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A bem da Nação

CONTOS TRADICIONAIS DA LUSOFONIA

 

 

ANGOLA

 

O LOBO E A RAPOSA

 

Havia um lobo que tinha um bode. A raposa tinha uma cabra. A raposa foi pedir o bode ao lobo para criar com a fêmea.

 

cabritos.png

 

A cabra da raposa teve dois filhos. Depois, o lobo foi pedir os cabritinhos da raposa, dizendo que eram dele porque eram filhos do seu bode. A raposa respondeu:

Não, os cabritinhos são meus porque são filhos da minha cabra.

 

E o lobo a teimar que eram dele. A raposa foi depois queixar-se ao rei, que era o dono da mata – o leão – e este diz:

Vou chamar os bichos todos para virem amanhã ao julgamento, de manhã.

 

Só depois de estarem todos reunidos os bichos, começou o julgamento e à frente estavam o lobo e a raposa. Dos animais, só faltava o cágado.

 

Esperaram um pouco mais. Aí vinha o cágado, lá ao longe. O lobo falou ao cágado:

Oh! Bicho da casca, onde estavas que demoraste tanto tempo? Os bichos todos já estão cá e os elefantes também.

 

O cágado respondeu:

Eu estava ao pé de meu pai, que estava a ter um filho...

lh! Como é que você fala? Assim o teu pai costuma dar filhos? É por acaso mulher?

 

Todos os bichos que ali estavam responderam:

– lh! Afinal, um homem não dá filhos. Este julgamento que chamou a gente aqui, perdeu a razão. Estes cabritinhos ficam da raposa, porque um homem não dá filhos.

 

E o lobo perdeu a partida.

 

 

(In Portal da CPLP)

MEMÓRIAS DOS AMIGOS

 

Da Amiga Maria Eduarda Fagundes

Família Fagundes da Praia do Almoxarife (Ilha do Faial, século XIX)

 

MADUFA-Família Fagundes no Faial 1920.jpg

 

Uma família faialense do século XIX. (foto de 1920)

Gaspar Pereira Fagundes e Maria Perpétua da Silva Fagundes

Seus filhos (DA ESQUERDA P/ DIREITA)

Maria Alice Fagundes

José Maria Fagundes

Gaspar Pereira Fagundes (Jr), meu avô

João Pedro Fagundes

Lídia Albertina Fagundes

MADUFA Praia do Almoxarife, Faial.jpg

Praia do Almoxarife, Faial

TRAIÇÕES, HIPOCRISIAS, CINISMOS, DE TUDO UM POUCO

 

Maçonaria.jpg

 

Sempre associei maçonaria a nomes como Garrett, Herculano, Pessoa, gente que eu admirava pelo bem que significaram no nosso país, como construtores de catedrais próprias, de vitrais deixando passar a luz da sua sabedoria e da sua arte. Por outro lado, o saber que ela se constituía em sociedades secretas continha para mim algo de misterioso e perverso, de rituais assustadores, caras tapadas como lera em Agatha Christie, creio que em “Os Sete Relógios”, ou que os jornais por vezes deixavam transparecer, em que os mundos esotéricos constituíam também temas de preocupação ideológica desses grupos da carpintaria do mundo e das vidas, por vezes despojadas de egoísmos próprios em prol do bem comum. Mas nada sabia e nada sei. Este artigo de Duarte Justo foi uma surpresa para mim, sobre um nome há muito conhecido e que não associara a práticas altruístas, a não ser em favor desses africanos de que se mostrou camarada, posteriormente à distância, juntamente com outros amigos seus que o ajudaram a alcandorar-se nos pontos cimeiros a que o conduziu o muito saber e provavelmente a escadaria ornamentada da sua catedral maçónica. Gostei de saber.

 

O texto de António da Cunha Duarte Justo "PAZ, PANQUECAS E ALEGRIA" é, aliás, bastante esclarecedor a respeito das práticas maçónicas, com forte tendência actual não para a elevação social, como o era no tempo dos liberalismos, mas para a ascensão própria, agora que a democracia já igualou misteriosamente as sociedades, e cada um defendendo-se justamente num salve-se quem puder material, mesmo que de via maçónica.

 

Só uma pequena ressalva para os “portugueses atraiçoados”, identificados por Duarte Justo exclusivamente com os “retornados”, designação grosseira que não só afecta os portugueses que no Ultramar ajudaram a construir Portugal, e que não esperavam a designação da parte de alguém com pruridos de saber e de bom proceder, igualando-se às gentes de cá, de iracúndia menos sábia e educada, mas afecta, igualmente, aqueles portugueses que, não tendo sido “retornados”, amaram a sua pátria pluricontinental apreendida na instrução primária, juntamente com as noções morais e cívicas necessárias à sua formatação humana.

 

Berta Brás.jpgBerta Brás

"PAZ, PANQUECAS E ALEGRIA"

Almeida Santos.jpg

 

A Maçonaria portuguesa perdeu um dos seus grandes activistas: Almeida Santos

 

Almeida Santos Morreu; seu corpo esteve em câmara ardente na Basílica da Estrela sendo enterrado no Alto de São João no dia 20.01.2016. Certamente deixou-nos uma grande personalidade maçónica da esquerda portuguesa mas demasiado parcial para poder ser uma personalidade portuguesa. Como empenhado na defesa de um grupo de interesses fez muitas coisas boas e más, servido assim em demasia uma só parte dos interesses republicanos portugueses e como actuante no processo da descolonização seguiu mais os interesses soviéticos que os de Portugal, atraiçoando também os interesses de Timor como atraiçoou os portugueses (retornados).


O cardeal-patriarca de Lisboa D. José Policarpo, para se precaver contra abusos da maçonaria como se deram no funeral do mação Luís Nunes de Almeida na Basílica da Estrela, avisa através de uma carta: "Um católico, consciente da sua fé e que celebra a Eucaristia não pode ser mação". A nível teórico a argumentação do Cardeal é lógica e a experiência com a maçonaria portuguesa é em grande parte muito negativa se tivermos em conta a sua actuação através do Marquês de Pombal, o seu papel escuro nas invasões francesas na perseguição à Igreja e na condução da implantação da república.

 

De facto, a Maçonaria portuguesa contrapõe-se ao catolicismo, contrapõe-se a um humanismo cristão empenhado no sentido de uma síntese de sentimento e razão, de uma irmandade entre elite e povo. A maçonaria contribuiu para um humanismo gnóstico e iluminista da humanidade, mas caracteriza-se especialmente pelo seu carácter elitista-secreto com a pretensão de serem os arquitectos do livre-pensamento por eles controlado nas instituições estatais, como se fossem os arquitectos guardiães da grande liberdade fraterna com uma desigual repartição da igualdade para assim bem viverem num mundo abstracto ao terreno. A estratégia da maçonaria de se dedicar apenas ao fomento e forja de pessoas que aspiram a assumir funções de poder politico-económico-jurídico, oferece futuro especialmente a pessoas que numa sociedade se quer ver dirigida por alguns alumiados que pressupõe a grande massa dos obscurecidos, quando seria desejável trabalhar-se no sentido de uma massa iluminada.

 

A Maçonaria, ideologicamente, está mais próxima do Deus árabe, um deus ideia, fundamentador do poder pragmático ao estilo de Maquiavel do que do Deus cristão a viver no meio do povo. Não trabalha no sentido de um Portugal conjugado pela complementaridade de interesses mas apenas no sentido do poder da própria irmandade e correspondente ideologia. Sabem que quem puxa o povo são alguns por isso preferem ir em cima do cavalo do que a seu lado!

 

Com o pretexto de se erguer contra os interesses do rei e da instituição igreja infiltrou-se nas infraestruturas do estado português, tendo mais influência hoje nelas do que tinha antes a religião na coroa (Uma espécie de alta burguesia em torno de uma ideia a substituir o poder da velha nobreza).

 

Encontram-se em posição vantajosa em relação a outros concorrentes do poder por operarem a partir de trincheiras secretas e invisíveis e, pelo facto de praticarem a solidariedade no bem e no mal entre os irmãos e estarem organizados em redes de lojas locais, nacionais e internacionais de tráfico de influências e cumplicidade consistente porque a alto nível.

 

Não quero com isto condená-los mas até compreendê-los e felicitá-los pelo facto de saberem bem o que querem e estarem conscientes de que este mundo é governado por estruturas de poder em que o oportunismo, a hipocrisia e o cinismo são condições sine qua non! Como instituição secreta de poderosos para poderosos também têm sentido e até fascinam pessoas que querem alcançar o poder e sabem que a alma do negócio é o segredo.

 

Não dá para entender o facto de defuntos maçónicos quererem passar os últimos momentos sobre a terra num templo católico; assim até se chega a ter a impressão, que para serem mais completos e universais, precisam da extrema-unção católica.

 

Como vivemos num mundo em que o que importa é o poder, ficando o resto para inocentes, pessoas de boa vontade e distraídos, será de perguntar como é que Dom Policarpo pode impedir que católicos que querem alcançar poder a todo o custo devam renunciar a tal meio! Num sector da vida pública em que a hipocrisia e o oportunismo têm as maiores oportunidades de determinar o decorrer da História, e a maçonaria é perita nessas questões, talvez pudesse torna-se uma boa estratégia em benefício da classe dominada deixar essa questão, à discrição dos pretendentes a poder; talvez deste modo a maçonaria portuguesa se pudesse tornar mais mitigada!...

 

Da experiência pessoal que tive com maçons penso que o que os movia não era este ou aquele humanismo; no seu agir mostravam que o seu humanismo era um pretexto para afirmação do próprio ego e meio de ascensão ao poder! Penso que o que a Maçonaria poderá aprender da História é que quem serve apenas um determinado grupo ou uma ideia não serve toda a humanidade. O imaginário maçónico serve-se de uma ordem-obediência aliada a uma certa mística de ritos bem observados e assumidos pelos arquitectos das antigas catedrais e que souberam empacotar na sua deusa razão de tal ordem que fascina todo o interessado no poder ou quem estiver interessado em viver nas suas sombras. A maçonaria portuguesa é grande responsável pela ideologização empobrecedora da sociedade portuguesa; naturalmente como elite interveniente activa na política não deixa de apresentar obra. O que essa obra brilha na ponta deve-se em grande parte ao impedimento do desenvolvimento das massas atendendo à estratégia seguida no discurso público de carácter ideológico e não virado para uma argumentação da coisa em si.

 

Têm uma maneira de pensar separatista. Separam o sentimento da razão como se estes não soubessem um do outro; parecem reservar-se ad extra a razão que lhes facilita uma maneira de ser sobranceira como se fossem a razão de cima e o povo o sentimento de baixo; o pensar separatista segue a tradição de um jacobinismo francês bem empacotado que na qualidade de elite sabem bem manusear sob o manto de uma esquerda que prega solidariedade mas que vive. Conseguiram entranhar-se no Estado moderno seguindo despotismo iluminado à maneira do estilo da democracia grega que era privativo de uma oligarquia privilegiada com o resto do povo a servi-los. Estão mais habituados a servir-se do povo e não a misturar-se com ele, por isso odeiam tanto o catolicismo institucional que com a sua miscelânea popular lhe fazia sombra na concorrência do poder.

 

Eu penso tal como a maçonaria, mas precisamente ao contrário. A sua estratégia solidária do poder de cima deveria passar pela solidariedade com o poder de baixo. Uma nova consciência de um tempo novo deveria unir o sentimento à razão numa consciência de que toda a vida é uma soma de interesses e que todos os interesses devem ser complementares no sentido da criação da convivência solidária num arraial em que todos celebram a festa.

 

Desculpem-me os maçónicos bem-intencionados porque gente boa e boa gente há em todo o lado e os maçónicos, como tudo o que é grande, fizeram muito bem e muito mal. Desculpem-me aqueles que se sentem incomodados por não apresentar um texto no estilo de uma política de "Paz, panquecas e alegria", para se ir vivendo, como costumam gracejar os alemães.

 

ACDJ-Prof. Justo-1.jpg

António da Cunha Duarte Justo

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