muros.

 

É provável que esta ameaça às nossas sociedades, cada vez mais visível, crescente e perturbadora, não nos venha a afectar, no tempo que ainda nos resta de vida, mas vai seguramente sobrar para os nossos filhos e netos.

 

A resposta tem de ser dada por todos nós, antes que seja tarde de mais.

 

1 de Fevereiro de 2016

 

Francisco Henriques da Silva.jpgFrancisco Henriques da Silva

NOVE MILHÕES DE EUROS COM DELEGADOS SINDICAIS

 

O ESTADO PORTUGUÊS SUBVENCIONA IDEOLOGIAS NO SEIO DOS SEUS FUNCIONÁRIOS

O MEC gasta 9 milhões de Euros com os Delegados sindicais

 

Dirigentes sindicais no Ministério da Educação e Ciência (MEC) custam ao estado 9 milhões de Euros. „O número de professores destacados nos sindicatos é actualmente de 281, dos quais 125 exercem actividade sindical a tempo inteiro e por isso não dão aulas, revelou ao Correio da Manhã o MEC”. Cf.

http://www.cmjornal.xl.pt/nacional/sociedade/detalhe/dirigentes-sindicais-custam-9-milhoes.html

 

O MEC é, certamente, o departamento do Estado onde se encontra mais implantada a esquerda com muitos radicais de esquerda, não é inocente ao caso dado subvencionar directamente ideologias entre os seus Funcionários. Na minha experiência pude observar que a maior parte dos professores são politicamente inocentes não estando conscientes do que está por trás dos altos quadros sindicais nem tão-pouco das intenções ideológicas, por vezes inerentes a formações contínuas de pedagogias e didácticas. A Fenprof não só dirige e forma a política e conteúdos de ensino mas através de seus delegados tem um campo de acção privilegiada para fomentar partidos radicais. Devo, porém não calar, em abono da verdade, que são os que mais se empenham na aplicação de interesses pessoais dos professores e políticos em geral.

 

Como funcionário do Estado português e do Estado alemão nunca pude compreender a razão de Portugal dispensar horas livres para os delegados sindicais e a Alemanha o não fazer. Embora tenha sido o co-fundador do núcleo sindical da SPE da FENPROF na Alemanha, só mais tarde compreendi os interesses políticos que se escondem por trás de tal organização. Uma colega da esquerda radical Bloco de Esquerda conseguiu, pela porta traseira subir para lugares chorudos do Estado. Só então vi que grande parte dos sindicalistas não é inocente e que as hierarquias podem muito. O Estado português fomenta estrutura ideologia e a chulice! Também por isso Portugal não vai economicamente à frente. O mesmo vírus tornou-se natural em todas as instituições.

 

Há pessoas que apostam no trabalho e na fundação de pequenas e médias empresas, outras que trabalham para o Estado e ainda outras que vivem do Estado. Um Estado que subvenciona directa e indirectamente a não produção em benefício da ideologia, permitindo-a conscientemente nas suas estruturas, torna-se partidário, não pode enriquecer e legitima a corrupção e o desequilíbrio político-social.

 

António Justo.jpgAntónio da Cunha Duarte Justo

 

O NINHO DAS RATAZANAS

 

infestacao-de-ratos.jpg

 

 

Quando a Marisa Matias fala sobre a Banca Privada, todos gostamos de ouvir. Sem dúvida.

 

Mas o problema não é a Banca falida a rebentar para cima de todos e não se resolve através de nacionalizações.

 

O problema é o Sistema cruzado em redes de corrupção. E a Banca não é mais do que a cabeça do motor da engrenagem que canalizou, distribuiu e alimentou o Sistema.

 

Passados 4 anos em que o Governo receou atacar as bases da engrenagem, temendo que com a queda sistémica da economia de fachada que o Pais ficasse reduzido a uma Ilha Deserta, o Sistema abriu brecha e as ratazanas desertam em todas as direcções.

 

Ainda há muitas feridas por abrir e muito pus para sangrar.

 

Do resto que escapar à tormenta talvez se recupere a oportunidade de construir um País, se houver Políticos interessados em escrever uma página diferente do passado.

 

Helena Branco.jpgHelena Branco

À PROCURA DUM CAIS

 

Terramoto de 1755

 

Época houve, talvez no meu tempo de estudante, que muito se falava no Terramoto, e na calamidade que isso foi. Hoje parece falar-se menos, talvez por ser tema meio cansado, e porque economicamente o mundo está à espera de outra catástrofe maior. Quem sabe se o Apocalipse.

 

Lembro só algumas situações “quase apocalípticas” que os homens, os poderosos homens, criaram, na desenfreada procura em destruir a nossa Gaia (ou Geia).

 

Só poucas, das “últimas”: o crash da Bolsa de Nova York em 1929, a especulação imobiliária provocada no Japão que criou uma tremenda bolha que estourou nos anos 80, a indiscriminada distribuição de €uros aos “irmãos pobríssimos” da Europa que acabaram por afundá-los, sem falar nas centenas ou milhares de bombas atómicas espalhadas por todo o mundo, prontas a acabarem, num hiato, com toda a vida na Terra. Só lembrar que as usinas nucleares não foram inicialmente construídas para gerar energia eléctrica, mas para se obter plutónio, com vista a alcançar a bomba atómica!

 

O plutónio é tão violento, ou tóxico que até hoje os “grandes cientistas” não sabem qual a quantidade que gera câncer de pulmão! “Supõem” que entre 1/20.000 e 1/100.000 de grama (pequena diferença!) sejam suficientes! Mas qualquer micrograma é letal. Lembram-se do ex-espião russo Alexander Litvinenko? Assassinado com um “primo” do plutónio!

 

Vale lembrar que só o Japão tem armazenadas – com toda a segurança!!! – 47.000 toneladas de plutónio, que dará para fazer milhares de bombas atómicas. Para quê?

 

Mas hoje o tema é sobre outras destruições. Vamos ao Terramoto.

 

Naquele dia, 1° de Novembro, dia de Todos os Santos, igrejas cheias de fiéis, velas acesas em todos os altares, mesmo nas casas particulares, na esperança de que algum deles se lembrasse de fazer um milagrito ou outro, a terra tremeu, tremeu tanto, que ainda hoje parece ter sido o mais violento sismo que desde sempre aconteceu na Europa.

 

O povo fugia, e era apanhado por queda de prédios, de pedras, telhas, madeiras, as ruas onde mal se podia andar ficaram cheias de destroços que ultrapassavam a altura do primeiro piso, gente gemendo e morrendo debaixo desse amontoado, as igrejas a ruírem e soterrarem dentro os fiéis, um vento fortíssimo espalhando as chamas por toda a cidade, e ainda uns saqueadores a ver o que encontravam no meio das ruínas. Estes, apanhados, nem tempo tiveram para confessar os pecados. Montaram-se rapidamente uma porção de forcas pela cidade e centenas de corpos ficaram balouçando à luz dos incêndios.

 

Alguns moradores conseguiram chegar ao Terreiro do Paço, muitos deles deixando alguém da família soterrada pelo caminho. Lugar aberto, onde não tinha chegado o fogo e alguns edifícios se mantinham em pé. E ali estavam talvez milhares. De repente vem do rio uma onda imensa com mais de seis metros de altura, invade a cidade e leva tudo pela frente. Em menos de um minuto aquela imensidade de água estava de volta ao rio, e neste vai e vem, que se repetiu durante cinco minutos, arrastou mais um monte de corpos e ajudou a derrubar mais prédios.

 

Pouco depois o vento forte, que continuava a espalhar o fogo, atingiu o Palácio Real, que o destruiu e fez desaparecer uma valiosíssima biblioteca com mais de 70.000 volumes.

 

Este cais, solidamente construído, e mais alto que o nível do Terreiro do Paço na época – vê-se bem na gravura seguinte de 1740:

FGA-Terreiro do Paço.jpg

 

Igualmente vê-se bem o cais e o paredão nesta gravura de Mateus Sautter, anterior a 1755

 

Até há pouco nunca tinha ouvido que um cais tivesse sido engolido no maremoto, e curioso como sempre, fui atrás. Fiquei sabendo que:

 

- Em 2009 a Câmara Municipal de Lisboa (CML) realizou a Empreitada de Construção do Sistema de Intercepção e Câmara de Válvulas de Maré do Terreiro do Paço. Esta obra por ter tido lugar num centro histórico da cidade de Lisboa, foi alvo de acompanhamento arqueológico. Começaram as escavações e logo foram identificados alguns elementos em madeira de grandes dimensões, como estacas de pinho e partes de embarcações, que foram limpas e tratadas.

 

Todas estas informações complementares devo à atenção do arqueólogo Dr. César Augusto Neves que teve a paciência de responder às minhas constantes perguntas, e a quem muito agradeço.

 

Constata-se pelo trabalho realizado, que a área do Terreiro do Paço, antes de 1755, como se vê pela gravura a seguir, era bem menor do que hoje:

FGA-Projecto.jpg

 Grande parte se conquistou ao mar e o nível foi aumentado até 6 metros

 

Mas onde foi parar o tal “cais” a que os testemunhos ingleses (mais do que um) referem que terá “sido engolido... parece que continuará um mistério, visto que o cais encontrado estaria no nível correcto para o tempo, o que pode ver-se por mais esta imagem, que mostra o cais uns 6 metros abaixo do nível actual.

FGA-trabalhos.jpg

 

Todas as pedras do antigo cais foram desmontadas, identificadas, numeradas e enviadas para o Museu da Cidade de Lisboa, para um dia (quando...?) serem montadas noutro local.

 

Arco de S. Bento, Praca de Espanha, Lisboa.jpg

 

Esperemos que não aguardem, como as do Arco de São Bento, que finalmente se reergueu ao fim de 70 anos de passiva e pétrea espera, na Praça de Espanha!

 

28/01/2015

 

FGA-2OUT15.jpgFrancisco Gomes de Amorim

QUANDO AS AMIGAS CONVERSAM...

BB-AMIGAS.jpg

 

Os sumos do André num mundo coiso

 

Estava ainda a remoer na questão posta pela nossa amiga, a propósito da “dona disto tudo” segundo ela, a filha do Eduardo dos Santos sobre cujo nome tivemos as três uma branca até que a minha irmã se lembrou do nome “Isabel”, nome que ela achou até bonito e pertença também de uma nossa prima de que perdemos o rasto, que era a mais velha e a mais bonita das primas, filha do mais velho e bonito irmão da nossa mãe, o tio Carlos, que fez carreira brilhante em Moçambique, mas morreu em 44, pouco antes da nossa partida para lá, para junto do nosso pai. Lembro-me bem da dor da minha mãe por essa altura, agarrada à prima de Aveiro, que o amara em jovem, as duas prostradas no chão da sala, onde caíram abraçadas. Tendo a nossa mãe ido esperá-la à estação, em grande tristeza emudecida, lenço preto na cabeça, coisa inabitual, só aclarou a notícia quando chegaram à nossa casa, por notícia recebida de África, que fez a minha mãe chamar a prima, que chegou nesse dia, de Aveiro, para lhe suavizar o choque da aflição comum, no abraço fraterno, escondido do mundo. Uma grande senhora, a nossa mãe, são gestos destes e outros que perduram na minha saudade para sempre. As conversas são como as cerejas, e os pensamentos mais ainda, mas estava eu a acabar a frase da nossa amiga - Como não rebentam com tanto dinheiro? – a propósito da, segundo ela, “dona disto tudo”, com pormenores explícitos, quando o meu ouvido foi seguidamente alertado para mais um diálogo redutor, muito cheio de risadas da minha irmã com ela, que logo transcrevi noutro guardanapo, que são coisa relativamente em conta que a minha irmã paga com a gorjeta opípara:

-É pena o mundo estar coiso- dizia a nossa amiga.

- Sempre esteve coiso – respondeu a minha irmã.

- Mas agora está mais coiso. Temos o mosquito…

 

A minha irmã opinou com o paludismo do mosquito anterior que nos fazia tomar quinino e com a malária, mais grave ainda, como prova de que sempre no mundo houve catástrofes e eu não quis deixar de referir a praga dos gafanhotos lá dos tempos do Moisés, e a peste bubónica e outras epidemias com que a Terra se vai defendendo do excesso de fertilidade humana e animal, em, por vezes autênticas hecatombes, sem contar as do fabrico humano. Mas esta do Zika e o seu vírus é tão pavorosa que todas nos arrepiámos com a retracção do cérebro dos bebés, abortos sem culpa.

 

Entretanto, a minha irmã voltou a falar nos sumos que o seu neto mais velho lhe leva todas as noites, feitos numa máquina slow juicer, cuja propaganda extraio da net:

«Slow Juicer / Extractor de Sumos »

«A nova forma de obter sumos, de frutos, raízes, vegetais e folhas, que vem revolucionar a alimentação do novo século. O slow juicing é um movimento que permite a extração do sumo dos alimentos de forma perfeita, sem aquecimento e consequente destruição dos nutrientes. O resultado é um sumo homogéneo, com muito sabor e extremamente ...»

 

- Aquilo é uma limpeza, diz a minha irmã, cujas suas últimas análises de sangue revelaram tudo perfeito, em questão de tensão, hemoglobina, etc, etc. Sumos à base de espinafres, beterraba, agrião, erva de trigo (relva), rúcula, aipo, sumo de laranja, de maçã…

 

Uma mistela, que me fez lembrar, por espírito de oposição a estas modas vegetarianas destruidoras dos prazeres gustativos, o palmier coberto de doce de ovos e açúcar de calda que pesquei ontem no café, de comer e chorar por mais.

 

Mas deixo aqui a receita do André, que nada come com glúten, muito atento ao seu físico…

 

Cá por mim, para usar do pleonasmo, entendo que a comida serve para alimentarmos corpo e alma, sem excessos mas também sem exageros de precauções ou picuinhas de pormenor e modernidade, sabendo que tanta gente há a morrer de fome por esse mundo fora…

Berta Brás 2.jpgBerta Brás

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